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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Sugestão da Semana #690

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, protagonizado por Cleo Diára (Prémio de Melhor Actriz da secção Un Certain Regard no Festival de Cannes 2025), Sérgio CoragemJonathan Guilherme.

O RISO E A FACA



Ficha Técnica:
Título Original: O Riso e a Faca
Realizador: Pedro Pinho
Elenco: Sérgio Coragem, Cleo Diára, Jonathan Guilherme, Jorge Quintino Biague, Renato Sztutman, Bruno Zhu
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 211 minutos

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Doclisboa 2025 anuncia programação Completa

A 23.ª edição do Doclisboa decorre de 16 a 26 de Outubro, na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal. O programa do festival foi esta Quinta-feira anunciado em conferência de imprensa.

With Hasan in Gaza, Kamal Aljafari

O filme de abertura, já anunciado, será With Hasan in Gaza, do realizador palestiniano Kamal Aljafari, uma homenagem à resistência em Gaza. A fechar, o Doclisboa mostra A Árvore do Conhecimento, de Eugène Green, uma co-produção luso-francesa, protagonizada por Diogo Dória, Leonor Silveira, João Arrais, Ana Moreira e Rui Pedro Silva

Competição Internacional e Nacional

A Competição Internacional reúne 12 filmes: One Minute Is an Eternity for Those Who Are Suffering, de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro (Brasil); Vacances, de Victoria Hely-Hutchinson (EUA, França); Towards the Light, de Vadim Kostrov (França); Letters to My Dead Parents, de Ignacio Agüero (Chile); The Night Is Fading Away, de Ezequiel Salinas e Ramiro Sonzini, (Argentina); Cinema Kawakeb, de Mahmoud Massad (Jordânia, Catar, Países Baixos); Le Lac, de Fabrice Aragno (Suíça); Fantasy, de Isabel Pagliai (França); Tell Me a Fairy Tale, de Ebrû Avci (Turquia); B for Bartleby, de Angela Summereder (Áustria); The Anything, de Giorgos Athanasiou (Grécia); e The Strongest Lightning Strikes Not From Dark Skies, de Nate Lavey (EUA)

Por sua vez, a Competição Portuguesa contará também com 12 títulos: Llenya, de Manel Raga Raga; Água Mãe, de Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres; Three of Cups, de Mário Macedo e Enotea; Explode São Paulo, Gil, de Maria Clara Escobar; Andar com Fé, de Duarte Coimbra; As Estações, de Maureen Fazendeiro; Fuck the Polis, de Rita Azevedo Gomes; Complô, de João Miller Guerra; Ouro e Cinza, de Salomé Lamas; Baía dos Tigres, de Carlos Conceição; Ku Handza, de André Guiomar, e Nova '78, de Aaron Brookner e Rodrigo Areias.

Baía dos Tigres, Carlos Conceição

Riscos

A secção Riscos coloca a natureza contemporânea do cinema no centro da sua atenção, reunindo filmes produzidos entre 1896 e 2025. O programa vai das primeiras experiências cinematográficas às práticas mais contemporâneas, "desde os planos luminosos e movimentos de câmara de Gabriel Veyre, operador de câmara dos irmãos Lumière, até aos novos filmes de Hassen Ferhani, Javier Rebollo, Marko Grba Singh ou Margarita Ledo Andión", explica o festival. A egípcia Hala Elkoussy é realizadora convidada, cuja obra combina uma abordagem inventiva, política e poética.

Outro destaque é Minh Quý Trương, cuja obra reflecte a sua profunda ligação ao Vietname e ao seu povo. "Tanto nas obras a solo como em colaboração com Nicolas Graux, Trương combina tradições de ficção, não-ficção, etnografia e ficção científica, construindo filmes de atenção e detalhe, onde a história, a memória e a materialidade do tempo presente se entrelaçam". O programa da secção Riscos inclui também Shadowboxing, concebido pela programadora associada do Doclisboa, Cíntia Gil, e o programador e crítico francês Jean-Pierre Rehm. "Shadowboxing propõe um combate imaginário sem contrapartida, tomando a Palestina como horizonte e presença espiritual, moral e estética".

Heart Beat

Na secção Heart Beat, destaque para o filme da realizadora Solveig Nordlund, Memórias do Teatro da Cornucópia, que mostra, com recurso a imagens de arquivo de vários espectáculos, peças emblemáticas da companhia fundada por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, em 1973. Já Bull’s Heart, da grega Eva Stefani, acompanha de perto os preparativos para a criação Transverse Orientation, do coreógrafo Dimitris Papaioannou e a sua digressão pelos teatros europeus.

