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domingo, 6 de novembro de 2022

Sugestão da Semana #533

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Alma Vida, de Cristèle Alves Meira, o candidato português ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A longa-metragem já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.



Ficha Técnica:
Título Original: Alma Viva
Realizadora: Cristèle Alves Meira
Elenco: Lua Michel, Ester Cataläo, Catherine Salée, Ana Padrão, Pedro Lacerda, Jacqueline Corado, Duarte Pina, Martha Quina
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 85 minutos

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Crítica: Alma Viva (2022)

"São Jorge, Santo Guerreiro, defende-me e protege-me para que fujam os demónios da minha volta, da minha casa e do meu caminho..."

Avó e Salomé

*8/10*

Místico, mágico e feminino, Alma Viva, a primeira longa-metragem de Cristèle Alves Meira, é o culminar do que a realizadora já tinha explorado nas curtas-metragens que a antecederam: um estilo irreverente, que assenta em tradições pagãs e uma imaginação muito fértil.

Inspirada pela sua própria infância, Cristèle filmou na aldeia da sua avó, com muitos actores não profissionais - os populares que ali vivem -, baseando-se nas superstições e histórias que foi ouvindo e lendo, e jogando com o potencial que a familiaridade ao local lhe traz.

"Como todos os anos no Verão, a pequena Salomé regressa à aldeia natal da sua família, nas montanhas de Trás-os-Montes, para passar as férias. É um tempo de festa e de descontração, mas, de repente, a sua adorada avó morre. Enquanto os adultos discutem por causa do funeral, Salomé é assombrada pelo espírito daquela que na aldeia era vista como uma bruxa."


A solitária aldeia do interior, perdida entre montanhas, onde as tradições ainda imperam, é o cenário ideal para criar a atmosfera de realismo mágico de Alma Viva. Curiosamente, o mesmo tipo de cenário que também Restos do Vento, de Tiago Guedes, levou às salas de cinema este ano. Mais uma terra sem lei, onde a justiça é, muitas vezes, feita com as próprias mãos - um mundo à parte, quase parado no tempo.

A pacata aldeia, como tantas outras no interior do país, é agitada, todos os Verões, pela chegada dos emigrantes. Alma Viva ironiza as picardias, exibicionismos e invejas que opõem os que partiram em busca de uma vida melhor, aos que ficaram, resignando-se ao seu destino - a personagem de Ana Padrão será o exemplo flagrante de quem ficou para trás para cuidar da mãe e do irmão invisual, enquanto os irmãos seguiram a sua vida fora do país. Mas, dentro ou fora de Portugal, todas as personagens revelam sonhos frustrados, e é nas acesas discussões que as fraquezas vêm ao de cima. Entre trocas de acusações e insultos, há acontecimentos macabros ou inexplicáveis que vão adensando os temores dos populares supersticiosos e conservadores, agora perturbados pelos visitantes enlutados.


A escolha de uma criança como protagonista numa história de bruxas não é ingénua e o resultado está à vista. Salomé absorve todos os gestos e palavras da avó, cada ritual, que prossegue mesmo após a sua morte (com que se confronta, talvez pela primeira vez), deixando-se levar pela espiritualidade e assustando os aldeões, ao passear-se durante a noite pelas ruas e pelos campos, qual sonâmbula. A protagonista, Lua Michel, filha da realizadora, transmite pureza e inocência, mas também a curiosidade típica da idade. A jovem actriz é destemida e incorpora Salomé com um carisma e sensibilidade notáveis, capaz de expressar qualquer emoção através do olhar.

Alma Viva é, acima de tudo, um filme de e sobre mulheres: as bruxas dos tempos modernos, ou as mulheres independentes que o conservadorismo quer impedir que se emancipem. É assim desde os primórdios e esta aldeia parece unir passado e presente, numa caça às bruxas onde o machismo e o patriarcado são os maiores condicionantes. Uma relação extraconjugal, uma mãe solteira e uma mulher lésbica: eis três transgressoras do preestabelecido, julgadas injustamente. Salomé é, porém, a única que segue a sua vontade, contra todos os que a tentam domar.


