domingo, 12 de março de 2023
Sugestão da Semana #551
quinta-feira, 9 de março de 2023
Crítica: A Voz das Mulheres / Women Talking (2022)
"Hope for the unknown is good. It is better than hatred of the familiar."
Ona
*8/10*
Em A Voz das Mulheres (Women Talking, no original), Sarah Polley criou um filme sobre o empoderamento feminino contra uma comunidade violenta e patriarcal. É inevitável vê-lo sem lembrar 12 Homens em Fúria, de Sidney Lumet. Só que, neste caso, a decisão de uma vida está nas mãos das Mulheres, as vítimas, reunidas num palheiro.
"Baseado no romance best-seller de Miriam Toews, A Voz das Mulheres retrata um grupo de mulheres que se encontram numa colónia religiosa isolada, enquanto lutam para reconciliar a sua fé com uma série de agressões sexuais cometidas pelos homens da colónia."
Sem luz eléctrica ou telefone, drogadas e violentadas anos a fio, privadas de aprender a ler ou escrever, tomadas como loucas, eis que chegou o dia em que a máscara dos homens começa a cair. Enquanto eles vão à polícia local, elas reúnem-se para decidir o que fazer a seguir: ficar e não fazer nada; ficar e lutar; ou ir embora da comunidade.
Estas mulheres podem não saber ler ou escrever mas são capazes de votar e de se unir para tomar uma decisão importante, esgrimindo argumentos a favor ou contra cada uma das opções. A Voz das Mulheres é a conquista deste empoderamento e da liberdade de escolha, mesmo no seio de uma comunidade patriarcal conservadora e extremamente religiosa.
A câmara de Polley envolve a plateia como parte da decisão, partilhando o espaço no palheiro, fitando, de rosto em rosto, quem apresenta os seus argumentos ou exprime emoções - ou apresentando, em flashbacks, o abuso que cada uma sofreu -, mas percorre igualmente os campos em volta e entra nas casas das protagonistas. A realizadora cria um ambiente de partilha de um segredo.
Neste filme, muito mais que as imagens, as palavras são tudo e também quem as diz: um elenco de mulheres talentosas, onde se destacam Claire Foy, Jesse Buckley e Sheila McCarthy.
Direcção artística e guarda-roupa cumprem bem o seu papel na representação de uma comunidade parada no espaço e no tempo, a par da discreta banda sonora, também da autoria de uma mulher, Hildur Guðnadóttir.
De tranças entrelaçadas ou de mãos dadas, partilham-se dilemas e o medo do desconhecido, mas todas sabem que urge tomar uma decisão. A Voz das Mulheres é todo sobre o futuro e uma intensa lição de união.
sexta-feira, 31 de julho de 2020
Crítica: A Flor da Felicidade / Little Joe (2019)
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
Sugestão da Semana #356
Ficha Técnica:
domingo, 22 de maio de 2016
Sugestão da Semana #221
terça-feira, 3 de maio de 2016
Crítica: A Lagosta / The Lobster (2015)
"If you encounter any problems you cannot resolve yourselves, you will be assigned children, that usually works."
Hotel Manager
Numa primeira metade mais entusiasmante, onde percebemos o desumano modo de funcionamento do Hotel, A Lagosta continua, ligeiramente menos surpreendente, mas Lanthimos não deixa o seu filme perder o fulgor ao entrar na floresta e continua a surpreender pelas novas regras, paradoxais, mas não menos inacreditáveis que as anteriores.
O realizador filma este ambiente repressivo na sua singularidade tão sarcástica como lírica. Um amor de aparências, de cinismo e falsidade. Com planos provocadores e irónicos ou usando a câmara lenta para aumentar a adrenalina das caçadas de solteiros fugitivos, por exemplo, Lanthimos não descura nenhum aspecto.
No elenco, Colin Farrell surpreende como o protagonista David, ele que, se falhar, quer transformar-se na lagosta que dá título ao filme, "porque as lagostas vivem mais de cem anos, têm sangue azul como os aristocratas e são férteis toda a vida. Eu também gosto muito do mar." Frágil, desesperado, tímido, ele é mais uma peça deste jogo em que todos desejam o mesmo: continuar a sua vida como humanos. Rachel Weisz parece-nos a mulher ideal neste filme tão surreal. Doce, decidida e apaixonada, transparece uma fragilidade muito natural. Por seu lado, Léa Seydoux é a impiedosa líder da resistência de solteiros, uma ditadora que faz frente à também ditadura do Hotel. Ainda de destacar são as interpretações de Ben Whishaw, John C. Reilly e das gregas Angeliki Papoulia (Canino), a mulher sem coração, e Ariane Labed (Attenberg), a empregada do Hotel, muito dedicada àquilo em que acredita.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
Crítica: No Coração do Mar / In the Heart of the Sea (2015)
"The tragedy of the Essex is the story of men. And a Demon."Thomas Nickerson
O questionar de valores, o desespero que coloca os instintos mais primitivos à frente do socialmente aceite, e mesmo o dilema moral - afinal, será mesmo a baleia a má da fita? - não são explorados na sua plenitude e o clímax nunca é atingido. As personagens têm pouca personalidade, à excepção de Owen Chase e do jovem Thomas Nickerson (Tom Holland novamente a dar nas vistas depois de O Impossível) - eles são realmente os únicos que nos farão continuar a ter interesse em No Coração do Mar. O mais velho é o modelo de homem que o mais novo quer seguir, na coragem, determinação e na forma como nunca desiste. Cillian Murphy como Matthew Joy, companheiro e amigo de Chase, também merece destaque.
O filme alterna entre dois tempos: a acção em alto mar, nesta luta contra as baleias, é-nos apresentada ao mesmo tempo que Melville (Ben Whishaw) vai descobrindo os detalhes desta história, contada pelo único sobrevivente ainda vivo, Tom Nickerson (Brendan Gleeson). A montagem alterna entre estes dois momentos espacio-temporais e o ritmo é bem conseguido, contrabalançando a luta da tripulação contra a força da Natureza, em 1820, e a nostalgia, a dor de recordar, as emoções, enquanto Nickerson relata os acontecimentos.
Mas, afinal, o protagonismo de No Coração do Mar vai todo para os efeitos visuais, muito bem concretizados, é verdade, mas que roubam o brilho e o interesse às personagens e história - aqui é que deveriam estar as atenções. O 3D (Imax ou não) atordoa e desfocaliza ainda mais a atenção da plateia, quase anestesiada pela componente visual, onde ondas e baleias gigantes, querem transpor o ecrã da sala de cinema e deixar lá os marinheiros pouco empáticos.
domingo, 16 de junho de 2013
Ads & Cinema #4
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Crítica: Cloud Atlas (2012)
"I believe there is a another world waiting for us, Sixsmith. A better world. And I'll be waiting for you there. "
Robert Frobisher
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