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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

MOTELx'14: Life After Beth (2014)

*6/10*

Life After Beth abriu esta edição do MOTELx, com muito humor negro e divertidos momentos nonsense. Um Apocalipse zombie e uma história de amor para além da morte aguçam as expectativas, o resultado não sendo surpreendente é, acima de tudo, divertido.

Zach está inconsolável com a inesperada morte da namorada, Beth. Mas quando esta regressa miraculosamente à vida, Zach quer aproveitar ao máximo a segunda oportunidade que o destino lhe deu. Contudo, a nova Beth não é bem a pessoa que era anteriormente, e a vida de Zach não vai propriamente melhorar.

Com nomes soantes como John C. Reilly, Paul Reiser, Dan Dehaan ou Anna Kendrick no elenco, Jeff Baena teve elementos fortes para a sua estreia na realização. O argumento, também da sua responsabilidade, traz-nos uma história de zombies cheia de amor, uma comédia negra pura, com um romance improvável a dar o mote. Life After Beth não será um marco no cinema de terror, longe disso, mas trará muitas gargalhadas a uma plateia pouco comprometida. É essencialmente isso que o filme de Baena pede: uma mente aberta que desfrute da tragédia daquelas personagens e se ria com todas as situações hilariantes e sem sentido a que assiste. 


A gradual mudança de Beth, potenciada pela caracterização, é inicialmente discreta mas começa a deixar-nos pouco à vontade, tal como a Zach, à medida que o filme avança. Life After Beth peca principalmente pelo final abrupto e pouco original. Depois de mais de uma hora a introduzir-nos na relação amorosa de Beth e Zach, a história merecia uma conclusão menos "esquecível".

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

MOTELx'14: The Guest (2014)

*8.5/10*

Provavelmente um dos grandes filmes do MOTELx'14: The Guest, de Adam Wingard (realizador de You're Next, que fez furor no MOTELx'13) promete muito e oferece ainda mais com um thriller violento e sarcástico.

Aparentemente pouco profundo, mas extremamente certeiro e bem concretizado, é assim o novo filme de Wingard. The Guest alia a história, cheia de suspeitas e segredos, onde não falta uma leve crítica politico-militar, a uma realização e fotografia de excelência, a um sarcasmo muito eficaz, a interpretações interessantes e ainda a uma banda sonora a condizer.

David é mesmo o convidado perfeito. Simpático, bonito e prestável, este jovem soldado visita a casa da família Peterson, afirmando ser um grande amigo do filho que morreu no campo de batalha. A família dá as boas-vindas a David e convida-o a entrar na vida deles, recebendo-o em sua casa. Mas quando várias pessoas morrem misteriosamente na cidade, Anna, a filha adolescente, começa a suspeitar que David é o responsável pelos terríveis crimes.


A atmosfera é de tensão, carregada de ironia, sensualidade e muito sangue. A banda sonora é fenomenal, cheia de sonoridades electrónicas, com uns toques 80's, que encaixam de forma poucas vezes vista nas imagens que passam no ecrã. O trabalho de fotografia é muito interessante, recorrendo a imprescindíveis jogos de espelhos e cores. Perto do fim, e tendo como marcador temporal o halloween, chega-nos a mais bela cena de The Guest, que conjuga todos estes aspectos técnicos de forma inesquecível, aliados ao twist - que não sendo inesperado é competente -, levando o espectador a entrar numa espécie de hipnose. O paradoxo entre música e acção está verdadeiramente bem concretizado.

Com The Guest (e pondo de parte o humor), Adam Wingard faz-nos lembrar Nicolas Winding Refn no trabalho de luz, cor, no modo de filmar as cenas de acção, na violência ou mesmo na ideia de anti-herói.


Nas interpretações, Dan Stevens tem um desempenho frio, sensual e mortífero, com as doses certas de sarcasmo, tal como David pede. Por seu lado, Maika Monroe - talvez a nova estrela do terror, já que protagonizou também It Follows neste MOTELx - surge competente, entre a ingenuidade típica da idade e a coragem que se vê obrigada a descobrir.

The Guest é um thriller sangrento que todos deveriam descobrir. Fiquemos a aguardar que chegue depressa às salas de cinema.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

MOTELx'14: O Cerro dos Enforcados (1954)

*7/10*

A secção Quarto Perdido é sempre uma das que mais curiosidade pode despertar no MOTELx pelos clássicos do cinema português - muitas vezes, quase desconhecidos - que nos traz. Este ano, O Cerro dos Enforcados, de Fernando Garcia, foi um dos escolhidos. O filme, que data de 1954, é uma adaptação de O Defunto, conto de Eça de Queirós, e foi durante muito tempo oficialmente o único exemplo do cinema português do género fantástico. A história do morto que "ressuscita" para salvar uma vida parecia ter tudo para agradar ao grande público, mas tanto o público como a crítica renegaram esta longa-metragem, marcando o início do período negro do cinema português, até ao surgimento do Cinema Novo.

No século XV. D. Afonso, um velho fidalgo ciumento, ordena que todos se afastem quando a mulher, D. Leonor, vai à igreja orar à virgem das Mercês. Um dia, é vista por outro nobre, D. Rui, que fica deslumbrado com a sua beleza. D. Afonso manda retirar a esposa para a quinta do Cabril, e decide apunhalar o rival. É então que um enforcado resolve intervir.

Tecnicamente, O Cerro dos Enforcados não nos traz nada de especialmente inesquecível. Toda a narrativa é contudo promissora, mais ainda na época em que o filme foi rodado. Uma história de ciúme obsessivo da parte de um marido consideravelmente mais velho, uma mulher jovem e bonita, e a chegada de um fidalgo jovem e elegante, tudo cria um ambiente de potencial interesse para o espectador, que pode começar a imaginar o desfecho.

A religiosidade está bem presente na adoração à virgem das Mercês por parte de D. Rui e de D. Leonor. O medo, por sua vez, está espelhado no cerro dos enforcados, por onde D. Leonor tem receio de passar, e será mesmo dali que virá a grande surpresa do filme. 

