Mostrar mensagens com a etiqueta Oscars 2017. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Oscars 2017. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Red carpet

Depois de um final de noite atribulado na entrega dos Oscars 2017, olhemos com mais calma para a passadeira vermelha. Eis aqueles que foram, para mim, os mais bem vestidos da cerimónia, onde predominaram vermelho, preto e branco (e muito dourado).



TARAJI P. HENSON arrasou na red carpet. O vestido Alberta Ferretti potenciou a sensualidade da actriz, e as jóias - destaco a gargantilha lindíssima - deram-lhe uma elegância e charme a que foi impossível ficar indiferente.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, ISABELLE HUPPERT é a elegância em pessoa. Fabulosa, a protagonista de Ela surgiu um vestido branco "reluzente" Armani Privé, que lhe assentou muito bem e lhe favoreceu a figura, a contrastar com o batom e unhas escuras.


Vencedora do Oscar de Melhor Actriz em 2016, BRIE LARSON surgiu sóbria mas muito sexy num vestido preto Oscar de la Renta que, apesar da cor escura, tinha uma presença imensa graças ao seu design volumoso e ondulante.


Também de preto, KIRSTEN DUNST desfilou num vestido Dior, com bolsos, que deixava ver os sapatos, e balançava entre o elegante e o jovial. Uma boa aposta da actriz.



O vencedor do Oscar de Melhor Actor Secundário, MAHERSHALA ALI, foi um dos homens mais elegantes da noite, um fato preto Ermenegildo Zegna.

Com um penteado leve e jovial, VIOLA DAVIS soube também escolher o modelo para o dia em que venceu o seu primeiro Oscar. A actriz surgiu lindíssima num vestido vermelho Armani Privé que destacou imenso a sua figura. A clutch e jóias douradas deram-lhe ainda mais elegância.


JANELLE MONAE nunca passa despercebida. Com este vestido da Elie Saab, preto e prateado, onde reinam as transparência, foi novamente impossível não tirar os olhos da cantora e actriz. Apesar de não ser especial fã da saia, acho que a parte de cima, a gargantilha e cabelo fazem valer todo o visual, que a transforma numa qualquer rainha exótica.


Mais um dos homens mais bem vestidos dos Oscars 2017: RYAN GOSLING. Elegante e sempre cavalheiro, o protagonista de La La Land, nomeado para Melhor Actor, chamou as atenções no seu fato Gucci.


Simples, mas muito bonito. O vestido Louis Vuitton, preto e branco, decotado e comprido, que MICHELLE WILLIAMS levou à cerimónia dos Oscars - onde esteva nomeada para Melhor Actriz Secundária - assentava-lhe especialmente bem. A maquilhagem suave e o cabelo curto, como já nos tem habituado, tornaram-na uma das minhas favoritas da noite.


A minha favorita da noite foi mesmo RUTH NEGGA. Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, a protagonista de Loving surgiu num vestido vermelho Valentino, comprido, de manga comprida e gola subida, com alguns detalhes de renda. A maquilhagem (que destacou os seus enormes olhos e boca) e o cabelo, a condizer, transformaram-na na mais bonita desta cerimónia.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Os Vencedores

É hoje a grande noite dos Oscars e o Hoje Vi(vi) um Filme estará a acompanhar a cerimónia. Por aqui, estamos a actualizar os vencedores em tempo real:


Melhor Filme
Elementos Secretos (Hidden Figures)
Hell or High Water - Custe o Que Custar!
La La Land - Melodia de Amor
Lion - A Longa Estrada para Casa
Manchester by the Sea
Moonlight
O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge)
O Primeiro Encontro (Arrival)
Vedações (Fences)

Melhor Actor
Andrew Garfield por O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge)
Casey Affleck por Manchester by the Sea
Denzel Washington por Vedações (Fences)
Ryan Gosling por La La Land - Melodia de Amor
Viggo Mortensen por Capitão Fantástico (Captain Fantastic)

Melhor Actriz
Emma Stone por La La Land - Melodia de Amor
Isabelle Huppert por Ela (Elle)
Meryl Streep por Florence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Natalie Portman por Jackie
Ruth Negga por Loving

Melhor Actor Secundário
Dev Patel por Lion - A Longa Estrada para Casa
Jeff Bridges por Hell or High Water - Custe o Que Custar!
Lucas Hedges por Manchester by the Sea
Mahershala Ali por Moonlight
Michael Shannon por Animais Noturnos (Nocturnal Animals)

Melhor Actriz Secundária 
Michelle Williams por Manchester by the Sea
Naomie Harris por Moonlight
Nicole Kidman por Lion - A Longa Estrada para Casa
Octavia Spencer por Elementos Secretos (Hidden Figures)
Viola Davis por Vedações (Fences)

Melhor Realizador
Barry Jenkins por Moonlight
Damien Chazelle por La La Land - Melodia de Amor
Denis Villeneuve por O Primeiro Encontro (Arrival)
Kenneth Lonergan por Manchester by the Sea
Mel Gibson por O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge)

