Depois da primeira parte do TOP 20 de 2019 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam. Conclusão a tirar dos melhores filmes de 2019: a temática de um mundo em declínio está bem patente em grande parte das minhas escolhas deste ano. E não pode ser só o Cinema a alertar-nos!
Eis os meus 10 favoritos de 2019 (estreados no circuito comercial de cinema - e Netflix - em Portugal). A um indiscutível primeiro lugar, seguem-se quatro títulos muito equilibrados, bem como os restantes filmes do TOP 10.
O melhor de Dois Papas está em todos os momentos em que Hopkins e Pryce contracenam e trocam ideias. É aí que sentimos o quão importante é o filme de Meirelles para o mundo actual. Muito mais do que espiritualidade, ele ensina-nos a tolerância, a compreensão e o diálogo.
Bellocchio filma com destreza as festas da Cosa Nostra, os crimes, a tortura no Brasil e os julgamentos, por vezes como uma dança, com musicalidade. Por outro lado, o realizador sabe usar os planos-sequência para cativar a atenção da plateia. Acima de tudo, sabe contar uma boa história. Tão depressa nos põe a sorrir com os maneirismos das famílias da máfia, ou os exageros dos detidos no tribunal, como nos põe vigilantes na eminência de uma ameaça.
Parasitas faz uma crítica social mordaz que contrapõe duas famílias - uma rica, outra pobre - numa Coreia cheia de desigualdades e sonhos. Bong Joon-ho constrói um cenário onde tudo pode acontecer e nunca estaremos preparados para os próximos desenvolvimentos narrativos. Comédia, drama e muita violência são os ingredientes principais deste duelo de classes. O filme carrega consigo um incómodo latente, especialmente cruel. Os momentos de humor disfarçam a culpa que a plateia carrega por não conseguir escolher um lado. Todos têm sonhos e todos querem sobreviver.
Um futuro distópico traz-nos um pai e uma filha a viajar no espaço sem perspectiva de regresso à terra. O buraco negro que parece ser o seu destino assemelha-se ao que a vida daquele homem se tornou desde que embarcou naquela nave. High Life é a proposta violenta e aterradora de Claire Denis dentro da ficção científica, com Robert Pattinson, adulto e paternal, ao comando. O filme carrega uma visceralidade totalmente distinta da que podemos facilmente associar a outros filmes do género. Abundam corpos e fluídos, mas igualmente amor e cuidado. A perversidade anda a par com a pureza, entre passado e presente.
Dor e Glória é um Almodóvar (parcialmente) autobiográfico, que se enfrenta a si e aos seus fantasmas, sem receios e fiel ao seu estilo. É um elogio ao Cinema e prova da admiração pelos que o tornaram no homem que é. Uma carta de amor às suas inspirações, em jeito de filme. Um trabalho reflexivo e íntimo, sem excessos, que traz à tona o grande actor que é Antonio Banderas.
Yorgos Lanthimos está de regresso com A Favorita, um filme que sai um pouco dos cânones a que nos tem acostumado, e um trio de actrizes triunfal: Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone. Uma longa-metragem de época especialmente bem filmada, com protagonistas assombrosas, que vagueia entre a comédia negra e o drama com a destreza que só mesmo o realizador grego consegue captar. E temos de confessar, nem num filme de época ele nos dá sossego. E ainda bem.
Martin Scorsese é um mestre a contar histórias e adora um bom enredo de mafiosos. O Irlandês faz-nos recordar os mafiosos dos anos 70, 80 e 90, as mesmas caras, num registo muito mais adulto e menos efusivo. Afinal, a idade pesa-nos a todos e parece que chegamos ao momento de reflexão dos gangsters do cinema. Um filme sobre escolhas e solidão. E sobre uma vida passada com a morte sempre por perto.
