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domingo, 12 de fevereiro de 2023

Sugestão da Semana #547

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Tár, de Todd Field, com Cate Blanchett no papel principal.

TÁR


Ficha Técnica:
Título Original: Tár
Realizador: Todd Field
Elenco: Cate Blanchett, Nina Hoss, Noémie Merlant, Mark Strong, Julian Glover, Allan Corduner, Sophie Kauer
Género: Drama, Música
Classificação: M/12
Duração: 158 minutos

terça-feira, 15 de junho de 2021

Crítica: Cruella (2021)

"Cruella was in a box a long time, now Estella can be the one who makes guest appearances."

Cruella de Vil

*6/10*

Mais uma vilã da Disney ganha um filme em nome próprio que conta a sua versão dos factos - ou como é que ficou assim tão malvada -: depois de Maléfica, Cruella é a visada. Uma longa-metragem com um fabuloso trabalho de guarda-roupa e duas grandes interpretações: Emma Thompson e Emma Stone.

Cruella passa-se em Londres, nos anos 70, a meio da revolução do punk rock, e segue uma jovem vigarista chamada Estella, inteligente e criativa, determinada em fazer vingar o seu nome através das suas roupas. Faz amizade com um par de jovens ladrões que apreciam o seu apetite por problemas e, em conjunto, constroem uma vida nas ruas de Londres. O talento de Estella para a moda chama a atenção da Baronesa von Hellman. Mas, o relacionamento entre as duas origina uma série de eventos e revelações que farão com que Estella abrace o seu lado perverso e se torne na elegante e vingativa Cruella.

O realizador Craig Gillespie cria um universo mais obscuro que o habitual em filmes da Disney, mas falta alma e autenticidade a Cruella para realmente fazer a diferença. O artificialismo da longa-metragem, onde tudo é pouco genuíno, mostra fraquezas até ao nível dos efeitos visuais - tão pouco realistas. Mas o maior problema do filme da Disney é a falta de foco no íntimo da protagonista, que por muita rebeldia e revolta que demonstre, nunca nos deixa chegar ao seu âmago e compreender de onde vem a psicopatia que revela em 101 Dálmatas.

Todavia, são as duas Emmas, protagonista e antagonista, as verdadeiras forças de Cruella, a somar ao assombroso trabalho de guarda-roupa - que, esse sim, é capaz de demonstrar a personalidade forte de Estella -, direcção artística e uma banda sonora espelho do tempo em que a acção decorre. Emma Thompson está deslumbrante na pele da implacável Baronesa von Hellman, capaz de tudo para manter o título de lenda da moda, e derrotar quem quer que seja potencial ameaça ou rival; e Emma Stone incorpora o melhor que pode a dualidade Estella / Cruella, e carrega a personagem cheia de excentricidade, raiva, criatividade e empenho. Seguras e talentosas, as duas actrizes são capazes de passar de hilariantes a aterradoras, com a genialidade que as caracteriza.

Esperava-se um filme mais profundo, que nos desse a conhecer muito mais do que vai na cabeça e coração da vilã de 101 Dálmatas - mas ficamos apenas com o estético. Cruella pode não ser surpreendente, mas diverte e entretém q.b.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Crítica: 1917 (2019)

"There is only one way this war ends. Last man standing."
Coronel MacKenzie


*6.5/10*

Em 1917, Sam Mendes exibe a eficácia da técnica no cinema, utilizando-a para contar uma história que decorre durante a Primeira Guerra Mundial - ainda pouco explorada na Sétima Arte. O épico de guerra contudo não chega para ficar na memória, mas é capaz de colocar o espectador no cenário da acção.

Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman) são dois soldados de quem depende a vida de 1600 homens - entre eles o irmão de Blake -, que caminham para uma armadilha. Os dois jovens estão encarregues de entregar uma mensagem a cancelar um ataque planeado para o dia seguinte, mas a jornada está longe de ser segura e o tempo escasseia.


O argumento é simples e directo, sem grandes reviravoltas ou subtextos. É o que os olhos vêem no ecrã. E o que falta a 1917 é exactamente algo que não é palpável ou visível, mas sente-se. Falta-lhe alma. E apesar de admirar o trabalho do realizador e do grande director de fotografia, Roger Deakins - o trabalho técnico é realmente exímio, tentando, com sucesso, simular um único plano-sequência, sendo que passamos (mais ou menos) oito horas em apenas duas e não nos sentimos enganados -, 1917 não nos toca. Muito visual, pouca essência.

O ritmo inicial deixa-nos um pouco perdidos, numa pressa incessante e até imprudente de Blake em chegar ao destino. Contudo, é também nesses momentos que sentimos a podridão da guerra no seu âmago, algo de que depressa o filme desiste. Ainda assim, é de destacar o fabuloso trabalho de design de produção, numa reconstituição em grande escala de trincheiras e ruínas, qual labirinto armadilhado. 

Nos actores, falta força e personalidade à dupla protagonista. De tão ensaiado e coreografado que 1917 teve de ser, há algo de maquinal na prestação dos actores e poucas emoções. Apesar dessa fraqueza, George MacKay consegue crescer ao longo do filme, revelando algum carisma. Colin Firth, Mark Strong e Benedict Cumberbatch são os "plot twists" do filme ou um "miminho" para quem sentia falta de um nome sonante no elenco.


1917 estará longe de marcar a História dos filmes de guerra. É muito "style over substance", mas não desdenhemos do trabalho de Sam Mendes e Roger Deakins: 1917 é tecnicamente exímio, só não chega para ganhar a batalha.