Melhor Argumento Original
A Lagosta (The Lobster) - Yorgos Lanthimos, Efthimis Filippou
Hell or High Water - Custe o Que Custar! - Taylor Sheridan
La La Land - Melodia de Amor - Damien Chazelle
Manchester by the Sea - Kenneth Lonergan
Mulheres do Século XX (20th Century Women) - Mike Mills

Melhor Argumento Adaptado
Elementos Secretos (Hidden Figures) - Allison Schroeder e Theodore Melfi
Lion - A Longa Estrada para Casa - Luke Davies
Moonlight - Barry Jenkins; história de Tarell Alvin McCraney
O Primeiro Encontro (Arrival) - Eric Heisserer
Vedações (Fences) - August Wilson

Melhor Filme de Animação
A Tartaruga Vermelha (The Red Turtle)
Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings)
My Life as a Courgette
Vaiana (Moana)
Zootrópolis (Zootopia)

Melhor Filme Estrangeiro
En Man Som Heter Ove (A Man Called Ove) - Suécia
O Vendedor (The Salesman) - Irão
Tanna - Austrália
Toni Erdmann - Alemanha
Under Sandet (Land of Mine) - Dinamarca

Melhor Fotografia
La La Land - Melodia de Amor - Linus Sandgren
Lion - A Longa Estrada para Casa - Greig Fraser
Moonlight - James Laxton
O Primeiro Encontro (Arrival) - Bradford Young
Silêncio (Silence) - Rodrigo Prieto

Melhor Montagem
Hell or High Water - Custe o Que Custar! - Jake Roberts
La La Land - Melodia de Amor - Tom Cross
Moonlight - Nat Sanders e Joi McMillon
O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) - John Gilbert
O Primeiro Encontro (Arrival) - Joe Walker

Melhor Design de Produção
La La Land - Melodia de Amor - David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco
Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (Fantastic Beasts and Where to Find Them) - Stuart Craig e Anna Pinnock
O Primeiro Encontro (Arrival) - Patrice Vermette e Paul Hotte
Passageiros (Passengers) - Guy Hendrix Dyas e Gene Serdena
Salvé, César! (Hail, Caesar!) -  Jess Gonchor e Nancy Haigh

Melhor Guarda-Roupa
Aliados (Allied) - Joanna Johnston
Florence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins) - Consolata Boyle
Jackie - Madeline Fontaine
La La Land - Melodia de Amor - Mary Zophres
Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (Fantastic Beasts and Where to Find Them) - Colleen Atwood

Melhor Maquilhagem e Cabelo
En Man Som Heter Ove (A Man Called Ove) - Eva von Bahr e Love Larson
Esquadrão Suicida (Suicide Squad) - Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson
Star Trek: Além do Universo (Star Trek Beyond) - Joel Harlow e Richard Alonzo

Melhor Banda Sonora Original
Jackie - Mica Levi
La La Land - Melodia de Amor - Justin Hurwitz
Lion - A Longa Estrada para Casa - Dustin O'Halloran e Hauschka
Moonlight - Nicholas Britell
Passageiros (Passengers) - Thomas Newman

Melhor Canção Original
Jim: The James Foley Story - "The Empty Chair" - Foley Story, J. Ralph e Sting
La La Land - Melodia de Amor "City of Stars" - Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul
La La Land - Melodia de Amor - "Audition (The Fools Who Dream)" - Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul
Trolls "Can't Stop The Felling" -  Justin Timberlake, Max Martin e  Karl Johan Schuster
Vaiana (Moana) - "How Far I'll Go" - Lin-Manuel Miranda

Melhores Efeitos Sonoros
13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi) - Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth (desclassificado)
La La Land - Melodia de Amor - Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow
O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) - Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace
O Primeiro Encontro (Arrival) - Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye
Rogue One: Uma História de Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story) - David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson

Melhor Montagem de Som
Horizonte Profundo - Desastre no Golfo (Deepwater Horizon) - Wylie Stateman e Renée Tondelli
La La Land - Melodia de Amor - Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan
Milagre no Rio Hudson (Sully) - Alan Robert Murray e Bub Asman
O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) - Robert Mackenzie e Andy Wright
O Primeiro Encontro (Arrival) - Sylvain Bellemare

Melhores Efeitos Visuais
Doutor Estranho (Doctor Stange) - Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould
Horizonte Profundo - Desastre no Golfo (Deepwater Horizon) - Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton
Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings) - Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff
O Livro da Selva (The Jungle Book) - Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon
Rogue One: Uma História de Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story) - John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould

Melhor Documentário
13th - Ava DuVernay
Fogo no Mar (Fire at Sea) - Gianfranco Rosi
I am Not Your Negro - Raoul Peck
Life, Animated - Roger Ross Williams
OJ: Made in America - Ezra Edelman

Melhor Curta Documental
4.1 Miles - Daphne Matziaraki
Extremis - Dan Krauss
Joe’s Violin - Kahane Cooperman
The White Helmets - Orlando von Einsiedel
Watani: My Homeland - Marcel Mettelsiefen