Os realizadores criam o cenário perfeito para discutir o estado para que o Mundo caminha. Bacurau é um lugar pacato e de poucos recursos, mas onde a tecnologia e a informação fazem parte da mobília. Estes homens, mulheres e crianças são resistentes e sabem defender-se das façanhas dos poderosos para os derrubar. São claramente instruídos, têm até um Museu. Eis o segredo para vingar e resistir: Cultura! Aquela que tantos governos preferem menosprezar, porque o povo ignorante é muito mais fácil de manobrar. Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles não tremem, nem temem. Não recuam, atacam com humor mordaz e com tiros certeiros, mortos, muito sangue e violência, mas igualmente uma união exemplar. Bacurau é Resistência.
Christian Petzold conta uma história passada durante a Segunda Guerra Mundial, mas numa França contemporânea. No ambiente, as cores vivas contrastam com o clima de terror que assombra as personagens, mas deixam-nos mais próximos destas, capazes de identificar entre elas muitos problemas actuais. O amor e guerra andam muitas vezes de mãos dadas e Petzold tem demonstrado saber como construir bons argumentos em épocas muito dolorosas da História mundial. Esta trilogia (Barbara, Phoenix, Transit) foi em crescendo, culminando com Em Trânsito, o mais belo filme do realizador alemão até agora.
Esqueçam os heróis. Em Joker, só há vilões, com e sem máscara de palhaço. Há uma agonia permanente desde o primeiro plano do filme de Todd Phillips. A angústia por ver ao que tudo chegou, por perceber como a sociedade trata os mais frágeis, com ausência de justiça ou lei; mas principalmente, por encontrarmos tantas semelhanças com o actual Mundo real. Se a sociedade não te acolhe como podes tu acolhê-la? Arthur Fleck é sua vítima e seu produto. Este Joker tem nome e é humano.
2020 já começou, mas há que continuar a fazer o balanço do ano que terminou. Sobre 2019, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta agora o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema em Portugal ao longo do ano e estreias Netflix) do que de melhor se fez no cinema. No geral, foi um ano com bons filmes mas poucos realmente inesquecíveis.
Aqui ficam os meus eleitos, do 20.º ao 11.º lugares.
Tudo é inebriante em Hotel Império. Exteriores e interiores distinguem-se pelas cores, o brilho e os muitos paradoxos causados pela alegria dos neons junto aos edifícios antigos em tons escuros. Nas ruas, as sensações são mais que muitas, desde o homem que passeia com a gaiola do seu pássaro - parece saído de outra dimensão - à azáfama do dia-a-dia. As personagens e os bairros são filmados com um encanto que os eleva a algo inatingível, intocável: uma cidade em degradação, a par das personagens, coreografadas na ruína. Ivo M. Ferreira guia-nos numa viagem de sensações e nostalgia a Macau, 20 anos após ter regressado à soberania chinesa. Hotel Império apela à memória e aos sentidos e filma uma realidade tão distante mas com tanto em comum com o passado português.
Jafar Panahi continua a "cumprir" a pena de 20 anos sem filmar a que foi condenado em 2010, supostamente por fazer propaganda contra o governo iraniano. 3 Rostos é o seu filme mais recente, onde explora o feminismo e a forma como as mulheres continuam a ser tratadas no Irão, em especial em regiões mais isoladas. Ao mesmo tempo, traça um retrato do Irão mais "profundo", numa espécie de road movie, por estradas estreias e sinuosas, em que as buzinadelas funcionam como código entre condutores.
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é um hino ao lugar dos indígenas no mundo globalizado e, cada vez mais, egoísta. João Salaviza e Renée Nader Messora realizaram um filme que cruza a ficção e o documental, num registo íntimo e colaborativo, com os actores a fazerem parte da construção da longa-metragem. Os realizadores passaram nove meses a viver em conjunto com os índios krahô, criando uma relação fundamental para que o filme funcione. Numa era em que o respeito pelas comunidades indígenas parece ter retrocedido aos tempos coloniais, o Brasil não aprendeu nada no que toca a honrar os seus habitantes primordiais, os índios brasileiros. Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é uma obra criada num momento crítico, mas relevante para dar rosto e voz a quem corre sério perigo.
