terça-feira, 31 de dezembro de 2024
Sugestão da Semana #646
domingo, 24 de abril de 2022
Sugestão da Semana #504
sexta-feira, 22 de abril de 2022
Crítica: O Homem do Norte / The Northman (2022)
"I will avenge you, Father. I will save you, Mother. I will kill you, Fjölnir."
Amleth
*8/10*
Robert Eggers regressa com o visceral O Homem do Norte (The Northman), onde lendas e espíritos se juntam numa acção comandada pelo desejo de vingança. Semelhanças com Hamlet, de William Shakespeare, não são coincidência, já que ambos se inspiram no lendário herói nórdico, Amleth. Contudo, Eggers, em coautoria com o escritor islandês Sjón, cria a sua própria visão dos mitos e lendas escandinavos, inserindo-os no universo sujo e sombrio que caracteriza os seus filmes.
"Durante a viragem do século X, na Islândia, o jovem príncipe Amleth está à beira de se tornar um homem quando o pai é brutalmente assassinado pelo tio, que rapta a mãe do rapaz. Fugindo do seu reino insular por barco, jura vingança. Duas décadas mais tarde, Amleth é um viking berserker que invade aldeias eslavas. Num desses lugares, uma vidente recorda-o do seu voto: vingar o pai, salvar a mãe, matar o tio. Viajando num navio de escravos para a Islândia, Amleth infiltra-se na quinta do seu tio com a ajuda de Olga, uma mulher eslava."
Ainda que a história que inspira o filme de Eggers já seja conhecida, o desenlace não é óbvio nem desilude. A vingança e o desejo de justiça são motivação para cada acto de Amleth, onde a acção é contrabalançada com suspense e misticismo - tudo bem ao estilo do realizador (basta lembrar O Farol e A Bruxa) - e muita violência.
O Homem do Norte é exímio na recriação do ambiente inóspito e brutal da época, das batalhas sangrentas, das perigosas viagens de barco nos mares do norte, do trabalho escravo ou da leviandade com que os poderosos tratam os seus subordinados.
No protagonista, Amleth, são trabalhados muitos sentimentos e emoções: da criança que admira o pai e quer estar à altura das suas expectativas, ao trauma que alimenta o desejo de vingança e o obriga a partir para terras desconhecidas; ou do adulto selvagem e implacável, que recupera o seu lado racional e retoma o desejo de fazer justiça ao pai e salvar a mãe. Ao fim de 20 anos, Amleth reencontra-se com o passado e tem a oportunidade de experimentar muitos sentimentos que deixou de parte - entre eles o amor. Alexander Skarsgard revela-se empenhado e tão capaz quer na componente física do papel - onde adopta uma postura quase animalesca -, como na psicológica, com diferentes nuances emocionais ao longo da longa-metragem.
Mas é tecnicamente que O Homem do Norte realmente se eleva. Nos cenários gelados da Islândia, há que dar todo o mérito ao fabuloso trabalho da direcção de fotografia de Jarin Blaschke (o mesmo dos anteriores filmes de Eggers) que, entre o gelo, a lama e os vulcões fumegantes, consegue captar, através da iluminação das imagens - também diurnas, mas em especial as nocturnas -, os corações gélidos das personagens e o calor do ódio que carregam em si. As sequências de acção são intensas e bem coreografadas, potenciadas mais ainda pela excelente montagem de Louise Ford. A pairar, qual fantasma, a banda sonora de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough funde-se com os uivos e gritos de guerra ou de terror.
O Homem do Norte veio alargar o espectro da filmografia de Robert Eggers, reforçando a criatividade e o talento que o realizador tem para entorpecer as audiências e, ao mesmo tempo, prendê-las à visceralidade tanto visual como psicológica da sua obra.
domingo, 27 de março de 2022
Oscars 2022: As Actrizes Principais
Passamos às nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz. Mais um ano de grandes desempenhos femininos no cinema. Das cinco nomeadas, apenas assisti à prestação de quatro - ainda não vi The Eyes of Tammy Faye, com Jessica Chastain, que tem grandes probabilidades de ser a vencedora.
Três desempenhos fortes e emotivos, exigentes física e psicologicamente, e um menos destacado, apesar de muito competente. Eis as nomeadas, por ordem de preferência.
1. Olivia Colman (The Lost Daughter)
Olivia Colman entrega-se a Leda, dá-lhe a confiança da experiência de vida, pronta para enfrentar quem lhe faça frente, mas também revela fragilidade e desamparo, decorrente da obsessão que cria pela jovem mãe com quem partilha a praia. E um acto inesperado vai desencadear nela um misto de emoções e lembranças, tonturas, sonolência e esquecimentos, para além de uma sensação de perseguição constante. Colman está, como sempre, fabulosa e destaca-se entre as suas concorrentes à estatueta (mesmo que não a vença).
