terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Sugestão da Semana #704

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Hamnet, de Chloé Zhao, protagonizado por Jessie Buckley e Paul Mescal.

HAMNET


Ficha Técnica:
Título Original: Hamnet
Realizadora: Chloé Zhao
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn, Jacobi Jupe, Bodhi Rae Breathnach, Olivia LynesNoah Jupe
Género: Drama, Histórico, Romance
Classificação: M/12
Duração: 125 minutos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Estreias da Semana #704

Esta Quinta-feira, chegaram às salas de cinema portuguesas oito novos filmes. Hamnet Stray Kids: The dominATE Experience são duas das estreias em destaque.

Capitão Dentes de Sabre e a Condessa de Gral (2025)
Kaptein Sabeltann og Grevinnen av Gral / Captain Sabertooth and the Countess of Grel
Os melhores amigos Raven e Pinky servem o Capitão Dentes-de-Sabre, o temido pirata e Rei dos Sete Mares. Sibylla, a astuta Condessa de Gral, ataca o navio, rouba uma figura de proa valiosa e rapta Pinky - tudo parte de um plano para prender o Capitão Dentes-de-Sabre e conquistar a terra natal dos piratas. Agora, o jovem marinheiro Raven, com o Capitão Dentes-de-Sabre, um dragão e um cozinheiro excêntrico têm de deter a Condessa e salvar Pinky.

Girls on Wire (2025)
Xiang fei de nü hai
Tian Tian, mãe solteira de uma menina de cinco anos, mata um traficante de droga e é perseguida pela máfia local. Procura a ajuda da prima Fang Di, que trabalha como dupla num grande estúdio cinematográfico, mas ela recebe-a com desprezo. Porém, à medida que um passado complicado ressurge, as primas reacendem os laços de irmandade no meio do perigo iminente.

Hamnet (2025)
1580, Inglaterra. William Shakespeare (Paul Mescal), um professor de latim empobrecido, conhece Agnes (Jessie Buckley), uma mulher de espírito aberto. Iniciam um romance intenso que leva ao casamento e a três filhos. Will prossegue a sua carreira teatral em Londres e Agnes assume sozinha as responsabilidades domésticas. Quando uma tragédia ocorre, o vínculo inabalável do casal é posto à prova. Essa experiência partilhada prepara o terreno para a criação da obra-prima intemporal de Shakespeare, Hamlet.

Labirinto de Sombras (2026)
Baksho Bondi / Shadowbox
Maya vive com o marido Sundar, um ex-soldado traumatizado, e o filho adolescente Debu, num poeirento subúrbio de Calcutá. Enquanto Maya acumula vários trabalhos, Sundar é alvo de chacota pelos vizinhos e acaba muitas vezes aos cuidados de Debu, dividido entre a vergonha e o afecto. Afastada da própria família, Maya tenta convencer Sundar a arranjar emprego, mas ele resiste. Quando desaparece e surge como suspeito de homicídio, o seu secreto regresso põe à prova a relação do casal e a coesão da família.

Louca-Mente (2025)
FolleMente
Louca-Mente evoca o universo da animação Divertida-mente. Em vez das emoções, são os próprios traços comportamentais que ganham voz e forma. O filme acompanha o primeiro encontro entre Pietro e Lara. À medida que a noite se desenrola, somos levados para dentro das suas mentes, onde diferentes vozes e personalidades internas ganham corpo e comentam, sabotam ou encorajam cada palavra, gesto e silêncio.

Os Estranhos: Capítulo 3 (2026)
The Strangers: Chapter 3
Maya (Madelaine Petsch) enfrenta os assassinos mascarados uma última vez, num confronto brutal que encerra o ciclo de sobrevivência e vingança. 

Shelter - Sem Limites (2026)
Shelter
Mason vive sozinho num local remoto junto ao mar. Ao salvar uma jovem de se afogar durante uma tempestade, desencadeia involuntariamente uma reação em cadeia que atrai violência, obrigando-o a enfrentar as escolhas do seu passado.

Stray Kids: The dominATE Experience (2026)
Filme-concerto com a banda sul-coreana Stray Kids. O fenómeno global da K-pop é transportado para o grande ecrã com imagens captadas em espectáculos da dominATE World Tour no SoFi Stadium, em Los Angeles. O filme inclui ainda uma visita aos bastidores da banda durante a digressão. Narrado pelos oito integrantes dos Stray Kids, Stray Kids: The dominATE Experience oferece uma abordagem profunda da trajetória do grupo desde a sua estreia, em 2017.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Crítica: Valor Sentimental / Sentimental Value (2025)

"You two are the best thing that's ever happened to me."
Gustav Borg


*9/10*

Valor Sentimental é, até ver, a obra maior de Joachim Trier. Segue a linha melancólica dos seus filmes, que encaram o drama com um toque de humor, e, depois de A Pior Pessoa do Mundo (uma espécie de jovem adulto com medo de crescer), a sua última longa-metragem atingiu a maturidade da filmografia do cineasta norueguês.

