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terça-feira, 27 de setembro de 2022

Festival Política 2022: Vencedores

O Teu Nome É e Alcindo são os grandes vencedores do Festival Política 2022.

Dos 22 filmes a concurso na secção de Cinema nas três edições do evento, em Lisboa, Braga e Loulé, O teu nome é, de Paulo Patrício (crítica no Hoje Vi(vi) um Filme), foi o grande vencedor do Prémio do Júri. O filme de animação "explora os últimos dias de Gisberta Salce Júnior, morta às mãos de um grupo de 14 jovens em 2006, mergulhando nos depoimentos daqueles que conheciam a mulher transgénero, seropositiva, sem-abrigo e toxicodependente, e contando o relato da sua morte, após ser torturada e espancada"

Nas categorias de Prémio do Público e Prémio Sub-30 (para produções de realizadores com menos de 30 anos) o vencedor foi Alcindo, de Miguel Dores (crítica no Hoje Vi(vi) um Filme), "sobre o brutal assassinato de Alcindo Monteiro, vítima de crime de ódio por parte de um grupo de etno-nacionalistas que, na madrugada de Santo António, em 1995, percorreram o Bairro Alto agredindo pessoas negras, culminando em 11 feridos graves e na trágica morte do jovem de 27 anos"

Nas três cidades onde passou, o Festival Política 2022 contou com 4000 participantes, que assistiram a diversas actividades entre cinema, espetáculos, debates, exposições, visitas guiadas e workshops. Mais informações sobre o evento em https://festivalpolitica.pt/.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Festival Política chega a Loulé a 22 de Setembro, com debates, filmes, música, Cara a Cara com Deputados e Hugo van der Ding

O Festival Política estará em Loulé, de 22 a 24 de Setembro, para reflectir sobre a Desinformação. Debates, conversas, filmes, música e humor são algumas das ofertas do evento.

Após as edições de Lisboa e de Braga, em Abril e Maio passados, o festival segue agora para o Algarve. São quatro os locais que vão receber a programação: o Cineteatro Louletano, o Palácio Gama Lobo, o Auditório Solar da Música Nova e os Banhos Islâmicos.

Cinema, Debates, Humor e Música

A abrir o Festival Polícia, a 22 de Setembro, o Cineteatro Louletano recebe a sessão de anúncio dos vencedores do Programa de Bolsas para Jovens, em parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude. Os dois jovens vencedores apresentam as suas peças: João Diogo Veiga com uma instalação em torno da sustentabilidade e Raquel Rodrigues estreia um tema original com voz e guitarra. Também Sílvia Barros apresenta um showcase do seu álbum Nua.

Segue-se a sessão de cinema Corpos Políticos I, com destaque para o filme Alcindo, de Miguel Dores, "sobre o brutal assassinato de Alcindo Monteiro por um grupo de etno-nacionalistas portugueses". À noite será exibido, Quo Vadis, Aida?, de Jasmila Zbanic, que segue uma tradutora da ONU, durante a guerra da Bósnia, que assiste impotente à crise dos refugiados, onde se inclui a própria família.

Alcindo, de Miguel Dores

23 de Setembro é dia de Cara a Cara com os Deputados, "um encontro entre cidadãos e deputados representantes dos partidos com assento parlamentar em que, durante cinco minutos, cada participante e deputado conversam individualmente sobre um tema ou questão". O evento tem lugar no Palácio Gama Lobo, onde também acontece o debate entre Anselmo Crespo (TVI/CNN Portugal) e Catarina Carvalho (Mensagem de Lisboa), "sobre o estado actual do jornalismo e a sua responsabilidade no combate à desinformação".

A fechar o dia 23, o Cineteatro Louletano recebe o humorista Hugo van der Ding, que "promete desmistificar alguns dos grandes mitos da História de Portugal, no espectáculo A grande mentira"; e ainda uma sessão para maiores de 18 anos intitulada Sexo no Feminino.

O último dia do Festival Política "começa com uma visita guiada pelo centro de Loulé para conhecer melhor a História Islâmica da cidade, conduzida por Alexandra Pires. O percurso termina nos Banhos Islâmicos, com uma conversa com o sheik Zabir Edriss e Dália Paulo (Câmara Municipal de Loulé)". Ao final da tarde, o Auditório Solar da Música Nova recebe o documentário A Música Invisível, de Tiago Pereira, sobre a presença da comunidade cigana em Portugal e como a sua música tem sido esquecida e pouco divulgada. O filme faz parte do projecto A Música Cigana a Gostar Dela Própria, que o realizador tem vindo a desenvolver junto da comunidade. Ao filme, segue-se um concerto.

