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terça-feira, 25 de julho de 2017

Sugestão da Semana #282

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o novo filme de Christopher Nolan, Dunkirk. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme já pode ser lida aqui.

DUNKIRK


Ficha Técnica:
Título Original: Dunkirk
Realizador: Christopher Nolan
Actores: Fionn Whitehead, Aneurin BarnardTom Hardy, Mark Rylance, Kenneth Branagh, Harry Styles, Cillian MurphyBarry Keoghan
Género: Acção, Drama, História
Classificação: M/12
Duração: 106 minutos

domingo, 23 de julho de 2017

Crítica: Dunkirk (2017)


*9/10*


Um filme de grande orçamento que sabe honrar as origens do cinema não se encontra todos os dias. Christopher Nolan voltou em grande, literalmente. Filmou em 65mm, um formato de cortar a respiração, que, cada vez mais, tem voltado a ganhar adeptos e apresenta um projecto grandioso sobre um episódio da Segunda Guerra Mundial com enorme simplicidade e mestria: Dunkirk.

No seu primeiro filme de guerra, Nolan consegue ser tão patriótico como tolerante. Sem banhos de sangue, mas com um sentido de união pouco comum, de pensamentos, sentimentos, compromissos e honra. O realizador é metódico e consegue, como poucos, unir públicos tão diferentes em torno do mesmo filme. Sim, Dunkirk é um filme para as massas, mas é igualmente um filme de autor, com planos sufocantes e memoráveis, com dedicação, alma e personalidade.


Por terra, por mar e no ar, a câmara de Nolan segue a acção de três perspectivas distintas e com uma temporalidade diferente, mas em redor do mesmo campo de batalha, o resgate de centenas de milhares de soldados britânicos e aliados da praia de Dunquerque, onde se encontram cercados pelo inimigo.

A luta pela sobrevivência, o barulho ensurdecedor dos tiros, das explosões, dos gritos dos soldados, a solidão no meio de tantos, o estar encurralado entre o mar e a guerra. Tudo isto conta a História. Afinal, onde fica a esperança? Na pátria? Os dias passam e a ajuda tarda, o inimigo sobrevoa a praia, as mortes sucedem-se e não há como fugir ou esconder-se. É nos olhos vazios e inocentes dos jovens soldados que as emoções se reflectem. Poucas palavras, muita acção e desalento.


Dunkirk divide-se em três momentos distintos que culminam na mesma espacio-temporalidade. A montagem de Lee Smith é magistral no trabalho que faz ao acompanhá-los. Na praia, os soldados esperam o resgate que tarda, no mar, marinha e civis fazem os possíveis para salvar os compatriotas, no ar, os pilotos britânicos tentam abater os inimigos no combate aéreo. Juntos numa luta contra o tempo.

A banda sonora de Hans Zimmer poderia assentar bem a um filme de terror, e é a grande responsável pelos momentos de tensão e suspense. Para uns é incómoda, para mim é fundamental  e quase indissociável da longa-metragem. A par de alguns planos nos aviões, também a música nos incute sensações semelhantes às dos soldados, numa incerteza, desespero e temor imensos. O tique-taque do relógio usado pelo compositor varia consoante o batimento do nosso coração, como eco resultante de milhares de corações em sofrimento, sem saída à vista. A tornar a experiência ainda mais intensa está a direcção de fotografia de Hoyte Van Hoytema, que tira o melhor partido da película, com planos de profundidade sem fim, fabulosas vistas aéreas sobre a praia, ou planos fantasmagóricos à beira mar, onde são os soldados as almas penadas.