2. Penélope Cruz (Parallel Mothers)
Penélope Cruz, sempre arrebatadora e inteira, na pele da protagonista, interpreta uma mulher de sucesso, independente, cujo sonho de ser mãe se realiza por volta dos 40 anos, de forma quase inesperada, e que abraça só para si sem hesitar. Perante a herança trágica da sua povoação natal e a vontade de lutar pela preservação dos seus antepassados, vê-se ainda a braços com a maternidade, e com um dilema que a deixa de destroçada. Sempre pronta para os desafios de Pedro Almodóvar, a actriz entrega-se física e emocionalmente à personagem.
Num filme que ficou aquém do esperado, o desempenho de Kristen Stewart é competente e revela muito empenho da parte da actriz, que captou todos os maneirismos da princesa Diana, para além das óbvias parecenças físicas. Após a introspecção inicial da personagem, há uma explosão de emoções reprimidas: desamparo, revolta e claustrofobia, entre cortinas fechadas, arame farpado e muita vontade de fugir.
4. Nicole Kidman (Being the Ricardos)
Num filme mediano, Nicole Kidman consegue ser a maior força. Como Lucille Ball, a actriz incorpora maneirismos e a forma afectada mas decidida da personagem, ao mesmo tempo que é capaz de ir da comédia ao drama em breves instantes.
Jessica Chastain (The Eyes of Tammy Faye)
Sem avaliação.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
Crítica: Being the Ricardos (2021)
*5.5/10*
Aaron Sorkin escreve e realiza Being The Ricardos, filme que apresenta a história de duas figuras icónicas da televisão norte-americana, Lucille Ball e Desi Arnaz.
Apesar do grande sucesso da sua sitcom I Love Lucy, a relação pessoal e profissional de Lucille Ball (Nicole Kidman) e Desi Arnaz (Javier Bardem) fica ameaçada por graves acusações pessoais e políticas por parte da imprensa.
Being The Ricardos leva a plateia aos bastidores da sitcom dos anos 50 e à intimidade do casal, entre acusações de comunismo, desconfianças, difíceis decisões criativas e a censura na televisão. Para além da tensão presente entre os protagonistas e aqueles com quem trabalham, Aaron Sorkin intercala a acção com situações do passado do casal, desde o momento em que se conheceram, à passagem de Lucille pela rádio e a sua chegada à televisão. Por vezes, Being the Ricardos transforma-se ainda num falso documentário, com os testemunhos dos argumentistas e realizador da sitcom - mais velhos - a contar a sua versão dos acontecimentos.
Nicole Kidman e Javier Bardem fazem um trabalho consistente na pele de Lucille e Desi, com destaque para a actriz, que incorpora maneirismos e a forma afectada mas decidida da sua personagem, ao mesmo tempo que é capaz de ir da comédia ao drama em breves instantes. Caracterização e direcção artística fazem um excelente trabalho na reencenação da época dos acontecimentos, e de todo o ambiente de bastidores de I Love Lucy.
Being The Ricardos será talvez bom entretenimento para os que conhecem a sitcom e os protagonistas, mas não fugirá da monotonia para quem não está familiarizado com o casal - pouco original, pouco dinâmico e pouco empático.
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
Opinião: Séries - Nove Perfeitos Desconhecidos / Nine Perfect Strangers - Temporada 1 (2021)
"We are on the precipice of something great."
Masha
*7/10*
Nove Perfeitos Desconhecidos, minissérie original da Hulu - disponível na Amazon Prime Video -, convida a um retiro relaxante num resort que irá testar todos os limites. Adaptando à televisão o livro homónimo de Liane Moriarty (autora de Big Little Lies), John-Henry Butterworth e David E. Kelley criam oito episódios viciantes, que jogam com os traumas de cada um.
"Nove Perfeitos Desconhecidos acompanha nove pessoas muito diferentes que chegam a Tranquillum House – um retiro de bem-estar misterioso que promete uma 'transformação total'. Quando lá chegam, os hóspedes parecem cair sob o feitiço da enigmática Masha que fará de tudo para os curar. Contudo, com o passar do tempo, os métodos pouco convencionais de Masha ameaçam levar o grupo explosivo ao limite."