Não sendo uma obra ímpar do cinema português, O Cerro dos Enforcados é, no entanto, um clássico que vale a pena conhecer, com um elenco com nomes como Artur Semedo, Helga Liné ou Alves da Costa.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

MOTELx'14: The Dance of Reality / La danza de la realidad (2013)

*6.5/10*

Um dos filmes mais esperados do MOTELx'14 foi The Dance of Reality, de Alejandro Jodorowsky (El Topo, The Holy Mountain), o cineasta chileno que regressa após uma pausa de 23 anos. A apresentar o filme e a responder às questões do público esteve o protagonista e filho do realizador, Brontis Jodorowsky.

Nesta obra autobiográfica (o filme foi rodado em Tocopilla, a vila chilena onde o autor nasceu em 1929), um jovem Jodorowsky é confrontado por um conjunto de personagens que contribuíram para o crescimento da sua consciência surrealista. A sua história pessoal mistura-se com metáforas, mitologia e poesia.

Visualmente, The Dance of Reality é repleto de cor e de cenários curiosos, o argumento, apesar de parcialmente autobiográfico, é marcadamente surrealista, fazendo-nos entrar nas aventuras mais surpreendentes e dar de caras com as personagens mais inesperadas. Desde uma mãe que fala a cantar ópera, ao amigo engraxador, ao seu irmão gémeo, aos palhaços, ao anão à porta da loja da família Jodorowsky, cada personagem tem algo de singular.

Por outro lado, colocar Brontis Jodorowsky a vestir a pele do próprio pai é uma opção inteligente, ao mesmo tempo que o realizador surge muitas vezes no ecrã aconselhando o espectador e o jovem Alejandro, repleto de dúvidas e com um forte desejo de agradar ao pai.


É neste universo surreal e muito pessoal que Alejandro Jodorowsky regressa aos filmes e mesmo que não nos consiga aproximar suficientemente da sua visão - talvez mesmo por esse lado marcadamente pessoal - o realizador convida-nos a entrar nas suas recordações e a entregarmo-nos à ilusão, a viver e a crescer: eis, The Dance of Reality.

MOTELx'14: Over Your Dead Body / Kuime (2014)

*5.5/10*

Uma sala Manoel de Oliveira quase cheia recebeu a estreia europeia de Over Your Dead Body no MOTELx'14. O mais recente filme de Takashi Miike pega na peça clássica História de Fantasmas de Yotsuya (Yotsuya Kaidan), também adaptada ao cinema por Nobuo Nakagawa, em 1959 - Ghost Story of Yotsuya (que passou pelo MOTELx'12).

Em Over Your Dead Body, um grupo de teatro prepara a estreia de uma nova versão teatral de História de Fantasmas de Yotsuya. Estranhamente, os principais elementos da peça - homicídio, traição e vingança sobrenatural - começam a repetir-se na vida real dos actores.

Quem, como eu, já viu o filme de Nobuo Nakagawa provavelmente não terá grandes surpresas ao assistir a esta longa-metragem. A história mantém-se fiel ao clássico, com a opção de estabelecer uma dualidade entre o que acontece no palco e fora dele. Contudo, a transposição para vida real das personagens merecia ser mais bem construída, apesar de funcionar numa espécie de atordoamento da plateia que irá duvidar de onde está o imaginário e a realidade, onde acabam os ensaios e começa a história de Miyuki e Kosuke.

Obsessão, traição e fantasmas juntam-se a muito sangue e a algumas cenas mais gráficas, e tudo denota a estética peculiar mas assertiva do realizador, que nos proporciona momentos visualmente interessantes. Toda a mecânica do palco, o trabalho de luz e som oferecem-nos um espectáculo curioso e pouco comum, que apenas perde devido às opções de condução da narrativa.

MOTELx'14: The Storm Within / Rouge Sang (2013)

*4/10*

The Storm Within trouxe uma espécie de terror de época ao MOTELx'14. A ideia de uma mulher guerreira com três filhos pequenos, num filme de home invasion pouco comum faz aumentar as expectativas. Foi essa a proposta do realizador Martin Doepner, mas o entusiasmo do público depressa cai por terra ao perceber que tudo vai parecer fácil demais.

Tudo acontece num canto longínquo do vale de Saint-Laurent, na véspera de ano novo de 1800. Uma das noites mais especiais do ano torna-se um inferno para uma jovem mãe que se vê obrigada a abrigar na sua casa isolada cinco soldados britânicos. Ao longo da noite de tempestade e sem o marido em casa, a tensão cresce e culmina em actos inesperados. Com o nascer do dia, não fica claro quem é a vítima e quem é o agressor.

Acção e drama não faltam, é verdade. O terror propriamente dito não passará muito das mortes que se vão sucedendo (e da forma como acontecem). A "heroína" da história não nos vai deixar muito convencidos, os antagonistas não trazem grandes novidades, as crianças vêm distrair-nos do essencial e, no fundo, Ésperance, a protagonista, poderia ter encarnado algo bem mais aterrador - o público pedia por isso.

Todo o ambiente é interessante e algo perturbador, mas a história toma proporções pouco convincentes. Os vários plot twits, perto do final, poderão agradar a alguns e deixar outros cansados de tantos esforços para nos convencer.

MOTELx'14: Alleluia (2014)

*4.5/10*

Presente em Lisboa, Fabrice du Welz trouxe ao MOTELx'14 um filme que prometia muito. Livremente inspirado numa história verídica que abalou os Estados Unidos da América entre 1947 e 1949, e deu origem, em 1969, ao filme The Honeymoon Killers, Alleluia debruça-se sobre a história de Michel, um mulherengo incorrigível e gigolô profissional. Quando conhece Gloria, esta torna-se mais do que uma conquista. Ela perde a razão por amor a ele e, ao descobrir a verdadeira profissão de Michel, prefere tornar-se sua cúmplice do que arriscar perdê-lo. Juntos embarcam numa odisseia selvagem e mortífera.

O argumento é interessante, mas o rumo não parece ser o mais acertado. Às boas interpretações de Laurent Lucas e, especialmente, de Lola Dueñas - que tem aqui uma entrega estrondosa -, juntam-se bons planos e algumas sequências curiosas, onde se destaca o momento em que Michel e Gloria dançam junto a uma fogueira, num misto de luz e som completamente alucinante e desconcertante - sem dúvida, o melhor momento da longa-metragem.

