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terça-feira, 3 de março de 2026

Sugestão da Semana #707

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recomenda em dose dupla: Blue Moon, de Richard Linklater, e o português Terra Vil, de Luís Campos.

BLUE MOON



Ficha Técnica:
Título Original: Blue Moon
Realizador: Richard Linklater
Elenco: Ethan Hawke, Margaret Qualley, Bobby Cannavale, Andrew Scott, Jonah Lees, Simon Delaney
Género: Comédia, Drama, Histórico
Classificação: M/14
Duração: 100 minutos

TERRA VIL


Ficha Técnica:
Título Original: Terra Vil
Realizador: Luís Campos
Elenco: William Cesnek, Rúben Gomes, Lúcia Moniz, Francisca Sobrinho, Beatriz Relvas, Manuel Nabais, José Martins, Rita Revez, Filomena Gigante
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 96 minutos

domingo, 24 de abril de 2022

Sugestão da Semana #504

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o novo filme de Robert Eggers, O Homem do Norte, que já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.



Ficha Técnica:
Título Original: The Northman
Realizador: Robert Eggers
Elenco: Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Ethan Hawke, Anya Taylor-Joy, Gustav Lindh, Björk, Willem Dafoe, Ralph Ineson
Género: Acção, Aventura, Drama
Classificação: M/16
Duração: 136 minutos

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Crítica: O Homem do Norte / The Northman (2022)

"I will avenge you, Father. I will save you, Mother. I will kill you, Fjölnir."

Amleth


*8/10*

Robert Eggers regressa com o visceral O Homem do Norte (The Northman), onde lendas e espíritos se juntam numa acção comandada pelo desejo de vingança. Semelhanças com Hamlet, de William Shakespeare, não são coincidência, já que ambos se inspiram no lendário herói nórdico, Amleth. Contudo, Eggers, em coautoria com o escritor islandês Sjón, cria a sua própria visão dos mitos e lendas escandinavos, inserindo-os no universo sujo e sombrio que caracteriza os seus filmes.

"Durante a viragem do século X, na Islândia, o jovem príncipe Amleth está à beira de se tornar um homem quando o pai é brutalmente assassinado pelo tio, que rapta a mãe do rapaz. Fugindo do seu reino insular por barco, jura vingança. Duas décadas mais tarde, Amleth é um viking berserker que invade aldeias eslavas. Num desses lugares, uma vidente recorda-o do seu voto: vingar o pai, salvar a mãe, matar o tio. Viajando num navio de escravos para a Islândia, Amleth infiltra-se na quinta do seu tio com a ajuda de Olga, uma mulher eslava."

Ainda que a história que inspira o filme de Eggers já seja conhecida, o desenlace não é óbvio nem desilude. A vingança e o desejo de justiça são motivação para cada acto de Amleth, onde a acção é contrabalançada com suspense e misticismo - tudo bem ao estilo do realizador (basta lembrar O Farol e A Bruxa) - e muita violência.

O Homem do Norte é exímio na recriação do ambiente inóspito e brutal da época, das batalhas sangrentas, das perigosas viagens de barco nos mares do norte, do trabalho escravo ou da leviandade com que os poderosos tratam os seus subordinados.

No protagonista, Amleth, são trabalhados muitos sentimentos e emoções: da criança que admira o pai e quer estar à altura das suas expectativas, ao trauma que alimenta o desejo de vingança e o obriga a partir para terras desconhecidas; ou do adulto selvagem e implacável, que recupera o seu lado racional e retoma o desejo de fazer justiça ao pai e salvar a mãe. Ao fim de 20 anos, Amleth reencontra-se com o passado e tem a oportunidade de experimentar muitos sentimentos que deixou de parte - entre eles o amor. Alexander Skarsgard revela-se empenhado e tão capaz quer na componente física do papel - onde adopta uma postura quase animalesca -, como na psicológica, com diferentes nuances emocionais ao longo da longa-metragem.

