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segunda-feira, 8 de abril de 2024

Sugestão da Semana #608

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Homem Macaco, realizado e protagonizado por Dev Patel.

HOMEM MACACO


Ficha Técnica:
Título Original: Monkey Man
Realizador: Dev Patel
Elenco: Dev Patel, Sharlto Copley, Pitobash, Vipin Sharma, Sikandar Kher, Sobhita Dhulipala
Género: Acção, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 121 minutos

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Crítica: A Lenda do Cavaleiro Verde / The Green Knight (2021)

"I fear I am not meant for greatness."

Gawain


*4.5/10*

Depois de Amor Fora da Lei (2013), A Lenda do Dragão (2016), História de Um Fantasma (2017) e O Cavalheiro com Arma (2018), David Lowery regressa com mais uma faceta cinematográfica, desta vez para adaptar uma história de fantasia medieval, oriunda da corte do Rei Arthur, com A Lenda do Cavaleiro Verde.

Sir Gawain (Dev Patel), o impulsivo e obstinado sobrinho do Rei Arthur, embarca numa ousada viagem para enfrentar o Cavaleiro Verde, um forasteiro gigante de pele esmeralda que testa os adversários até ao limite. Gawain luta contra fantasmas, gigantes, ladrões e conspiradores, numa jornada que lhe definirá o caráter e o valor aos olhos da família e do reino, perante o mais temível dos adversários.

Gawain é-nos apresentado como um rapaz preguiçoso e cobarde que, num impulso imaturo (e uns pozinhos de uma mãe adepta de bruxaria), entra num desafio que terá de ser cumprido. Ao embarcar na jornada até ao seu adversário, um ano depois, o jovem segue convicto de alcançar honra e glória, para que, finalmente, possa singrar no reino. A viagem é marcada por provações e tentações, qual Cristo em plena travessia do deserto, e muita magia negra.

Entre encontros com personagens inesperadas, objectos simbólicos e delírios, David Lowery arrasta-nos ao longo de mais de duas horas de filme sem justificação plausível para tal. Nada se retira de A Lenda do Cavaleiro Verde, sem ser o ligeiro enriquecimento de carácter que Gawain conquista ao longo da jornada. Não aterroriza, não intimida, e não fica connosco para lá da visualização.

Com o argumento tão desperdiçado e inconsistente, consolemo-nos com o grande trabalho da direcção de fotografia de Andrew Droz Palermo, capaz de proporcionar planos marcantes, numa experiência visual acima da média. A acompanhar, a banda sonora de Daniel Hart, capta totalmente o ambiente da época e o tom sombrio do filme.

Numa versão mais obscura e menos inspirada do que o poema original, de autor anónimo, A Lenda do Cavaleiro Verde não honra Camelot, nem a filmografia de Lowery.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria equilibrada, com boas prestações, outras que poderiam dar lugar a nomes que ficaram de fora - o caso de Aaron Taylor-Johnson, vencedor do Globo de Ouro nesta categoria, é o exemplo mais flagrante. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.

Mahershala Ali faz-se notar em Moonlight, numa prestação muito emotiva na pele de Juan. Num filme em que os secundários brilham (Naomi Harris faz-lhe companhia nas nomeações), o actor consegue que a sua personagem conquiste a simpatia da plateia, mesmo fazendo parte do submundo da droga, já que tem uma sensibilidade que até agora não tivera oportunidade de mostrar no cinema. Juan tem pouco tempo de ecrã, mas a sua presença é forte o suficiente que nos lembremos sempre dele.

Sempre inesquecível em qualquer personagem que dota do seu toque tão característico, Michael Shannon é o incansável polícia texano Bobby em Animais Noturnos. O actor incorpora este homem amargurado e sem nada a perder com a mesma força a que nos tem habituado. Confere-lhe a fragilidade de um homem doente e, ao mesmo tempo, a brutalidade de quem não tem medo de prestar contas a ninguém. É um dúbio homem da lei.