O resto não é muito aliciante. O início prende-nos a atenção e faz-nos esperar algo verdadeiramente surpreendente; no decorrer da acção, entre uma ou outra cena um pouco mais gráfica, o interesse perde-se, com vítimas, obsessão e um pouco mais do mesmo, e sem um twist que faça Alleluia valer realmente a pena.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Pela Boca Morre O Peixe vence MOTELx'14

A 8ª edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa chegou ao fim e foi a curta-metragem Pela Boca Morre O Peixe que venceu o galardão do festival. Foi na sessão de encerramento que o público ficou a conhecer o vencedor, escolhido de entre os 13 filmes em competição. Seguiu-se a projecção do filme de encerramento Stage Fright, de Jerome Sable.


Realizada por João P. Nunes, Pela Boca Morre O Peixe conta a história de um homem, adepto da pesca ilícita, que, certo dia, passa de caçador a presa. O Hoje Vi(vi) um Filme entrevistou o realizador e podes reler a entrevista aqui.

O júri do Prémio MOTELx foi composto por Gonçalo Waddington, Luísa Sequeira e Dan Frye.


Segue-se, nos próximos dias, a publicação de mais críticas aos filmes vistos no festival.

sábado, 13 de setembro de 2014

MOTELx'14: Cannibal / Caníbal (2013)

*4/10*

A tarde de sexta-feira, o terceiro dia do MOTELx, começou às 14h00 na sala Manoel de Oliveira com um drama em espanhol. O terror ficou um pouco de parte - apenas na ideia do assassino em série - e as emoções sobrepuseram-se ao visceral que se poderia esperar de um filme com um título tão elucidativo como Cannibal.

Carlos, o mais prestigiado alfaiate de Granada, é, afinal, um assassino. Sem remorsos, ele mata mulheres, até que conhece Nina e algo parece mudar. Manuel Martín Cuenca teve o seu filme a estrear no último Festival de Toronto e passou igualmente por San Sebastian (onde venceu o prémio para melhor fotografia).

Não há, contudo, muito a dizer sobre Cannibal. O filme não traz nada de novo ao género - na mesma linha tivemos muito melhor o ano passado com We Are What We Are, por exemplo -, nem o percurso do protagonista consegue chegar a tocar o espectador. Conhecemos Carlos apenas como criminoso, sem justificações. Ele pouco nos diz, tal como pouco diz a Nina, a única que parece escapar aos seus instintos. Os diálogos são escassos e, pior, nada bem conseguidos - o twist final, que implora por seriedade e compaixão (?), levou a plateia às gargalhadas -, as personagens não têm força suficiente para conquistar o público, e, ao mesmo tempo, sente-se que o realizador tem medo de chocar.


Nos aspectos positivos contam-se o ambiente sombrio e gelado e a premiada fotografia, de Pau Esteve Birba, que soube aproveitar a bonita luz de que dispôs. No elenco, Antonio de la Torre faz um trabalho competente na pele deste protagonista frio e distante.

Cannibal ganharia, provavelmente, caso o trabalho de montagem fosse mais corajoso. As cenas são demasiado longas, algumas delas totalmente vazias de significação para o todo, resultando num filme grande demais para o que relata. A ideia era interessante, mas a concretização foi pouco feliz.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

MOTELx'14: Entrevistas - Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto

O MOTELx já começou e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Desta vez, entrevistei Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto, a propósito da sua curta-metragem, Gata Má.

De onde surgiu a ideia para Gata Má?
Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto: A ideia surgiu a partir de um episódio televisivo sobre esquizofrenia infantil, que nos despertou curiosidade. Já tínhamos trabalhado juntas anteriormente e na altura estávamos à procura de um desafio na área da animação. Este tema, por ser invulgar e ter uma forte carga emocional, pareceu-nos interessante de explorar, tanto na componente plástica como psicológica.

O que é que a vossa curta-metragem traz de diferente ao cinema de terror? É uma forma de mostrar que a animação também consegue ser perturbadora?
E.M., J.R. e S.A.: Esta animação não foi pensada para se inserir num género específico embora se enquadre bem no cinema de terror. Pensamos que o impacto da curta se deve tanto ao facto de ser baseada num tema real como à forma como decidimos tratá-lo. Por a curta ser narrada através da perspetiva da criança, leva o espectador a refletir sobre o tema de uma forma diferente do habitual. Sendo um filme de animação, que tradicionalmente se associa mais ao universo infantil, neste contexto pode ser mais perturbador do que o cinema real. No entanto decidimos recorrer a este meio porque, devido ao nosso percurso artístico, preferimos a sua linguagem mais expressiva e plástica que nos permite uma maior liberdade criativa.


Recentemente Gata Má passou pelo IndieLisboa. Como é ver o vosso trabalho seleccionado agora para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
E.M., J.R. e S.A.: Tem sido uma surpresa muito boa! Como a Gata Má é o nosso primeiro filme de animação, feito sem quaisquer apoios financeiros nem meios profissionais, não sabíamos muito bem o que esperar. O facto de ter sido selecionada para vários festivais nacionais e internacionais, e agora para um festival tão prestigiado como é o MOTELx, é muito gratificante e encorajador para futuros projetos. Não podemos deixar de agradecer à Sara Barbosa da companhia Cão Danado por acreditar no projeto e pela sua importante contribuição na narração.

Quais as vossas principais influências cinematográficas?
E.M., J.R. e S.A.: Devido à nossa formação na área das Artes Plásticas, as nossas influências vêm mais dessa área do que do cinema. No entanto todas temos uma certa preferência por histórias com um lado mais negro. E naturalmente, sendo três realizadoras a dar o seu contributo, foram três fontes de influência diferentes que contribuíram para enriquecer o projeto. Se tivéssemos que nomear uma influência seria a de Tim Burton pelo seu trabalho sombrio e ricamente plástico.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

MOTELx'14: Entrevistas - Rui Pilão

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Rui Pilão, a propósito da sua curta-metragem, A Morte é o Único Perdão.

Estás de regresso ao MOTELx pelo segundo ano consecutivo e após teres recebido uma menção honrosa na edição de 2013. Como é estar de volta ao festival?
Rui Pilão: No ano passado creio ter dito que foi uma sensação de missão cumprida, desta vez essa missão foi bem mais árdua mas conseguimos. Pela segunda vez tive como principal objetivo participar no MOTELx, o que só por si, dadas as condições em que costumo trabalhar, já é um feito. O ser nomeado pela segunda vez foi sem duvida uma vitória. A minha equipa merecia, estão orgulhosos do trabalho que fizeram e isso para mim é o mais importante.

