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domingo, 19 de março de 2023

Sugestão da Semana #552

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Great Yarmouth: Provisional Figures, de Marco Martins, protagonizado por Beatriz Batarda.

GREAT YARMOUTH: PROVISIONAL FIGURES


Ficha Técnica:
Título Original: Great Yarmouth: Provisional Figures
Realizador: Marco Martins
Elenco: Beatriz Batarda, Nuno Lopes, Kris Hitchen, Rita Cabaço, Romeu Runa, Hugo Bentes
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 113 minutos

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Céline Sciamma abre ciclo no Cinema Trindade, no Porto, a 24 de Setembro

A realizadora Céline Sciamma vai ao Cinema Trindade, no Porto, apresentar o seu filme Retrato da Rapariga em Chamas, no dia 24 de Setembro, às 21h30. Após a exibição da longa-metragem, a cineasta participará numa conversa com o público.

Esta sessão abre o ciclo de cinema, que vai decorrer entre Setembro de 2022 e Janeiro de 2023, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e a Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, em parceria com o Cinema Trindade. À projecção dos filmes seguir-se-ão debates com figuras do cinema contemporâneo como é o caso de Sciamma.

Em Outubro será a vez de Lucrecia Martel, em Novembro de Atom Egoyan, em Dezembro de Marco Martins e, em Janeiro de 2023, o ciclo de cinema termina com João Canijo.

Mais informações em https://artes.porto.ucp.pt/pt-pt/noticias/celine-sciamma-lucrecia-martel-atom-egoyan-marco-martins-e-joao-canijo-participam-de-sessoes-de-20731.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Opinião - Séries: Sara (2018)


*9/10*



Sara
ultrapassa barreiras, tão depressa passa da comédia ao drama, satiriza-se a si mesma e atinge, por diversos momentos, um estatuto delirante. Sara é uma série portuguesa com grande potencial de exportação. Nunca se viu nada assim.

Toda a ideia de Bruno Nogueira transpira genialidade - de génio e de louco, temos todos um pouco, e deve ser por isso que Sara nos diz tanto. Na realização, Marco Martins faz-nos esquecer que estamos a ver televisão, construindo quase um híbrido de plataformas (sem esquecer que a série teve antestreia no IndieLisboa, um festival de cinema). Às vezes, parece que o ecrã é o do cinema e para tal muito contribui o bom trabalho da direcção de fotografia. A adicionar a esta dualidade, surge a música e a literatura com temas de B Fachada e textos de Valter Hugo Mãe, apropriados pelas personagens da série (Tónan Quito e António Durães, respectivamente).

Ao longo da série, acompanhamos Sara Moreno, uma actriz de 42 anos, que começa a questionar as suas escolhas profissionais até ao momento. Conhecida pela sua densidade dramática no teatro e cinema, e pela facilidade em chorar nos papéis que interpreta, de repente, Sara deixa de ter lágrimas. Com o pai doente, abandona a rodagem do seu último filme e vê-se forçada a entrar no mundo das novelas, redes socais, sessões fotográficas para revistas cor-de-rosa, transformando totalmente a sua vida.

Nestes oito episódios que passam a correr, acompanhamos a tentativa de adaptação de Sara a um novo estilo de vida, as suas frustrações e dúvidas. Que turbilhão de sensações!


Beatriz Batarda encarna Sara, a actriz de cinema que se rende à televisão, tal como a própria, com um currículo quase exclusivamente dedicado à Sétima Arte. Começam aí as ironias e coincidências. Estas continuam com as ideias preconcebidas que sempre associamos aos filmes portugueses, as revistas cor-de-rosa e os paparazzi sempre à espera da melhor oportunidade, entre tantas outras. A sátira às novelas é certeira, mas é igualmente eficaz a crítica a quem as condena. A personagem de Nuno Lopes, o galã João Nunes, é, por sua vez, um estereótipo muito curioso, cheio de fragilidades, escondendo uma inesperada sensibilidade até ao último episódio.

Sara faz-nos pensar, ao mesmo tempo que surge o equilíbrio - também é preciso não pensar, as novelas são o símbolo máximo disso mesmo -, e faz-nos rir dos momentos mais nonsense possíveis. Faz-nos chorar com duros dramas familiares ou dilemas psicológicos - onde surge a questão da dignidade da morte. Faz-nos enlouquecer com a consciência (aka agente, interpretado e bem por Albano Jerónimo) da actriz que a persegue e persuade a render-se àquilo que ela mais critica.

O meio audiovisual nacional é muito bem desconstruído em Sara e entre ataques, caricaturas e sátira, revelam-se igualmente a compreensão e até o lado mais puro do que parece apenas superficial. Sara sabe rir de si mesma, constrói-se através dessa sabedoria e é por isso que resulta. O background e influências de Marco Martins e Bruno Nogueira fundem-se para criar este universo tão inspirado na própria Beatriz Batarda, e piscam-nos o olho de quando em quando ao longo dos oito episódios memoráveis. Queremos mais!

