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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

'O Lobo Solitário' na corrida para o Oscar de Melhor Curta-metragem

O Lobo Solitário, de Filipe Melo, está entre os 15 filmes finalistas na corrida para o Oscar de Melhor Curta-metragem em Imagem Real. Desta shortlist sairão os cinco nomeados finais.

É a terceira obra portuguesa nas shortlists dos Oscars 2023, juntando-se às curtas de animação Ice Merchants e O Homem do Lixo.

Recordamos a nossa crítica a O Lobo Solitário.

"Numa noite como outra qualquer, Vítor Lobo, o 'lobo solitário', entra na Viva FM, uma estação de rádio 'com gente dentro' (como reza o lema), onde conduz o seu programa de conversas noturnas com os ouvintes, uns regulares e outros estreantes. O tema do programa para essa noite era emoções, mas o 'lobo solitário' estaria muito longe de imaginar uma noite tão emocionante como a que o aguardava."

Um programa da madrugada numa rádio local torna-se num potencial expoente do suspense cinematográfico em O Lobo Solitário. Filipe Melo filma um plano-sequência de 20 minutos que, se por um lado, começa por explorar a familiaridade da rádio, por outro, transforma-se numa ameaça que atravessa a chamada telefónica e coloca o radialista no meio de um caso de polícia. 

Adriano Luz é a cara do terror, numa noite em que se falava de emoções. A transformação da personagem, em directo para ouvintes e para quem o acompanha no online, é reveladora de um misto de desespero e impotência. Do outro lado, António Fonseca é capaz de transmitir toda a raiva e descontrolo através da voz, ao ponto de conseguirmos imaginá-lo fisicamente no ecrã. O Lobo Solitário é uma experiência empolgante, numa fusão entre as auras mágicas da rádio e do cinema.


Eis a lista completa de candidatos aos cinco lugares finais na categoria de Melhor Curta em Imagem Real:

All in Favor

Almost Home

An Irish Goodbye

Ivalu

Le Pupille

The Lone Wolf (O Lobo Solitário)

Nakam

Night Ride

Plastic Killer

The Red Suitcase

The Right Words

Sideral

The Treatment

Tula

Warsha

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Algarve Film Week: De 18 a 23 de Janeiro em Loulé

A Algarve Film Week leva vários eventos de cinema a Loulé, de 18 a 23 de Janeiro. Desta iniciativa, fazem parte a Monstrare - 8.ª Mostra Internacional de Cinema Social, a cerimónia da 2.ª edição dos Prémios Cinetendinha e, como festival convidado, haverá um dia dedicado ao Caminhos do Cinema Português

Haverá sessões de curtas e longas-metragens, debates e masterclass ao longo dos vários dias do evento.

A abrir a Algarve Film Week e a Monstrare, no dia 18 de Janeiro, terá lugar uma sessão de esclarecimento para jovens intitulada Saúde Mental e a Pandemia, que contará com a presença do psicólogo Luís Neves e de Nuno Murcho (ARS) na Escola Secundária de Loulé. À noite, serão apresentadas três curtas-metragens portuguesas no Auditório do Solar da Música Nova: A Viagem, de Henrique Lopes, Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real, e Erva Daninha, de Guilherme Daniel.

O Festival Caminhos do Cinema Português foi convidado a programar duas sessões da Algarve Film Week. A 19 de Janeiro, às 15h00, terá lugar uma sessão de curtas-metragens, composta pelos filmes O Lobo Solitário, de Filipe Melo, O Que Resta, de Daniel Soares, e O Macaco, de Xosé Zapata e Lorenzo Degl´Innocent. No mesmo dia, às 21h00, é exibida a longa-metragem Clube dos Anjos, realizada pelo brasileiro Angelo Defanti.

No dia 20, o jornalista Carlos Albino e Miguel Fernandes, do Algarve Tech Hub, estarão num debate sobre Inteligência Artificial na Casa do Meio-Dia. Já no Auditório do Solar da Música Nova, às 21h00, é exibido o filme Desculpa! Uma História Sobre Bullying, de Dave Schram, sobre a questão do bullying nas escolas, tendo como base o livro de Carry Slee.

O quarteirense Bernardo Lopes, realizador da premiada curta-metragem Moço, vai dar uma masterclass sobre realização de cinema, no dia 21 de Janeiro, no Auditório da Escola Secundária de Loulé. No mesmo dia, é exibido o documentário de animação Flee, de Jonas Poher Rasmussen, conta a história verídica de um homem, que, prestes a casar-se, decide revelar o seu passado como refugiado afegão.

O jornalista de cinema Rui Pedro Tendinha regressa a Loulé para a 2.ª edição dos prémios Cinetendinha, numa cerimónia transmitida em live streaming a partir do Cineteatro Louletano. Estes prémios pretendem distinguir  os melhores filmes e actores nacionais de 2021.

A encerrar a Algarve Film Week, no dia 23 de Janeiro, às 17h00, estará 28 ½, a segunda longa-metragem de Adriano Mendes. O filme centra-se na personagem de Teresa, interpretada por Anabela Caetano, ao longo de um dia e de uma noite difíceis.