O que nos trazes este ano com A Morte é o Único Perdão? O que é que o público pode esperar desta curta?
R.P.: Esta curta-metragem pretende desafiar o público. Uma das coisas que mais gosto no cinema, quando partilho a experiência com amigos, é o debate no final. Procurei criar dúvidas, sem enganar o público, recorrendo a simbologias e subtexto. Algo que pudesse viver para além da história principal, que parece óbvia à primeira vista, mas não o é. Quando mostrei a curta a amigos e familiares, as interpretações variaram, e criou curiosidade para verem novamente. Espero que funcione com o público em geral da mesma forma.


Quais os pontos que unem este trabalho com a tua curta do ano passado, Desespero? E em que é que elas se distinguem?
R.P.: Desde a minha primeira curta-metragem Aqui jaz a minha casa, procurei seguir a mesma linha mas com estilos e linguagem diferentes. Todos os protagonistas são personagens que vivem atormentadas pelo passado e em todas as histórias existe uma forte critica social e religiosa, entre outras. No caso do Desespero e agora A morte é o único perdão, essa linha é ainda mais evidente porque segue a mesma fórmula em termos estruturais. A maior diferença entre as duas é que esta última é muito mais “crua”. Eu pretendia prestar homenagem a alguns dos realizadores que admiro. Em finais de 70 e ao longo da década de 80 quando começaram as suas carreiras tinham curtas mais experimentais, filmadas em 16mm, com cortes bruscos e cheias de “erros”, alguns assumidos, outros não, que transmitiam uma estética e realismo muito vincadas. Daí eu também ter optado por “destruir” a imagem e seguir esse estilo mais brusco e experimental com o intuito de transportar o público para o mundo de sofrimento do protagonista. Foi um risco, mas estou aqui para experimentar e arriscar. Para mim o mais importante é a experiência que irá dar na sala de cinema, estou curioso para ver.

Já tens projectos futuros em mente? 
R.P.: O meu objetivo é realizar mais três curtas, é tudo uma questão de ter os meios de que necessito. Tenho optado por trabalhar noutros projetos e deixar esses pendentes devido à falta de condições. Por mais que possa ser desenrascado, há obstáculos complicados de ultrapassar. Após realizar essas curtas, caso me sinta preparado, seguirei o caminho lógico da longa-metragem. Já tenho o step outline feito para duas longas, por isso é só uma questão de tempo.

Facebook do filme A Morte é o Único Perdão

MOTELx'14: Entrevistas - Leonardo Dias

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Leonardo Dias, a propósito da sua curta-metragem, Schadenfreude – De Morrer a Rir.

De onde surgiu a ideia para De Morrer a Rir?
Leonardo Dias: Coincidência ou não, a ideia para De Morrer a Rir começou a ser esboçada há um ano atrás, exatamente no festival onde irá agora ter a sua estreia absoluta: o MOTELx. Encontrei-me com o António (um dos outros produtores) num dos corredores do São Jorge, na passada edição do festival, e ele disse-me que tinha uma proposta para me fazer. Tinha acabado de ver o ABCs of Death (uma coletânea internacional de curtas-metragens que tinham a morte como temática, cada uma assinada por um realizador diferente) e estava entusiasmado para participar num concurso de curtas que os produtores dessa coletânea tinham aberto ao público. A ideia era concorrer com curtas-metragens de um minuto apenas, sendo que a vencedora teria o seu lugar na próxima edição da coletânea. Ele sabia que eu, há uns anos atrás, tinha co-realizado um slasher movie cómico, com budget zero, e veio desafiar-me para participar com ele: co-escrever, co-produzir e co-realizar. Eu disse-lhe que achava que a nossa equipa era demasiado pequena ainda para dar uma resposta rápida e de qualidade a um concurso desses, com uma deadline tão apertada, mas como adoro pessoas sonhadoras (porque também sou uma) e não resisto a um desafio, aceitei e começámos o brainstorming. A ideia surgiu-me umas semanas depois e apresentei-lhe quando nos voltámos a encontrar numa sessão do Shortcutz, no Bicaense. Ele gostou e decidimos avançar, produzindo-a do nosso bolso. Claro que não chegámos a concorrer ao tal concurso. A ideia era demasiado ambiciosa para se produzir rapidamente e a história não cabia num minuto, por muito que a "espremêssemos". Não estou arrependido. Acho que a curta vale por si. Por motivos profissionais e familiares, o António acabou por ter de se afastar do projeto, logo numa fase inicial, e nem teve tempo para estar presente em todos os dias de rodagem. Fui eu que então tive de tomar as rédeas e assumir a autoria do projeto, levando-o até ao fim, ficando o António como produtor-investidor e co-argumentista. O Rui (último dos três produtores), com quem já trabalho há algum tempo, acabou por se juntar também e acompanhou toda a fase de pré-produção e produção, tendo sido para além de co-argumentista e co-produtor, diretor de fotografia e assistente de realização. "Fast forward" um ano e De Morrer a Rir está filmado, montado, sonorizado, pós-produzido e pronto a estrear no festival que, de certa forma, o criou.  

O que distingue esta curta-metragem?
L.D.: Não é fácil para mim, enquanto autor, responder a uma pergunta destas. Implica um certo distanciamento, numa altura em que já vi o filme (se é que se pode chamar filme a uma obra de cinco minutos) tantas vezes, de trás para a frente e da frente para trás, que já nem o acho engraçado! Penso que as suas principais características são a violência "cartoonesca", acompanhada de uma certa poesia bucólica. É um filme trash, filmado de uma forma relativamente elegante, com preocupações pouco habituais nos filmes do género. O kitsch e o novo-riquismo decadente fazem parte da estética  duma obra que se assemelha a um cartoon de mau gosto. O ritmo do filme é também algo notável. Cortado de forma muito rápida, ao estilo MTV, esta curta de cinco minutos consegue conter mais ação que muitas longas-metragens portuguesas.