Os actores dão corpo ao que o guião não diz. Por um lado, os oficiais desesperam, com tantos homens por salvar, com destaque para Kenneth Branagh como o Comandante Bolton. De Inglaterra, saem muitos civis com as suas embarcações para ajudar no resgate, onde Mr. Dawson (Mark Rylance com mais uma grande oportunidade de chegar aos Oscars) e o jovem George (Barry Keoghan) são a personificação do sentimento de pertença e dever para com os seus, que lutam na Segunda Guerra. Do lado dos 400 mil homens presos em Dunquerque, são três os principais rostos que tanto dizem, cada um à sua maneira e nos seus tormentos: Tommy (Fionn Whitehead), Gibson (Aneurin Barnard) e Alex (Harry Styles). Tão jovens e inexperientes, e já traumatizados, de orgulho ferido e sem esperança - que, ainda assim, não desistem de lutar. Já Cillian Murphy é o soldado que traz consigo o trauma de guerra. No ar, estão os incansáveis pilotos, sempre alerta e em defesa dos seus: Farrier (Tom Hardy) e Collins (Jack Lowden).

Christopher Nolan fez questão de nos oferecer a melhor experiência visual possível. Dunkirk é uma curta epopeia de dor e sacrifício, onde a união fez mesmo a força, num importante momento da História da Segunda Guerra Mundial.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Os Actores Secundários

Os Oscars são já no dia 28 e, como de costume, faço uma pequena análise aos nomeados nas categorias mais esperadas. Começo com o Oscar de Melhor Actor Secundário. Não é uma categoria fácil. A competição é renhida e a qualidade dos actores é enorme. É complicado ordená-los por ordem de preferência, mas aqui fica.

Devem-lhe um Oscar. Mais ainda pelo seu Rocky, agora reformado do ringue, frágil e emocional. Stallone mostra um lado muito humano, a prova de como até os ícones envelhecem e são reais. Emociona-se e emociona-nos, este Rocky Balboa magoado pela vida, que parece descobrir em Adonis a força e vitalidade que os anos lhe roubaram. 

Ele é mesmo bom a fazer de vilão. Tom Hardy consegue encarnar na perfeição Fitzgerald, o homem ausente de sentimentos, com uma maldade imensa a pairar sobre si, sem arrependimentos. Mais um grande desempenho de um actor que ainda continua a ser subvalorizado - justamente deram-lhe a nomeação.

Quase podia passar despercebido, não fosse o magnetismo que emana, que só os bons actores conseguem atingir. Mark Rylance é o espião russo, Rudolf Abel. Um desempenho comedido, de um homem de ar frágil, com uma presença muito forte, acusado de espionagem mas capaz de comover o público.

Num filme de grandes desempenhos, Mark Ruffalo tem possivelmente o desempenho mais forte. Até a postura e forma do actor se movimentar estão diferentes, na pele do jornalista luso-descendente, Mike Rezendes, emocional, corajoso, persistente, sem papas na língua e verdadeiramente incomodado com o caso que investiga.

Christian Bale é um camaleão. Desta vez, vestiu a pele de Michael Burry, o primeiro cérebro a prever a queda do mercado imobiliário. Um homem rebelde, solitário que, praticamente, vive no escritório. O actor incorpora de forma hilariante este homem que se veste e comporta como um adolescente, de baquetas nas mãos e com a cabeça cheia de números.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Crítica: Mad Max: Estrada da Fúria / Mad Max: Fury Road (2015)

"If I'm gonna die, I'm gonna die historic on the Fury Road!"

Nux
*8/10*

George Miller está aí para as curvas. Mad Max: Estrada da Fúria veio prová-lo. A relação que une o cineasta à personagem data de 1979, com Mel Gibson a encarnar o protagonista em Mad Max - As Motos da Morte. Daí em diante, surgiu uma saga conduzida por Miller, com outro filme em 1981, que culminou com o terceiro em 1985. Ora 30 anos depois, o herói regressou aos ecrãs pela mão do seu criador.

Tom Hardy é quem dá agora corpo a Max, mas a energia e o ambiente tresloucado criado por Miller em 1979 mantém-se, com uma modernidade avassaladora, que em nada faz esquecer as origens da saga.


