quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Estreias da Semana #700

Esta Quinta-feira, chegam às salas de cinema portuguesas cinco novos filmes. Família de Aluguer, de Hikari, Kontinental '25, de Radu Jude, e Pai, Mãe, Irmã, Irmão, de Jim Jarmusch, são algumas das estreias em destaque.

Família de Aluguer (2025)
Rental Family
Um actor americano em Tóquio luta para encontrar um propósito até conseguir um trabalho incomum: trabalhar para uma agência japonesa de "famílias de aluguer", desempenhando papéis substitutos para estranhos. À medida que mergulha no mundo dos seus clientes, começa a formar laços genuínos que esbatem as fronteiras entre a representação e a realidade.

Greenland: Um Novo Começo (2026)
Greenland 2: Migration
Tendo encontrado segurança num bunker na Gronelândia após o cometa Clarke ter devastado a Terra, a família Garrity arrisca tudo e inicia uma perigosa viagem, através das terras devastadas da Europa, em busca de um novo lar.

Kontinental '25 (2025)
Orsolya é uma oficial de justiça em Cluj, a principal cidade da Transilvânia. Um dia, tem de despejar um sem-abrigo de uma cave, uma ação com consequências trágicas que desencadeia uma crise moral que Orsolya tem de superar da melhor forma possível.

Pai, Mãe, Irmã, Irmão (2025)
Father Mother Sister Brother
Três histórias que abordam relações entre filhos adultos, os seus pais um pouco distantes e entre si. Cada um dos três capítulos decorre no presente e em países diferentes. FATHER passa-se no nordeste dos Estados Unidos, MOTHER em Dublin, na Irlanda, e SISTER BROTHER em Paris, França. O filme é uma série de estudos de personagens, tranquilo, observacional e sem julgamentos – uma comédia entrelaçada com fios de melancolia.

Song Sung Blue (2025)
Dois músicos sem sorte formam uma banda de tributo a Neil Diamond para seguir os seus sonhos e provar que nunca é tarde demais para encontrar o amor.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Sugestão da Semana #699

Das estreias da passada Quinta-feira, a primeira Sugestão da Semana de 2026 destaca Miroirs No. 3, de Christian Petzold.

MIROIRS NO. 3


Ficha Técnica:
Título Original: Miroirs No. 3
Realizador: Christian Petzold
Elenco: Paula Beer, Barbara Auer, Matthias Brandt, Enno Trebs, Philip Froissant, Victoire Laly
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 86 minutos

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Cinemateca abre 2026 com ciclo de homenagem aos projecionistas e à sala escura

A Cinemateca Portuguesa começa 2026 com o Ciclo Uma Cinemateca em Chamas – História de Projeção e Projecionistas. Ao longo do mês de Janeiro, os projeccionistas, a sala escura e a película são os homenageados.

O ciclo é composto por mais de 60 filmes, em sessões que enaltecem a experiência física de se ver cinema e de se viver em contacto com os "filmes enquanto filmes". As obras escolhidas são muito diversificadas, de diferentes períodos e latitudes, "sobre cinemas, sobre idas ao cinema, sobre adormecer no cinema ou ficar zangado no cinema, sobre se apaixonar no (e pelo) cinema, sobre os 'perigos' e os 'benefícios' dos filmes, sobre os erros e os acertos da projecção, sobre o seu efeito hipnótico, sobre a projecção enquanto evento e enquanto performance, sobre a cabine como espaço de reclusão, como espaço de protecção, espaço de caos, de perturbação e de transformação e, também, sobre o filme enquanto objecto, enquanto testemunho material de uma ocorrência, enquanto memória, enquanto assombração e celebração do que foi ou do que poderia ter sido", refere a Cinemateca Portuguesa, em comunicado.