O que é que o público pode esperar de De Morrer a Rir? Mais terror ou mais humor?
L.D.: Mais humor, sem dúvida. De Morrer a Rir é, acima de tudo, uma comédia. Mas é uma comédia negra, perversa. Provoca-nos quando nos incita a rir da desgraça dos personagens. E, aliás, é esse mesmo o tema do filme. Aquele prazer egoísta que o ser humano sente quando vê outro a cair em desgraça e que, segundo sei, apenas os alemães foram capazes de descrever numa só palavra: schadenfreude. Está presente quando nos rimos do palhaço no circo que tropeça no balde de água ou quando vemos um administrador de um famoso banco ser preso pelas fraudes fiscais em que esteve envolvido. Algo extremamente ligado ao sentimento de vingança e que parece aumentar consoante o grau de inveja ou repulsa sentido em relação ao lesado. No filme, os próprios personagens riem-se um do outro, e, no que toca à realização, dei privilégio aos planos POV (pontos-de-vista) em detrimento dos planos over-the-shoulder (sobre o ombro), para que o espetador "entre dentro" da pele dos personagens. Afinal, não será o espetador exatamente igual a eles? Alguém que se ri da desgraça dos outros, sabendo que está à distância confortável de uma tela de cinema?


Como é ver a sua curta-metragem seleccionada para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
L.D.: Acho muito importante que se criem incentivos como este à produção cinematográfica nacional. A maior parte dos concursos e festivais de curtas que se fazem neste país oferecem um troféu ou um certificado ao vencedor e, em alguns destes, ainda é preciso pagar a inscrição da obra no concurso! Por muito que goste de troféus, não consigo alimentar uma equipa de produção com eles. E os atores não aceitam certificados como cachet (infelizmente já faltou mais!). É preciso dinheiro para se fazer cinema, por muito low-budget e guerrilha que seja a produção, por isso um incentivo monetário é essencial, especialmente para um meio como a curta-metragem, que não gera, por norma, retorno financeiro. Claro que o prémio do MOTELx é (ainda) pequeno mesmo assim, mas é um bom começo. Acredito que a maioria das curtas, se ganhasse, veria o retorno do investimento e ainda sobraria algum para ajudar na produção da próxima obra. De qualquer forma, mais que o prémio, aquilo que para nós é importante é ver o nosso esforço reconhecido e, acima de tudo, dar a conhecer o nosso trabalho. É importante que as pessoas saibam quem somos e o que fazemos. E, para esta curta específica, talvez não haja melhor festival neste país que o MOTELx, pois o público-alvo é exatamente aquele que queremos atingir com esta curta.

Quais as suas principais influências cinematográficas?
L.D.: Sei que é cliché dizer isto, mas vejo (e gosto de ver) todo o tipo de filmes. No entanto, desde que o meu pai me mostrou A Guerra das Estrelas quando eu era criança, que tenho um fraquinho pelo fantástico e pela ficção científica. Sou fã da obra do Ridley Scott (com filmes como Blade Runner e Alien) e da obra do que, para mim, é um dos realizadores mais subvalorizados de sempre: Terry Gilliam (12 Monkeys, Brazil). Talvez por ser um Monty Python a malta não o leve muito a sério. Eu acho-o genial. Depois gosto do Lynch, Kubrick, Scorsese, Nolan, dos irmãos Wachowski e dos Coen e, no que toca a gore e a produções de orçamentos mais restritos (para me aproximar à curta em competição), Carpenter e Peter Jackson (em inícios de carreira). Para enumerar influências mais antigas, admiro os filmes do expressionismo alemão (como Metropolis ou o Gabinete do Dr. Caligari) e a obra do mestre Luis Buñuel. O seu filme Viridiana, um dos meus favoritos de sempre, também me poderá ter influenciado bastante nesta curta-metragem, ainda que inconscientemente. E claro que não se pode falar em curtas fantásticas, ou em efeitos especiais, sem falar do seu avô Georges Méliès (a quem prestei uma subtil homenagem nesta curta, só para os espetadores mais atentos). Quanto ao cinema português, admito que não é uma das minhas principais fontes de inspiração. Gosto, no entanto, da minúcia com que realizadores como Manoel de Oliveira compõem um plano. E penso que o gosto pela utilização de planos estáticos e milimetricamente compostos é algo que herdei dos cineastas portugueses. Por fim, recentemente surgiu uma nova vaga de realizadores ultra-violentos, que trabalham com orçamentos baixos, a que deram a alcunha de "splat pack". Dele fazem parte James Wan (Saw), Eli Roth (Hostel) e Neil Marshall (que, por exemplo, realizou alguns episódios da famosa série Game of Thrones, como o da batalha de Blackwater Bay), entre outros realizadores. Este "pack" também tem sido uma grande influência para mim. Gosto de filmes que me perturbem um pouco, que me provoquem e me deem sensações fortes. A arte pode (e deve) ser uma provocação.

Facebook da equipa do filme Schadenfreude – De Morrer a Rir

MOTELx'14: Entrevistas - Pedro Rodrigues

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Pedro Rodrigues, a propósito da sua curta-metragem, Offline.

De onde surgiu a ideia para Offline?
Pedro Rodrigues: A ideia da curta-metragem Offline surgiu, talvez pelo facto da película "filme", se encontrar numa fase de extinção, o que me deixa deveras triste. Foi muito por aí, criar uma história, que tivesse um final rude, onde envolvesse a paixão, e a obsessão de uma mulher por esse formato, a "película".

A ideia de uma mulher amarrada por película a uma cadeira, como sugere a sinopse, suscita curiosidade. Que pode o público esperar desta curta-metragem?
P.R.: A ideia é precisamente essa, "suscitar curiosidade". É o tipo de argumento que fica um pouco ao critério do espectador, no que corresponde à conclusão da história.

Como é ver Offline seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
P.R.: É óptimo ver o nosso trabalho ser reconhecido. O facto de a curta-metragem ter sido aceite no festival, já é motivo de vitória. É o meu terceiro trabalho a ser projectado, no MOTELx. O meu primeiro trabalho foi a curta-metragem NO SILÊNCIO e o segundo o S.C.U.M. E agora tive a oportunidade de realizar o meu terceiro trabalho Offline.

Quais as suas principais influências cinematográficas?
P.R.: Filmes que realmente me marcaram. O Exorcista, Shining.