Melhor Curta de Animação
Blind Vaysha - Theodore Ushev
Borrowed Time - Andrew Coats e Lou Hamou-Lhadj
Pear Cider and Cigarettes - Robert Valley
Pearl - Patrick Osborne
Piper - Alan Barillaro

Melhor Curta
Ennemis Intérieurs - Sélim Azzazi
La Femme et le TGV - Timo von Gunten e Giacun Caduff
Mindenki - Kristof Deák e Anna Udvardy
Silent Nights - Aske Bang e Kim Magnusson
Timecode - Juanjo Giménez

*artigo actualizado pela última vez às 5h20, de 27 de Fevereiro 2017, depois do engano no anúncio do vencedor.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Os Actores Principais

Para finalizar, avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria onde o vencedor não é evidente, encontramos quatro desempenhos fabulosos (onde é quase impossível escolher o melhor) e uma prestação muito inferior às restantes. O melhor é que temos interpretações para todos os gostos. Eis os nomeados, por ordem de preferência:

Casey Affleck é o motor da narrativa e seguimo-lo de Boston a Machester-by-the-sea, entre o presente e passado, num conflito interior constante. Um homem triste, deprimido, com uma aura cheia de mágoa e culpa. O actor transparece todas estes sentimentos e emoções sem esforço e faz-nos nutrir facilmente uma simpatia tímida pela sua personagem reservada. Uma interpretação muito sentida e competente do actor que, cada vez mais, vai mostrando quem é o Affleck talentoso.

2. Viggo Mortensen por Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
Viggo Mortensen é o outsider da categoria de Melhor Actor, pelo seu papel num filme sem mais nenhuma nomeação (mas que merecia, sem dúvida, estar na corrida para Melhor Argumento Original). O actor encarna uma personagem surpreendente, o homem que cria os filhos no meio da natureza, com exigência, rigor mas muito amor - à sua maneira. Poderá passar por lunático, vagueia entre a inconsciência e a vontade de que os filhos sejam os melhores e estejam o melhor preparados possível para o mundo. Firme e seguro ao início, a tristeza, o desalento e as dúvidas vão tomando conta da sua personagem ao longo de Capitão Fantástico. Uma verdadeira surpresa.

Ao lado de Emma Stone, Ryan Gosling canta, dança e representa. Em La La Land, o actor mostra a sua versatilidade, provando como se sabe reinventar e surpreender. Vai na sua segunda nomeação (que podia ser terceira, caso o tivessem nomeado pelo fabuloso papel em Blue Valentine), e ainda não é desta que leva o Oscar.

Denzel Washington encarna com a naturalidade da prática (representou no teatro esta mesma personagem, mais de 100 vezes) um homem de sonhos perdidos, que refugia no álcool os seus desgostos, em constante conflito com os filhos, ambicioso e egoísta. Quer fazer tudo pela família, mas são mais as oportunidades de triunfo que lhes rouba. Sendo quase omnipresente, não deixa de ser uma personagem incapaz de conquistar a plateia, tanta é a amargura que carrega em si. 

A ser nomeado, Andrew Garfield devia sê-lo por Silêncio, onde tem um desempenho especialmente bom a interpretar um padre jesuíta português no Japão, que sofre, perde-se e encontra-se, contra crenças e injustiças. Já em O Herói de Hacksaw Ridge, Garfield é dramático, frágil e inocente como a personagem pede, e cedo conquista a simpatia da plateia. No entanto, o fôlego que o filme precisa só chega quando passamos a ver Desmond tentar salvar os seus colegas feridos no campo de batalha. O actor é o anjo protector daquela batalha, incansável, mas de tão angelical, torna-se pouco convincente.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: As Previsões

E como de costume, dou-vos a conhecer as minhas previsões para a noite dos Oscars. É já daqui a pouco mais de 24 horas, na madrugada de Domingo (dia 26) para Segunda-feira, que ficaremos a conhecer os vencedores da grande noite do Cinema. Façam as vossas apostas e conheçam as minhas:


Melhor Filme
Ganha: La La Land - Melodia de Amor
Com possibilidades: Elementos Secretos (Hidden Figures)
Devia Ganhar: O Primeiro Encontro (Arrival)

Melhor Actor
Ganha: Denzel Washington por Vedações (Fences)
Com possibilidades: Casey Affleck por Manchester by the Sea
Devia Ganhar: Casey Affleck por Manchester by the Sea

Melhor Actriz
Ganha: Emma Stone por La La Land - Melodia de Amor
Com Possibilidades: Isabelle Huppert por Ela (Elle)
Devia Ganhar: Isabelle Huppert por Ela (Elle)

Melhor Actor Secundário
Ganha: Mahershala Ali por Moonlight
Com Possibilidades: Dev Patel por Lion - A Longa Estrada para Casa
Devia Ganhar: Mahershala Ali por Moonlight ou Michael Shannon por Animais Noturnos (Nocturnal Animals)