É visualmente que Vitalina Varela se distingue verdadeiramente. As ruas labirínticas e as casas, que aparentam formatos irregulares, são filmadas de modo a que pareçam quase desproporcionais, num ângulo incómodo, com a luz a assumir o papel principal na nossa percepção (mais do que em filmes anteriores de Pedro Costa). Vitalina Varela é todo ele noite e opressão, mesmo quando acontece de dia. É todo luto, mas com rasgos de sonho e esperança. A iluminação do que realmente interessa destacar é o foco para a vida que cada um encerra em si e tem de continuar. Está longe de ser um filme fácil. Mas envolve como poucos e liga-se a nós com as forças que movem a protagonista, por vários dias, sem cessar, num alerta para muitas das questões que parecem tão longe, mas estão tão perto.
Vox Lux é um turbilhão de emoções que vai da violência brutal ao âmago da cultura pop e superficialidade. Brady Corbet parte de uma ideia com pontos de contacto com o seu filme de estreia, A Infância de um Líder, onde as crianças têm o comando da narrativa. Mais de metade do filme é-nos contado num tom sóbrio e directo, tenso. Mas os anos passam, Vox Lux avança e a protagonista cresce. O tom muda totalmente, e eis uma explosão de música, cor, neuroses, escândalos e tudo mais que a cultura pop adora.
É na simplicidade e, fundamentalmente, nos protagonistas que Green Book é uma aposta ganha. Um filme que não quer ser mais do que aquilo que é - passa uma mensagem séria e ainda actual, através do humor, com um guião bem escrito e tão bem interpretado. Mahershala Ali e Viggo Mortensen formam uma dupla insuperável. Uma quase inacreditável história de paradoxos, numa viagem que vem quebrar todos os preconceitos e ensinar o respeito. Mais uma lição para os Estados Unidos - e para o Mundo. A prova de como há muito a mudar e de que, se o que neste filme vemos são clichés, é porque estes ainda estão bem vivos nos dias actuais.
Narrado pelo realizador, Campo mune-se de citações de Carl Sagan, Alberto Caeiro ou Franz Kafka, por exemplo. Com as fronteiras entre realidade e ficção muito diluídas, Campo é uma docuficção, que incorre numa série de analogias e dicotomias. Vida e morte, Natureza, Deuses, Homens e Animais, guerra e paz, que se encontram claramente nas tão diversas actividades que acontecem no campo da acção. Campo é aliás uma divagação inquietante sobre a origem de tudo, desde a Terra ao engenho, com planos inesquecíveis, onde até sentimos as pedras que saltam após a força de uma explosão. Há planos onde o homem cai do céu, onde rebanhos surgem fantasmagóricos entre o nevoeiro serrado. Mais um excelente trabalho da direcção de fotografia no cinema português.
Apesar da subjectividade do documentário, Democracia em Vertigem insiste em mostrar-nos os dois lados em que o Brasil se dividiu, qual muro imaginário. A realizadora filma manifestações de apoio à esquerda e à direita, apresenta detalhes da operação lava-jacto, o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, a ascensão de Bolsonaro. E, no final, entre a decadência e a desilusão de ver um país em crise, com a liberdade ameaçada, muito passará a fazer um sentido perverso à luz do que sabemos da actualidade política brasileira. O filme é sinónimo da coragem de Petra Costa em confrontar o Brasil e o Mundo com a sua assustadora realidade.
Apollo 11 é uma peça de História. As gravações resgatadas dos arquivos da NASA são adaptadas para o grande ecrã com destreza e ordenadas da melhor maneira para revivermos tudo o que se passou, da Terra à Lua. Uma viagem no tempo e no espaço, realizada por Todd Douglas Miller.