MOTELx'14: Entrevistas - João P. Nunes

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei João P. Nunes, a propósito da sua curta-metragem, Pela Boca Morre o Peixe.

De onde surgiu a ideia para Pela Boca Morre o Peixe?
João P. Nunes: A ideia para o filme surgiu (como alias todas as ideias geralmente surgem) através de uma situação real. Estava a arranjar um peixe enorme com o meu Pai e ele feriu-se nos dentes do peixe com ele já morto. Começamos a brincar em como aquilo era uma vingança post-mortem do peixe. A história e a critica social foram sendo desenvolvidas a partir dessa ideia.

A ideia do caçador passar a presa serve de mote à curta-metragem. Que pode o público esperar do filme? 
J.P.N.: O filme não é um filme fácil, tem uma estrutura arriscada e é algo impressionista na forma como aborda o tema. No entanto a história é de tal maneira simples e reconhecível que penso que mantém a sua coerência e o reconhecimento. É aí que entra o título, que é um ditado nacional com que toda a gente está familiarizada. A ideia do caçador passar a presa serve como veículo para adaptar o ditado de forma quase literal.


O que o distingue dos outros filmes de terror?
J.P.N.: Sempre tentei que o Pela Boca Morre O Peixe não fosse um filme de género. Isto é, nunca me interessou seguir modas nem tendências. Tento que os meus filmes sejam intemporais e isso pode fazer com que sejam difíceis de catalogar. O Pela Boca Morre O Peixe não é, efectivamente, um filme de terror, de um modo em que não tem imagens que nos assustem ou que nos impeçam de dormir à noite. No entanto, devido ao tema da história, pede que seja filmado de uma forma que é coerente com o cinema de terror e com o MOTELx.

Como é ver Pela Boca Morre o Peixe seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
J.P.N.: Para mim é motivo de um grande orgulho. Sou frequentador do MOTELx desde a sua estreia e fico contente que o festival tenha evoluído da forma como evoluiu. É hoje um dos grandes festivais portugueses e penso que é o ambiente ideal para a estreia do meu filme.

Quais as suas principais influências cinematográficas?
J.P.N.: Um filme não se faz sem uma grande dose de influências. No entanto as minhas principais influências não são necessariamente outros filmes mas sim ideias soltas que me foram inspirando. Em termos narrativos é óbvia a influência do Franz Kafka Metamorfose, do Black Swan do Aronofsky e a ideia da viagem do herói do Christopher Vogler. Já em termos estruturais é-me muito importante a teoria de montagem soviética e a importância do simbolismo na obra do Jodorowsky.

Facebook do filme Pela Boca Morre o Peixe

MOTELx'14: Entrevistas - Pedro Pinto

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Pedro Pinto, a propósito da sua curta-metragem, Epoh.

O que distingue Epoh dentro dos filmes de terror?
Pedro Pinto: Epoh é um filme que nos coloca perante uma situação limite e inesperada, e através de uma atmosfera progressivamente perturbadora e claustrofóbica, nos mostra como a protagonista se ajusta à sua nova realidade. O terror é por isso, essencialmente, interior ou psicológico.

De onde surgiu a ideia para esta curta-metragem?
P.P.: Surgiu ...

O amor e a sobrevivência estão em jogo em Epoh, e parece que é mesmo aí que reside o incómodo ou o temor. O que pode esperar o público deste filme?
P.P.: É uma história muito simples, ilustrada de uma forma quase minimal, com dois actores e um barco, onde se fala do fim de uma relação, da capacidade de aceitar que as coisas mudaram, de sermos capazes de seguir em frente e de aprender a  lidar com a culpa.

Depois de ter passado pelo Short Film Corner no Festival de Cannes, agora é a vez do MOTELx. Como é ver a sua curta-metragem seleccionada para estes festivais?
P.P.: É a melhor forma de agradecer a todos os que me ajudaram a torná-la possível.

Quais as suas principais influências cinematográficas?
P.P.: Kubrick e Lars Von Trier.

http://www.epohmovie.com/

MOTELx'14: Entrevistas - Francisco Lacerda

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Francisco Lacerda, a propósito da sua curta-metragem, Dentes e Garras.

O que distingue Dentes e Garras?
Francisco Lacerda: Dentes e Garras! é uma curta metragem independente inspirada no cinema de "série b" e "trash" do final dos anos 70 e começos dos anos 80. Tal como a maior parte dos filmes dessas épocas, é um filme com um orçamento muito, muito baixo, o que me levou a ser mais criativo com os materiais de que dispunha, como também com a sua planificação e execução. É uma ode ao género "trash" e ao cinema Grindhouse italiano.

De onde surgiu a ideia para esta curta-metragem?
F.L.: A ideia que levou à criação desta curta surgiu-me no verão de 2013 em Helsínquia. Estava a visitar um Aquário e deparei-me com um brinquedo que era uma vara com uma cabeça de dinossauro na extremidade, e ao accionar a manivela, a boca abria e fechava, pensei: "Eu podia fazer um filme com um dinossauro a matar gente". E então nasceu o Dentes e Garras!

Dentes e Garras alia o terror à comédia. O que é o que o público pode esperar deste filme?
F.L.: Sexo, drogas, violência explícita, Kung Fu e muita gritaria!

Dentes e Garras já passou por alguns festivais de cinema, como é agora estar seleccionado para a competição do MOTELx?
F.L.: É uma grande honra ter sido seleccionado para este magnifico festival que todos os anos tem vindo a crescer e a incentivar o desenvolvimento do cinema de género em Portugal. Existe muito pouco em termos de filmes de género em Portugal, e este Festival tem vindo a iluminar o cinema de terror nacional e a fazer crescer o mesmo. Que venham mais edições!

Quais as suas principais influências cinematográficas?
F.L.: As influências cinematográficas para o Dentes e Garras! foram principalmente filmes de terror italianos da década de 70 e 80. Realizadores como o Lucio Fulci e Ruggero Deodato estiveram sempre na minha mente enquanto estive a escrever o argumento deste filme e a realizar o mesmo. Outras influências foram filmes como Bloodsucking Freaks (1976), Carnosaur (1993), Enter the Dragon (1973) e Humanoids From the Deep do Roger Corman.