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Globos de Ouro Sic/Caras: Os Vencedores de Cinema

Foi no passado Domingo que foram conhecidos os vencedores dos Globos de Ouro Sic/Caras. O Hoje Vi(vi) um Filme vem um pouco atrasado, mas nunca é tarde para destacar os premiados das categorias de cinema.


O prémio para Melhor Filme foi entregue a São Jorge, de Marco Martins, que tem crítica aqui no blog. Nuno Lopes venceu a categoria de Melhor Actor pelo seu papel no mesmo filme e Rita Blanco conquistou o globo para Melhor Actriz, pelo seu desempenho no filme Fátima, de João Canijo.

A lista completa de vencedores pode ser encontrada aqui.

terça-feira, 14 de março de 2017

Sugestão da Semana #263

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, São Jorge. A longa-metragem de Marco Martins, protagonizada por Nuno Lopes, já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

SÃO JORGE


Ficha Técnica:
Título Original: São Jorge
Realizador: Marco Martins
Actores: Nuno Lopes, Jean-Pierre Martins, Gonçalo Waddington, Mariana Nunes, José Raposo, Carla Maciel, Paula Santos, Beatriz Batarda, Teresa Coutinho, David Semedo
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 112 minutos

sexta-feira, 3 de março de 2017

Crítica: São Jorge (2016)

"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge..."
Oração a São Jorge


*7/10*

Cerca de um seis meses após estrear no Festival de Veneza, São Jorge, de Marco Martins, chega a Portugal, o seu país. Nuno Lopes (premiado no festival italiano) é o motor da narrativa que se propõe a abordar uma temática arriscada: o mundo das empresas de cobranças difíceis em tempos de crise.

Depois de Alice (2005), realizador e protagonista regressam juntos ao cinema. A dupla adaptou-se bem aos bairros onde o filme se passa, e actores e não actores são filmados com a maior das naturalidades, acompanhando as suas conversas e receios sobre o estado do país sob o jugo da troika.

Em São Jorge, focamo-nos em Jorge (Nuno Lopes), um boxeur desempregado que aceita trabalho nocturno numa empresa de cobranças difíceis. Num momento em que a mãe do seu filho o quer levar para o Brasil, Jorge vê neste emprego a sua única solução.


A par da arrojada história principal e do conflito que surge no protagonista quando começa o seu novo trabalho, encontramos um lado mais documental ligado à temática da crise que assolava o país aquando do início da produção de São Jorge. Este lado é, infelizmente, o ponto fraco da longa-metragem de Marco Martins, que acaba por dar demasiado foco à realidade tão falada, documentada e filmada, real ou ficcionalmente.

Já a temática das cobranças difíceis, do desespero dos devedores, da urgência dos credores e da violência para com os que não cumprem os prazos, dá um ponto de partida especialmente interessante ao filme, mas não é explorado na sua plenitude.

Há em Jorge duas circunstâncias que, já de si, criam um dilema em toda a sua nova situação: ser boxeur e estar com problemas financeiros. Ele vai ter de utilizar as suas habilidades e dotes físicos contra outros que, tal como ele, sofrem com a crise. Tudo se adensa com a ida para o terreno, presenciar conversas, a pressão exercida sobre os devedores e, principalmente, a necessidade da sua intervenção, em último recurso. A violência como meio para atingir um fim.

A relação entre pai e filho e entre Jorge e Susana, a mãe da criança, pecam por não ser mais exploradas, especialmente por serem eles o motivo da sua decisão em aceitar este trabalho difícil e quase imoral.


Nuno Lopes transformou-se fisicamente para interpretar Jorge. Surge atlético, com verdadeiro porte de boxeur. Nota-se o treino necessário para subir ao ringue da representação neste papel, bem como a familiaridade que demonstra ao passear-se pelos bairros da Bela Vista e da Jamaica. Duro, mas apaixonado e sensível, chegando até a ser ingénuo, o actor é camaleónico e enriquece qualquer filme.

São Jorge passa-se maioritariamente de noite, adensando a aura misteriosa e obscura que assombra o trabalho do protagonista como cobrador de dívidas. A noite esconde o sangue depois de um ajuste de contas e disfarça o desespero. Mas é também sinónimo de liberdade e boa parceira de fuga. Neste ambiente nocturno, a direcção de fotografia de Carlos Lopes faz um excelente trabalho, e potencia a execução de planos marcantes.

São Jorge é o esperado regresso da dupla Martins-Lopes. Ao comando, Nuno Lopes atordoa a plateia com punhos cheios de talento. O filme fica a saber a pouco quando pensamos na ideia original de explorar o submundo das cobranças difíceis. Queríamos um pouco mais. Ficam-nos a dever esta.