Era uma vez, um homem que marcou a História do Cinema europeu e, de repente, desapareceu... Eis o mote perfeito para levar curiosos a ceder à tentação de resolver o mistério. Lupo é todo o registo de um trabalho de investigação abismal em torno do realizador Rino Lupo, com descobertas fundamentais para reescrever a História do Cinema nacional e europeu. Pedro Lino e a sua equipa, quais detectives particulares, correm a Europa em busca de todas as pistas possíveis que levem à resolução do caso.
2019 está prestes a terminar e nada como começar a fazer o balanço do ano cinematográfico. Para começar, destaco as três grandes desilusões estreadas em 2019. Três filmes que me deixaram especialmente irritada pela expectativa criada e pelo desapontamento à saída da sala de cinema. Nos três casos, realizadores prometedores não são sempre sinónimo de bons filmes.
3. Nós (Us), Jordan Peele
Seria difícil tão rapidamente superar a qualidade de Foge, mesmo seguindo a mesma linha temática e novamente no género de terror. Em Nós, Jordan Peele pega num argumento com boas ideias, onde o sub-género home invasion parece vir para surpreender, aliado a uma boa interpretação de Lupita Nyong'o, mas desfaz todas as promessas aos longo das quase duas horas de filme.
Depois de um fenomenal Boi Neon, Divino Amor prometia. A longa-metragem arranca muito bem, num mergulho no mar da ficção científica. A estranheza que se sente com o que vemos e ouvimos a narração contar aguça a curiosidade. Mas, a certo momento, perde o fôlego, com a crítica inicial, tão poderosa, a anular-se e começar a perder o sentido. Algumas das contradições que surgem são totalmente certeiras na crítica acesa que o filme faz, contudo, outras opções mostram o contrário daquilo que o humor mordaz de Gabriel Mascaro vem a defender.
Ari Aster caracteriza-se melhor enquanto realizador e argumentista a cada novo filme que faz. As ideias parecem borbulhar, mas aplicá-las e desenvolvê-las não é com ele. Ou, pelo menos, não vai muito longe na sua abordagem. Torna-se preguiçoso e, ao mesmo tempo, exibicionista... Quer tanto chocar como mostrar o quão prodigioso pode ser com a câmara e acaba por cair no ridículo. Midsommar é mais um exemplo deste egocentrismo. Se por um lado, gera fãs acérrimos um pouco por todo o mundo, por outro, cria uma legião de desapontados, já cansados da sua vaidade pouco inteligente.
Ainda estamos em Fevereiro e já estrearam nas salas de cinema sete filmes de produção portuguesa: Terra Franca, O Grande Circo Místico, Os Dois Irmãos, Tiro e Queda, Selvagens, Debaixo do Céu e Uma Vida Sublime.
Nos próximos meses é esperado que estreiem muitos mais. Parece que 2019 será um bom ano para o cinema nacional. Filmes sobre figuras históricas, artistas e outros enredos, até Setembro, estão previstas estrear pelo menos mais 15 produções nacionais nas salas. Vamos conhecê-las:
Portugal Não Está à Venda, de André Badalo
Com Pedro Teixeira, Rita Pereira, Ana Zanatti, Tiago Teotónio Pereira, São José Correia, Dalila Carmo, Maria Vieira, Maria José Paschoal, Pedro Granger, Isabel Ruth, João Lagarto, Silvia Rizzo, Io Apolloni, Orlando Costa, Marina Mota, Cucha Carvalheiro, Philippe Leroux, António Capelo, Miguel Monteiro, Joana Ribeiro, Luisa Ortigoso, Paulo Pires, Diogo Piçarra.
Trata-se de uma comédia com um elenco de actores muito conhecidos, em especial, da televisão. Numa manhã de nevoeiro, após mais uma crise, o hipocondríaco Sebastião e a sua enlouquecida família descobrem que a nova primeira-ministra esconde um plano maquiavélico para vender o país aos alemães, franceses, chineses e angolanos. Desesperados e falidos, entre raptos e demolições, laxantes, disfarces e mil confusões, terão de convencer os restantes portugueses de que amanhã podem acordar sem país.