No elenco, Nicole Kidman sobressai como Masha, dona do retiro, de ar místico e calmo, mas também misteriosa e de olhar ameaçador, marcada por um passado violento a vários níveis; Melissa McCarthy é a escritora Frances, uma personagem tragicómica bem ao jeito da actriz; Michael Shannon é Napoleon, cujo optimismo extremo esconde uma perda irreparável. A estes nomes juntam-se ainda um conjunto de boas interpretações de Luke Evans, Bobby Cannavale, Melvin Gregg, Regina Hall, Asher Keddie, Samara Weaving e Grace Van Patten.
O argumento audaz de Nove Perfeitos Desconhecidos traz para o pequeno ecrã uma abordagem arriscada à capacidade de superação ou libertação de cada um, num ambiente controlado e alucinogénico, até mesmo para o espectador.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
Opinião: Minisséries - The Undoing (2020)
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Crítica: Bombshell: O Escândalo (2019)
domingo, 26 de janeiro de 2020
Sugestão da Semana #413
Elenco: Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie, John Lithgow, Allison Janney, Kate McKinnon, Malcolm McDowell, Mark Duplass
Género: Biografia, Drama
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Crítica: O Sacrifício de um Cervo Sagrado / The Killing of a Sacred Deer (2017)
Yorgos Lanthimos tem uma imaginação prodigiosa. Sabe chocar, surpreender e trabalhar o non sense como poucos. Canino, em 2009, catapultou-o para a fama pela forma ímpar e macabra que retratou a história do filme. Recentemente, A Lagosta marcou a sua estreia em inglês e O Sacrifício de um Cervo Sagrado segue a mesma linha do filme anterior.
Mas a fórmula está a repetir-se e, apesar da originalidade e competência técnica continuarem a brilhar, a sensação de dejá vu começa a surgir. Apesar de O Sacrifício de um Cervo Sagrado ser um filme de terror - e dentro do género tem um argumento incómodo a jogar com o sobrenatural, que funciona -, repete toda a estranheza das relações humanas, os diálogos impessoais, as conversas despropositadas.
Steven (Colin Farrell) é um cardiologista conceituado, casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos. Já há algum tempo que ele mantém contacto frequente com Martin (Barry Keoghan). A relação entre ambos é de grande cumplicidade e o médico decide apresentá-lo à família. Entretanto, o jovem sente que não está a receber a mesma dedicação e, por isso, decide elaborar um plano de vingança.
O realizador grego continua os seus planos geométricos, iluminados e limpos. Semelhanças ao cinema de Stanley Kubrick ou Michael Haneke têm-se sucedido e fazem crer que Lanthimos está a perder as suas próprias marcas autorais. Ainda assim, se isso não estiver a acontecer, está, pelo menos, a perder qualidades. O realizador continua a desafiar valores, mas desta vez vai mais longe - e com pouco sucesso, a meu ver -, ao querer associar o seu filme a simbolismos bíblicos e a peças gregas de autores clássicos.
Curiosamente, e é ele o ponto forte do filme, vamos admirar o "vilão". Admirá-lo e temê-lo, tal como a família Murphy. Rodeia-o uma aura diabólica e violenta e, ao mesmo tempo, frágil e intimidante. Barry Keoghan tem uma interpretação aterradora na pele deste jovem Martin, omnipresente e de poderes sobrenaturais. A sua vingança personifica-se numa maldição que, para ele, não passa de justiça. Nicole Kidman é a mais corajosa de O Sacrifício de um Cervo Sagrado, para além de dar um show de interpretação com uma personagem pouco rica, uma mãe a quem a actriz confere poder e determinação.
Não são precisas mais explicações, Lanthimos joga com medos e aparências, com a moral e as crenças de cada um, e cria um filme de terror incómodo, mas que sabe a pouco. Os fãs do seu trabalho queriam mais novidades, menos exagero, menos preguiça.
terça-feira, 30 de maio de 2017
Cannes 2017: Os vencedores
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Oscars 2017: As Actrizes Secundárias
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Crítica: Lion - A Longa Estrada para Casa (2016)
"I'm not from Calcutta... I'm lost."Saroo Brierley

quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Momentos para Recordar #34
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Momentos para Recordar #30
domingo, 19 de maio de 2013
Sugestão da Semana #64
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"Também andas à procura de trabalho a sério?" Nádia *9/10* Pedro Cabeleira voltou às longas-metragens depois de oito anos de inte...
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O IndieLisboa 2026 já anunciou os vencedores desta edição. Barrio Triste , de Stillz , How to Catch a Butterfly , de Kiriko Mechanicus , e ...





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