Melhor Actriz Secundária
Ganha: Viola Davis por Vedações (Fences)
Com Possibilidades: Naomie Harris por Moonlight
Devia Ganhar: Viola Davis por Vedações (Fences) ou Naomi Harris por Moonlight

Melhor Realizador
Ganha: Damien Chazelle por La La Land - Melodia de Amor
Com possibilidades: Barry Jenkins por Moonlight
Devia Ganhar: Damien Chazelle por La La Land - Melodia de Amor

Melhor Argumento Original
Ganha: Manchester by the Sea - Kenneth Lonergan
Com possibilidades: La La Land - Melodia de Amor - Damien Chazelle
Devia Ganhar: A Lagosta (The Lobster) - Yorgos Lanthimos, Efthimis Filippou

Melhor Argumento Adaptado
Ganha: Moonlight - Barry Jenkins; história de Tarell Alvin McCraney
Com possibilidades: O Primeiro Encontro (Arrival) - Eric Heisserer
Devia Ganhar: Moonlight - Barry Jenkins; história de Tarell Alvin McCraney

Melhor Filme de Animação
Ganha: Zootrópolis (Zootopia)
Com Possibilidades: Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings)
Devia Ganhar: Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings)

Melhor Filme Estrangeiro
Ganha: O Vendedor (The Salesman) - Irão
Com possibilidades: Toni Erdmann - Alemanha

Melhor Fotografia
Ganha: Lion - A Longa Estrada para Casa - Greig Fraser
Com possibilidades: La La Land - Melodia de Amor - Linus Sandgren
Devia Ganhar: O Primeiro Encontro (Arrival) - Bradford Young

Melhor Montagem
Ganha: La La Land - Melodia de Amor - Tom Cross
Com possibilidades: O Primeiro Encontro (Arrival) - Joe Walker
Devia Ganhar: La La Land - Melodia de Amor - Tom Cross

Melhor Design de Produção
Ganha: La La Land - Melodia de Amor - David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco
Com possibilidades: Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (Fantastic Beasts and Where to Find Them) - Stuart Craig e Anna Pinnock
Devia Ganhar: La La Land - Melodia de Amor - David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco

Melhor Guarda-Roupa
Ganha: Jackie - Madeline Fontaine
Com possibilidades: Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (Fantastic Beasts and Where to Find Them) - Colleen Atwood
Devia Ganhar: Jackie - Madeline Fontaine

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Ganha: Star Trek: Além do Universo (Star Trek Beyond) - Joel Harlow e Richard Alonzo
Com Possibilidades: Esquadrão Suicida (Suicide Squad) - Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson

Melhor Banda Sonora Original
Ganha: La La Land - Melodia de Amor - Justin Hurwitz
Com possibilidades: Moonlight - Nicholas Britell
Devia Ganhar: La La Land - Melodia de Amor - Justin Hurwitz

Melhor Canção Original
Ganha: La La Land - Melodia de Amor - "City of Stars" - Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul
Com Possibilidades: Trolls - "Can't Stop The Felling" - Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster
Devia Ganhar: La La Land - Melodia de Amor - "City of Stars" - Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul

Melhor Efeitos Sonoros
Ganha: La La Land - Melodia de Amor - Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow
Com possibilidades:O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) - Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace
Devia Ganhar: La La Land - Melodia de Amor - Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow

Melhor Montagem de Som
Ganha: O Herói de Hacksaw Ridge (Hacksaw Ridge) - Robert Mackenzie e Andy Wright
Com possibilidades: La La Land - Melodia de Amor - Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan

Melhor Efeitos Visuais
Ganha: O Livro da Selva (The Jungle Book) - Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon
Com possibilidades: Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings) - Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff
Devia Ganhar: Kubo e as Duas Cordas (Kubo and the Two Strings) - Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff

Melhor Documentário
Ganha: 13th - Ava DuVernay
Com Possibilidades: OJ: Made in America - Ezra Edelman

Melhor Curta Documental
Ganha: The White Helmets - Orlando von Einsiedel

Melhor Curta de Animação
Ganha: Piper - Alan Barillaro

Melhor Curta
Ganha: Silent Nights - Aske Bang e Kim Magnusson

Oscars 2017: As Actrizes Principais

Este ano, qualquer uma das cinco nomeadas para Melhor Actriz mereceria o Oscar. As quatro primeiras da minha lista seguem-se umas às outras de muito perto e é mesmo muito difícil escolher uma favorita. A quinta nomeada já teve a sua conta de Oscars e nomeações, por muito talentosa que continue a ser. Não que não volte a vencer, mas não por este papel. Fora da lista ficaram nomes como Rebecca Hall por Christine, Amy Adams por Animais Noturnos ou O Primeiro Encontro ou mesmo Taraji P. Henson por Elementos Secretos. Se houvesse mais de cinco nomeadas, elas teriam de lá estar. Aqui fica a minha listagem, por ordem de preferência.

