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domingo, 10 de março de 2024

Oscars 2024: Vencedores

A 96.ª cerimónia dos Oscars aconteceu na noite passada, no Dolby Theatre, em Los Angeles. O anfitrião foi novamente Jimmy Kimmel e, no Hoje Vi(vi) um Filme, esteve a acompanhar e a actualizar os vencedores em tempo real. 

Oppenheimer foi o grande vencedor da noite com sete estatuetas, seguido de Pobres Criaturas com quatro.


Aqui fica a lista completa de vencedores:

Melhor Filme
American Fiction
Anatomy of a Fall 
Barbie 
The Holdovers
Killers of the Flower Moon
Maestro
Oppenheimer
Past Lives
Poor Things
The Zone of Interest 

Melhor Actor
Bradley Cooper (Maestro)
Colman Domingo (Rustin)
Paul Giamatti (The Holdovers)
Cillian Murphy (Oppenheimer)
Jeffrey Wright (American Fiction)

Melhor Actriz
Annette Bening (Nyad)
Lily Gladstone (Killers of the Flower Moon)
Sandra Hüller (Anatomy of a Fall)
Carey Mulligan (Maestro)
Emma Stone (Poor Things)

Melhor Actor Secundário
Sterling K. Brown (American Fiction)
Robert De Niro (Killers of the Flower Moon)
Robert Downey Jr. (Oppenheimer)
Ryan Gosling (Barbie)
Mark Ruffalo (Poor Things)

Melhor Actriz Secundária 
Emily Blunt (Oppenheimer)
Danielle Brooks (The Color Purple)
America Ferrera (Barbie)
Jodie Foster (Nyad)
Da’Vine Joy Randolph (The Holdovers)

Melhor Realizador
Justine Triet (Anatomy of a Fall)
Martin Scorsese (Killers of the Flower Moon)
Christopher Nolan (Oppenheimer)
Yorgos Lanthimos (Poor Things)
Jonathan Glazer (The Zone of Interest)

Melhor Argumento Original
Anatomy of a Fall (Justine Triet e Arthur Harari)
The Holdovers (David Hemingson)
Maestro (Bradley Cooper & Josh Singer)
May December (Argumento de Samy Burch; História de Samy Burch & Alex Mechanik)
Past Lives (Celine Song)

Melhor Argumento Adaptado
American Fiction (Cord Jefferson)
Barbie (Greta Gerwig & Noah Baumbach)
Oppenheimer (Christopher Nolan)
Poor Things (Tony McNamara)
The Zone of Interest (Jonathan Glazer)

Melhor Filme de Animação
The Boy and the Heron
Elemental 
Nimona
Robot Dreams
Spider-Man: Across the Spider-Verse

Melhor Filme Estrangeiro
Io Capitano (Itália)
Perfect Days (Japão)
Society of the Snow (Espanha)
The Teacher’s Lounge (Alemanha)
The Zone of Interest (Reino Unido)

Melhor Fotografia
El Conde (Edward Lachman)
Killers of the Flower Moon (Rodrigo Prieto)
Maestro (Matthew Libatique)
Oppenheimer (Hoyte van Hoytema)
Poor Things (Robbie Ryan)

Melhor Montagem
Anatomy of a Fall (Laurent Sénéchal)
The Holdovers (Kevin Tent)
Killers of the Flower Moon (Thelma Schoonmaker)
Oppenheimer (Jennifer Lame)
Poor Things (Yorgos Mavropsaridis)

Melhor Design de Produção
Barbie (Sarah Greenwood e Katie Spencer)
Killers of the Flower Moon (Jack Fisk e Adam Willis)
Napoleon (Arthur Max e Elli Griff)
Oppenheimer (Ruth De Jong e Claire Kaufman)
Poor Things (James Price, Shona Heath e Zsuzsa Mihalek)

Melhor Guarda-Roupa
Barbie (Jacqueline Durran)
Killers of the Flower Moon (Jacqueline West)
Napoleon (Janty Yates and Dave Crossman)
Oppenheimer (Ellen Mirojnick)
Poor Things (Holly Waddington)

Melhor Caracterização
Golda (Karen Hartley Thomas, Suzi Battersby e Ashra Kelly-Blue)
Maestro (Kazu Hiro, Kay Georgiou e Lori McCoy-Bell)
Oppenheimer (Luisa Abel)
Poor Things (Nadia Stacey, Mark Coulier e Josh Weston)
Society of the Snow (Ana López-Puigcerver, David Martí e Montse Ribé)