Nesta secção, destaque ainda para: Cast of Shadows, de Sami van Ingen, sobre Robert Joseph Flaherty; Andy Kaufman Is Me, de Clay Tweel; Barking in the Dark, de Marie Losier; Bobò, de Pippo Delbono; Paul, de Denis Cotê; Toni, Mio Padre, de Anna Negri; Megadoc, de Mike Figgis, sobre Megalopolis de Francis Ford Coppola; Strange Journey: The Story of Rocky Horror, de Linus O'Brien, e uma homenagem a Robert Wilson, desaparecido este ano, com três filmes: dois seus, Stations e Video 50, e outro sobre uma produção teatral sua, Robert Wilson & the CIVIL warS, de Howard Brookner.

Welcome to Lynchland, Stéphane Ghez

Já anunciado, no Heart Beat estava David Lynch em dose dupla, primeiro com Welcome to Lynchland, de Stéphane Ghez, que mergulha na obra do realizador e dá voz a Kyle MacLachlan, Laura Dern e Isabella Rossellini, entre outros dos colaboradores mais próximos; e ainda a exibição de Duran Duran: Unstaged, experiência lynchiana numa actuação dos britânicos Duran Duran.

Ainda no registo de documentário musical, estão Boy George & Culture Club, de Alison Ellwood, onde o cantor e os seus colegas de banda partilham pela primeira vez a sua história; Becoming Madonna, de Michael Ogden, que, partindo de imagens e registos inéditos, acompanha a transformação da jovem outsider do Michigan na estrela pop mais poderosa e controversa do mundo; It's Never Over, Jeff Buckley, de Amy Berg; e One to One: John & Yoko, de Kevin Macdonald e Sam Rice-Edwards.

Nesta edição, o Doclisboa celebra os 100 anos do nascimento do compositor italiano Luciano Berio com um programa especial. Serão apresentados quatro filmes raros que exploram a relação entre música, imagem, memória e experimentação: Il canto d’amore di Prufrock (1967), de Nico D’Alessandria, inspirado no poema homónimo de T. S. Eliot, combina a declamação de Carmelo Bene com a música de Berio; Sirènes (1961), de Emile Degelin, baseia-se no poema The Sirens, de James Joyce, em diálogo com música eletrónica e sonhos marítimos; The Colours of Light (1963), de Bruno Munari e Marcello Piccardo, investiga luz e cor com a presença conceptual de Berio; e Voyage to Cythera (1999), de Frank Scheffer, centra-se na terceira parte da Sinfonia de Berio, transformando citações musicais de Mahler, Stravinsky e Boulez num fluxo contínuo de sons e imagens, guiado pelo próprio compositor.

Da Terra à Lua

Na secção Da Terra à Lua, destaque para a exibição de O Riso e a Faca integral, de Pedro Pinho, versão longa e em estreia mundial do filme premiado em Cannes (Melhor Actriz na secção Un Certain Regard para Cleo Diára). A este filme, juntam-se outros como Remake, de Ross McElwee, uma reflexão sobre as suas criações e um tributo à vida do seu filho Adrian, que faleceu em 2016; Bulakna, de Leonor Noivo, que aborda a desigualdade social num mundo pós-colonial, ao mesmo tempo que toma em temas como o valor do trabalho, do corpo e da vida; Pescadores de Bubaque, de Pedro Florêncio; Contemplação Impasse Tentativa, de Welket Bungué; Aurora, de João Vieira Torres; Tales of the Wounded Land, de Abbas Fahdel; Angela's Diaries. Two Filmmakers: Chapter Three, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi; e Tôsô, de Masao Adachi.

Ghosts Elephants, Werner Herzog

Já anunciado tinha sido a presença dos filmes de Lucrecia Martel e Werner Herzog no programa do Doclisboa 2025. Da realizadora, destaque para a exibição de Landmarks, que acompanha a luta de nove anos por justiça, depois de, em 2009, Javier Chocobar, líder da comunidade indígena de Chuschagasta, ter sido assassinado por três homens que alegaram ser donos da terra. O filme combina vozes e imagens da comunidade com footage do tribunal, para explorar as consequências do colonialismo e da expropriação de terras. Já de Werner Herzog será exibido Ghosts Elephants, que questiona se certas epopeias não são melhores se ficarem por concluir. O filme acompanha o explorador Steve Boyes, que juntamente com três mestres rastreadores da Namíbia, parte numa busca pelos raros elefantes-fantasma de Angola. O filme de Herzog desperta questões existenciais e reflecte sobre a conservação ambiental e cultural em África. 