Uma Cinemateca em Chamas – História de Projeção e Projecionistas será a oportunidade de ver alguns títulos que passam pela primeira ver e, fundamentalmente,  "para se (re)descobrir grandes filmes projectados nos seus suportes de origem: de THE PURPLE ROSE OF CAIRO (em 35 mm), de Woody Allen, a THE FLICKER (em 16 mm), de Tony Conrad; da sessão dupla do realizador experimental (e projeccionista da Filmmaker’s Cinematheque criada por Jonas Mekas) Jerome Hiller à sessão Grindhouse (em 35 mm) de PLANET TERROR e DEATH PROOF, respectivamente, de Robert Rodriguez e de Quentin Tarantino; de uma sessão dupla em que um dos maiores directores de fotografia do cinema português, Acácio de Almeida, homenageia a matéria-prima do cinema, a luz, até aos dois GREMLINS, de Joe Dante (também em 35 mm); do compêndio de suportes que é WE CAN’T GO HOME AGAIN, de Nicholas Ray, rodado em 35 mm, 16 mm, Super 8 e  vídeo, ao regresso das três dimensões à M. Félix Ribeiro com CAVALCADE – 3D, de David Crosswaite, e DIAL M FOR MURDER – 3D, de Alfred Hitchcock", entre outros.

Estará ainda patente a exposição O Regresso do Cometa Halley – histórias de projeção e projecionistas, baseada nas colecções da Cinemateca, que ocupará vários espaços do edifício da Rua Barata Salgueiro, e haverá uma sessão em que a película é rainha, em que se instalarão quatro projectores diferentes (de 8 mm, 9.5 mm, 16 mm e 35 mm) na Sala M. Félix Ribeiro. O chefe da cabine José Martins irá, ao longo da sessão, explicar as diferenças entre os diferentes formatos, projectando pequenos filmes em cada um dos aparelhos. Reserva-se ainda uma Carta Branca muito especial a oito projeccionistas da Cinemateca, um Ciclo dentro do Ciclo, que espelha preferências pessoais, memórias e experiências marcantes vividas na sala escura.

O programa completo de Uma Cinemateca em Chamas – História de Projeção e Projecionistas está disponível em https://www.cinemateca.pt/CinematecaSite/media/Documentos/janeiro-26.pdf.

Estreias da Semana #699

Esta Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2026, chegaram aos cinemas as primeiras estreias do ano. São quatro os novos filmes em sala. A Criada e Miroirs No. 3 são dois dos filmes em destaque.

A Criada (2025)
The Housemaid
Millie é uma mulher lutadora e feliz por recomeçar a vida como empregada doméstica de Nina e Andrew, um casal rico. No entanto, logo percebe que os segredos da família são mais perigosos do que os seus.

A Hora Silenciosa (2024)
The Silent Hour
O detective Frank Shaw (Joel Kinnaman) volta ao serviço após uma lesão que o deixa com surdez permanente. Incumbido de ser o intérprete em língua gestual de Ava Fremont (Sandra Mae Frank), a mulher surda que testemunhou um homicídio brutal da parte de um gangue, dá consigo encurralado num prédio de apartamentos prestes a ser demolido quando os assassinos voltam para eliminar a testemunha. Isolados do mundo e sem conseguirem ouvir quem os persegue, Frank e Ava só contam um com o outro para sobreviver.

Miroirs No. 3 (2025)
Numa viagem de fim-de-semana ao campo, Laura (Paula Beer) sobrevive milagrosamente a um acidente de viação. Fisicamente ilesa, mas profundamente abalada, é acolhida por uma mulher que testemunhou o acidente e que passa a cuidar de Laura com devoção maternal. Quando o marido e o filho adulto desistem da resistência inicial à presença de Laura, os quatro constroem lentamente uma rotina familiar. Contudo, em breve não vão conseguir ignorar o passado.

Os Enforcados (2025)
Regina e Valério são um casal feliz que desfruta da sua fortuna a partir da luxuosa vivenda no topo das colinas do Rio de Janeiro. Desde a morte do pai de Valério, o maior mafioso da cidade, procura desesperadamente uma saída. O tio de Valério, Linduarte, insiste em que ele assuma as suas responsabilidades. Uma noite, ao tentar chamar Linduarte à razão, o casal mata-o acidentalmente. Caem então numa espiral de violência que os conduz ao mesmo caminho de que queriam escapar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Crítica: Foi Só Um Acidente / It Was Just an Accident / Yek tasadef sadeh (2025)

