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terça-feira, 28 de abril de 2026

Sugestão da Semana #715 + Sugestão Literária

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Projecto Global, de Ivo M. Ferreira, que acompanha membros do grupo armado de extrema-esquerda FP25, na década de 1980, em Lisboa. O filme estreou em vésperas do 25 de Abril e, nada como aproveitar a celebração da Revolução dos Cravos, para uma sessão de cinema. Pela Liberdade, contra a violência, venha ela de qualquer quadrante político.

Aproveito esta estreia para uma sugestão literária, que ajuda a conhecer mais sobre os excessos pós-revolução. As FP-25 e o Pós-Revolução – «Normalização» e Violência Política, do historiador Francisco Bairrão Ruivo, editado pela Tinta da China, é o resultado de um extenso trabalho de investigação histórica que esteve na base do filme de Ivo M. Ferreira.

PROJECTO GLOBAL


Ficha Técnica:
Título Original: Projecto Global
Realizador: Ivo M. Ferreira
Elenco: Jani Zhao, Rodrigo TomásJosé Pimentão, Isac GraçaGonçalo WaddingtonJoão Catarré, Ivo Canelas, Hugo Bentes, Isabél Zuaa, João Pedro Mamede, Pedro Marujo, João Estima, Adriano Luz, Ana Tang, Lee Zhao Ferreira, Gonçalo Cabral
Género: Acção, Drama, Histórico, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 140 minutos


Autor: Francisco Bairrão Ruivo
Prefácio: Rui Cardoso Martins


Editora: Tinta da China
MAIO DE 2026  |  280  PP |  14x21CM
ISBN: 978‐989‐595‐022-5

domingo, 19 de março de 2023

Sugestão da Semana #552

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Great Yarmouth: Provisional Figures, de Marco Martins, protagonizado por Beatriz Batarda.

GREAT YARMOUTH: PROVISIONAL FIGURES


Ficha Técnica:
Título Original: Great Yarmouth: Provisional Figures
Realizador: Marco Martins
Elenco: Beatriz Batarda, Nuno Lopes, Kris Hitchen, Rita Cabaço, Romeu Runa, Hugo Bentes
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 113 minutos

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Sugestão da Semana #349

Das estreias da passada Quarta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Raiva, de Sérgio Tréfaut. O filme recorda os tempos da ditadura de Salazar por terras alentejanas e tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.


Ficha Técnica:
Título Original: Raiva
Realizador: Sérgio Tréfaut
Actores: Hugo Bentes, Isabel Ruth, Leonor Silveira, Adriano Luz, Rita Cabaço, Luís Miguel Cintra, Catarina Wallenstein, Rogério Samora, Herman José, José Pinto, Diogo Dória, Lia Gama, João Pedro Bénard, Xico Xapas
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 84 minutos

domingo, 4 de novembro de 2018

Crítica: Raiva (2018)

*7/10*

É preciso continuar a lembrar o povo do que foi viver em ditadura. Mais ainda, em tempos como os que correm. Sérgio Tréfaut faz a sua parte ao filmar Raiva, baseado na obra Seara do Vento, de Manuel da Fonseca.


Raiva passa-se no Alentejo, em 1950. Nos campos desertos do Sul de Portugal, fustigados pelo vento e pela fome, a violência explode de repente: vários assassinatos a sangue frio têm lugar numa só noite. Porquê? Qual a origem dos crimes? A história relata os acontecimentos que levaram um camponês pobre a assassinar dois homens a sangue frio e afrontar sozinho a guarda e o exército numa luta desigual.

Mais habituado ao género documental, aqui é a ficção que prevalece, mas não muito distante da História real que aconteceu naqueles campos alentejanos em plena ditadura (quer na realidade, nos anos 30, quer no livro, nos anos 50). Tal como o protagonista diz, a certo momento: "nas terras mortas não há pão, os pobres nascem pobres, os ricos nascem ricos, os pobres morrem pobres, os ricos morrem ricos". Eis um bom resumo de Raiva, onde o abuso de poder dos ricos sobressai. O cante alentejano (não esqueçamos que Tréfaut realizou Alentejo, Alentejo em 2014) acompanha as personagens na sua dor.


A preto e branco como os tempos pedem, entre o passado, a pobreza e a fome, Raiva prima pela direcção de fotografia de Acácio de Almeida e pela crueza da realidade que retrata e que ninguém quer que se repita. 

A simplicidade da história que conta, e deambula pelo neo-realismo, não é maior do que tudo o que simboliza. Um enredo intenso, de que conhecemos primeiro o fim, e depois todos os acontecimentos que levaram àquele desfecho. Esta opção faz com que Raiva perca cedo o fôlego inicial, sem deixar de ser profundo.


No elenco, muitos nomes experientes, de onde destaco a sempre fabulosa Isabel Ruth num papel à sua imagem, uma mulher destemida e forte, e um protagonista não-actor. Hugo Bentes é natural de Serpa e faz parte de grupos de cante alentejano, tendo sido um dos visados no documentário de Sérgio Tréfaut, onde também deu a cara ao cartaz do filme. No caso de Raiva, Bentes revela-se a escolha perfeita, com a alma de um homem da terra e uma grande presença. Das lides do teatro, surge a talentosa Rita Cabaço com um papel pequeno mas relevante, de uma jovem corajosa e emancipada, muito à frente no seu tempo, contra e o abuso de poder constante.

Eis um bom western à portuguesa.