Melhor Banda Sonora Original
American Fiction (Laura Karpman)
Indiana Jones and the Dial of Destiny (John Williams)
Killers of the Flower Moon (Robbie Robertson)
Oppenheimer (Ludwig Göransson)
Poor Things (Jerskin Fendrix)

Melhor Canção Original
The Fire Inside de Flamin’ Hot (Música e Letra: Diane Warren)
I’m Just Ken de Barbie (Música e Letra: Mark Ronson e Andrew Wyatt)
It Never Went Away de American Symphony (Música e Letra: Jon Batiste e Dan Wilson)
Wahzhazhe (A Song for My People) de Killers of the Flower Moon (Música e Letra: Scott George)
What Was I Made For? de Barbie (Música e Letra: Billie Eilish e Finneas O’Connell)

Melhor Som
The Creator (Ian Voigt, Erik Aadahl, Ethan Van der Ryn, Tom Ozanich e Dean Zupancic)
Maestro (Steven A. Morrow, Richard King, Jason Ruder, Tom Ozanich e Dean Zupancic)
Mission: Impossible – Dead Reckoning Part One (Chris Munro, James H. Mather, Chris Burdon e Mark Taylor)
Oppenheimer (Willie Burton, Richard King, Gary A. Rizzo e Kevin O’Connell)
The Zone of Interest (Tarn Willers e Johnnie Burn)

Melhores Efeitos Visuais
The Creator (Jay Cooper, Ian Comley, Andrew Roberts e Neil Corbould)
Godzilla: Minus One (Takashi Yamazaki, Kiyoko Shibuya, Masaki Takahashi e Tatsuji Nojima)
Guardians of the Galaxy Vol. 3 (Stephane Ceretti, Alexis Wajsbrot, Guy Williams e Theo Bialek)
Mission: Impossible — Dead Reckoning, Part One (Alex Wuttke, Simone Coco, Jeff Sutherland e Neil Corbould)
Napoleon (Charley Henley, Luc-Ewen Martin-Fenouillet, Simone Coco e Neil Corbould)

Melhor Documentário
Bobi Wine: The People’s President
The Eternal Memory
Four Daughters
To Kill a Tiger
20 Days in Mariupol

Melhor Curta Documental
The ABCs of Book Banning 
The Barber of Little Rock 
Island in Between 
The Last Repair Shop 
Nǎi Nai & Wài Pó 

Melhor Curta de Animação
Letter to a Pig 
Ninety-Five Senses 
Our Uniform 
Pachyderme
War Is Over! Inspired by the Music of John & Yoko

Melhor Curta
The After 
Invincible 
Knight of Fortune
Red, White and Blue
The Wonderful Story of Henry Sugar


*artigo actualizado pela última vez às 02h28 de dia 11 de Março de 2024.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Crítica: Oppenheimer (2023)

"Now I am become Death, the destroyer of worlds."

J. Robert Oppenheimer

*6.5/10*

Oppenheimer tinha tudo para ser explosivo, mas faltou Christopher Nolan estabelecer limites à sua, cada vez mais evidente, mania das grandezas. Com uma carreira sempre em crescendo até Interstellar (2014), o encanto que distinguia o cineasta tem-se desvanecido (com a excepção de Dunkirk, em 2017, talvez), tornando os seus filmes cada vez mais longos e demasiado complexos, com dificuldade em chegar ao público. 

No caso de Oppenheimer, o problema não é a complexidade da narrativa, mas sim a insistência em explicar tudo o que acontece, com demasiado detalhe, sem deixar espaço à curiosidade da plateia. Ser sucinto é uma qualidade que Nolan tem de readquirir.

O filme é "um thriller que mergulha a fundo na mente do singular J. Robert Oppenheimer, o brilhante cientista envolvido na criação da bomba atómica durante a Segunda Guerra Mundial. Uma invenção revolucionária que simbolizou a máxima capacidade do engenho humano, capaz de refazer a civilização e, ao mesmo tempo, de ameaçar o futuro da humanidade."

Baseado no livro vencedor de um Prémio Pulitzer, American Prometheus: The Triumph and Tragedy of J. Robert Oppenheimer, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, a longa-metragem percorre a juventude do protagonista, as suas influências e encontros com grandes nomes da física, até se envolver no Projecto Manhattan que levou à criação da bomba atómica, um desafio que foi o seu maior feito. Oppenheimer acompanha todo o processo de desenvolvimento da bomba atómica e a sua posterior utilização no final da Segunda Guerra Mundial, e os dilemas morais com que J. Robert Oppenheimer se debateu ao compreender o real impacto da bomba no Japão - e no Mundo -, ao mesmo tempo que convivia com a admiração do povo e a traição de muitos dos que lhe eram próximos (tendo sido vítima do Macartismo, nos anos 50). 

