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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Sugestão da Semana #682

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme brasileiro O Último Azul, de Gabriel Mascaro.

O ÚLTIMO AZUL


Ficha Técnica:
Título Original: O Último Azul
Realizador: Gabriel Mascaro
Elenco: Denise Weinberg, Rodrigo Santoro, Miriam Socarrás, Adanilo, Rosa Malagueta, Clarissa Pinheiro, Dimas Mendonça
Género: Aventura, Drama, Ficção Científica, Fantasia 
Classificação: M/12
Duração: 85 minutos



terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Desilusões do Ano #2019

2019 está prestes a terminar e nada como começar a fazer o balanço do ano cinematográfico. Para começar, destaco as três grandes desilusões estreadas em 2019. Três filmes que me deixaram especialmente irritada pela expectativa criada e pelo desapontamento à saída da sala de cinema. Nos três casos, realizadores prometedores não são sempre sinónimo de bons filmes.

3. Nós (Us), Jordan Peele


Seria difícil tão rapidamente superar a qualidade de Foge, mesmo seguindo a mesma linha temática e novamente no género de terror. Em Nós, Jordan Peele pega num argumento com boas ideias, onde o sub-género home invasion parece vir para surpreender, aliado a uma boa interpretação de Lupita Nyong'o, mas desfaz todas as promessas aos longo das quase duas horas de filme.



Depois de um fenomenal Boi Neon, Divino Amor prometia. A longa-metragem arranca muito bem, num mergulho no mar da ficção científica. A estranheza que se sente com o que vemos e ouvimos a narração contar aguça a curiosidade. Mas, a certo momento, perde o fôlego, com a crítica inicial, tão poderosa, a anular-se e começar a perder o sentido. Algumas das contradições que surgem são totalmente certeiras na crítica acesa que o filme faz, contudo, outras opções mostram o contrário daquilo que o humor mordaz de Gabriel Mascaro vem a defender.



Ari Aster caracteriza-se melhor enquanto realizador e argumentista a cada novo filme que faz. As ideias parecem borbulhar, mas aplicá-las e desenvolvê-las não é com ele. Ou, pelo menos, não vai muito longe na sua abordagem. Torna-se preguiçoso e, ao mesmo tempo, exibicionista... Quer tanto chocar como mostrar o quão prodigioso pode ser com a câmara e acaba por cair no ridículo. Midsommar é mais um exemplo deste egocentrismo. Se por um lado, gera fãs acérrimos um pouco por todo o mundo, por outro, cria uma legião de desapontados, já cansados da sua vaidade pouco inteligente.

domingo, 12 de maio de 2019

IndieLisboa'19: Divino Amor (2019)

*5.5/10*


É com os néons do filme anterior (Boi Néon) que começa Divino Amor, o novo trabalho de Gabriel Mascaro, que fez parte da secção Herói Independente do IndieLisboa'19. No entanto, está muitos pontos abaixo do seu antecessor, num registo diferente.

A crítica política e religiosa é mais que evidente, no meio desta distopia brasileira que o realizador criou. Se, actualmente, apesar das ligações à religião que associamos ao Governo de Bolsonaro (não esquecer o lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos"), o Brasil é um Estado laico, a visão pessimista retratada em Divino Amor é que num futuro próximo, 2027, o país seria um Estado Religioso.

Apresentam-nos Joana (Dira Paes), uma mulher profundamente religiosa, que usa a sua posição num notário para tentar prevenir o divórcio de casais. Ansiando por um sinal divino como reconhecimento dos seus esforços, vê-se confrontada com uma crise que a colocará mais perto de Deus.


Divino Amor arranca muito bem, num mergulho no mar da ficção científica. A estranheza que se sente com o que vemos e ouvimos a narração contar aguça a curiosidade. Mas, a certo momento, perde o fôlego, com a crítica inicial, tão poderosa, a anular-se e começar a perder o sentido. Algumas das contradições que surgem são totalmente certeiras na crítica acesa que o filme faz, contudo, outras opções mostram o contrário daquilo que o humor mordaz de Gabriel Mascaro vem a defender.

Joana é só mais uma das pessoas daquela espécie de seita que se reúne para um culto ao amor e ao deus que eles defendem. A realidade deste Brasil distópico não é explorada para além do circulo de Joana e esse é um dos grandes desencantamentos do filme.

Visualmente, há planos marcantes, e a direcção de fotografia tem bons momentos, com as cores neón e o fumo a sobressaírem. A direcção artística também é de destacar, onde existe um drive in especialmente bem concretizado - um dos melhores momentos de humor do filme de Mascaro. A banda sonora que nos acompanha desde os créditos iniciais é viciante e outro dos pontos mais fortes de Divino Amor.


Gabriel Mascaro está cheio de ideias a borbulhar, mas precisa voltar a pô-las em ordem. O sentimento foi de desencanto, não tanto com o triste mundo que criou, mas com o resultado de Divino Amor.

sábado, 6 de abril de 2019

Festival de Cinema Luso-Brasileiro de 7 a 14 de Abril em Santa Maria da Feira

A 22.ª edição do Festival de Cinema Luso-Brasileiro começa este Domingo, dia 7 de Abril, e prolonga-se até dia 14. Divino Amor, de Gabriel Mascaro, marca a abertura do festival às 21h45, no Auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira.