*9/10*


Desde que foi condenado, em 2010, a seis anos de prisão e a uma proibição de 20 anos de exercer actividades cinematográficas, que a filmografia de Jafar Panahi espelha o seu estado de espírito - e cresce a olhos vistos. Em 2011, Isto Não É um Filme foi uma leve provocação à sentença que lhe calhou, e retratava o cineasta em prisão domiciliária, na companhia da sua iguana de estimação, e do realizador Mojtaba Mirtahmasb. Juntos, pretendiam mostrar o poder do cinema contra a repressão e liberdade de expressão. Em 2013, Closed Curtain foi uma espécie de grito de desespero de Panahi, um murro no estômago também para o público. Em Taxi (2015), começaram as suas "aventuras" pelas ruas de Teerão numa docuficção onde Panahi interpreta um taxista. Já Três Rostos e Ursos Não Há são duas incursões noutros territórios, com o realizador a interpretar-se a si mesmo na acção. 


Foi Só Um Acidente é filmado depois de, em 2022, as autoridades iranianas terem voltado a prender Jafar Panahi durante sete meses, até este ter feito uma greve de fome e pago uma caução. A revolta está espelhada na longa-metragem, criada a partir de várias conversas com outros reclusos do regime iraniano, e que se revela bastante diferente das suas antecessoras. 

"Eghbal viaja de carro com a mulher grávida quando atropela e mata um cão. Encalhado na estrada, procura ajuda na garagem de Vahid, sem saber que o seu salvador acredita que é ele o agente prisional que o torturou."

O pânico que toma conta de Vahid ao reconhecer a voz e os passos de Eghbal rapidamente se transforma num insaciável desejo de vingança: mas sem nunca lhe ter visto a cara durante o tempo em que esteve preso, as dúvidas começam a assolá-lo. E é a partir daí que se entra numa espécie de road movie rumo à mais justa vingança possível. E eis que entram em cena outros antigos presos políticos, submetidos a torturas arrepiantes pela mão do mesmo homem. Pagar na mesma moeda a quem lhes arruinou a vida pode não ser a decisão mais ética, mas aqui o que importa é não se vingarem do homem errado.


O conflito moral é o motor de Foi Só Um Acidente e Jafar Panahi sabe como adensá-lo até ao extremo, desde logo ao começar por humanizar o possível torturador na primeira cena, mostrando a sua família: uma filha pequena e a mulher grávida.

Este é, sem dúvida, o filme mais violento do realizador iraniano. Pouco gráfico, mas muito agressivo nas palavras e ideias. Os horrores relembrados pelos antigos presos políticos, representados pelos vários actores, e todas as formas de exteriorizar a raiva e o ódio que sentem são uma arma para desafiar o sistema doentio onde sobrevivem.


Filmado em segredo, a grande maioria das cenas de Foi Só Um Acidente são rodadas em zonas isoladas ou de dentro da carrinha - ela própria testemunha de todos os pecados ou arrependimentos das personagens. Este secretismo estende-se da realidade à ficção, e a tensão passa para o outro lado do ecrã, que assiste também impassível a todas as injustiças cometidas pelo regime iraniano.


E no meio deste drama violento, há momentos de humor que não fazem desaparecer a aura pesada de Foi Só Um Acidente, mas recordam que continua a ser Panahi atrás da câmara. Sente-se brutalmente a sua revolta e desilusão com o país que ama, mas é sempre o seu coração pacificador a tomar as rédeas. Uma lição de vida para todos que o assistam.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Sugestão da Semana #698

Das estreias da passada semana, a Sugestão da Semana destaca a reposição do filme de 2010, Incendies - A Mulher Que Canta, de Denis Villeneuve, num restauro 4K, em jeito de comemoração do 15.º aniversário da sua estreia.

INCENDIES - A MULHER QUE CANTA


Ficha Técnica:
Título Original: Incendies
Realizador: Denis Villeneuve
Elenco: Lubna Azabal, Mélissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette, Rémy Girard, Allen Altman, Abdelghafour Elaaziz, Dominique Briand
Género: Drama, Guerra, Mistério
Classificação: M/16
Duração: 131 minutos