PROGRAMA

entrada livre


18 Janeiro

Monstrare

15h00 - Debate/Sessão de Esclarecimento para jovens: Saúde Mental e a Pandemia com Luís Neves (Psicólogo) e Nuno Murcho (ARS)

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Curtas-Metragens

A Viagem, de Henrique Lopes (Portugal)

Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real (Portugal)

Erva Daninha, de Guilherme Daniel (Portugal)

Auditório do Solar da Música Nova


19 Janeiro

Festival Convidado: Caminhos do Cinema Português

15h00 – Curtas-metragens

O Macaco, de Xosé Zapata e Lorenzo Degl´Innocenti (Portugal/Espanha)

O Lobo Solitário, de Filipe Melo (Portugal)

O Que Resta, de Daniel Soares (Portugal)

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Longa-metragem

Clube dos Anjos, de Angelo Defanti – 98min (Portugal/Brasil)

Auditório do Solar da Música Nova


20 Janeiro

Monstrare

18h00 – Debate: Inteligência Artificial com Carlos Albino (Jornalista) e Miguel Fernandes (Algarve Tech Hub)

Casa do Meio-Dia

21h00 – Longa-metragem

Desculpa! Uma História Sobre Bullying, de Dave Schram - 95 min (Holanda)

Auditório do Solar da Música Nova


21 Janeiro

Monstrare

15h00 – Masterclass: Bernardo Lopes

Auditório da Escola Secundária de Loulé

21h00 – Documentário

Flee, de Jonas Poher Rasmussen – 90 min (Dinamarca)

Auditório do Solar da Música Nova


22 Janeiro

Prémios Cinetendinha

17h00 – Streaming e gravação para broadcast

Cineteatro Louletano


23 Janeiro

Monstrare

17h00 – Longa-metragem

28 ½, de Adriano Mendes – 92 min (Portugal)

Cineteatro Louletano

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Curtas Vila do Conde 2021: Competição Nacional em análise (Parte II)

Continuando a acompanhar os filmes da Competição Nacional do Curtas 2021, seguimos para a análise de Nha Sunhu, de José Magro, Nada nas Mãos, de Paolo Marinou-BlancoO Lobo Solitário, de Filipe Melo, e Lethes, de Eduardo Brito.


NHA SUNHU, José Magro · Portugal · 2021 · FIC · 20’

"Issa é um jogador de futebol da Guiné-Bissau que, como tantos outros jovens africanos, procura uma oportunidade para jogar em Portugal e, assim, chegar às ligas principais e cumprir o sonho de se tornar profissional. "

Em Nha Sunhu, José Magro cria uma docuficção divertida e desconstrutiva. A partir de histórias reais, o realizador traz para o ecrã uma reflexão sobre os sonhos e as dificuldades que os jovens futebolistas africanos enfrentam quando vêm jogar para Portugal, ao mesmo tempo que é metacinema, criativo e irónico. O nosso protagonista Issa é o solitário jogador de futebol, empenhado e trabalhador, e um actor perante as câmaras que querem captar a sua essência.


NADA NAS MÃOS, Paolo Marinou-Blanco · Portugal · 2021 · FIC · 15’

"A música de Mahalia Jackson (I’m on my way, 1958), que se ouve no primeiro minuto e meio de Nada nas mãos, marca o tom desta curta: numa rotina solitária, Caetano Reconcavinho, que trabalha numa agência funerária a preparar os cadáveres para os seus funerais, vive deprimido desde que a mulher morreu ao cair numa falésia enquanto tirava uma selfie. Determinado em suicidar-se, Caetano pede conselhos a Fausto, um cadáver que está a ser preparado para o funeral e que, numa referência à lenda perpetuada por Goethe, lhe oferece um pacto irrecusável."

Nada nas Mãos é um filme inspirado, que pega na lenda de Fausto para desafiar as leis da vida e da morte - e algumas do cinema. O morto Fausto fala com Caetano, mas também se dirige a nós, que estamos no outro lado do ecrã. E no seu tom, entre a tragédia e a comédia, convida a plateia a esta reflexão pouco séria sobre a morte.

Paolo Marinou-Blanco usa e abusa de planos e enquadramentos geométricos, um humor sarcástico tanto narrativo como visual, e mesmo sem Nada nas Mãos proporciona-nos momentos de bom e desafiador entretenimento.


O LOBO SOLITÁRIO, Filipe Melo · Portugal · 2021 · FIC · 22’


"Numa noite como outra qualquer, Vítor Lobo, o 'lobo solitário', entra na Viva FM, uma estação de rádio 'com gente dentro' (como reza o lema), onde conduz o seu programa de conversas noturnas com os ouvintes, uns regulares e outros estreantes. O tema do programa para essa noite era emoções, mas o 'lobo solitário' estaria muito longe de imaginar uma noite tão emocionante como a que o aguardava."

Um programa da madrugada numa rádio local torna-se num potencial expoente do suspense cinematográfico em O Lobo Solitário. Filipe Melo filma um plano-sequência de 20 minutos que, se por um lado, começa por explorar a familiaridade da rádio, por outro, transforma-se numa ameaça que atravessa a chamada telefónica e coloca o radialista no meio de um caso de polícia. 

Adriano Luz é a cara do terror, numa noite em que se falava de emoções. A transformação da personagem, em directo para ouvintes e para quem o acompanha no online, é reveladora de um misto de desespero e impotência. Do outro lado, António Fonseca é capaz de transmitir toda a raiva e descontrolo através da voz, ao ponto de conseguirmos imaginá-lo fisicamente no ecrã. O Lobo Solitário é uma experiência empolgante, numa fusão entre as auras mágicas da rádio e do cinema.


LETHES, Eduardo Brito · Portugal · 2021 · FIC ·  16’

"O que podem guardar para si as paredes de uma casa? Uma história de vida? De morte? Um segredo? (...) Na mitologia grega, quem atravessasse o rio Lethes apagava toda a memória da sua vida anterior. (...) No centro do filme, uma rapariga toma conta da sua avó, até que surge um pedido impensável." 

Eduardo Brito leva-nos a uma aldeia isolada e ao quotidiano de avó e neta. Entre silêncios, poucos diálogos e uma grande comunhão com a Natureza, Lethes apoia-se na mitologia para estabelecer a analogia de um rio que guarda segredos e purifica.