Não há dúvida que Christopher Nolan ama a Sétima Arte e tudo tem feito para proporcionar a melhor experiência possível em sala de cinema, desta vez, ao filmar com câmaras IMAX 65mm e grande formato 65mm e inclui, pela primeira vez, secções rodadas em película de 65mm IMAX a preto e branco, criada propositadamente para este filme. Ao mesmo tempo, os efeitos visuais - incluindo as explosões - são criados recorrendo apenas a efeitos práticos. 

A técnica é exímia (realização, fotografia, direcção artística, som, efeitos visuais), mas não encontra equilíbrio com a narrativa de Oppenheimer, repleta de personagens que pouco acrescentam e relações pouco exploradas, fazendo com que a longa-metragem chegue às três horas de duração sem justificação. Ao mesmo tempo, a banda sonora de Ludwig Göransson  é omnipresente e não deixa o silêncio - tão necessário - instalar-se, nem por um momento.

Num elenco de nomes sonantes, destaque para Cillian Murphy que já merecia o protagonismo num filme de Nolan e mostra-se à altura do desafio. Contudo, a grande interpretação de Oppenheimer está a cargo de um irreconhecível Robert Downey Jr., na pele do cínico Lewis Strauss.

Oppenheimer começa bem, perde-se ligeiramente pelo meio, até que resplandece quando surge a criação do cientista, e tudo o que daí advém. Christopher Nolan só tem de reaprender que menos é mais e que, com uma duração mais curta, poderia ter construído um filme verdadeiramente impactante.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Crítica: Um Lugar Silencioso 2 / A Quiet Place Part II (2020)

*7/10*


O perigo constante, à escuta do mínimo barulho, regressa em Um Lugar Silencioso II, de John Krasinski, que dá seguimento à história da família protagonista do filme de 2018. A tensão desconcertante mantém-se e a originalidade do enredo segue, rumo a um terceiro filme.

Após os acontecimentos terríveis ocorridos em casa, a família Abbott (Emily BluntMillicent SimmondsNoah Jupe) terá agora que enfrentar os horrores do mundo exterior enquanto continua a lutar pela sobrevivência em silêncio. Forçados a seguir viagem para o desconhecido, rapidamente percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças que se escondem para lá do caminho de areia.

Desta vez, Krasinski começa por revelar a origem desta espécie ameaçadora de ouvidos sensíveis numa emocionante cena inicial, que remonta ao "dia 1" desta nova era. Depois, a acção regressa ao ponto em que terminou em Um Lugar Silencioso. A mãe e os três filhos seguem caminho em busca de sobreviventes e da sua própria sobrevivência, preparados para lutar.


O suspense e a tensão mantêm-se, mas o mistério inicial dissipou-se: a ameaça é aterradora mas já lhe é conhecida a forma. Os sustos são demasiado previsíveis, não denegrindo contudo o potencial da história e personagens - e é aí que está o grande foco de Um Lugar Silencioso II, na resiliência e coragem de cada um perante as adversidades cada vez maiores.

O crescendo de importância que as crianças têm neste segundo filme - em especial Millicent Simmonds - é de seguir com atenção. A jovem actriz mostra-se cada vez mais confiante e madura no papel de Regan e supera o desafio com nota máxima. Cillian Murphy foi, por seu lado, uma boa adição ao casting na pele de um homem solitário, desconfiado e profundamente marcado pela presença dos monstros.


O silêncio - sinónimo de sobrevivência para as personagens - continua a imperar e a ser o grande trunfo de Um Lugar Silencioso II, transportando a plateia para uma realidade cada vez menos comum numa sala de cinema, e para uma experiência especialmente imersiva e aterradora. Que venha o próximo capítulo, com a mesma fórmula e dedicação.

domingo, 30 de maio de 2021

Sugestão da Semana #457

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Um Lugar Silencioso 2, de John Krasinski.

UM LUGAR SILENCIOSO 2


Ficha Técnica:
Título Original: A Quiet Place Part II
Realizador: John Krasinski
Elenco: Emily Blunt, Cillian Murphy, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Djimon Hounsou, Wayne Duvall
Género: Drama, Ficção Científica, Terror
Classificação: M/14
Duração: 97 minutos

terça-feira, 25 de julho de 2017

Sugestão da Semana #282

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o novo filme de Christopher Nolan, Dunkirk. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme já pode ser lida aqui.