Isabelle Huppert é extraordinária. Se conseguir roubar o Oscar à Emma Stone (aquela que todos têm como mais provável vencedora), vencerá com todo o mérito. Em Ela, Huppert mostra como é uma das melhores actrizes da sua geração e está preparada para todos os papéis, sem pudor, cheia de entrega. Fria, inteligente, matreira, egoísta, perturbada, ela conquista-nos a nós e a todos os que a rodeiam. Ninguém lhe resiste, ninguém lhe faz frente.

Natalie Portman é perfeita como Jacqueline Kennedy e apresenta-nos o outro lado da ex-primeira dama americana, muito mais do que estilo e elegância. A actriz transforma-se de tal forma que, ao olharmos para a sua interpretação, apenas vemos Jackie. A sua forma de andar, a voz e entoação, o sorriso, tudo nos leva à retratada. Um papel exigente e duro, onde a actriz passa para a tela o desespero, insegurança e, ao mesmo tempo, a coragem e perspicácia suficientes para organizar as cerimónias fúnebres do marido num momento de profundo choque. Portman apresenta-nos essa mulher de garra e cheia de personalidade, que foi muito além da mulher que vestia o seu fato cor-de-rosa manchado de sangue, no dia fatídico, que todos recordam.

A muito expressiva Emma Stone confirma aqui, por completo, o seu talento para a comédia, mostrando ainda como também sabe emocionar nos momentos dramáticos. Ao lado do seu sempre cúmplice par romântico, canta, dança e representa como só ela sabe. Que lhe dêem mais papéis como este.

4. Ruth Negga por Loving
Poucos tinham dado por ela, até que Loving a fez brilhar. Ruth Negga emana uma doçura capaz de conquistar qualquer um. A sua personagem, Mildred, é uma sofredora nata, cheia de amor pelo marido e filhos, a quem se dedica totalmente. Amargurada por estar condenada a viver longe da sua terra e família, ela não desiste e, entre as lágrimas que caem dos seus enormes e expressivos olhos, vão surgindo tímidos sorrisos de esperança.

5. Meryl Streep por Florence, Uma Diva Fora de Tom (Florence Foster Jenkins)
Meryl Streep dispensa apresentações, mesmo quando veste a pele da pior cantora de ópera de sempre. Por muito caricatural que Florence possa ser, Streep adapta-se e reinventa-se a cada personagem e tanto nos oferece a maior gargalhada como, no momento seguinte, nos consegue comover. Ela é a melhor actriz da actualidade, mas não tem sempre de ganhar Oscars, Há que dar a oportunidade a outras, de vez em quando.

Oscars 2017: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Mais um ano de bons desempenhos nesta categoria. Duas das nomeadas destacam-se das restantes, mas as cinco são merecedoras da nomeação, ainda que Michelle Williams pudesse trocar com outro nome (Janelle Monáe por Elementos Secretos seria a minha opção). Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.

É quase certo que à terceira nomeação será de vez, e a actriz levará, finalmente, o Oscar para casa. Ainda que seja discutível que Viola Davis esteja nomeada na categoria de Actriz Secundária e não Principal, e mesmo que tenha a seu favor o facto de já ter interpretado anteriormente o mesmo papel na Broadway, ela merece este prémio. Em Vedações, a actriz tem o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. É contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. 

Se Viola Davis não estivesse na corrida, Naomi Harris merecia, sem dúvida, o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula em Moonlight. Na pele de uma toxicodependente, mãe do protagonista, a actriz tem uma interpretação atordoante, com uma notória e realista degradação física e psicológica ao longo do filme.

Bastam poucos minutos da sua presença para que um filme se encha do seu talento, assim é Nicole Kidman. A actriz de Lion - A Longa Estrada para Casa enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos.

Numa interpretação mais contida do que a que lhe valeu um Oscar em As Serviçais, Octavia Spencer merece a nomeação deste ano. Em Elementos Secretos (onde as três principais actrizes fazem um excelente trabalho), a actriz é uma matemática da NASA que está descontente com a forma como as negras ali são tratadas, mas receia levantar ondas. A revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la, contudo, querer mudar e ultrapassar os seus receios.

Pela quarta vez nomeada para um Oscar, ainda não será desta que Michelle Williams levará a estatueta consigo. Apesar da dor e sofrimento que demonstra quando veste a pele da sua personagem em Manchester by the Sea, a actriz não consegue competir com as performances das restantes nomeadas.

Oscars 2017: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria equilibrada, com boas prestações, outras que poderiam dar lugar a nomes que ficaram de fora - o caso de Aaron Taylor-Johnson, vencedor do Globo de Ouro nesta categoria, é o exemplo mais flagrante. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.

Mahershala Ali faz-se notar em Moonlight, numa prestação muito emotiva na pele de Juan. Num filme em que os secundários brilham (Naomi Harris faz-lhe companhia nas nomeações), o actor consegue que a sua personagem conquiste a simpatia da plateia, mesmo fazendo parte do submundo da droga, já que tem uma sensibilidade que até agora não tivera oportunidade de mostrar no cinema. Juan tem pouco tempo de ecrã, mas a sua presença é forte o suficiente que nos lembremos sempre dele.

