domingo, 19 de março de 2023
Sugestão da Semana #552
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
Céline Sciamma abre ciclo no Cinema Trindade, no Porto, a 24 de Setembro
A realizadora Céline Sciamma vai ao Cinema Trindade, no Porto, apresentar o seu filme Retrato da Rapariga em Chamas, no dia 24 de Setembro, às 21h30. Após a exibição da longa-metragem, a cineasta participará numa conversa com o público.
Esta sessão abre o ciclo de cinema, que vai decorrer entre Setembro de 2022 e Janeiro de 2023, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e a Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, em parceria com o Cinema Trindade. À projecção dos filmes seguir-se-ão debates com figuras do cinema contemporâneo como é o caso de Sciamma.
Em Outubro será a vez de Lucrecia Martel, em Novembro de Atom Egoyan, em Dezembro de Marco Martins e, em Janeiro de 2023, o ciclo de cinema termina com João Canijo.
Mais informações em https://artes.porto.ucp.pt/pt-pt/noticias/celine-sciamma-lucrecia-martel-atom-egoyan-marco-martins-e-joao-canijo-participam-de-sessoes-de-20731.
domingo, 16 de dezembro de 2018
Opinião - Séries: Sara (2018)
Sara ultrapassa barreiras, tão depressa passa da comédia ao drama, satiriza-se a si mesma e atinge, por diversos momentos, um estatuto delirante. Sara é uma série portuguesa com grande potencial de exportação. Nunca se viu nada assim.
Ao longo da série, acompanhamos Sara Moreno, uma actriz de 42 anos, que começa a questionar as suas escolhas profissionais até ao momento. Conhecida pela sua densidade dramática no teatro e cinema, e pela facilidade em chorar nos papéis que interpreta, de repente, Sara deixa de ter lágrimas. Com o pai doente, abandona a rodagem do seu último filme e vê-se forçada a entrar no mundo das novelas, redes socais, sessões fotográficas para revistas cor-de-rosa, transformando totalmente a sua vida.
Nestes oito episódios que passam a correr, acompanhamos a tentativa de adaptação de Sara a um novo estilo de vida, as suas frustrações e dúvidas. Que turbilhão de sensações!
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Globos de Ouro Sic/Caras: Os Vencedores de Cinema
terça-feira, 14 de março de 2017
Sugestão da Semana #263
Ficha Técnica:
Actores: Nuno Lopes, Jean-Pierre Martins, Gonçalo Waddington, Mariana Nunes, José Raposo, Carla Maciel, Paula Santos, Beatriz Batarda, Teresa Coutinho, David Semedo
Classificação: M/14
Duração: 112 minutos
sexta-feira, 3 de março de 2017
Crítica: São Jorge (2016)
"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge..."Oração a São Jorge
Cerca de um seis meses após estrear no Festival de Veneza, São Jorge, de Marco Martins, chega a Portugal, o seu país. Nuno Lopes (premiado no festival italiano) é o motor da narrativa que se propõe a abordar uma temática arriscada: o mundo das empresas de cobranças difíceis em tempos de crise.
Depois de Alice (2005), realizador e protagonista regressam juntos ao cinema. A dupla adaptou-se bem aos bairros onde o filme se passa, e actores e não actores são filmados com a maior das naturalidades, acompanhando as suas conversas e receios sobre o estado do país sob o jugo da troika.
Em São Jorge, focamo-nos em Jorge (Nuno Lopes), um boxeur desempregado que aceita trabalho nocturno numa empresa de cobranças difíceis. Num momento em que a mãe do seu filho o quer levar para o Brasil, Jorge vê neste emprego a sua única solução.
A par da arrojada história principal e do conflito que surge no protagonista quando começa o seu novo trabalho, encontramos um lado mais documental ligado à temática da crise que assolava o país aquando do início da produção de São Jorge. Este lado é, infelizmente, o ponto fraco da longa-metragem de Marco Martins, que acaba por dar demasiado foco à realidade tão falada, documentada e filmada, real ou ficcionalmente.
Já a temática das cobranças difíceis, do desespero dos devedores, da urgência dos credores e da violência para com os que não cumprem os prazos, dá um ponto de partida especialmente interessante ao filme, mas não é explorado na sua plenitude.
Há em Jorge duas circunstâncias que, já de si, criam um dilema em toda a sua nova situação: ser boxeur e estar com problemas financeiros. Ele vai ter de utilizar as suas habilidades e dotes físicos contra outros que, tal como ele, sofrem com a crise. Tudo se adensa com a ida para o terreno, presenciar conversas, a pressão exercida sobre os devedores e, principalmente, a necessidade da sua intervenção, em último recurso. A violência como meio para atingir um fim.
A relação entre pai e filho e entre Jorge e Susana, a mãe da criança, pecam por não ser mais exploradas, especialmente por serem eles o motivo da sua decisão em aceitar este trabalho difícil e quase imoral.
Nuno Lopes transformou-se fisicamente para interpretar Jorge. Surge atlético, com verdadeiro porte de boxeur. Nota-se o treino necessário para subir ao ringue da representação neste papel, bem como a familiaridade que demonstra ao passear-se pelos bairros da Bela Vista e da Jamaica. Duro, mas apaixonado e sensível, chegando até a ser ingénuo, o actor é camaleónico e enriquece qualquer filme.
São Jorge passa-se maioritariamente de noite, adensando a aura misteriosa e obscura que assombra o trabalho do protagonista como cobrador de dívidas. A noite esconde o sangue depois de um ajuste de contas e disfarça o desespero. Mas é também sinónimo de liberdade e boa parceira de fuga. Neste ambiente nocturno, a direcção de fotografia de Carlos Lopes faz um excelente trabalho, e potencia a execução de planos marcantes.
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