Facebook do filme Dentes e Garras

MOTELx'14: Entrevistas - Francisco Antunez

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Francisco Antunez, a propósito da sua curta-metragem, Bodas de Papel.

Bodas de Papel tem um casal como protagonista. A casa de campo parece ser a responsável pelo seu destino. De onde surgiu a ideia para esta curta-metragem?
Francisco Antunez: A ideia das Bodas de Papel surgiu da vontade de fazer um filme de suspense clássico, e trabalhar no conceito romance vs thriller dentro do mesmo objecto. A ideia inicial foi do meu amigo e realizador Sérgio Graciano. Durante um projecto em que estávamos a trabalhar surgiu a premissa e foi lançado o desafio ao argumentista Nuno Cruz, que escreveu o texto inicial. Primeiro foi pensado para um resort na praia, e depois acabou por ser rescrito para a versão final que filmámos.

Tomás Alves e Joana de Verona são duas caras bem conhecidas do público nacional. Como surgiu a oportunidade de trabalharem juntos?
F.A.: O Tomás e a Joana são dois excelentes jovens actores que conheci na série E Depois do Adeus, em que trabalhei como assistente de realização. Queria um casal jovem para a história e lembrei me deles. Enviei-lhes o texto e eles aceitaram. Foi um prazer trabalhar com eles.


O Francisco conta já com alguns trabalhos na sua filmografia e esteve sempre muito ligado ao cinema. Fale-nos um pouco de si.
F.A.: Desde muito cedo que queria ser realizador. Passei pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Logo no final do 1º ano surgiu um convite para estagiar realização nos Capitães de Abril da Maria de Medeiros. Aceitei e não saí mais. Comecei a trabalhar como assistente de realização. Filmes e publicidade principalmente (a maior parte produção estrangeira), mas também séries e telenovelas. Paralelamente fui desenvolvendo o meu trabalho como realizador. Fiz a minha primeira curta , Cacto, em 2003 e a partir daí foram surgindo vários projectos. Videoclips, institucionais, documentários, publicidades. Fiz mais três curtas (2º Direito, Má Fila e Bandidas). Estive como realizador na Buenos Aires Filmes e estou há quase dois anos em Angola a trabalhar para a Semba Comunicação. Estive no projecto da Njinga, Rainha de Angola (filme estreou recentemente, série está para breve) e neste momento estou a realizar a novela Jikulumessu.

Como é ver Bodas de Papel seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
F.A.: Foi com enorme prazer que recebi a notícia. Fiquei mesmo contente e para mim é uma honra poder estar neste festival. Passar na sala grande do São Jorge é a cereja no topo do bolo.

Quais são as suas principais influências cinematográficas?
F.A.: Tarantino é o rei. Para mim não há melhor. Mas também gosto muito de Scorsese, Coppola, irmãos Coen, PT Anderson, Kubrick, Christopher Nolan, David Fincher, e claro, Hitchcock.

Facebook do filme Bodas de Papel

MOTELx'14: Entrevistas - Pedro Santasmarinas

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Pedro Santasmarinas a propósito da sua curta-metragem, Se o Dia Chegar.

De onde Surgiu a ideia para Se o Dia Chegar?
Pedro Santasmarinas: Tudo começou com um convite da Susana Ferreira, produtora do projecto, que estava a terminar a licenciatura no curso de Tecnologias da Comunicação Audiovisual da ESMAE e me desafiou a dirigir aquele que seria o seu projecto de fim de curso. Aceitei de imediato, e juntamente com a Inês de Castro (co-argumentista) começámos a esboçar o Argumento. Quisemos escrever algo a partir da perspectiva de uma criança, falar de medo, horror, mas também de coragem e determinação. Quando se fala em guerra ela acontece também para as crianças, exigindo das mesmas uma maturidade tal que faz com sejam obrigadas a suportar dor, perda, saudade, destruição. De certa forma, a história fala sobre uma Infância Perdida no ambiente fictício de um pós-apocalipse Zombie.

Um cenário pós-apocalíptico serve de palco a esta curta-metragem. Que pode o público esperar do filme?
P.S.: Para além de um filme de terror, Se o Dia Chegar é um drama. O filme acompanha o dia-a-dia de João (o pai, interpretado por Filipe Vargas) e Matilde (a filha, interpretada por Adriana Sá) num cenário de perigo e tensão, que se sente na relação entre ambos. Aqui não há heróis, apenas pessoas que lutam pela sobrevivência no limiar da esperança. João, como pai, protege Matilde e prepara-a para o pior. Apesar da temática Zombie, tentei fugir à estilização do ambiente e procurei uma abordagem mais realista. Na verdade, quis perceber qual seria a fuga possível numa situação extrema como esta, e "jogar" com os múltiplos significados da morte. Espero que o filme seja uma boa experiência para o público e que a aceitação seja positiva!


Filipe Vargas, o “pai” de Se o Dia Chegar, já é uma cara conhecida do público. Como surgiu a possibilidade de trabalharem juntos?
P.S.: Tendo o Argumento finalizado, pensámos imediatamente no Filipe para a personagem do Pai. Fizemos o convite enviando o Argumento e esperamos pela resposta, que foi positiva! O Filipe Vargas é um grande actor Português com quem sempre quis trabalhar, pois acompanho o seu trabalho. Posso afirmar que foi uma excelente experiência e que foi um enorme prazer poder trabalhar com ele neste projecto. O Filipe deu vida à personagem com uma enorme dedicação, moldando-a para a tornar mais forte. Penso que da parte do Filipe o desafio veio pela novidade de fazer algo diferente!

Como é ver a sua curta-metragem seleccionada para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
P.S.: A sensação neste momento é a de "missão comprida!". É a estreia mundial do filme, e não podia acontecer num sitio melhor! Quando se faz um filme e se conta uma história não há maior satisfação do que a de poder mostrar ao público alvo, neste caso ao público do MOTELx. É com enorme orgulho e felicidade que vejo o filme seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa!

