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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Momentos para Recordar #62

A assinalar o Dia Mundial do Cinema, o Momentos Para Recordar destaca Gangs de Nova Iorque, de Martin Scorsese, protagonizado por Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz e Daniel Day-Lewis.

Gangs de Nova Iorque (Gangs of New York), Martin Scorsese (2002)

sexta-feira, 2 de março de 2018

Oscars 2018: Os Actores Principais

Para finalizar, avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria onde o vencedor está quase certo, encontramos bons desempenhos, em especial os dois primeiros da minha lista. O último dos nomeados começa a ser a Meryl Streep no masculino, somando nomeações nos últimos anos e, apesar de ter uma boa prestação, havia outros nomes que poderiam ocupar o seu lugar na lista de nomeados. Falo, em especial, de James Franco. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:

1. Timothée Chalamet, Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)


Timothée Chalamet retrata a inocência, os medos e a arrogância típicas da adolescência, a par da curiosidade imensa pelo que o rodeia. Como Elio, ele interioriza as dúvidas e a paixão avassaladora que é este primeiro amor. Vive e sofre com a mesma ânsia e deixa-nos arrebatados com uma interpretação tão adulta. Se um actor tão jovem é capaz de tanto, há que lhe dar o merecido valor.

2. Daniel Day-Lewis, Linha Fantasma (Phantom Thread)


Daniel Day-Lewis é metódico, elegante, encarna o estilista como se estivesse a fazer de si mesmo. Cada papel, cada novo Day-Lewis, ele que é um dos melhor actores da sua geração. Rígido mas frágil, apaixonado mas igualmente enlouquecido quando as emoções fogem ao seu controlo, é um homem aparentemente decidido mas que depende em demasia da irmã e de outras mulheres que compõem a sua vida. Ele esconde segredos nas bainhas, segredos que prefere partilhar com as roupas que desenha, mais do que com as pessoas que o rodeiam.

3. Gary Oldman, A Hora Mais Negra (Darkest Hour)


Gary Oldman desaparece na personagem e ganha todas as cenas em que entra. A caracterização fez um trabalho estupendo, e é mesmo difícil encontrarmos o actor, não fossem os olhos azuis e alguns trejeitos de boca. De resto, voz, movimentos, expressões estão totalmente entregues ao filme.

4. Daniel Kaluuya, Foge (Get Out)


Daniel Kaluuya, o protagonista Chris, mostra-se à altura do desafio. O actor é extremamente expressivo e cativa a audiência ao juntar na perfeição curiosidade, inocência e terror. Um estreante com potencial.

5. Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.

Denzel Washington é um grande actor e interpreta com coração cada papel que lhe dão. Roman J. Israel, Esq. não é excepção, onde veste a pele do protagonista homónimo, um advogado convicto e orgulhoso. De aparência extravagante e com algumas dificuldades de socialização, Washington surge ligeiramente diferente da imagem a que nos tem habituado. Roman é especialmente dedicado ao que defende e luta pelas suas convicções, mesmo quando um dilema moral se atravessa no seu caminho. Se a nomeação é merecida, talvez, mas há outros desempenhos tão ou mais merecedores deste lugar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Crítica: Linha Fantasma / Phantom Thread (2017)

"Whatever you do, do it carefully." 
Alma


*9/10*

Paul Thomas Anderson regressa esplendoroso e inspirado, tal como Daniel Day-Lewis, naquele que diz ser o seu último papel. Linha Fantasma absorve o perfeccionismo de um artista que vive apenas para a sua criação. Quando o amor chega, os dois lutam por espaço na sua vida.

O perfeccionismo do criador revê-se também no trabalho de toda a equipa de Linha Fantasma, num assombro de talento. A par disso, é criada uma aura sobrenatural que surge de forma subtil e muito realista, onde a forma de encarar a morte ganha um papel de destaque.


Na  Londres  do  pós-guerra,  o famoso costureiro  Reynolds  Woodcock  (Daniel  Day-Lewis)  e  a  irmã  Cyril  (Lesley Manville) estão no centro da moda Britânica, vestindo realeza, estrelas de cinema, herdeiras, socialites e damas com o distinto estilo d’A Casa de Woodcock. As mulheres entram e saem da vida de Reynolds, providenciando-lhe inspiração e companhia, até que ele se cruza com uma  jovem  e  perseverante  mulher,  Alma  (Vicky  Krieps),  que  rapidamente  se  torna  uma fixação na sua vida, como musa e amante. Antes controlada e planeada, ele vê agora a sua vida despedaçada pelo amor.

O génio admirado, por vezes intratável, arrogante e obcecado com o seu trabalho, também se apaixona, mas não é qualquer mulher que o irá suportar. Só mesmo Alma, a sua musa. Essa mulher especial, forte, provocadora, sem receios, nem rodeios. Escrúpulos ainda lhe restam alguns e parecem ser os suficientes para que a poção de amor resulte.