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Estreia prevista para 21 Fevereiro 2019
A Portuguesa, de Rita Azevedo Gomes
Com Ingrid Caven, Clara Riedenstein, Pierre Léon, Rita Durão, João Vicente, Luís Lucas, Marcelo Urgeghe, Mauro Soares.
A Portuguesa deu nas vistas no Festival de Berlim. No norte de Itália, os von Ketten (Delle Catene como são conhecidos nas redondezas), servem-se da ascendência germânica conforme lhes convém. Disputam as forças do Episcopado de Trento, apoderando-se de tudo o que está ao seu alcance, com astúcia e calma. Para que nada limite o campo de acção, herr Ketten procura casamento num um país distante: Portugal. Durante o ano de lua-de-mel, na viagem de regresso, nasce o primeiro filho. Mas, mal chegam ao castelo, Ketten vê uma boa oportunidade de investir contra o bispo e parte de novo para a guerra. A Portuguesa, contrariando a vontade do marido, recusa-se a regressar a Portugal. 11 anos decorrem, entre contendas e escaramuças e von Ketten, raramente vai a casa. Correm rumores à volta da presença daquela "estrangeira", isolada no castelo sombrio, rodeada pelas aias e escravas moiras e na companhia de Pero Lobato, um primo que chegou de visita. Há quem diga que ela é uma herege…
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Estreia prevista para 28 Fevereiro 2019
Imagens Proibidas, de Hugo Diogo
Com Elmano Sancho, Diana Costa e Silva, Ana Vilela da Costa, Maria Leite, Erica Rodrigues, Suzana Borges, João Lagarto, Pedro Lacerda, Alba Baptista, Bruna Quintas, Dinarte Freitas, Susana Sá.
Em Londres, David vive tempos difíceis, tentando fugir às sombras e memórias de um grande amor perdido. Motivado por essa necessidade de fugir e pela vontade de descobrir o seu caminho, David decide regressar a Lisboa e leva com ele um projecto. Conhece Sam e Júlia e com elas pretende recriar o amor entre duas mulheres que não se conhecem, fotografando uma e outra e apenas permitindo que ambas se comuniquem através dele, e de fotografias polaroid: a prova visível de um amor, captado e criado por ele.
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Estreia prevista para 28 Fevereiro 2019
Snu, de Patrícia Sequeira
Com Inês Castelo-Branco, Pedro Almendra, Ana Vilela da Costa, Ana Nave, Afonso Lagarto, Simon Frankel, Patrícia Tavares, Ivo Alexandre, Inês Rosado, Pedro Saavedra.
Snu relata a história de amor de Ebba Merete Seidenfaden, a editora Dinamarquesa que ficou conhecida por todos como Snu Abecassis, com Francisco Sá Carneiro. Desde os tempos em que desafiava a PIDE, Snu não deixou ninguém indiferente ao seu carácter forte e lutador. Quando, nos anos 60, se mudou para Lisboa com o então marido Vasco Abecassis, Snu dedicou-se de alma e coração à sua recém-criada editora, publicando livros polémicos aos olhos do Estado Novo. Contra todas as adversidades, Snu lutou pela cultura e pelos ideais em que acreditava. Nessa altura, estava longe de imaginar as mudanças que aconteceriam na sua vida a partir da altura em que acedeu almoçar com um dos entrevistados para a colecção de livros Participar. Ele era Francisco Sá Carneiro e viria a tornar-se no grande amor da sua vida.
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Estreia prevista para 7 Março 2019
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messora
Com Henrique Ihjãc KRAHÔ, Raene Kôtô KRAHÔ.