Mas é tecnicamente que O Homem do Norte realmente se eleva. Nos cenários gelados da Islândia, há que dar todo o mérito ao fabuloso trabalho da direcção de fotografia de Jarin Blaschke (o mesmo dos anteriores filmes de Eggers) que, entre o gelo, a lama e os vulcões fumegantes, consegue captar, através da iluminação das imagens - também diurnas, mas em especial as nocturnas -, os corações gélidos das personagens e o calor do ódio que carregam em si. As sequências de acção são intensas e bem coreografadas, potenciadas mais ainda pela excelente montagem de Louise Ford. A pairar, qual fantasma, a banda sonora de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough funde-se com os uivos e gritos de guerra ou de terror.

O Homem do Norte veio alargar o espectro da filmografia de Robert Eggers, reforçando a criatividade e o talento que o realizador tem para entorpecer as audiências e, ao mesmo tempo, prendê-las à visceralidade tanto visual como psicológica da sua obra.

domingo, 14 de junho de 2020

Animais Cinéfilos #14

O Animais Cinéfilos de hoje traz-nos um actor canino muito talentoso. Com mistura de Boiadeiro-australiano e Border Collie, o Jumpy entrou em várias longas-metragens (Cavaleiro de Copas, de Terrence Malick, e Excepção à Regra, de Warren Beatty, são dois exemplos), sendo que aqui destacamos aquela em que contracena com Ethan Hawke: Terra Violenta (In a Valley of Violence), de 2016, realizada por Ti West.


Um filme de cowboys que tem como protagonistas Paul, um forasteiro a cavalo, e a sua inseparável cadela Abby - porque, também nos animais, a interpretação não olha a géneros. O pequeno "actor" faleceu em 2018, mas deixou legado e muito boas recordações no belíssimo desempenho da fiel companheira de Paul. O enredo do filme sofre uma reviravolta onde a vingança impera, muito devido à personagem de Jumpy.


Fica a sugestão de visualização. Apreciemos o talento deste destemido e habilidoso actor menos convencional. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Sugestão da Semana #340

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Juliet, Nua, porque, de vez em quando, também precisamos de uma comédia romântica.

JULIET, NUA


Ficha Técnica:
Título Original: Juliet, Naked
Realizador: Jesse Peretz
Actores: Rose Byrne, Ethan Hawke, Chris O'Dowd, Jimmy O. Yang 
Género: Comédia, Romance, Música
Classificação: M/12
Duração: 105 minutos

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Crítica: No Coração da Escuridão / First Reformed (2017)

"Can God forgive us for what we’ve done to this world?"
Michael

*9/10*

Que estocada no meu sossegado íntimo cinéfilo, que desconforto e vício, que bom voltar a sentir-me viva e em conflito numa sala de cinema. No Coração da Escuridão (First Reformed) merecia um título bem melhor em português e passará pelas salas sem que muitos se dêem conta do grande filme que vão perder.

Paul Schrader ensina-nos como com pouco se faz muito e aponta as câmaras ao que realmente interessa, as personagens e o seu conflituoso e perturbado interior. A plateia aguarda todo e qualquer novo detalhe, incomodada mas presa às personagens, suas dúvidas e dilemas.

O reverendo Ernst Toller (Ethan Hawke) é um solitário pastor numa comunidade a norte de Nova Iorque. A igreja é agora uma atracção turística que recebe uma congregação cada vez menor, eclipsada por um novo templo construído nas proximidades. Atormentado por demónios pessoais e sentimentos de culpa pela morte do filho e pelo divórcio que se seguiu, Toller vê os seus dilemas ganharem uma nova dimensão quando confrontado com as dúvidas de Mary (Amanda Seyfried). A jovem está grávida, mas o marido, um ambientalista radical, não quer ter a criança por considerar que o mundo não tem salvação ou futuro.


