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terça-feira, 5 de março de 2024

Cine Amadora - Mostra Internacional de Cinema: De 6 a 8 de Março sob o mote 'Cinema e Revolução'

A 1.ª edição do Cine Amadora – Mostra Internacional de Cinema acontece de 6 a 8 de Março, nos Recreios da Amadora, sob o mote Cinema e Revolução – Uma Ideia na Cabeça e uma Câmara na Mão (inspirado numa célebre frase do cineasta Glauber Rocha), inserida nas Celebrações dos 50 anos do 25 de Abril do município. A entrada é gratuita.

A abertura oficial da mostra realiza-se a 6 de Março, às 15h00, com a exibição do documentário 48, de Susana de Sousa Dias. Às 18h30, é a vez da Carta Branca à ESTC, com a exibição das curtas-metragens: Agora Frenesim, de Laura Andrade; Mistida, de Falcão Nhaga; Rubab, de Marta Vaz; Meia Luz, de Maria Patrão; e Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra.

Também no dia 6 de Março, às 21h30, é exibido O Fim do Mundo (2019), de Basil da Cunha, filmado no bairro da Reboleira.

O dia 7 de Março começa com a Masterclass Cinema e Paisagem Sonora, às 10h30, com Raquel Castro, investigadora de paisagens sonoras, realizadora e curadora. Às 15h30, o radialista Nuno Calado apresenta O Videoclip Enquanto Objecto Cinematográfico, com vários vídeos musicais da lusofonia. Às 18h30, é exibido o documentário Manguebit, de Jura Capela. Este dia, muito dedicado ao som e à música no cinema, termina com o Cine Concerto As Aventuras do Príncipe Achmed (1926), de Lotte Reiniger, musicado ao vivo pelo compositor e multi-instrumentista Sérgio Costa, às 21h30.

O último dia do Cine Amadora, 8 de Março, começa com um Workshop de Cinema Mobile, orientado por Luísa Sequeira e Sama, sobre o uso do telefone móvel como uma ferramenta para a realização de pequenos filmes. Às 15h30 terá início a sessão Curtas & Revolução, que conta com os filmes: Na Parede da Memória - Elis Regina, de Elizabete Martins Campos; Ashes of the Afternoon (134 Mortes), de Márcia Beloti e Luiza Porto; Os Cravos e a Rocha, de Luísa Sequeira; Quando a luz se Apaga, de Tânia Prates; e The Magnificent Women, de Mia Tomé.

Segue-se, às 18h30, o clássico Belarmino (1963), de Fernando Lopes, e, às 21h30, o documentário O Que Podem as Palavras?, de Luísa Sequeira e Luísa Marinho, sobre as escritoras Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa que, em 1972, publicaram As Novas Cartas Portuguesas, abordando temas proibidos e censurados durante o Estado Novo, como a Guerra Colonial, o adultério, a violação ou o aborto. 

Mais informações sobre o Cine Amadora - Mostra Internacional de Cinema em https://www.cineamadora.pt/programacao.

domingo, 28 de outubro de 2018

Doclisboa'18: Actos de Cinema / Acts of Cinema (2018)

*7/10*


Jorge Cramez surge em dose dupla no Doclisboa'18 e o Hoje Vi(vi) um Filme não quis perder a estreia de Actos de Cinema (Acts of Cinema), longa-metragem da secção Riscos.

Um resumo muito eficaz e rico do cinema português mais recente, repleto de arquivos filmados durante a rodagem de filmes de Miguel Gomes, Teresa Villaverde, João Botelho, Fernando Lopes, José Álvaro de Morais, entre outros. Um retrato sincero e frontal de como é trabalhar em cinema em Portugal, com todas as limitações, dificuldades e improvisos que só os portugueses sabem ultrapassar.

Entre a nostalgia das imagens de bastidores, surgem testemunhos e recordações sentidas de realizadores, actores e técnicos que falam para a câmara.  João Botelho, João Mário Grilo, Beatriz Batarda, Ana Moreira, Teresa Villaverde, Miguel Gomes, Vasco Pimentel, Pedro MeloMarcello Urgeghe, etc.