Adirley Queirós é o Realizador em Foco desta edição, Andrea Tonacci é o homenageado, as curtas-metragens de Tânia Dinis serão exibidas na secção Sangue Novo, haverá uma exposição da designer brasileira Clara Moreira e um debate com Rodrigo Areias. O filme Azougue Nazaré, de Tiago Melo, fará as honras de encerramento do festival, no dia 14 de Abril, às 21h45.

Clássicos de Santa Maria da Feira é a nova secção "que resgata os seus momentos mais significativos, oferecendo ao público a oportunidade de ver ou rever filmes que fizeram história no festival". Destaque aqui para a exibição de O Invasor, de Beto Brant, e de Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes.

Nas Sessões Especiais estarão os filmes Pixote: A Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco (com a presença da filha do realizador, Myra Babenco), Ferrugem, de Aly Muritiba, e Bostofrio, où le ciel rejoint la terre, de Paulo Carneiro. Haverá ainda espaço para as competições de curtas e longas-metragens e para comemorar os 20 anos da Agência de Curtas-metragens.

Mais informações sobre o Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira podem ser encontradas em https://cineclubedafeira.com/festival2019/ ou https://www.facebook.com/pg/festivalcinemalusobrasileiro.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Crítica: Boi Neon (2015)

"'Ta pensando o quê? Eu sou vaqueiro mas gosto de coisa boa." 
Iremar

*9/10*

Um realismo cru mas fantástico, a cavalgar entre os bois, a pobreza, os sonhos e o sexo, assim se pode apresentar Boi Neon, de Gabriel Mascaro. Uma proposta cinematográfica original e envolvente, que deixa um rasto de melancolia por onde passa.

Conhecemos Iremar nos bastidores das vaquejadas brasileiras. Ele prepara os bois antes de os soltar na arena. Levando a vida na estrada, o camião que transporta os bois para o evento é também a casa de Iremar e dos seus colegas de trabalho: , o parceiro de curral, e Galega - dançarina, motorista e mãe da pequena e curiosa Cacá. Juntos, formam uma família improvisada e unida. O quotidiano é intenso e visceral, mas Iremar tem outras ambições. Deitado na sua rede na traseira do camião, ele divaga por sonhos de lantejoulas, tecidos requintados e modelos.


O vaqueiro e a sua rotina dura, para si e para os animais, mas que se alimenta de sonhos que começam nos esboços sobre as revistas pornográficas do companheiro . Cacá é ela mesma a metáfora da esperança, por muito desencantada com a vida que já pareça estar. Não vai à escola, mas tem muito potencial, perde horas a admirar os cavalos que não pode ter, anseia por reencontrar o pai desaparecido, e Iremar alimenta-lhe os sonhos. Galega é a mãe solteira, mulher de armas que persegue os ideais femininos da actualidade. A moda e a beleza são temáticas que lhe são queridas e, apesar do trabalho pouco feminino e da vida nómada que leva, tudo faz para preservar a sua sensualidade.


As condições decadentes onde dormem, comem ou fazem a sua higiene contrastam com toda a vida que os envolve. Os cenários por onde passam mostram-nos este desequilíbrio, tal qual o próprio Brasil, repleto de desigualdades.

Juliano CazarréMaeve Jinkings e a pequena estreante Alyne Santana entregam-se de corpo e alma às suas personagens, IremarGalega Cacá, respectivamente. Ligam-se à vida que os rodeia como se lhe dessem continuidade - e, efectivamente, uns dependem dos outros. Trabalhadores e sonhadores, cruzam-se paixões e destinos. Deambulam em redor de Boi Neon, o ideal da figura paterna ausente, as necessidades mais primárias do ser humano, a sobrevivência e a continuidade.


Enquanto lutam pelos seus sonhos e batalham para seguir em frente, no dia-a-dia, os protagonistas deixam vir ao de cima o que guardam em si de mais primitivo. O instinto domina-os, tal como aos animais.

A realização de Gabriel Mascaro é corajosa, com recurso a planos-sequência certeiros e intensos, cores a chamar pelo néon do título, que se manifestam em especial à noite, entre sonhos e realidade. De dia, a Natureza domina, entre o quotidiano junto do gado ou a percorrer paraísos perdidos através de planos hipnotizantes.


Boi Neon respira Natureza e verdade. Traz ao cinema o que de mais puro e mais carnal compõe o homem que, perante todas as adversidades, segue em frente, persegue as suas ilusões.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Sugestão da Semana #241

Das estreias da passada semana, a Sugestão da Semana destaca o filme brasileiro Boi Neon, de Gabriel Mascaro. Uma surpreendente proposta cinematográfica, original e envolvente.

BOI NEON


Ficha Técnica:
Título Original: Boi Neon
Realizador: Gabriel Mascaro
Actores: Juliano Cazarré, Maeve Jinkings, Josinaldo AlvesSamya De Lavor, Carlos PessoaAlyne Santana
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 101 minutos