DUNKIRK


Ficha Técnica:
Título Original: Dunkirk
Realizador: Christopher Nolan
Actores: Fionn Whitehead, Aneurin BarnardTom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Branagh, Harry Styles, Cillian MurphyBarry Keoghan
Género: Acção, Drama, História
Classificação: M/12
Duração: 106 minutos

domingo, 23 de julho de 2017

Crítica: Dunkirk (2017)


*9/10*


Um filme de grande orçamento que sabe honrar as origens do cinema não se encontra todos os dias. Christopher Nolan voltou em grande, literalmente. Filmou em 65mm, um formato de cortar a respiração, que, cada vez mais, tem voltado a ganhar adeptos e apresenta um projecto grandioso sobre um episódio da Segunda Guerra Mundial com enorme simplicidade e mestria: Dunkirk.

No seu primeiro filme de guerra, Nolan consegue ser tão patriótico como tolerante. Sem banhos de sangue, mas com um sentido de união pouco comum, de pensamentos, sentimentos, compromissos e honra. O realizador é metódico e consegue, como poucos, unir públicos tão diferentes em torno do mesmo filme. Sim, Dunkirk é um filme para as massas, mas é igualmente um filme de autor, com planos sufocantes e memoráveis, com dedicação, alma e personalidade.


Por terra, por mar e no ar, a câmara de Nolan segue a acção de três perspectivas distintas e com uma temporalidade diferente, mas em redor do mesmo campo de batalha, o resgate de centenas de milhares de soldados britânicos e aliados da praia de Dunquerque, onde se encontram cercados pelo inimigo.

A luta pela sobrevivência, o barulho ensurdecedor dos tiros, das explosões, dos gritos dos soldados, a solidão no meio de tantos, o estar encurralado entre o mar e a guerra. Tudo isto conta a História. Afinal, onde fica a esperança? Na pátria? Os dias passam e a ajuda tarda, o inimigo sobrevoa a praia, as mortes sucedem-se e não há como fugir ou esconder-se. É nos olhos vazios e inocentes dos jovens soldados que as emoções se reflectem. Poucas palavras, muita acção e desalento.


Dunkirk divide-se em três momentos distintos que culminam na mesma espacio-temporalidade. A montagem de Lee Smith é magistral no trabalho que faz ao acompanhá-los. Na praia, os soldados esperam o resgate que tarda, no mar, marinha e civis fazem os possíveis para salvar os compatriotas, no ar, os pilotos britânicos tentam abater os inimigos no combate aéreo. Juntos numa luta contra o tempo.

A banda sonora de Hans Zimmer poderia assentar bem a um filme de terror, e é a grande responsável pelos momentos de tensão e suspense. Para uns é incómoda, para mim é fundamental  e quase indissociável da longa-metragem. A par de alguns planos nos aviões, também a música nos incute sensações semelhantes às dos soldados, numa incerteza, desespero e temor imensos. O tique-taque do relógio usado pelo compositor varia consoante o batimento do nosso coração, como eco resultante de milhares de corações em sofrimento, sem saída à vista. A tornar a experiência ainda mais intensa está a direcção de fotografia de Hoyte Van Hoytema, que tira o melhor partido da película, com planos de profundidade sem fim, fabulosas vistas aéreas sobre a praia, ou planos fantasmagóricos à beira mar, onde são os soldados as almas penadas.


Os actores dão corpo ao que o guião não diz. Por um lado, os oficiais desesperam, com tantos homens por salvar, com destaque para Kenneth Branagh como o Comandante Bolton. De Inglaterra, saem muitos civis com as suas embarcações para ajudar no resgate, onde Mr. Dawson (Mark Rylance com mais uma grande oportunidade de chegar aos Oscars) e o jovem George (Barry Keoghan) são a personificação do sentimento de pertença e dever para com os seus, que lutam na Segunda Guerra. Do lado dos 400 mil homens presos em Dunquerque, são três os principais rostos que tanto dizem, cada um à sua maneira e nos seus tormentos: Tommy (Fionn Whitehead), Gibson (Aneurin Barnard) e Alex (Harry Styles). Tão jovens e inexperientes, e já traumatizados, de orgulho ferido e sem esperança - que, ainda assim, não desistem de lutar. Já Cillian Murphy é o soldado que traz consigo o trauma de guerra. No ar, estão os incansáveis pilotos, sempre alerta e em defesa dos seus: Farrier (Tom Hardy) e Collins (Jack Lowden).

Christopher Nolan fez questão de nos oferecer a melhor experiência visual possível. Dunkirk é uma curta epopeia de dor e sacrifício, onde a união fez mesmo a força, num importante momento da História da Segunda Guerra Mundial.