Ao lado da pequena Lua, Ester Catalão revela uma descontracção à frente da câmara que torna todas as suas cenas verdadeiramente genuínas. Uma avó envolta em misticismo e feitiçaria, em quem a força e a fraqueza coabitam naturalmente. Ana Padrão é Fátima, a filha que sacrificou o futuro para cuidar da mãe, uma personagem tão explosiva como introspectiva, cujo segredo não é escondido da câmara, mas nunca é mencionado por palavras ao longo da longa-metragem.

Observadora nata, Cristèle Alves Meira revela grande talento para filmar o sobrenatural, com um toque de humor e intimidade, potenciada pelas memórias que guarda da infância. Aliada à experiência mágica que proporciona, Alma Viva é feminismo e é, com certeza, Mulher.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

'Alma Viva', de Cristèle Alves Meira, é o candidato português para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

O filme Alma Viva, de Cristèle Alves Meira, é o candidato português à categoria de Melhor Filme Internacional, na 95.ª edição dos Oscars.

A votação decorreu de 1 a 18 de Setembro, entre os cinco filmes que o comité de selecção tinha nomeado – Alma Viva, Lobo e Cão, Mal Viver, Restos do Vento e Salgueiro Maia – O Implicado –, tendo Alma Viva sido o mais votado entre os membros da Academia Portuguesa de Cinema (APC).

Cristèle Alves Meira filmou a sua primeira longa-metragem "no norte de Portugal, na região de Vimioso, de onde a sua família é originária, a história de Salomé, uma menina filha de emigrantes portugueses em França que vem todos os anos passar as férias de Verão com a sua avó, com quem tem uma forte ligação afectiva e espiritual. O filme retrata a emigração portuguesa, as famílias que se separam e as complexas diferenças económicas e sociais que daí advêm".

Alma Viva é uma co-produção entre a Midas Filmes, a francesa Fluxus Films e a belga Entre Chien et Loup, com o apoio do Fundo Eurimages, ICA, RTP e Fundo do Turismo. A direcção de fotografia é de Rui Poças e o elenco conta com Lua Michel, Jacqueline Corado, Ana Padrão, Ester Catalão, Duarte Pina e Nuno Gil.

O filme teve a sua estreia mundial na Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2022 e tem estreia nacional marcada para 3 de Novembro.

A 95.ª edição dos Oscars está marcada para 12 de março de 2023 em Los Angeles, nos Estados Unidos da América.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Oscars 2023: Academia Portuguesa de Cinema revela os 5 nomeados para candidato português a Melhor Filme Internacional

A Academia Portuguesa de Cinema revelou quais os cinco filmes nomeados para a votação do candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Internacional na 95.ª edição dos Oscars. 

Alma Viva, de Cristèle Alves Meira (Midas Filmes), Lobo e Cão, de Cláudia Varejão (Terratreme Filmes), Mal Viver, de João Canijo (Midas Filmes), Restos do Vento, de Tiago Guedes (Leopardo Filmes), e Salgueiro Maia – O Implicado, de Sérgio Graciano (Sky Dreams), são os filmes escolhidos pelo comité de de pré-seleção, composto pelos membros da Academia Portuguesa de Cinema, Alexandra Ramires (realizadora de animação), Ivo Canelas (actor), Jorge Paixão da Costa (realizador), Luís Branquinho (director de fotografia), Margarida Marinho (actriz), Paulo Furtado (compositor) e Tathiani Sacilotto (produtora).

O processo passará agora por um período de votação entre os membros da Academia, que decorre de 1 a 18 de Setembro, e o filme seleccionado será anunciado a 19 de Setembro.

A 95.ª edição dos Oscars está marcada para 12 de Março de 2023, em Hollywood, Los Angeles, nos Estados Unidos da América. 

Sobre os filmes candidatos:

Alma Viva

"Na sua primeira longa-metragem, Cristèle Alves Meira filmou no norte de Portugal, na região de Vimioso, de onde a sua família é originária, a história de Salomé, uma menina filha de emigrantes portugueses em França que vem todos os anos passar as férias de verão com a sua avó, com quem tem uma forte ligação afectiva e espiritual. O filme retrata a emigração portuguesa, as famílias que se separam e as complexas diferenças económicas e sociais que daí advêm."


