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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Porto Femme - Festival Internacional de Cinema regressa de 18 a 23 de Abril

Porto Femme - Festival Internacional de Cinema regressa ao Porto de 18 a 23 de Abril para a sua 6.ª edição. 

Com uma programação cinematográfica composta exclusivamente por obras realizadas por mulheres, o Porto Femme inclui sessões competitivas, mostras, homenagens, workshops, debates, exposições e concertos e conta com a presença de 39 realizadoras convidadas para momentos de Q&A e encontros com o público.

O festival começa a 18 de Abril, às 21h15, no Batalha Centro de Cinema, com a exibição do filme Housemaid #2, de Roxanne Stam, seguindo-se um concerto de Ana Lua Caiano.

Housemaid #2, de Roxanne Stam

As homenageadas desta 6.ª edição são a actriz portuguesa Adelaide Teixeira e a realizadora Solveig Nordlund. A instituição portuense PLANO I, "que procura dar respostas concretas a um amplo conjunto de questões sociais, como a desigualdade, a discriminação, a violência, a exclusão e a pobreza, é também homenageada nesta edição com o prémio Sororidade"

Maria Clara Escobar será alvo de uma retrospectiva integral da sua obra, na Casa Comum, onde poderão ser vistos títulos como Desterro, Os Dias Com Ele, Passeio de Família e Onde Habito. Além da projecção dos seus filmes, no dia 21 de Abril, às 18h15, a realizadora estará disponível para uma conversa com o público, moderada por Júlia Marques, doutoranda em Media Artes, na Universidade da Beira Interior.

O Porto Femme tem ainda programada uma sessão especial dedicada às mulheres cineastas iranianas. Este programa que prova a generosidade e coragem das realizadoras e "oferece uma selecção de curtas-metragens recentes, que exploram temas de exílio, violência sexual, deslocamento e deslocação, linhagens feministas familiares e não-familiares e representações cinematográficas de intimidade".

Entre as actividades paralelas do festival, destaque para as Conversas na Universidade, de 19 a 21 de Abril, em parceria com a Universidade Lusófona e o projecto de investigação Femglocal, que "pretendem promover a reflexão sobre diferentes temáticas como os movimentos feministas, as pessoas trans, a opressão e a violência sobre as mulheres". As conversas com realizadoras, produtoras a actrizes serão moderadas por Vanessa Ribeiro Rodrigues, Célia Taborda, Ana Sofia Pereira, Carla Cerqueira e Priscilla Domingos.

Desterro, de Maria Clara Escobar

Haverá também dois workshops: o primeiro, nos dias 19, 20 e 21 na Universidade Fernando Pessoa, com a realizadora brasileira Maria Clara Escobar; e o segundo no dia 22 de Abril, na Casa das Associações do Porto, com Andreia Nunes sobre "como preparar uma candidatura para concorrer a financiamentos audiovisuais".

Reunindo o trabalho de 41 artistas, Reflexos é o tema da exposição coletiva desta edição, "que reflecte e dialoga entre expressões, formas", "e que  acontece em dois momentos, em dois locais, sendo assim reflexos além de espaço e tempo, num conjunto de obras desde a fotografia, videoarte, pintura, ilustração, escultura e instalação". O Porto Femme tem também agendadas três performances, um concerto e duas festas com Dj Set sempre comandados por mulheres.

O festival encerra a 23 de Abril, a partir das 19h15, numa cerimónia onde serão conhecidos os filmes escolhidos pelo júri, continuando a celebrar o cinema realizado por mulheres.

Em 2023, o Porto Femme realiza-se no Batalha Centro de Cinema, Casa Comum, Selina, Universidade Lusófona, Maus Hábitos, Miras Artes Performativas, Universidade Fernando Pessoa e Casa das Associações. Mais informações e programação completa em https://portofemme.com/.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Cinco longas-metragens de realizadoras portuguesas estreiam na Netflix

A partir de hoje, dia 4 de Novembro, há cinco novas longas-metragens de realizadoras portuguesas disponíveis na plataforma de streaming Netflix a nível mundial. 

A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos, Desterro, de Maria Clara Escobar, Mar, de Margarida Gil, Simon Chama, de Marta Sousa Ribeiro, e Soa, de Raquel Castro, foram os projectos vencedores da convocatória aberta lançada pela Netflix e pela Academia Portuguesa de Cinema, "com o objectivo de apoiar as produtoras, guionistas e realizadoras nacionais que estiveram envolvidas diretamente em longas-metragens portuguesas de ficção e/ou documentário"

De um total de 31 candidaturas apresentadas, referentes a longas-metragens finalizadas entre 2019 e 2020, o concurso pretendia colmatar as disparidades de género no sector do cinema e audiovisual.

