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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Algarve Film Week: De 18 a 23 de Janeiro em Loulé

A Algarve Film Week leva vários eventos de cinema a Loulé, de 18 a 23 de Janeiro. Desta iniciativa, fazem parte a Monstrare - 8.ª Mostra Internacional de Cinema Social, a cerimónia da 2.ª edição dos Prémios Cinetendinha e, como festival convidado, haverá um dia dedicado ao Caminhos do Cinema Português

Haverá sessões de curtas e longas-metragens, debates e masterclass ao longo dos vários dias do evento.

A abrir a Algarve Film Week e a Monstrare, no dia 18 de Janeiro, terá lugar uma sessão de esclarecimento para jovens intitulada Saúde Mental e a Pandemia, que contará com a presença do psicólogo Luís Neves e de Nuno Murcho (ARS) na Escola Secundária de Loulé. À noite, serão apresentadas três curtas-metragens portuguesas no Auditório do Solar da Música Nova: A Viagem, de Henrique Lopes, Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real, e Erva Daninha, de Guilherme Daniel.

O Festival Caminhos do Cinema Português foi convidado a programar duas sessões da Algarve Film Week. A 19 de Janeiro, às 15h00, terá lugar uma sessão de curtas-metragens, composta pelos filmes O Lobo Solitário, de Filipe Melo, O Que Resta, de Daniel Soares, e O Macaco, de Xosé Zapata e Lorenzo Degl´Innocent. No mesmo dia, às 21h00, é exibida a longa-metragem Clube dos Anjos, realizada pelo brasileiro Angelo Defanti.

No dia 20, o jornalista Carlos Albino e Miguel Fernandes, do Algarve Tech Hub, estarão num debate sobre Inteligência Artificial na Casa do Meio-Dia. Já no Auditório do Solar da Música Nova, às 21h00, é exibido o filme Desculpa! Uma História Sobre Bullying, de Dave Schram, sobre a questão do bullying nas escolas, tendo como base o livro de Carry Slee.

O quarteirense Bernardo Lopes, realizador da premiada curta-metragem Moço, vai dar uma masterclass sobre realização de cinema, no dia 21 de Janeiro, no Auditório da Escola Secundária de Loulé. No mesmo dia, é exibido o documentário de animação Flee, de Jonas Poher Rasmussen, conta a história verídica de um homem, que, prestes a casar-se, decide revelar o seu passado como refugiado afegão.

O jornalista de cinema Rui Pedro Tendinha regressa a Loulé para a 2.ª edição dos prémios Cinetendinha, numa cerimónia transmitida em live streaming a partir do Cineteatro Louletano. Estes prémios pretendem distinguir  os melhores filmes e actores nacionais de 2021.

A encerrar a Algarve Film Week, no dia 23 de Janeiro, às 17h00, estará 28 ½, a segunda longa-metragem de Adriano Mendes. O filme centra-se na personagem de Teresa, interpretada por Anabela Caetano, ao longo de um dia e de uma noite difíceis.


PROGRAMA

entrada livre


18 Janeiro

Monstrare

15h00 - Debate/Sessão de Esclarecimento para jovens: Saúde Mental e a Pandemia com Luís Neves (Psicólogo) e Nuno Murcho (ARS)

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Curtas-Metragens

A Viagem, de Henrique Lopes (Portugal)

Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real (Portugal)

Erva Daninha, de Guilherme Daniel (Portugal)

Auditório do Solar da Música Nova


19 Janeiro

Festival Convidado: Caminhos do Cinema Português

15h00 – Curtas-metragens

O Macaco, de Xosé Zapata e Lorenzo Degl´Innocenti (Portugal/Espanha)

O Lobo Solitário, de Filipe Melo (Portugal)

O Que Resta, de Daniel Soares (Portugal)

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Longa-metragem

Clube dos Anjos, de Angelo Defanti – 98min (Portugal/Brasil)