Após anos de ausência, as irmãs Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) e Nora (Renate Reinsve) reencontram o pai, Gustav (Stellan Skarsgård), um conhecido realizador. Gustav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme, mas ela recusa. Magoado, Gustav entrega o papel a uma jovem estrela de Hollywood, Rachel (Elle Fanning), despertando antigas feridas e tensões familiares.

É a partir da Casa da família, testemunha de gerações, que a história de pai e filhas é apresentada. Ela, que acompanhou mortes e nascimentos, ressurge e ganha uma nova vida com o regresso de Gustav e da ideia que tem para o seu novo filme.


Valor Sentimental é um mergulho profundo na complexidade das relações familiares, um drama terno, apesar de carregado de ressentimentos. Joachim Trier filma a redenção e a consciência do envelhecimento. Capta os esforços de reconciliação, mesmo que não se saiba bem como agir; as explosões de raiva, a mágoa que se construiu por cima do que ficou por dizer.

A psicologia das relações humanas não é fácil de entender e, aos poucos, as personagens vão abrindo o coração à plateia, entre traumas e desilusões. Entre as irmãs, magoadas pela ausência do pai no seu crescimento, guardam-se segredos. Há um passado pesado que moldou a personalidade de cada uma e que faz com que haja uma extrema necessidade de protecção entre elas. Renate Reinsve (colaboradora habitual do realizador) e Inga Ibsdotter Lilleaas são extraordinárias, tão diferentes e tão reais.


E eis que Gustav deverá ser o papel da vida de Stellan Skarsgård, a consagração do seu talento. A fragilidade da idade contrasta com o orgulho e teimosia que definem a sua personalidade. Este homem seguro e sedutor depara-se finalmente com quem lhe faz frente - as filhas. É aí que começa a consciência de que o tempo passou e que a idade limita o corpo e os instantes que restam para corrigir os erros. A necessidade de redenção é urgente.

A melancolia de Trier percorre Valor Sentimental nas cores (com uma direcção de fotografia que tira o melhor partido da película de 35mm), no argumento (mesmo que alguns momentos sejam ligeiramente previsíveis), nos planos, nas personagens... Há silêncios, tempo para respirar, num convite à introspecção, à mesma autodescoberta que se vê nas personagens.


Visualmente belíssimo, Valor Sentimental é tão emocionalmente intenso, que é com ele que Joachim Trier mostra como o seu cinema se está a tornar adulto e cheio de personalidade. E cada vez mais próximo do público.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Sugestão da Semana #703

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Valor Sentimental, de Joachim Trier, nomeado para nove Oscars da Academia: Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original, Melhor Montagem, Melhor Actriz (Renate Reinsve), Melhor Actor Secundário (Stellan Skarsgård) e Melhor Actriz Secundária (Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning).

VALOR SENTIMENTAL


Ficha Técnica:
Título Original: Affeksjonsverdi / Sentimental Value
Realizador: Joachim Trier
Elenco: Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lilleaas, Stellan Skarsgård, Elle Fanning, Anders Danielsen Lie, Jesper Christensen, Andreas Stoltenberg Granerud, Øyvind Hesjedal Loven
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 133 minutos

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Momentos Para Recordar #74: Especial João Canijo [1957-2026]

O Cinema português perdeu ontem, 29 de Janeiro de 2026, um dos seus maiores nomes, João Canijo. O Momentos Para Recordar regressa em jeito de homenagem ao cineasta que marcou para sempre todos os que viram os seus filmes e os que consigo trabalharam ou privaram.

Pessoalmente, fiquei desolada com a notícia. Canijo é um dos mais desafiadores e corajosos realizadores portugueses. Com Mal Viver conquistou o Urso de Prata no Festival de Berlim, em 2023, filme que faz parte do díptico Mal Viver/Viver Mal, que tive a oportunidade de ver na sessão dupla que o IndieLisboa programou, nesse mesmo ano. Foi o reconhecimento internacional a premiar a carreira aguerrida de um realizador com um método muito particular, que admirava as suas actrizes, e cujos filmes se focavam nas Mulheres, em particular.

Mal Viver (2023)

Ontem ocorreram-me dois momentos em que João Canijo "surgiu", inesperadamente, na minha vida. Uma primeira vez em que, muito jovem e ainda fora das lides da escrita sobre cinema, vi algures um anúncio onde procuravam figurantes amadorenses para o seu próximo filme - era Sangue do Meu Sangue. Só tinha de ir ao mítico Babilónia (ou um local lá bem perto), inscrever-me e tirar umas fotografias. Fui com um amigo. Como imaginam, não fui escolhida. Mas fiquei com curiosidade sobre o que dali viria. Quando estreou, confesso, não fiquei rendida, mas comecei a explorar e a acompanhar muito mais a sua filmografia, da qual me tornei grande fã.

Em 2019, graças ao realizador Luís Campos, também criador do Festival Guiões, fui convidada para moderar um debate sobre Escrita de Cinema em Língua Portuguesa, com vários convidados: e lá estava João Canijo no painel. Tive a oportunidade de falar com ele para lá do debate, e descobri um homem seguro, obstinado, muito afável e com quem dava gosto conversar.