Actos de Cinema é quase um diário de bordo de Jorge Cramez, que começa nos cenários pintados de Os Maias, com o rigor e perfeccionismo de Botelho, espreita as aventuras da curta-metragem W, de Paulo Belém, enfrenta as temperaturas geladas de Transe, de Teresa Villaverde, e recebe o companheirismo de Fernando Lopes na rodagem de 98 Octanas, entre tantas outras aventuras que partilha com a plateia.

Cramez criou assim um filme, ritmado, com uma montagem de excelência que nunca nos faz perder o interesse. Informativo e melancólico, assim é Actos de Cinema.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Momentos Para Recordar #53

Laura Soveral partiu há pouco mais de um mês e o Momentos Para Recordar destaca hoje um dos seus grandes papéis no cinema português. A actriz interpretou Maria dos Prazeres em Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes.

Uma Abelha na Chuva, Fernando Lopes (1972)

domingo, 28 de outubro de 2012

Doclisboa'12: Homenagem a Fernando Lopes

No ano do falecimento do cineasta português Fernando Lopes, o Doclisboa'12 não podia deixar de lembrar o trabalho do realizador, tão importante no campo do documentário em Portugal. Antes da exibição de As Pedras e o Tempo - Évora, Cinema Olhar/Ver – Gérard, Fotógrafo, Augusto M. Seabra e Susana Sousa Dias introduziram a sessão. Seabra destacou a "importância decisiva [de Fernando Lopes] na história do documentário em Portugal", e explicou a decisão de se fazer "uma homenagem menos óbvia" ao cineasta, apresentando filmes quase desconhecidos do público, ao invés de optar pela escolha mais fácil que seria Belarmino.

As Pedras e o Tempo - Évora                               *6.5/10*

Curta documental de 1961 encomendada pelo regime. As Pedras e o Tempo mostram-nos Évora, os seus monumentos, as suas ruas, a sua vida e a da planície que a cerca. São-nos mostrados os trabalhadores no campo, a feira que acontece na cidade uma vez por ano, os dias na Universidade... E os monumentos, as pedras que contam a história de um povo e da própria cidade de Évora.

Cinema                                                                      *8/10*

Cinema pretende revisitar o Teatro Sá da Bandeira, no Porto, no ano em que a cidade foi a Capital Europeia da Cultura. É um elogio a esta sala, mas, ao mesmo tempo, ao próprio cinema.

Os primórdios do cinema português são evocados, logo no início da curta-metragem. Ficamos perante imagens do primeiro filme português, de Aurélio da Paz dos Reis: Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança, que data de 1896. Segue-se uma apresentação do espaço do Teatro Sá da Bandeira, que nos é mostrado de forma hipnótica, vazio, ao mesmo tempo que ouvimos passos. As suas cores, vibrantes, conferem uma envolvência muito especial a quem assiste. Há a referência ao cinema pornográfico, que marcou a história da sala. E é-nos apresentado o projeccionista, Jorge José da Silva, que ali trabalha há muitos anos e tem muitas histórias para contar. Isabel Ruth protagoniza outros dos momentos mais absorventes deste Cinema, todo ele um pedaço de arte.

Olhar/Ver – Gérard, Fotógrafo                                *7/10*

Fernando Lopes faz aqui um "retrato" de Gérard Castello Lopes, no que toca à sua importância no contexto da fotografia contemporânea e, especialmente, para a fotografia portuguesa. Com as participações especiais de Maria João Seixas e Alexandre Pomar, Lopes cria uma intimidade que nos prende a este olhar de Gérard, Fotógrafo.

Desde o início do gosto por fotografar, passando pela fase de o fazer para testemunhar, onde a época parecia pedir por tal, até, passados 17 anos, cansado da dificuldade em fotografar quem não quer ser fotografado, a sua preocupação se ter alterado. Gérard começou a fotografar o registável, a natureza, querendo sempre alcançar o paradoxo - a realidade como ilusão. As mudanças na forma de olhar/ver o que o rodeia ao longo de uma vida, conforme a multiplicidade de experiências vividas. Olhar/Ver - Gérard, Fotógrafo conta-nos tudo, na pessoa do próprio Castello Lopes.