A estreia dos filmes acontece na véspera da celebração do Dia Mundial do Cinema, a 5 de Novembro.

O comité de selecção foi constituído por Carla Chambel, actriz, formadora  e vice-presidente da Academia Portuguesa de Cinema; Fátima Ribeiro, guionista, professora e realizadora; Isadora Laban, Gestora de Conteúdos da Netflix Portugal e Espanha; e Tota Alves, guionista e realizadora.

Sobre as cinco longas-metragens:

"A Metamorfose dos Pássaros, com Catarina Vasconcelos na realização e Joana Gusmão na produção, este é um filme que retrata a história da família da cineasta Catarina Vasconcelos, abordando temas complexos como o amor, a distância a maternidade."

"Desterro, com realização de Maria Clara Escobar, uma longa-metragem que  no feminino sobre a vida e as várias vidas, onde a poesia motivou o guião, questionando a representação da ideia de família na sociedade contemporânea."

"Mar, com Margarida Gil na realização e argumento e Rita Benis como coargumentista, retrata a história de vida de uma ex-funcionária da Comissão Europeia que decide mudar de vida e embarcar num veleiro que vai seguindo a  rota dos descobridores Portugueses do séc. XVI em alto mar."

"Simon Chama, com Marta Sousa Ribeiro na realização e Joana Peralta na produção, um filme que conta a história de uma adolescente que procura escapar das amarras típicas da vertigem existente entre a infância e a idade adulta."

"Soa, com Raquel Castro na realização e argumento e Isabel Machado, Joana Ferreira e Sara Serra Simões na produção, aborda temas como as paisagens sonoras, o ruído e o silêncio e de que forma as paisagens sonoras afetam as pessoas, sendo que estas são na maior parte das vezes responsáveis pelo som que geram."

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Doclisboa'20: Desterro (2020), de Maria Clara Escobar

*6/10*

Entre o realismo social das duas primeiras partes (1. Nós Somos os Mesmos e 3. O Corpo de Laura) e o experimentalismo, mais subjectivo e quase surrealista da última (2. Tudo Vai Ficar Bem), Desterro, de Maria Clara Escobar, fez parte do programa Deslocações do Doclisboa'20.

"Um casal de classe média tenta a todo custo manter a estrutura que os segura. Um dia, Laura, a esposa, vai embora, deixando para trás o marido e o filho. Em sua viagem, Laura encontra com outras mulheres e consigo uma nova possibilidade de ser. Mesmo com um futuro trágico à bater a porta."

Carla Kinzo é Laura, a protagonista, responsável por todos os desvios da acção e pelo caminho a seguir. Ela não se sente bem no lugar onde pertence, se é que pertence a algum lugar. A viagem será uma oportunidade de reencontro consigo mesma, a viver entre sonhos e pesadelos, ou um renascer das cinzas.


Maria Clara Escobar opta por dividir a longa-metragem em três partes, onde não há linearidade narrativa. Primeiro, 1. Nós Somos os Mesmos apresenta-nos uma família em crise - o casal tem conversas de circunstância e visões distintas da vida, a relação entre pais e filho é distante e pouco segura, e a protagonista Laura é uma mulher oprimida pela sociedade e por si mesma -; segue-se 3. O Corpo de Laura, com um ritmo semelhante ao desencanto inicial, contando a história sob o ponto de vista do marido, com a burocracia a tomar conta do desespero que a família vive; por fim, 2. Tudo Vai Ficar Bem marca a viragem para Laura - e para a plateia.

Há que destacar o trabalho estético e sonoro de Desterro, onde planos, efeitos sonoros e iluminação nos dão muitas pistas, paralelamente aos diálogos e silêncios dos personagens.

Desterro não será um filme fácil de ver e assimilar, já que sofre uma brusca mudança de tom no seu último acto (cronologicamente, a segunda parte). E este é mesmo o grande momento da longa-metragem, uma fuga à vida real num autocarro de longo curso, repleto de testemunhos ricos e profundos de mulheres fortes e emancipadas, mas à deriva - Georgette Fadel, Isabel Zuaa e Barbara Colen proporcionam-nos intensos monólogos sobre o que é ser Mulher.

Maria Clara Escobar
criou um filme metafórico e simbólico, mas cujo âmago apenas se atinge no capítulo final, tão misterioso e envolvente, como inesperado (impossível resistir à dança ao som de Ana Maria, do Trio Odemira).