Quais as suas principais influências cinematográficas?
P.S.: Para este projecto as referências foram o trabalho dos realizadores Sam Raimi e George A. Romero, mais especificamente os primeiros filmes de Zombies do Romero, e a saga Evil Dead do Sam Raimi. Ignorando o grau de exigência dos dias de hoje por parte do espectador no que diz respeito aos Zombies optei pelo clássico, zombies lentos, mais humanizados e menos monstruosos. Paralelamente o filme The Road de John Hillcoat e o video jogo The Last of Us, da naughtydog, serviram de inspiração para a criação da narrativa.


MOTELx'14: Entrevistas - Rafael Almeida

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Rafael Almeida a propósito da sua curta-metragem, Demência.

De onde surgiu a ideia para Demência?
Rafael Almeida: A ideia para o filme surgiu da minha vontade pessoal de explorar a insanidade mental de um ser humano. Para isso, decidi desconstruir o género terror, não ficando preso a uma linearidade narrativa, centrando a ação numa personagem, confinada às quatro paredes de uma casa, perdendo, pouco a pouco, a sua sanidade mental, tornando-se ela própria um elemento desse mesmo espaço. Para tal, procurei uma casa de aspeto antiquado, perdido no tempo, uma casa que tivesse por si só a aura sombria que pretendia dar ao filme, pois apesar de não ter qualquer guião escrito, tinha imagens mentais bem definidas. A casa encontrada é absolutamente extraordinária, como se pode observar no filme. O local encontra-se desabitado há décadas e apenas fomos autorizados a filmar lá, com a condição de não revelarmos onde este se localiza. Esta fase de répèrage foi uma importante etapa de produção da curta, pois não tenho qualquer dúvida que a casa encontrada é a base do nosso filme.

A claustrofobia parece tornar-se aterradora para o protagonista – e provavelmente para o espectador. O que pretende transmitir com este trabalho?
R.A.: Sendo a ação centrada numa só personagem, presa no interior de uma casa, foram criadas situações que pretendem transmitir ao espectador sensações de choque, repugnância e nojo, sendo utilizados planos de deambulismo e cenas de cariz macabro e profanador, que contribuem para uma forte sensação de claustrofobia. O principal objetivo é que o espectador sinta a prisão física e sobretudo mental em que vive a personagem, sucumbindo à demência.


Como é ver Demência seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
R.A.: Foi com grande alegria que recebemos a notícia da seleção do nosso filme para o MOTELx. Estrear o Demência naquele que é o maior festival de cinema de terror português enche-me de orgulho. A mim e ao resto da equipa produção dos ARTEiMANHA. É uma enorme honra ver o nosso trabalho reconhecido, sobretudo numa produção de muito baixo orçamento. Esta não será certamente, a nossa última participação neste incrível festival.

Quais as suas principais influências cinematográficas?
R.A.: Durante toda a minha adolescência, vi dezenas, se não centenas, de filmes de terror. Filmes americanos, europeus e asiáticos. Há uns anos atrás e sobretudo a partir do momento em que entrei para o curso de Cinema, da Universidade da Beira Interior, essa paixão pelo cinema de terror ficou escondida, talvez até esquecida. Até agora. Senti que era o momento de passar da mera apreciação passiva e fazer eu próprio o meu primeiro filme de terror. O primeiro de muitos, espero eu. No caso particular do Demência, ao nível da realização, encontrar-se-ão possivelmente influências da série norte-americana American Horror Story. Nos travellings pelos corredores e na própria situação explorada no filme, poderão ainda encontrar-se influências do filme de 1980, The Shinning, de Stanley Kubrick.

Facebook do filme Demência

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MOTELx'14: Entrevistas - Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto

O MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco Antunez; Contactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto; Demência (2014), de Rafael Almeida; Dentes e Garras (2013), de Francisco Lacerda; Epoh (2013), de Pedro Pinto; Forbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida; Gata Má (2013), de Eva Mendes, Joana de Rosa e Sara Augusto; Maria (2014), de Joana Viegas; A Morte é o Único Perdão (2014), de Rui Pilão; Offline (2014), de Pedro Rodrigues; Pela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. Nunes; Schadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto a propósito da sua curta-metragem, Contactos 2.0.

O que nos traz Contactos 2.0 e de onde surgiu a ideia, que parece aliar o terror às novas tecnologias?
Bernardo Gomes de Almeida e Rodrigo Duvens Pinto: A Contactos 2.0 surge da necessidade de aproveitar a ideia de um filme anterior, Contactos, que nunca chegou a ver a luz duma sala de cinema. Decidimos reescrever o argumento e aproveitar a ideia original do Filipe P. Silva para uma nova obra. Decidimos dar-lhe um toque mais gore, que pudesse abranger novas perspectivas. Hoje em dia as novas tecnologias são uma parte importante da vida de muitas pessoas, mas o que fazer quando estas são usadas contra o próprio ser humano?

O elenco está repleto de nomes bem conhecidos como Diogo Amaral e Virgílio Castelo. Como surgiu a possibilidade de trabalharem juntos? 
B.G. e R.D.P: Este filme é um filme de amigos, com amigos e para amigos. Para a produção da Contactos 2.0 não havia qualquer orçamento. Todos os meios técnicos e pessoais foram conseguidos com a participação de todas as pessoas envolvidas. No caso do elenco, todos os actores que participam no filme costumam trabalhar connosco no dia a dia, pelo que são nossos amigos a nível pessoal. É sempre bom podermos contar com actores deste calibre, pelo que agradecemos a sua disponibilidade para participar nesta "nossa" aventura.


Como é ver Contactos 2.0 seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
B.G. e R.D.P: É um grande orgulho ver o nosso filme a passar no ecrã do Cinema São Jorge, e principalmente na competição do MOTELx. A Contactos 2.0 foi produzida de propósito para a edição de este ano deste festival pelo que ficámos radiantes quando fomos informados pela organização da sua selecção. Foi um sentimento de dever cumprido. Não o fizemos para vencer nenhum prémio, apenas para o podermos ver num festival de tanta importância no panorama do cinema nacional como é o MOTELx.

Quais são as vossas principais influências cinematográficas?
B.G. e R.D.P: É uma pergunta difícil, visto sermos dois realizadores e cada um ter as suas próprias influências cinematográficas, conscientes ou inconscientes. Para este filme tentámos seguir uma direcção muito única para que possamos passar a nossa própria imagem. Em cada filme cada um de nós dá um pouco de si, das suas experiências, e a Contactos 2.0 foi apenas uma junção disso.

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