Vencedor do Prémio Especial do Júri da secção Un Certain Regard no Festival de Cannes 2018. Esta noite, os espíritos e as cobras ainda não apareceram. A floresta ao redor da aldeia está calma. Ihjãc, 15 anos, tem pesadelos desde que perdeu o pai. Ele é um índio Krahô, do Norte do Brasil. Ihjãc avança na escuridão com o corpo suado. Uma voz distante ecoa por entre as palmeiras. A voz do pai chama-o, junto à cascata: chegou o momento de preparar a sua festa de fim de luto para que o espírito possa partir para a aldeia dos mortos. Rejeitando o seu dever e para escapar do processo de se transformar em xamã, Ihjãc foge para a cidade de Itacajá. Longe do seu povo e da sua cultura, vai enfrentar a realidade de ser um indígena no Brasil contemporâneo.
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Estreia prevista para 14 Março 2019
Ladrões de Tuta e Meia, de Hugo Diogo
Com Rui Unas, Leonor Seixas, Melânia Gomes, Carlos Areia, Susana Cacela, Fernando Rocha.
João e Christiane são um jovem e divertido casal que procura financiar o seu casamento de qualquer forma. Biscates, pequenos golpes, burlas... trabalho é que não, que o trabalho cansa! É então que tropeçam numa notícia de jornal sobre Amílcar, um velho veterano do Ultramar, sozinho e viúvo, que acaba de ganhar o Euromilhões, e vêem nele uma oportunidade de darem o seu último e maior golpe. O plano é simples: encontrar uma forma de entrar na casa de Amílcar, roubar-lhe alguns artigos de higiene íntima para falsificar um teste de ADN, apresentar-lhe João como o seu filho perdido e convencê-lo a colocar o nome do suposto filho nas suas contas. Mas há um problema, chamado Jéssica J. Antiga concorrente da Casa dos Segredos e afilhada por casamento de Amílcar. Jéssica já está de olho na fortuna do velho e não aprecia a concorrência.
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Estreia prevista para 14 Março 2019
Gabriel, de Nuno Bernardo
Com Igor Regalla, Ana Marta Ferreira, José Condessa, Sérgio Praia, Mina Andala, Ângelo Torres, Almeno Gonçalves, Carlos Areia.
Depois da morte da mãe, Gabriel, jovem pugilista cabo-verdiano recém-chegado a Portugal, vem à procura do pai, um antigo campeão de boxe dos Olivais. Na busca, Gabriel entra em contacto com Rui, um membro violento do gang local liderado por Jorge, que organiza todas as lutas ilegais no bairro.
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Estreia prevista para 21 Março 2019
Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
Com Carloto Cotta, Cleo Tavares, Anabela Moreira, Margarida Moreira, Carla Maciel, Filipe Vargas, Manuela Moura Guedes, Joana Barrios, Maria Leite.
Diamantino, o maior jogador de futebol do mundo, perde o talento e termina a carreira. Em busca de um novo propósito na vida, o ícone internacional embarca numa odisseia delirante, onde procura a origem do seu génio, enfrenta o neofascismo, a crise dos refugiados e mutações genéticas.
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Estreia prevista para 4 Abril 2019
Quero-te Tanto, de Vicente Alves do Ó
Com Pedro Teixeira, Benedita Pereira, Maria Rueff, Alexandra Lencastre, Fernanda Serrano, Ana Sofia Martins, Dalila Carmo, Sara Prata, Ricardo Teixeira, Philippe Leroux, Pedro Lacerda, Rui Mendes, Paulo Pires.
Comédia cartoonesca sobre um inconformado casal de jovens pais que, procurando uma solução para a sua frágil situação financeira, se envolve num inocente e disparatado esquema. Tidos como criminosos, Pepê (Pedro Teixeira) e Mia (Benedita Pereira) são detidos. No entanto, graças à imprevisível influência da imprensa, a sua história ganha o carinho da população portuguesa que acaba por consagrá-los heróis nacionais. Lutando até ao fim pela união desta pequena família, Pepê e Mia instigam assim um road-movie atribulado, repleto de aventuras, que atravessa o país, começando em Lisboa e terminando num reduto idílico na Patagónia.