Sempre inesquecível em qualquer personagem que dota do seu toque tão característico, Michael Shannon é o incansável polícia texano Bobby em Animais Noturnos. O actor incorpora este homem amargurado e sem nada a perder com a mesma força a que nos tem habituado. Confere-lhe a fragilidade de um homem doente e, ao mesmo tempo, a brutalidade de quem não tem medo de prestar contas a ninguém. É um dúbio homem da lei.

Não tão forte como os dois primeiros actores na corrida ao prémio, Dev Patel é um secundário com muito tempo de antena em Lion - A Longa Estrada para Casa. O actor interpreta o protagonista Saroo, adulto, na sua incansável e doentia procura pela família biológica de quem se perdeu aos cinco anos de idade. Patel tem um interpretação esforçada e competente, apesar de não atingir o pleno.

Mais um xerife nos nomeados para Melhor Actor Secundário. Desta vez, temos um mesmo à beira da reforma e com um difícil caso de assaltos a bancos para resolver. Jeff Bridges é um veterano que desempenha bem e sem dificuldade qualquer papel. Ele quer cumprir a lei, custe o que custar, é um homem que vive para o trabalho, dedicado e muito persistente.

Lucas Hedges poderia não constar nesta lista de nomeados, apesar do seu desempenho esforçado no papel de adolescente rebelde, que vive com a mágoa da perda do pai. Apesar da revolta que demonstra, o jovem está unido ao tio pelo sangue, dor e recordações.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Melhor Filme

A cerimónia dos Oscars 2017 está mesmo a chegar e nada como a breve análise do costume aos nomeados. Num ano em que os nomeados para Melhor Filme não foram, certamente, os melhores de 2016, ficaram de fora títulos como o meu tão querido Animais Noturnos. Dos nove filmes na corrida, há especialmente três que mereceriam vencer o grande prémio da noite e dois que nem deviam fazer parte da lista. Aí ficam os nomeados, por ordem de preferência.

É quase o outsider da lista de nomeados e, é quase certo, que não vence. Não deixa, ainda assim, de ser o meu favorito dos nove. O contacto cinematográfico com extra-terrestres tem-se repetido, ao longo dos anos, das mais variadas formas. Contudo, são poucos os que conseguem alcançar a subtileza de Denis Villeneuve. O Primeiro Encontro é um filme sobre a humanidade e a falta de compreensão entre humanos - e extra-terrestres. Vale bem a aventura.

Comovente, romântico e sonhador são qualidades do mais recente filme do empenhado Damien Chazelle. Só mesmo o argumento apressado quebra ligeiramente a magia do musical moderno que homenageia os veteranos. La La Land não deixa apesar disso de reunir um dos melhores casais protagonistas de sempre e um trabalho técnico soberbo.

Praticamente empatado com La La Land nas minhas preferências está MoonlightBarry Jenkins coloca no ecrã uma bela história de vida, com uma realização de génio forte. O filme apregoa a liberdade de ser, escolher e sonhar, para que todos possam brilhar como o luar, sem preconceitos.

Quando deixamos de pertencer à terra onde nascemos ou crescemos, nem os laços familiares podem, por vezes, curar a ferida. Manchester by the Sea faz-nos seguir a trágica família Chandler, e a sua realidade dura e triste. Kenneth Lonergan escreve e filma um drama familiar bem construído, focado essencialmente em dois elementos da mesma família: tio e sobrinho - os dois que restam. 


Hell or High Water - Custe o Que Custar! é uma obra consistente de David Mackenzie, que supera as expectativas. Um retrato cru dos tempos que correm, onde também o elenco em muito contribui para o sucesso do produto final. É mais um outsider na lista de nomeados.

Elementos Secretos realça bem a segregação racial (e mesmo de género) que se vivia ainda nos anos 60, tratando um tema sensível com humor, com os diálogos a assumirem um papel fulcral. Ao mesmo tempo, o filme de Theodore Melfi homenageia três importantes nomes femininos da História da NASA. Actualmente, num momento sociopolítico tão instável e incerto para o ocidente, esta longa-metragem é uma excelente forma de relembrar que a História foi feita por todos.

Vedações traz o teatro ao cinema, mas consegue fazê-lo cativando a plateia que, apesar de estranhar tantas palavras e menos estímulos visuais, vai embrenhar-se da história da família Maxson e segui-la com verdadeiro interesse e preocupação. É muito mais um filme de emoções e sentimentos do que de acontecimentos ou acções, e vive, em especial dos seus actores, com destaque para o casal protagonista Denzel Washington e Viola Davis.

Mel Gibson regressa à realização com O Herói de Hacksaw Ridge onde fé e patriotismo se alistam em conjunto. Entre o drama do religioso objector de consciência, traumatizado desde a infância, e a brutalidade da guerra, o filme parece dividir-se em dois, com ritmos bastante distintos. É claramente um dos mais fracos desta lista.