Lobo e Cão

"Rodado na Ilha de São Miguel, nos Açores, com um elenco de actores não-profissionais, a longa-metragem de Cláudia Varejão vai ter estreia absoluta na 79ª edição do Festival de Veneza, que acontece até 10 de Setembro. Com produção da Terratreme e coprodução da francesa La Belle Affaire, Lobo e Cão dá-nos a conhecer a realidade insular através de Ana, do seu grupo de amigos e da sua família. O filme cruza realidade e ficção, numa ode à comunidade queer desta ilha."


Mal Viver

"O filme de João Canijo, com produção Midas Filmes, é sobre mães que não conseguem amar as filhas que, por sua vez, não conseguem ser mães. Conta a história de uma família de cinco mulheres que herdou um hotel de província e tenta salvá-lo da ruína. Com a chegada da mais nova mulher da família, feridas e disputas adormecidas são reabertas, num fim-de-semana em que os próprios clientes do hotel, vivem relações atribuladas."


Restos do Vento

"Restos do Vento, realizado por Tiago Guedes, vai ter a sua estreia nos cinemas portugueses no próximo dia 22 de Setembro. A longa-metragem baseia-se numa tradição pagã de uma vila do interior de Portugal, que deixa traços dolorosos num grupo de jovens adolescentes. 25 anos depois, ao reencontrarem-se, o passado ressurge e a tragédia instala-se."


Salgueiro Maia – O Implicado

"Salgueiro Maia – O Implicado constitui o primeiro retrato daquele que é considerado o herói e o símbolo mais puro do 25 de Abril de 1974. Fernando Salgueiro Maia, o anti-herói não ocasional, produto de uma formação académica e militar, foi um homem que soube pensar o futuro, seguir as ideias, contestando-as, vivendo uma vida cheia, alegre e fértil, solidária e sofrida – se não tem morrido prematuramente aos 47 anos, teria agora 75. Através de uma abordagem moderna, intimista e emocional, Salgueiro Maia – O Implicado retrata as histórias que ainda não foram contadas sobre o Capitão de Abril."

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Festival de Cannes 2022: Semana da Crítica

Os filmes que compõem a 61.ª edição da Semana da Crítica do Festival de Cannes 2022 já foram anunciados. A secção paralela do evento acontece entre 18 a 26 de Maio e tem a realizadora tunisina Kaouther Ben Hania como presidente do júri. 

Há duas presenças portuguesas nesta competição: Cristèle Alves Meira com Alma Viva e João Gonzalez com Ice Merchants.

Competição

Longas-metragens

Aftersun, Charlotte Wells - Reino Unido / EUA

Alma Viva (Love According to Dalva), Cristèle Alves Meira - Portugal / França

Dalva, Emmanuelle Nicot - Bélgica / França

La Jauría, Andrés Ramírez Pulido - Colômbia / França

Summer Scars, Simon Rieth - França

Tasavor (Imagine), Ali Behrad - Irão

The Woodcutter Story, Mikko Myllylahti - Finlândia / Dinamarca / Holanda / Alemanha


Curtas-metragens

Canker, Lin Tu - China

Cuerdas (Chords), Estibaliz Urresola Solaguren - Espanha

Dang Wo Wang Xiang Ni De Shi Hou (Will You Look At Me), Shuli Huang - China

Ice Merchants, João Gonzalez - Portugal / Reino Unido / França

It’s Nice in Here, Robert-Jonathan Koeyers - Holanda

Las criaturas que se derriten bajo el sol, Diego Céspedes - Chile / França

Nisam je stigao voljeti (I didn’t make it to love her), Anna Fernandez De Paco - Bósnia / Espanha / Reino Unido

Στον Θρονο Του Ξερξη (On Xerxes' throne), Evi Kalogiropoulou - Grécia

Raie Manta (Manta Ray), Anton Bialas - França

Swan dans le centre, Iris Chassaigne - França


Special Screenings

When You Finish Saving the World, Jesse Eisenberg - EUA - Filme de Abertura

Sons of Ramses, Clément Cogitore - França

Everybody Loves Jeanne, Céline Devaux - França

Da-eum-so-hee (Next Sohee), Jung July - Coreia do Sul - Filme de Encerramento