Trailer: Não Disponível
Estreia prevista para 18 Abril 2019
Caminhos Magnétykos, de Edgar Pêra
Com Dominique Pinon, Ney Matogrosso, Alba Baptista, Paulo Pires, Teresa Ovídio, António Durães, Iris Cayatte, Albano Jerónimo, Jorge Prendas, Manuel João Vieira, Ângelo Torres, Marina Albuquerque, Adelaide Teixeira, Vítor Correia, Diana Sá, Valdemar Santos, Manuela Paulo, Marcos Barbosa, David Almeida, José Nobre.
“O Dinheiro Não é Tudo”. Raymond, 60 e poucos anos, parisiense, autor de bds fotográficas e filmes de animação franceses, veio para Portugal com o 25 Abril, apaixonou-se e ficou por cá, onde reside há 40 anos. A sua actividade entrou em decadência e Raymond vive na dependência económica da sua mulher Gertrudes. Caminhos Magnéticos desenrola-se no dia do casamento da sua filha de 21 anos, Catarina, com Damião, um homem rico muito mais velho. Em Lisboa vive-se uma guerra civil e está em vias de ser instaurado um regime autoritário militarizado. Durante uma noite e um dia de humilhações, Raymond irá viver uma revolta interior e uma viagem caleidoscópica numa cidade em vias de desmoronar . É também o desmoronar das suas convicções.
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Estreia prevista para 25 Abril 2019
Solum, de Diogo Morgado
Com Diogo Morgado, Darwin Shaw, Francisco Froes, Catarina Mira, Gonzalo Ramos, Maria Botelho Moniz, Luís Lourenço, Anna Ludmilla, Cláudia Semedo.
As primeiras novidades do filme foram apresentadas na Comic Con Portugal 2018. Uma ilha exótica é usada para a gravação de reality show de sobrevivência chamado Solum. Oito concorrentes são deixados num ambiente inóspito e isolado e levam consigo apenas o que é estritamente necessário para a sua sobrevivência. O último a desistir vence.
O Hotel Império é um marco com 30 anos no bairro antigo de Macau, habitado por personagens com histórias e lutas próprias. É também a casa de Maria (Margarida Vila-Nova). Um dia, o fardo de manter o hotel cai sobre os seus ombros. Chu (Rhydian Vaughan), que deixou Macau há duas décadas, regressa decidido a vingar-se e a recuperar a fortuna da sua mãe - metade do hotel. No casino, Maria canta o fado e bailarinos exóticos actuam. É contra esse pano de fundo ilusório os dois se encontram pela primeira vez...
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Estreia prevista para 9 Maio 2019
O Sentido da Vida, de Miguel Gonçalves Mendes
Com Giovane De Sena Brisotto, Valter Hugo Mãe, Hilmar Örn Hilmarsson.
Uma viagem pelo mundo para questionar a nossa existência através das perguntas de um jovem brasileiro que sofre de uma rara doença hereditária sem cura.
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Estreia prevista para 13 Junho 2019
Variações, de João Maia
Com Sérgio Praia, Filipe Duarte, Victória Guerra, Augusto Madeira, Afonso Lagarto, Diogo Branco, Teresa Madruga.
A vida de António Ribeiro, barbeiro e figura da movida lisboeta no final dos anos 70, perseguindo o sonho de se tornar cantor e compositor, apesar de não saber uma nota de música. O filme conta o seu processo de transformação na personagem artística que foi António Variações, compositor, cantor excêntrico e popular, que viu a carreira fulgurante interrompida pela morte, em 1984.
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Estreia prevista para 22 Agosto 2019
Mutant Blast, de Fernando Alle
Com Maria Leite, Joaquim Guerreiro, Pedro Barão Dias, João Vilas, Mário Oliveira, Clemente Santos.
Porque também se fazem filmes de terror em Portugal. Maria, uma corajosa mulher-soldado, e TS-347, um homem com uma força sobre-humana, estão a ser perseguidos por uma célula militar, responsável por experiências científicas que deram origem a um Apocalipse zombie.