Ainda de destacar na secção Da Terra à Lua, está Cover-up, de Laura Poitras em colaboração com Mark Obenhaus, que explora a carreira do jornalista Seymour Hersh, jornalista premiado com o Pulitzer, que revelou os escândalos de tortura do exército dos EUA nas guerras do Vietname e Iraque.

De Portugal, será ainda exibido um filme inédito: As Brigadas Revolucionárias na Luta Contra a Ditadura (1970-1974), de Luiz Gobern Lopes.

Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa será apresentada a já noticiada retrospectiva dedicada a William Greaves (1926–2014), co-programada pelo académico Scott MacDonald e Luís Mendonça (Cinemateca Portuguesa). O programa  revelará a versatilidade de Greaves enquanto actor, realizador, produtor e editor. 

Mais sobre a programação do Doclisboa e outras informações em https://doclisboa.org/.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Crítica: A Fábrica de Nada (2017)

"Nós decidimos que não deixamos entrar ninguém."


*8/10*

A Fábrica de Nada é uma obra inesperada no panorama do cinema português, que aborda a crise financeira de modo nunca antes visto: sem negativismo, explorando novas oportunidades, e deambulando entre realidade e ficção. 

O realizador Pedro Pinho reinventa-se a si próprio ao longo das quase três horas de filme, a par dos trabalhadores que homenageia. A Fábrica de Nada parte de uma ideia original de Jorge Silva Melo, e inspira-se no caso real, da fábrica Fatileva, autogerida entre 1975 e 2016, bem como na peça da holandesa Judith HerzbergDe Nietsfabriek.

Uma noite um grupo de operários percebe que a administração está a roubar máquinas e matérias-primas da sua própria fábrica. Ao decidirem organizar-se para proteger os equipamentos e impedir o deslocamento da produção, os trabalhadores são forçados - como forma de retaliação - a permanecer nos seus postos, sem nada que fazer, enquanto prosseguem as negociações para os despedimentos. A pressão leva ao colapso geral dos trabalhadores, enquanto o mundo à sua volta parece ruir.


Se o capitalismo destrói, também é uma espécie de capitalismo que motiva os trabalhadores a não desistirem. E os debates politico-sociológicos sucedem-se, intercalados com a realidade dolorosa de quem sofre na pele o ciclo vicioso a que a economia conduz. Se, por um lado, os intelectuais discutem vários pontos de vista, mais ou menos ideológicos, são os trabalhadores resistentes que actuam para não se renderem à impotência e à depressão.

Há uma magia dentro das paredes daquela "fábrica de nada" que os patrões quiseram encerrar. Magia que só se manifesta na presença dos operários, que os inspira e nos contagia no espírito inventivo. Eis a crise avaliada por um prisma completamente diferente, dinâmico e inesperado, com a ficção e a realidade a abrirem fronteiras, comungando de forma espirituosa. Pedro Pinho filma tudo em película de 16mm, numa proximidade de parceiro, quer na fábrica, quer na vida familiar ou na paisagem da Póvoa de Santa Iria, entre o abandono e a produção de tempos idos, entre a natureza, os animais e o rio, numa espécie de naturalismo industrial.


E assim nasce a obra e a esperança, que o ânimo transforma num número digno de um musical de Hollywood, com canções e coreografias adequadas à realidade fabril. Actores profissionais e amadores juntam-se para criar um filme totalmente fora do sistema, com espírito interventivo mas, mais ainda, criativo. Uma lufada de alento, em tempos sombrios.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sugestão da Semana #291

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, vencedor do Prémio FIPRESCI no Festival de Cannes.

A FÁBRICA DE NADA



Ficha Técnica:
Título Original: A Fábrica de Nada
Realizador: Pedro Pinho
Actores: Carla Galvão, Dinis Gomes, Américo Silva, José Vargas
Género: Drama, Musical
Classificação: M/14
Duração: 177 minutos


terça-feira, 30 de maio de 2017

Cannes 2017: Os vencedores

Os vencedores do Festival de Cannes 2017 foram anunciados no passado fim-de-semana. O filme português Fábrica do Nada, de Pedro Pinho, conquistou o Prémio da Crítica (Prémio FIPRESCI), na Quinzena dos realizadores.


