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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Sugestão da Semana #652

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Sing Sing, de Greg Kwedar. O filme está nomeado para três Oscars, incluindo o de Melhor Actor, pelo desempenho de Colman Domingo.

SING SING


Ficha Técnica:
Título Original: Sing Sing
Realizador: Greg Kwedar
Elenco: Colman Domingo, Clarence Maclin, Sean San Jose, Paul Raci, David "Dap" Giraudy, Patrick "Preme" Griffin, Mosi Eagle
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 107 minutos

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Oscars 2021: Os Actores Secundários

Passamos aos nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com desempenhos muito equilibrados. Sem dúvida, há um actor que se destaca - até porque o seu desempenho poderia ser considerado de actor princial - e falo de Daniel Kaluuya. Sentimos a falta, contudo, de Jared Leto (The Little Things) e, principalmente, Delroy Lindo (Da 5 Bloods - Irmãos de Armas) nesta lista. Seria merecido e Lindo um justo vencedor. Eis os nomeados, por ordem de preferência.

1. Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah

Como Fred Hampton, Daniel Kaluuya assumiu um papel exigente, onde também a transformação física é evidente, na pele de um jovem revolucionário, figura central entre os activistas pelos direitos civis nos EUA. Entre a revolta, a emoção e o desejo de justiça, Kaluuya cativa o público dos dois lados do ecrã, e dá voz aos discursos de Hampton com a grandiosidade que merecem.

2. Sacha Baron Cohen (Os 7 de Chicago / The Trial of the Chicago 7)

Sacha Baron Cohen é genial na comédia, mas é capaz de um excelente trabalho também no drama. Como Abbie Hoffman, carismático e desafiador, o actor mantém algum do seu humor intrínseco, todavia com um tom trágico.

3. Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami / One Night in Miami...)

Leslie Odom Jr. tem dado cartas no teatro (vestiu a pele de Aaron Burr, o antagonista de Hamilton, na Broadway) e, aos poucos, tem surgido com maior protagonismo no cinema - e ainda bem. No filme de Regina King, alia a representação aos seus dotes musicais e interpreta o músico Sam Cooke. É de elogiar a confiança com que articula gestos e maneirismos, e o carisma que confere ao grupo de actores com quem contracena. Destacam-se inevitavelmente os debates acesos e convictos que a sua personagem trava com Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), que quase abalam uma amizade.

4. Paul Raci (Sound of Metal)

Paul Raci foi uma das surpresas entre os nomeados deste ano, mas o reconhecimento é merecido. O actor, filho de pais surdos, interpreta Joe, um surdo-mudo com um papel fundamental para ajudar outros na mesma condição a deixar as drogas. Sem falar, Raci é capaz de nos transmitir muito: um homem exigente, dedicado e, à sua maneira, compreensivo.

5. Lakeith Stanfield (Judas and the Black Messiah)

Ao lado de Daniel Kaluuya, LaKeith Stanfield distingue-se na pele de Bill O'Neal, o infiltrado que vive no constante dilema, entre a sua colaboração com o FBI e a amizade que vai construindo com Fred Hampton. O actor tem uma interpretação competente, assente numa dualidade de carácter difícil de digerir.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Crítica: Sound of Metal (2019)

*8.5/10*

Sound of Metal, de Darius Marder, leva-nos numa experiência sensorial ao universo da surdez. Da música ao silêncio, do desespero à esperança, Riz Ahmed lidera uma violenta jornada de adaptação e superação.

"O baterista Ruben começa a perder a audição. Quando um médico o informa do seu estado, ele julga ser o fim da sua carreira e da sua vida. A namorada Lou interna o ex-toxicodependente numa casa para surdos, na esperança de evitar uma recaída e de o ajudar a adaptar-se à sua nova vida. Após ser aceite tal como é, Ruben tem de escolher entre o seu novo normal e a vida que, em tempos, conheceu."

Darius Marder aliou-se a Derek Cianfrance, com quem trabalhou no argumento de Como um Trovão (The Place Beyond the Pines), de 2012, e mantém o estilo sóbrio, mas de emoções intensas. Uma história crua, sem embelezamentos narrativos, Sound of Metal mostra o drama real que é confrontar-se com a repentina perda de audição aos trinta e poucos anos. Ao choque inevitável, junta-se ainda o facto do protagonista ser baterista de uma banda, e a música ser a sua vida e o seu sustento.

Para além da relação com a namorada - e vocalista da banda -, que sofre uma reviravolta com esta nova condição de Ruben, o principal foco da longa-metragem é a auto-aceitação do músico, que precisa aprender a viver com a surdez, comunicar-se por língua gestual e encontrar novamente o gosto pela vida, esforçando-se ao máximo para não voltar a consumir estupefacientes, numa enorme batalha interior.

Entre um elenco que conta com muitos actores amadores surdos, Riz Ahmed passa com distinção. O actor aprendeu a tocar bateria, língua gestual, e supera-se na pele de Ruben. O desnorte que sente; a vergonha inicial em revelar o seu problema à companheira; a esperança numa operação cara mas aparentemente milagrosa; a insistência em continuar a tocar, mesmo sem conseguir ouvir; e todas as mudanças no seu comportamento depois de integrar a comunidade de surdos - reencontrando uma alegria que pensava perdida -; são vividas com a intensidade do som e do silêncio nos ouvidos do actor. 

É no soberbo trabalho de som que recai a maior singularidade de Sound of Metal. Os efeitos sonoros são criados para simular que também a plateia consiga sentir os ruídos e o processo de perda de audição que o protagonista sente. Por vezes, apenas reina o silêncio, enquanto outras somos observadores externos, e ouvimos tudo o que Ruben não é capaz. A certo momento, habituamo-nos à ausência de som e qualquer barulho será interpretado como excessivo e perturbador. A experiência que os técnicos de som criam no filme de Darius Marder é realmente atordoante.

A violenta viagem que o realizador nos propõe é um confronto de emoções, ruídos e silêncio absoluto, numa aprendizagem permanente e restruturação pessoal total para voltar a viver. E mesmo sem ouvir, a música pode continuar presente - tal como a esperança.