Num misto de desespero, obsessão, coragem e esperança, No Coração da Escuridão constrói-se e desabrocha numa jornada de decisões e acontecimentos inesperados. Toca em temáticas fulcrais da forma menos usual, sejam as crises de fé, o luto, o activismo ou os interesses económicos acima de tudo o resto. Nada aqui é cliché, nem simples, nem demasiado complexo. É um trabalho desconfortável mas muito intenso, inteligente e absorvente. O filme não nos irá deixar em paz, nem dormir sossegados.

Ethan Hawke revela-se como nunca o tinha feito. Que grande actor nasceu na pele deste pastor, ex-capelão militar, que se vê assolado em dúvidas e receios. Que turbilhão de sentimentos e sensações ele nos é capaz de transmitir, ao incorporar um homem de meia idade, envelhecido pela dureza da vida, pelos pecados - seus e dos outros -, pela constatação da realidade cruel. Um homem de poucos sorrisos e com pouco a que se agarrar. A igreja vazia e centenária é o seu refúgio, bem como a escrita de um diário em sua casa, quase despida e pouco confortável.


No singelo decorrer da acção, Paul Schrader surpreende-nos, de quando em quando, com planos absolutamente inesperados e extasiantes, surgidos certamente de um lado surrealista que todos devemos ter. Planos de libertação e esperança, inspiradores e corajosos.

Porque a esperança, o desespero e a coragem, de que Toller nos fala numa das avassaladoras conversas (tão bem escritas) que tem durante o filme, são um dos grandes motores da narrativa e, igualmente, aquilo de que mais precisamos para continuar a viver.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Sugestão da Semana #333

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o drama No Coração da Escuridão. Um filme intenso e incómodo protagonizado por Ethan Hawke.

NO CORAÇÃO DA ESCURIDÃO


Ficha Técnica:
Título Original: First Reformed
Realizador: Paul Schrader
Actores: Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Cedric the Entertainer, Michael Gaston, Victoria Hill, Philip Ettinger, Bill Hoag
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 113 minutos

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Secundários

E entre os nomeados nas categorias interpretativas, só nos falta analisar quem está na corrida para o Oscar de Melhor Actor Secundário.

1. J.K. Simmons por Whiplash - Nos Limites (Whiplash)


Simmons funde-se com a sua personagem, Fletcher, o aterrador - quase sádico - professor que assombra a banda que dirige. Com Miles Teller - o único que lhe enfrenta o olhar ameaçador -, forma uma dupla imbatível. Fletcher é intransigente, um bully, capaz dos actos e das palavras mais inesperadas, que convive no entanto com um estranho sonho de encontrar o músico perfeito entre os seus alunos - uma espécie de máquina incapaz de errar. J.K. Simmons aterroriza-nos tanto como aos seus alunos e é impossível não querer dar o Oscar a este "vilão".

2. Robert Duvall por O Juiz (The Judge)


O veterano Robert Duvall surge seguro num papel que não lhe apresenta grandes dificuldades. Ele é Joseph Palmer, um juiz casmurro e extremamente rigoroso. Tudo isso se reflecte na má relação que mantém com o filho Hank, um conceituado advogado. Os papéis invertem-se quando o juiz se vê no banco dos réus e o filho na obrigação de o defender. Duvall confere à personagem a sobriedade que esta pede, um homem duro e orgulhoso, capaz de revelar o seu lado doce junto da neta. Por outro lado, ao descobrir-se a doença de que padece, assistimos a uma grande entrega emocional e física por parte do actor.

3. Mark Ruffalo por Foxcatcher


Como Dave Schultz, Mark Ruffalo quase passa despercebido ao lado de Steve Carell e Chaning Tatum. Todavia, a sua personagem e fundamental para toda a narrativa. Ele desempenha na perfeição o papel de um homem ponderado e fiel aos seus valores, que adora o irmão e põe a família à frente de tudo. Com uma interpretação tranquila e consistente, Ruffalo é bem sucedido a conquistar a simpatia da plateia.