Debate no Festival Guiões 2019

Vai demorar tempo a processar esta ausência na cultura nacional. Entretanto, Canijo deixou-nos dois novos filmes prontos: Encenação As Ucranianas.

À família, amigos e admiradores, endereço as minhas mais profundas condolências. Para saber mais sobre João Canijo, vida e carreira, sugiro este obituário, escrito por Vasco Câmara, no Público.

Aqui no Hoje Vi(vi) um Filme, deixo um excerto de uma das suas obras-primas: Mal Viver.

Mal Viver, João Canijo (2023)

Estreias da Semana #703

Esta Quinta-feira, chegaram às salas de cinema portuguesas oito novos filmes. A estreia de Valor Sentimental, de Joachim Trier, é um dos principais destaques.

Cold Storage - Ameaça Mortal (2026)
Cold Storage
Teacake e Naomi, duas jovens funcionárias de uma empresa de armazenamento construída no local de uma antiga base militar dos EUA, têm o turno nocturno mais insano de sempre quando um fungo parasita escapa do nível mais baixo da base, onde foi selado pelo governo décadas antes. À medida que a temperatura sobe, o microrganismo altamente contagioso e em rápida mutação multiplica-se e liberta os seus terrores que controlam o cérebro e rebentam com o corpo dos habitantes das instalações - humanos e outros. Com o tempo a esgotar-se, cabe a Teacake e a Naomi conter a ameaça impiedosa e evitar a extinção da Humanidade, com a ajuda de um especialista em guerra biológica reformado.

Frankie e os Monstros (2025)
Stitch Head
Stitch Head, uma pequena criatura despertada por um Professor Louco num castelo, protege as outras criações do professor da ira dos habitantes da cidade de Grubbers Nubbin.

Living the Land - O Vento é Imparável (2025)
Shengxi zhidì / Living the Land
Em 1991, a China atravessa profundas transformações socioeconómicas que levam muitos a abandonar o mundo rural em busca de trabalho nas cidades. Chuang, de 10 anos, terceiro filho, tem de permanecer na aldeia devido aos planos da família. Sobre o pano de fundo da modernização, uma família encontra-se dividida entre o peso da tradição e a força do progresso, numa saga íntima, mas vasta, que atravessa quatro gerações, acompanhando os ciclos da vida através da mudança das estações.

Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História (2025)
Liza: A Truly Terrific Absolutely True Story
"Nasci e tiraram-me uma fotografia", diz Liza Minnelli, descrevendo o que é crescer sob flashes e boatos. Filha do realizador Vincent Minnelli e da actriz Judy Garland, Liza recorda as primeiras memórias até aos anos de formação, enquanto enfrenta perguntas difíceis e expectativas de críticos, imprensa e público. Liza Minnelli: A Incrível e Absolutamente Verdadeira História mostra o que aconteceu a seguir, centrando-se nos anos 1970, após a morte da mãe, período em que Liza enfrenta desafios pessoais e profissionais. Nesse percurso, Kay Thompson, Fred Ebb, Charles Aznavour, Halston e Bob Fosse ajudam-na transformar-se numa super-estrela madura e refinada do palco e do ecrã. A sua influência estende-se à moda, arte e cultura. Pelo caminho, ganha um Oscar, um Emmy, quatro Tonys e um Grammy.

Melania (2026)
O documentário acompanha Melania Trump nos 20 dias que antecedem a tomada de posse do seu marido Donald como presidente dos Estados Unidos da América, no início de 2025. 

Regresso a Silent Hill (2026)
Return to Silent Hill
Uma carta misteriosa chama James de volta a Silent Hill em busca do seu único amor. Encontra uma cidade outrora reconhecível transformada por um mal desconhecido. À medida que James mergulha cada vez mais na escuridão, cruza-se com figuras aterrorizantes, novas e familiares, e começa a questionar a sua sanidade mental, enquanto luta para entender a realidade e resistir o tempo suficiente para salvar o seu amor perdido.

Socorro! (2026)
Send Help
Linda é uma funcionária atormentada por Bradley, o seu chefe narcisista. Durante uma viagem para Banguecoque, o avião em que seguem sofre um acidente. Eles são os únicos sobreviventes. Presos numa ilha deserta, os papéis invertem-se. As capacidades de sobrevivência de Linda sobrepõem-se à autoridade de Bradley. Sem ajuda a caminho, o resultado é uma batalha perturbadora e sombria, de vontades e capacidade de luta pela sobrevivência.

Valor Sentimental (2025)
Affeksjonsverdi / Sentimental Value
Após anos de ausência, Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas) e Nora (Renate Reinsve) reencontram o pai, Gustav (Stellan Skarsgård), um carismático realizador. Gustav oferece a Nora, actriz de teatro, o papel principal no seu novo filme, mas ela recusa. Magoado, Gustav decide entregar o papel a uma jovem estrela de Hollywood (Elle Fanning), despertando antigas feridas e reacendendo tensões numa delicada teia de relações familiares.