Lars (
Will Ferrell) e
Sigrit (
Rachel McAdams), dois aspirantes a músicos, recebem a oportunidade de representar o seu país na maior competição musical do mundo. Finalmente, têm a possibilidade de provar que os melhores sonhos são aqueles pelos quais estamos dispostos a lutar.
Os momentos musicais são, sem dúvida, os grandes pontos fortes de
Festival Eurovisão da Canção: A História dos Fire Saga e transportam-nos bem para a realidade eurovisiva, com todo o seu
kitsch, cores, luzes, pirotecnia e adereços extravagantes. Os temas têm também a sonoridade que associamos às canções que, normalmente, competem no evento. Seja no palco do festival, com as caricaturais interpretações - que, curiosamente, poderiam mesmo ser interpretações da
Eurovisão real -, como na festa em casa do cantor russo
Alexander Lemtov (
Dan Stevens), que reúne, numa cena empolgante, antigos participantes e vencedores de outras edições:
John Lundvik (Suécia, 2019),
Anna Odobescu (Moldávia, 2019),
Bilal Hassani (França, 2019),
Loreen (vencedora pela Suécia, 2012),
Jessy Matador (França, 2010),
Alexander Rybak (vencedor pela Noruega, 2009 e concorrente em 2018),
Jamala (vencedora pela Ucrânia, 2016),
Elina Nechayeva (Estónia, 2018),
Conchita Wurst (vencedora pela Áustria, 2014),
Netta Barzilai (vencedora por Israel, 2018) e até o português
Salvador Sobral (vencedor por Portugal, 2017) - que faz um
cameo, enquanto toca
Amar Pelos Dois num jardim.
É um filme que dirá muito mais aos Europeus, mesmo aos que não gostam dos
"fogos de artifício", das luzes e coreografias explosivas. Porque está tudo ali, todas as críticas que se fazem, mas também muito do encanto do evento: os fãs, o espectáculo e o amor à música - mesmo que ela seja, isso mesmo, eurovisiva. Fora os momentos de homenagem ao festival, a longa-metragem de
David Dobkin é uma comédia mediana que, por vezes, estica demasiado as piadas, quase roçando o exagero, mas não o ridículo.
Will Ferrell é ele próprio, na pele de
Lars, com o seu humor característico, ao lado da talentosa
Rachel McAdams, como a doce
Sigrit, habituada a deixar as suas ambições para trás por amor a
Lars. Nos secundários,
Pierce Brosnan surge como o pai que se envergonha do filho (mas que se redime, claro está) e, a roubar todas as atenções,
Dan Stevens é o russo
Alexander Lemtov. O actor tem uma presença ofuscante e a sua personagem ganha um forte significado no decorrer do filme - por muito estereotipada que possa ser. Mas não será a
Eurovisão, em parte, a celebração dos estereótipos, numa luta festiva contra preconceitos? E aqui a personagem de
Dan Stevens é fundamental.