A encerrar os três dias de festival, o Cineteatro Louletano recebe a música de Luca Argel, que apresenta o quarto disco de originais, Samba de Guerrilha, onde reflecte sobre "a resistência política, a escravidão e o racismo"; e ainda a exibição de O Teu Nome É, de Paulo Patrício, sobre o caso real do homicídio de Gisberta Salce Jr; e de Tracing Utopia, de Catarina de Sousa e Nick Tyson, "que mostra um olhar diferente sobre a identidade de género e a geração Z".

O Teu Nome É, de Paulo Patrício

Exposições e Workshop Educativo

Falsos títulos é a instalação de Rui Sebastian sobre o papel dos tipógrafos e a sua responsabilidade na indução do erro, patente no Palácio Gama Lobo; e Revelação, exposição de fotografia apresentada no Auditório Solar da Música Nova pela CooLabora (Cooperativa de Intervenção Social da Covilhã), sobre os "sonhos e aspirações das crianças e jovens ciganos que, muitas vezes, lhes vêm negadas as oportunidades". No Cineteatro Louletano, estará o projecto de João Diogo Veiga (vencedor do Programa de Bolsas para Jovens), Eco-nomica, "uma exposição em torno do sustentável, da economia e da importância da consciência ambiental".

Na vertente educativa, destaque para o workshop Desinformação, Regulação e Literacia Mediática, "onde serão analisados alguns temas, como a covid-19 e a guerra na Ucrânia, com o objectivo de ajudar a compreender os desafios que a Desinformação traz aos responsáveis pela comunicação social, mas também a cada cidadão".

O Festival Política é de acesso gratuito, todas as sessões de cinema têm legendagem em português (incluindo os filmes de língua portuguesa) e todas as actividades são acompanhadas por tradução em Língua Gestual Portuguesa.

Todas as inscrições devem ser feitas através do e-mail: participa.politica@gmail.com. Mais informação em www.festivalpolitica.pt.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

MDOC 2022: Alcindo (2021), de Miguel Dores

*7/10*

Alcindo é uma homenagem a Alcindo Monteiro, a todas as vítimas de ódio racial e aos que continuam a lutar contra o racismo. Miguel Dores faz um resumo dos últimos 25 anos de crimes de ódio, de injustiças, saudade e muitas lutas, ao mesmo tempo que enquadra os acontecimentos de 1995 no contexto pré e pós Revolução de Abril.

"A 10 de Junho de 1995 um grupo de nacionalistas sai às ruas do Bairro Alto para espancar de forma organizada pessoas negras que encontram pelo caminho. O resultado oficial do evento foram 11 vítimas, uma destas mortal. Alcindo é a etnografia de uma noite longa - uma noite do tamanho de um país."

Miguel Dores entrevista familiares e amigos de Alcindo, o jovem falecido em 1995, vasculha arquivos, conversa com activistas, com o advogado da família e com outros nomes envolvidos na luta antirracista, segue manifestações e percorre os mais recentes casos de violência contra negros em Portugal - a morte de Bruno Candé e Luís Giovani, as agressões de um polícia a Cláudia Simões, e a violência policial no Bairro da Jamaica e na esquadra de Alfragide, por exemplo.

O realizador recapitula cada momento do processo judicial sobre a morte de Alcindo, à luz da época dos acontecimentos e da actualidade, analisam-se as reacções dos políticos, e as alterações legislativas que se seguiram relativamente a crimes de ódio racial, os movimentos de extrema-direita racistas, a sua intrusão nas claques de futebol, ou a celebração paradoxal do dia de Portugal. Olhando para o passado colonial português, aborda-se o racismo enraizado e sistémico que vem perdurando no país,  e enumeram-se os avanços - e recuos - no que toca à representatividade e protecção de todos, sem olhar à cor da pele.

Em Alcindo, as imagens, as palavras e a música contam a História que muitos preferem não ver ou querem calar. Um documentário de homenagem e um grito de revolva, cada vez mais necessário.