Não tão forte como os dois primeiros actores na corrida ao prémio, Dev Patel é um secundário com muito tempo de antena em Lion - A Longa Estrada para Casa. O actor interpreta o protagonista Saroo, adulto, na sua incansável e doentia procura pela família biológica de quem se perdeu aos cinco anos de idade. Patel tem um interpretação esforçada e competente, apesar de não atingir o pleno.

Mais um xerife nos nomeados para Melhor Actor Secundário. Desta vez, temos um mesmo à beira da reforma e com um difícil caso de assaltos a bancos para resolver. Jeff Bridges é um veterano que desempenha bem e sem dificuldade qualquer papel. Ele quer cumprir a lei, custe o que custar, é um homem que vive para o trabalho, dedicado e muito persistente.

Lucas Hedges poderia não constar nesta lista de nomeados, apesar do seu desempenho esforçado no papel de adolescente rebelde, que vive com a mágoa da perda do pai. Apesar da revolta que demonstra, o jovem está unido ao tio pelo sangue, dor e recordações.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crítica: Lion - A Longa Estrada para Casa (2016)

"I'm not from Calcutta... I'm lost."
Saroo Brierley

*5/10*

Sabe-se que o epíteto "baseado numa história verídica" nem sempre é sinónimo de qualidade e Lion - A Longa Estrada para Casa é mais um exemplo disso. Realmente, o argumento do filme tem por base o passado de um homem com muito para contar. Denuncia desigualdades e problemas muito preocupantes no que respeita às crianças indianas, contudo, isso não chega.

Há que olhar muito para lá da história comovente. Garth Davis está cheio de boas intenções com a sua primeira longa-metragem de ficção, todavia o seu principal objectivo parece ser chegar, a todo o custo, ao coração da plateia mais sensível.

Em Lion, seguimos um rapaz indiano de cinco anos, Saroo, que se perde do irmão mais velho e, por engano, embarca num comboio que o leva até às ruas de Calcutá. Perdido e sem saber como regressar a casa, sobrevive a diversos perigos e acaba por ser adoptado por um casal australiano. Passados 25 anos, quer descobrir a família biológica.

O argumento tem uma boa premissa, abordando diversos temas em parte desconhecidos do mundo ocidental: a pobreza, o elevadíssimo número de crianças perdidas na Índia, etc. Contudo, a procura de Saroo pela família biológica estende-se demasiado, sem acrescentar nada de novo, entrando numa espiral repetitiva. A relação do protagonista com a personagem de Rooney Mara é outro dos factores dispensáveis da narrativa, e para além de demarcar mais ainda o isolamento e a obsessão de Saroo, nada mais traz à história.


Os grandes pontos fortes de Lion - A Longa Estrada para Casa são as interpretações de Nicole Kidman, que enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos; e Dev Patel, o Saroo adulto incansável, em busca do caminho que o leve de regresso à família biológica, num trabalho esforçado e competente do actor.

Por sua vez, a direcção de fotografia de Greig Fraser consegue tirar excelente partido das paisagens quer da Índia, quer da Austrália e da luz tão característica dos dois países, onde abundam os tons quentes e secos na primeira, e as cores vivas e frescas na segunda.

A montagem é uma das grandes fraquezas do filme de Garth Davis, com uma primeira metade bastante ritmada, torna-se depois insistente e cansativa. Opta-se por intercalar imagens do passado de Saroo, enquanto, já adulto, investiga o paradeiro da família, que, mais do que flashbacks, pretendem intensificar a obsessão do protagonista, sem qualquer necessidade de tal. Ao longo da segunda metade de Lion essa ideia é repetida até à exaustão.


Lion conta uma difícil e persistente história de vida, mas não toma as melhores opções para a tornar verdadeiramente apetecível de conhecer. Perde-se na repetição de ideias e acaba por ser essencialmente suportada pelas boas interpretações do elenco.