Sabe-se que o epíteto "baseado numa história verídica" nem sempre é sinónimo de qualidade e Lion - A Longa Estrada para Casa é mais um exemplo disso. Realmente, o argumento do filme tem por base o passado de um homem com muito para contar. Denuncia desigualdades e problemas muito preocupantes no que respeita às crianças indianas, contudo, isso não chega. É o outro elo mais fraco.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Crítica: Elementos Secretos / Hidden Figures (2016)

"Every time we get a chance to get ahead they move the finish line. Every time."
Mary Jackson
*7/10*


Elementos Secretos realça bem a segregação racial (e mesmo de género) que se vivia ainda nos anos 60, tratando um tema sensível com humor,  com os diálogos a assumirem um papel fulcral. Ao mesmo tempo, o filme de Theodore Melfi homenageia três importantes nomes femininos da História da NASA.

Seguimos o trabalho de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) – três afro-americanas que trabalham na NASA e são os cérebros por trás de uma das maiores operações da história: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita, feito que restaurou a confiança dos norte-americanos e agitou a Corrida Espacial.


Preconceitos de sexo ou raça são deitados por terra com o bom argumento de Elementos Secretos. Uma adaptação competente que, apesar de insistir em alguns clichés e acentuar, mais ainda, atitudes discriminatórias, mostra-se de grande importância para demarcar a igualdade e a luta destas mulheres pelos seus direitos. Há que lembrar estas três grandes primeiras mulheres a destacarem-se na NASA pela sua competência e inteligência, não importa a cor da pele.

Ao mesmo tempo que é um filme para os norte-americanos, Elementos Secretos sabe como ser igualmente um filme para o mundo. Ao relatar com detalhe e sem exaustão os pormenores do lado americano na corrida ao espaço, há uma contextualização histórica tão completa como interessante, onde se recorre a imagens de arquivo da época, seja dos astronautas ou mesmo do presidente John F. Kennedy.


Theodore Melfi oferece-nos um filme muito ritmado, com a banda sonora a acentuar o ritmo da montagem. Ao mesmo tempo, Elementos Secretos ganha mais vida com excelente trabalho da direcção artística, numa bela representação dos anos 60 nos EUA, e guarda-roupa.

Dos batons garridos aos vestidos coloridos, estas mulheres dão cor, conhecimento e animação à NASA "so white". E que personalidade conferem as três actrizes às suas personagens. Taraji P. HensonOctavia Spencer e Janelle Monáe são estrondosas e encantadoras como Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, respectivamente.

As três dão brilho, vivacidade e perspicácia à longa-metragem e é impossível dizer qual delas está melhor. Taraji é a protagonista que sabe impor a sua presença e conhecimento numa sala onde os homens brancos querem deter o poder. Bonita e inteligente, apesar de inicialmente receosa em se fazer ouvir, depressa toma consciência que a vida de muitos depende de si. Octavia Spencer é a matemática mais comedida, que menos ondas quer levantar. Contudo, a revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la querer mudar e ultrapassar os seus receios. Janelle Monáe é a mais jovem mas também mais emancipada das três. Sem papas na língua, ela luta por todos os meios que lhe são possíveis para se tornar engenheira, enfrentando família e sociedade. As três mulheres arriscam e lutam pela igualdade de direitos, contagiando-nos com a sua alegria e garra.


Actualmente, num momento sociopolítico tão instável e incerto para o ocidente, Elementos Secretos é uma excelente forma de relembrar que a História foi feita por todos.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Crítica: Vedações / Fences (2016)

"Some people build fences to keep people out, and other people build fences to keep people in."
Bono

*7/10*

Vedações, de Denzel Washington, não engana: é um filme onde as palavras e interpretações ganham um espaço muito maior do que a própria imagem. É verdade, adapta uma peça de teatro ao cinema. 

É muito mais um filme de emoções e sentimentos do que de acontecimentos ou acções, que vive, em especial dos seus actores, com destaque para o casal protagonista Washington e Viola Davis.

Vedações retrata a vida e as frustrações de uma família operária afro-americana nos anos 50. Troy Maxson (Denzel Washington) é um homem que sonhou ser uma estrela de basebol mas que, devido à sua raça, se resignou a trabalhar na recolha do lixo para sustentar a família. Os conflitos existenciais consomem-nos e ameaçam destruir tudo à sua volta.


Adaptar uma peça de teatro ao cinema não é tarefa fácil. Washington fá-lo bem como realizador e protagonista, como bom conhecedor da peça de August Wilson das suas representações teatrais - mais de 100 vezes em palco como Troy. Não é de estranhar, portanto, a familiaridade com que o actor e parte do restante elenco (que também fez os mesmos papéis no palco) tratam o texto que representam.

Muito teatral, especialmente ao início, com longos diálogos, muito vocabulário e poucos silêncios. Vedações evidencia ainda mais a sua ascendência ao passar-se quase exclusivamente no mesmo espaço ao longo do filme - a casa da família Maxson.