Eis os vencedores da Competição Oficial e Un Certain Régard:

Competição Oficial

Palma de Ouro
THE SQUARE, de Ruben ÖSTLUND

Grande Prémio do Júri
120 BATTEMENTS PAR MINUTE, de Robin CAMPILLO

Melhor Realizadora
THE BEGUILED, de Sofia COPPOLA

Prémio do Júri 
NELYUBOV, de Andrey ZVYAGINTSEV

Melhor Argumento (ex-aequo)
THE KILLING OF A SACRED DEER, de Yórgos LÁNTHIMOS e EFTHIMIS FILIPPOU e YOU WERE NEVER REALLY HERE, de Lynne RAMSAY

Melhor Actor
JOAQUIN PHOENIX por YOU WERE NEVER REALLY HERE

Melhor Actriz
DIANE KRUGER, por AUS DEM NICHTS

Caméra d’Or
JEUNE FEMME, de Léonor SERRAILLE

Palma de Ouro para Melhor Curta-metragem
XIAO CHENG ER YUE, de QIU Yang

Menção Especial - Curta-metragem
KATTO, de Teppo AIRAKSINEN

Prémio do 70.º Aniversário
NICOLE KIDMAN

Un Certain Regard

Prémio Un Certain Regard
LERD, de Mohammad RASOULOF

Prémio do Júri - Un Certain Regard
LAS HIJAS DE ABRIL, de Michel FRANCO

Prémio de realização Un Certain Regard
WIND RIVER, de Taylor SHERIDAN

Prémio de Interpretação
JASMINE TRINCA por FORTUNATA

Prémio Poesia no Cinema
BARBARA, de Mathieu AMALRIC

A lista completa de vencedores e outras informações podem encontrar-se aqui.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cinema Português: Um Fim do Mundo + Cama de Gato e Bela Vista

Cinema português a triplicar é o que a Zero em Comportamento, a Projectos Paralelos, a Terratreme e a Vende-se Filmes propõem ao público português a partir de dia 7 de Novembro. A Um Fim do Mundo, de Pedro Pinho, juntam-se dois trabalhos da dupla Filipa Reis e João Miller Guerra, Cama de Gato e Bela Vista. Os três filmes portugueses têm em comum o espaço onde cada um decorre - a Bela Vista, um bairro da cidade de Setúbal -, e serão exibidos em exclusivo no Cinema City Alvalade e no Auditório Charlot, em Setúbal.


Um Fim do Mundo

"Um dia na praia, antes das férias de Verão. Uma rapariga acabada de chegar que provoca curiosidade. Um rumor. Um desses dias que não acabam. Uma falha no sistema de distribuição de electricidade - um apagão - talvez se trate de um acidente, talvez seja só um pretexto para passar uma noite juntos."  - Pedro Pinho traz-nos Um Fim do Mundo, onde a adolescência serve de mote à narrativa, que se desenvolve na realidade de um bairro social em Setúbal. E como o próprio realizador refere: "Apesar de nunca ter desejado fazer um filme sobre 'os bairros', deixei-me seduzir rapidamente por personagens que, pela própria paisagem que habitam, estão natural e ontologicamente em confronto com o mundo de fora (e talvez, de alguma maneira, desejem tanto o seu fim como eu o desejo)."



Cama de Gato

“As coisas acontecem, sucedem e a gente aproveita ou não. Há um jogo de meninos que, em Portugal, se chama cama de gato: os meninos atam um cordel em círculo, depois fazem assim com a mão, vem outro e faz uma complicação qualquer, mete o dedo faz outra complicação, vem outro ainda e quanto aos dedos faz assim e tira, e forma outra figura. Este jogo chama-se cama de gato. Então, eu acho que na vida o que há, é um jogo perpétuo de crianças com a cama de gato, que a vida vem de vez em quando e apresenta-nos o problema, olhamos e vemos como é que havemos de tirar, depois metemos os dedos, fazemos assim e sai outra coisa. É que toda a nossa habilidade é tornar a ser crianças para ver como é que sai a cama de gato.” - Esta citação de Agostinho da Silva serve de sinopse ao filme de Filipa Reis e João Miller Guerra.


Bela Vista

Pela mão de Filipa Reis e João Miller Guerra chega-nos também um documentário, Bela Vista. Individualmente, Bela e Vista têm os seus significados, mas as duas palavras juntas dizem respeito ao bairro da cidade de Setúbal. Este filme é sobre "a geometria da vida de um bairro: a Bela Vista".


Aqui fica uma boa oportunidade para ver três filmes portugueses. No cinema City Alvalade os filmes estão divididos em duas sessões, uma sessão apenas com Um Fim do Mundo, com várias projecções por dia e outra sessão com Cama de Gato e Bela Vista.