4. Ethan Hawke por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)


Ao longo dos 12 anos de filmagens de Boyhood, Hawke é ele mesmo, igual ao que nos tem habituado - por exemplo na trilogia de Antes do Amanhecer. O actor (que parece não envelhecer, ao contrário das restantes personagens) é o pai ausente e irresponsável, sempre pronto para a diversão e para dar conselhos, apesar de não ser o melhor exemplo a seguir.
Não há muito a dizer. Ninguém duvida que Edward Norton é um excelente actor, mas, em Birdman, não nos mostra nada que o faça superar-se ou que não pudesse ser feito por qualquer outro actor, até com menos notoriedade.

domingo, 30 de novembro de 2014

Sugestão da Semana #144

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de Richard Linklater, Boyhood - Momentos de uma Vida. Relê a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

BOYHOOD - MOMENTOS DE UMA VIDA


Ficha Técnica:
Título Original: Boyhood
Realizador: Richard Linklater
Actores: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, Lorelei Linklater
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 165 minutos

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Crítica: Boyhood - Momentos de uma Vida (2014)

"I just thought there would be more."
Mom
*8/10*

Richard Linklater fez História no cinema. A aparente simplicidade de Boyhood acaba quando tomamos consciência de que a mesma equipa se reuniu todos os 12 anos de produção, dando, cada um deles, um pouco da sua vida, do seu crescimento/envelhecimento a este filme. É isto mesmo que o torna especial: a coragem e comprometimento de actores e técnicos e a persistência de Linklater em levar avante este projecto singular.

O realizador filmou, ao longo desta dúzia de anos, a vida de uma família fictícia, que podia ser a de qualquer um de nós. Neste caso, o protagonista é Mason, uma criança de seis anos, que conhecemos até aos 18. E o que vemos no ecrã é isso mesmo: a passagem do tempo, o crescimento, a mudança de voz, as discussões com a irmã mais velha, os encontros esporádicos com o pai, os novos maridos da mãe, os amigos, as mudanças de casa, os erros, as loucuras, as paixões, os sonhos...


Boyhood leva-nos a recordar a infância e adolescência, leva-nos a querer que também alguém filmasse cada ano da nossa vida, quando as mudanças são imensas, mas o privilegiado foi Ellar Coltrane (e também a filha do realizador, Lorelei Linklater), que se sai especialmente bem para este seu primeiro, longo e desafiante trabalho. Ethan Hawke é o pai ausente e irresponsável, sempre pronto para a diversão e para dar conselhos, apesar de não ser o melhor exemplo a seguir. Hawke é ele mesmo em Boyhood, igual ao que nos tem habituado - por exemplo na trilogia de Antes do Amanhecer. Mas quem se destaca verdadeiramente é a sofrida mãe Patricia Arquette. Sem medo nem vergonha de abraçar um projecto que mostra o seu envelhecimento, as mudanças físicas - e psicológicas - e a sua total entrega à personagem, a mãe sempre presente, que escolhe mal os maridos, Arquette oferece-nos uma das melhores prestações femininas do ano. É com ela que vamos lamentar a passagem do tempo - tão rápida - e compartilhar a revolta e explosão de sentimentos desta mãe, perto do final.

Filmado em 35 mm e com uma nostálgica banda sonora a acompanhar, Boyhood faz-nos viajar no tempo ao longo de quase três horas, com os saltos temporais anuais que a montagem de Sandra Adair nos proporciona, onde avaliamos as diferenças físicas e psicológicas de cada personagem (qual familiar que não vemos há muito tempo). O trabalho da direcção de fotografia, a cargo de Lee Daniel e Shane F. Kelly, tem momentos muito competentes, sabendo aproveitar a luz e as vantagens da película.


Boyhood passa num instante, tal como a vida. Apesar de, na segunda metade do filme, o realizador cair no erro das conversas filosóficas sobre nada (que o aproxima do aborrecimento da trilogia mencionada), Linklater deu à luz um trabalho corajoso e único no cinema e, mesmo que não seja tão emocional como se poderia esperar, é contudo um retrato da banalidade da vida e de todas as fases do crescimento de um jovem.