Passado e futuro misturam-se nas tomadas de decisão das personagens e condicionam-nas. É curioso estabelecer certos paralelismos entre as personagens que ditam o seu rumo ao longo do filme. A relação familiar e os sonhos desfeitos de pais e filhos são o centro da narrativa e é a mãe Rose, quem procura conciliar diferenças e frustrações. A frase que Bono, o amigo fiel de Troy, diz a certo momento no filme, resume bem o papel da personagem feminina: "Some people build fences to keep people out, and other people build fences to keep people in." ("Alguns constroem vedações para manter as pessoas fora, outros constroem para as manter dentro").


A pairar sobre Vedações está uma componente religiosa e mística muito poderosa. O protagonista desafia muitas vezes a morte e o irmão Gabe tem um discurso desconexo sobre a mesma ideia. Troy trata a morte como um adversário com quem se propõe a lutar sempre que for preciso e Gabe, no meio da sua doença, fala de São Pedro e dos cães do Inferno com uma veemência que deixa os que o rodeiam assombrados.

O elenco é o motor desta longa-metragem que traz consigo tanto do teatro. O Troy de Denzel Washington e a Rose de Viola Davis são personagens dotadas de uma força avassaladora, toda ela conferida pelos actores com performances estrondosas. O protagonista encarna com a naturalidade da prática um homem de sonhos perdidos, que refugia no álcool os seus desgostos, em constante conflito com os filhos, ambicioso e egoísta. Quer fazer tudo pela família, mas são mais as oportunidades de triunfo que lhes rouba. Sendo quase omnipresente, não deixa de ser uma personagem incapaz de conquistar a plateia, tanta é a amargura que carrega em si. 


Viola Davis tem, por seu lado, o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. A actriz é contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. De destaque é ainda a boa prestação de Mykelti Williamson como Gabe, o irmão de Troy terrivelmente marcado pela guerra. Apesar de ser uma personagem secundária, Gabe é de extrema importância para conhecermos Troy e traz consigo mágoa e uma espiritualidade muito característica.

Vedações traz o teatro ao cinema, mas consegue fazê-lo cativando a plateia que, apesar de estranhar tantas palavras e menos estímulos visuais, vai embrenhar-se da história da família Maxson e segui-la com verdadeiro interesse e preocupação.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crítica: Lion - A Longa Estrada para Casa (2016)

"I'm not from Calcutta... I'm lost."
Saroo Brierley

*5/10*

Sabe-se que o epíteto "baseado numa história verídica" nem sempre é sinónimo de qualidade e Lion - A Longa Estrada para Casa é mais um exemplo disso. Realmente, o argumento do filme tem por base o passado de um homem com muito para contar. Denuncia desigualdades e problemas muito preocupantes no que respeita às crianças indianas, contudo, isso não chega.

Há que olhar muito para lá da história comovente. Garth Davis está cheio de boas intenções com a sua primeira longa-metragem de ficção, todavia o seu principal objectivo parece ser chegar, a todo o custo, ao coração da plateia mais sensível.

Em Lion, seguimos um rapaz indiano de cinco anos, Saroo, que se perde do irmão mais velho e, por engano, embarca num comboio que o leva até às ruas de Calcutá. Perdido e sem saber como regressar a casa, sobrevive a diversos perigos e acaba por ser adoptado por um casal australiano. Passados 25 anos, quer descobrir a família biológica.

O argumento tem uma boa premissa, abordando diversos temas em parte desconhecidos do mundo ocidental: a pobreza, o elevadíssimo número de crianças perdidas na Índia, etc. Contudo, a procura de Saroo pela família biológica estende-se demasiado, sem acrescentar nada de novo, entrando numa espiral repetitiva. A relação do protagonista com a personagem de Rooney Mara é outro dos factores dispensáveis da narrativa, e para além de demarcar mais ainda o isolamento e a obsessão de Saroo, nada mais traz à história.


Os grandes pontos fortes de Lion - A Longa Estrada para Casa são as interpretações de Nicole Kidman, que enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos; e Dev Patel, o Saroo adulto incansável, em busca do caminho que o leve de regresso à família biológica, num trabalho esforçado e competente do actor.

Por sua vez, a direcção de fotografia de Greig Fraser consegue tirar excelente partido das paisagens quer da Índia, quer da Austrália e da luz tão característica dos dois países, onde abundam os tons quentes e secos na primeira, e as cores vivas e frescas na segunda.

A montagem é uma das grandes fraquezas do filme de Garth Davis, com uma primeira metade bastante ritmada, torna-se depois insistente e cansativa. Opta-se por intercalar imagens do passado de Saroo, enquanto, já adulto, investiga o paradeiro da família, que, mais do que flashbacks, pretendem intensificar a obsessão do protagonista, sem qualquer necessidade de tal. Ao longo da segunda metade de Lion essa ideia é repetida até à exaustão.


Lion conta uma difícil e persistente história de vida, mas não toma as melhores opções para a tornar verdadeiramente apetecível de conhecer. Perde-se na repetição de ideias e acaba por ser essencialmente suportada pelas boas interpretações do elenco.