Temporalmente, não há ligação entre o filme de 2015 e os anteriores (mas os fãs da saga vão encontrar algumas referências). Em Mad Max: Estrada da Fúria, Max acredita que a melhor forma de sobreviver é não depender de mais ninguém para além de si próprio. Ainda assim, acaba por se juntar a um grupo de rebeldes que atravessa a Wasteland numa máquina de guerra conduzida por uma Imperatriz de elite, Furiosa (Charlize Theron). Este bando está em fuga de uma cidadela tiranizada por Immortan Joe, a quem algo insubstituível foi roubado. Exasperado com a sua perda, o Senhor da Guerra reúne o seu gang e inicia uma perseguição aos rebeldes e uma feroz Guerra na Estrada.

Um cenário pós-apocalíptico australiano absorve-nos para um deserto onde não queremos viver: sem lei, uma terra infértil, onde reina a fome, a sede e a submissão a um vilão demoníaco. A história ganha ritmo com a fuga de um grupo de rebeldes - todas mulheres -, que se insurgem contra o temível ditador. No início da perseguição, Max junta-se a elas, e perde muito do protagonismo para a sua líder, Furiosa. Muitos apelidaram Mad Max: Estrada da Fúria de um filme feminista, devido ao grupo de "heroínas". Eu considero-o antes um filme anti-machista. Mulheres oprimidas querem apenas ser livres.

Mas Mad Max é, principalmente, técnico. A fantástica realização proporciona-nos um espectáculo visual assombroso, o som e a montagem dinâmica realçam a acção e o suspense na medida certa sem frenesim desnecessário, a caracterização é eficaz, quase a funcionar como uma forma simples de distinguir o lado bom do mau. Ao mesmo tempo, a opção de Miller pela fotografia repleta de cor e a direcção artística a proporcionar-nos imagens cheias de beleza no meio da decadência, num corajoso contraste, demonstram a sua forte faceta autoral.


Nas interpretações, Tom Hardy é o nosso herói solitário sem nada a perder que se junta a quem precisa da sua ajuda. Um Max mais comedido, mas com o mesmo sentido de justiça. Charlize Theron usa do seu lado mais obscuro ao vestir a pele de Furiosa e é quem mais se destaca, numa interpretação poderosa de uma mulher pronta para a guerra, cansada de ser subjugada. Ainda de realçar é a interpretação segura de Nicholas Hoult como Nux.

As cores fortes pintam a desolação deste mundo apocalíptico dominado por homens demoníacos. Mad Max regressou ao grande ecrã em grande forma e, desta vez, até é ofuscado pelo brilho das mulheres de armas que lutam pela dignidade dos seus. Uma surpresa cheia de acção, girl power, com George Miller ao comando a mostrar como, fiel ao original q.b., Mad Max também se sabe actualizar.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sugestão da Semana #204

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca The Revenant - O Renascido, com Leonardo DiCaprio. A crítica pode ser lida aqui.

THE REVENANT - O RENASCIDO


Ficha Técnica:
Título Original: The Revenant
Realizador: Alejandro González Iñárritu
Actores: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter, Emmanuel Bilodeau, Domhnall Gleeson, Paul Anderson
Género: Aventura, Drama, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 156 minutos

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Crítica: The Revenant - O Renascido (2015)

"As long as you can still grab a breath, you fight. You breathe... keep breathing."
Hugh Glass
*8/10*

Alejandro González Iñárritu abandona as fantasiosas asas de Birdman e atira-se de cabeça num projecto grandioso. The Revenant - O Renascido foi duro de filmar e é duro de assistir, mas assim dá gosto ir ao cinema. Leonardo DiCaprio já não tem nada a provar, mas aqui, quase sem abrir a boca, tem provavelmente um dos desempenhos mais estrondosos do ano. 

Inspirado em factos verídicos, a longa-metragem segue uma expedição pelo desconhecido território americano, no século XIX, até que Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é atacado por um urso e deixado como morto pelos seus companheiros. Na luta pela sobrevivência, Glass resiste a um sofrimento inimaginável, bem como à traição de John Fitzgerald (Tom Hardy), um dos seus companheiros de expedição. Guiado pela sede de vingança e o amor da sua família, Glass terá de enfrentar um Inverno rigoroso numa busca incessante pela sobrevivência e redenção.