Auditório do Solar da Música Nova


20 Janeiro

Monstrare

18h00 – Debate: Inteligência Artificial com Carlos Albino (Jornalista) e Miguel Fernandes (Algarve Tech Hub)

Casa do Meio-Dia

21h00 – Longa-metragem

Desculpa! Uma História Sobre Bullying, de Dave Schram - 95 min (Holanda)

Auditório do Solar da Música Nova


21 Janeiro

Monstrare

15h00 – Masterclass: Bernardo Lopes

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Documentário

Flee, de Jonas Poher Rasmussen – 90 min (Dinamarca)

Auditório do Solar da Música Nova


22 Janeiro

Prémios Cinetendinha

17h00 – Streaming e gravação para broadcast

Cineteatro Louletano


23 Janeiro

Monstrare

17h00 – Longa-metragem

28 ½, de Adriano Mendes – 92 min (Portugal)

Cineteatro Louletano

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

IndieLisboa 2021: Competição Nacional em análise (Parte II)

Continuamos a análise a algumas das curtas-metragens da Competição Nacional do IndieLisboa. Passamos agora para The Shift, de Laura Carreira, Beco do Imaginário, de Romano Cassellis, e O Que Resta, de Daniel Soares.

The Shift, de Laura Carreira


"A princípio nada parece carregar Anna com preocupações ou pesos enquanto faz uma viagem curta, na companhia do cão. Mas o ambiente começa a mudar ao entrar no supermercado. Enquanto vê as prateleiras, os expositores, faz cálculos mentais. Até ao telefonema."

O crescendo de emoções de The Shift cola-nos ao ecrã para captar cada gesto, cada hesitação ou cada expressão da protagonista. A tranquilidade inicial, onde só existia a Natureza, Anna e o seu cão, transforma-se em tensão, logo após entrar no supermercado. Anna toca nos produtos, escolhe, remexe, arrepende-se, sente as texturas dos tecidos expostos e, ao chegar à caixa, um telefonema vem mudar tudo. 

Laura Carreira sabe construir o suspense e com uma câmara inquieta, tal como a protagonista, e liga-nos à acção, criando uma empatia imediata, mesmo que pouco saibamos sobre a vida de Anna e do seu cão.

Beco do Imaginário, de Romano Cassellis


"Fábio percorre as ruas da Mouraria com a tensão de alguém que tem de resolver um problema que não tem solução. Ao tentar saldar uma dívida com um cliente, vêm ao de cima sentimentos proibidos e oprimidos. E os problemas adensam-se."

Beco do Imaginário leva-nos pelas ruas da Mouraria (e não só, já que o plano inicial conquista desde logo a nossa atenção, bem debaixo da Ponte 25 de Abril, em Alcântara), num sobe e desce de escadas, corridas por ruas estreitas e becos sombrios. Filma-se o tradicional deste bairro lisboeta, enquadrando-o como cenário ideal para "aprendizes" de gangsters se moverem.

O realizador Romano Cassellis leva-nos ao mundos dos pequenos ilícitos, dívidas por pagar e sentimentos por assumir. A pressão sobre Fábio leva-o a fazer o que não quer, mas as escolhas são de quem as toma e as emoções não são para reprimir.

O Que Resta, de Daniel Soares


"Emílio já só tem um carneiro. Depois de uma primeira tentativa gorada de o vender, vê-se obrigado a partir em viagem, pelo interior de Portugal, para concretizar a venda do seu animal."

O desencanto e a despedida pairam no ambiente de O Que Resta, de Daniel SoaresEmílio e o seu último carneiro embarcam numa viagem por montes e vales, guiados pela réstia de esperança do protagonista. 

O ritmo lento da curta-metragem faz-nos apreciar as paisagens da Guarda e admirar a companhia inusitada do simpático carneiro no banco de trás, de cabeça à janela, tal qual um cão. Uma dupla inesperada, em busca de um destino com algum alento.