Duro, sujo, violento, The Revenant - O Renascido percorre uma narrativa simples com um protagonista ferido movido pela vingança. O caminho é longo, árduo e perigoso e a longa-metragem perde o fôlego a dado momento, entre tanta neve numa jornada que parece não ter fim. Contudo, Glass não está sozinho: tem a dupla Iñárritu/DiCaprio a acompanhá-lo e não o deixa perder-se. E nós, sem darmos conta, queremos acompanhar o protagonista até ao fim.

The Revenant coloca-nos no terreno, neste jogo de interesses onde Glass é abandonado à sua sorte, ou à sua morte. Americanos, índios e franceses, ninguém é inocente. No meio da guerra, a câmara de Iñárritu deixa-nos perdidos, desnorteados como cada personagem, à mercê de animais ferozes, de temperaturas geladas, de inimigos que espreitam atrás de cada árvore.

Os planos-sequência (de que o realizador tanto gosta) abundam - especialmente na primeira metade do filme - e são os responsáveis pelo envolvimento da plateia nos cenários gélidos e sangrentos. As sensações são intensificadas pela câmara irrequieta e tão próxima dos actores que sente o seu bafo ou fica salpicada com o seu sangue. Ao mesmo tempo, a direcção de fotografia é soberba, com Emmanuel Lubezki ao comando, ele que tão bem sabe trabalhar com a luz, potenciando as cores e a iluminação como poucos. A banda sonora funde-se de tal modo com a acção que parece fazer parte dela, intensifica o ambiente tenso e aterrador e, no conjunto, consegue fazer-nos sentir o odor a sangue e a morte, o cheiro da terra molhada, das árvores e do fogo.

E se o virtuosismo técnico por vezes se sobrepõe - a um ponto tão estranho que nos faz sentir quase esta quarta dimensão -, também é ele que, mais perto do fim, nos faz ansiar pelo desfecho, que procuramos, atentos e com verdadeiro interesse, desde o início. Iñárritu marca de tal forma o seu estilo que chega a ser frenético e o seu ritmo acaba por extenuar a plateia.


Leonardo DiCaprio tem um desempenho assombroso, de uma exigência física imensa. Sem falas durante grande parte do filme, o actor sabe servir-se do corpo e das expressões faciais para dizer muito mais do que as palavras o permitiriam. Tom Hardy, por sua vez, consegue encarnar na perfeição o homem ausente de sentimentos, com uma maldade imensa a pairar sobre si, sem arrependimentos. Mais um grande desempenho de um actor que ainda continua a ser subvalorizado.

The Revenant - O Renascido é uma experiência inebriante e cruel para o espectador. Um filme pesado, onde o instinto de sobrevivência é alimentado pelo desejo de vingança, numa jornada violenta e visceral. Desta vez, Iñárritu exibe-se mas com brilhantismo e proporciona aos actores um desafio como poucos.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Estrear: O Cavaleiro das Trevas Renasce

Um dos mais esperados filmes deste ano está a chegar. É já na próxima Quinta-feira que O Cavaleiro das Trevas Renasce estará nos cinemas portugueses. Depois do terrível incidente em Denver, muito se especulava acerca da repercussão que o filme poderia sentir. O certo é que, tristezas à parte, o capítulo final da trilogia de Christopher Nolan é tão bom ou melhor do que o último O Cavaleiro das Trevas, de 2008, e é de visualização mais do que obrigatória.


A expectativa era alta, mas o realizador não deixou que a desilusão fosse uma possibilidade para o espectador. Há sequências brilhantes, cenas de arrepiar e um desfecho imprevisível, até ao último minuto. "Brilhante" e "Fabuloso" são duas características de O Cavaleiro das Trevas Renasce. O grande elenco contribui também para a excelente concretização deste filme onde destaco as prestações de Tom Hardy, Anne Hathaway, Christian Bale e Joseph Gordon-Levitt.

Nos próximos dias, a minha crítica ao filme está no Espalha-Factos e por aqui também.