Linha Fantasma deve ser visto e sentido, quer pela história de paixão desenhada e cosida à mão, pela beleza dos vestidos, pela delicadeza dos planos de câmara, dos actores, da fotografia, do som e, principalmente, por ter sido filmado em película.

Daniel Day-Lewis é metódico, elegante, encarna o estilista como se estivesse a fazer de si mesmo. Cada papel, cada novo Day-Lewis, ele que é um dos melhor actores da sua geração. Rígido mas frágil, apaixonado mas igualmente enlouquecido quando as emoções fogem ao seu controlo, é um homem aparentemente decidido mas que depende em demasia da irmã e de outras mulheres que compõem a sua vida. Ele esconde segredos nas bainhas, segredos que prefere partilhar com as roupas que desenha, mais do que com as pessoas que o rodeiam. Lesley Manville e Vicky Krieps acompanham-no e dão-lhe regras e vida, respectivamente. Ambas com interpretações à altura do protagonista, Manville é magnética na pele de Cyril, a irmã omnipresente e controladora. Vicky Krieps oferece um misto de fragilidade e rebeldia a Alma, que a torna especialmente misteriosa.


Paul Thomas Anderson pinta um quadro em movimento através da sua câmara, sendo realizador e director de fotografia do seu filme. Ele joga com a iluminação, com o rodopiar das modelos nos vestidos de Reynolds, potencia as suas cores suaves, os tons pastel, as peles pálidas, em contraste com a decoração em redor. O trabalho de som tem um papel especialmente relevante em Linha Fantasma, nos momentos em que até barrar manteiga numa tosta causa um ruído impossível de aguentar para o protagonista. Vemo-nos a sentir os ruídos da mesma forma: tudo é demasiado barulhento e perturbador quando se precisa de foco. A banda sonora de Jonny Greenwood acompanha a narrativa na perfeição.


Paul Thomas Anderson presenteia-nos com um dos melhores filmes da sua carreira. Day-Lewis hipnotiza-nos e ensina-nos que só quando está de caras com a morte é que o Homem vive.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Actores do Ano #2013

Depois das actrizes, passemos aos actores que mais se destacaram no cinema que por cá estreou em 2013. Relativamente a interpretações masculinas, não consigo falar em menos de 11 nomes.


11. Mads Mikkelsen por A Caça (Jagten)
Nos cinemas vimo-lo em Um Caso Real e A Caça, mas foi no segundo que se destacou. Mads Mikkelsen apresentou-nos uma prestação poderosa, na pele de um homem acusado injustamente... por uma criança. A empatia com o espectador é imediata e a sua dor será partilhada. Pelo menos, nós estamos do seu lado.

10. Michael Douglas por Por Detrás do Candelabro (Behind the Candelabra)
Douglas não precisa de provar o excelente actor que é, mas neste filme consegue voltar a surpreender-nos  com uma personagem excêntrica e egoísta no seu amor - por si e pelo seu companheiro.


9. Matt Damon por Por Detrás do Candelabro (Behind the Candelabra)
Matt Damon reinventa-se e mostra-nos aqui mais uma das suas facetas numa personagem inesperada. As mudanças físicas são enormes, os gestos, o modo de agir e de falar, tudo se junta para nos surpreender.

8. Matthew McConaughey por Fuga (Mud)
McConaughey prova a cada nova personagem que merece reconhecimento e, se possível, muitos prémios. Fuga não é excepção, onde veste a pele do protagonista, Mud, um fugitivo apaixonado, que encontra aliados em duas crianças locais.

7. Tom Hanks por Capitão Phillips (Captain Phillips)
Tom Hanks encarna e bem o protagonista Phillips, capitão de um navio atacado por piratas somalis. A tensão que se gera, o medo que se apodera dele e a força de vontade em zelar pela vida dos seus subordinados, acima de tudo, mostra como Hanks não deixa nenhum papel ficar mal.

6. Daniel Brühl por Rush - Duelo de Rivais (Rush)
Das parecenças físicas à atitude demonstrada em Rush, poderíamos acreditar estar perante o verdadeiro Niki Lauda, há alguns anos. Uma interpretação cheia de brilho faz com que Daniel Brühl não seja esquecido nesta temporada de balanços e de prémios.

5. Christoph Waltz por Django Libertado (Django Unchained)
Hilariante, implacável e, claro, fiel aos seus princípios e promessas, ninguém ficou indiferente a Christoph Waltz como o dentista caçador de recompensas Dr. Schultz.

4. Oscar Isaac por A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis)
Um dos actores revelação de 2013. Já o tínhamos visto noutros - pequenos - papéis, mas nunca nos tínhamos apercebido do talento que Oscar Isaac comporta em si. Finalmente, uma personagem profunda e à sua altura, que canta e encanta, e traz consigo uma onda de nostalgia como poucas conseguem.

3. Hugh Jackman por Os Miseráveis (Les Misérables)Raptadas (Prisoners)
Foram muitos os filmes com Hugh Jackman no cinema em 2013. Os Miseráveis, Raptadas e Wolverine trouxeram consigo papéis que reforçam o talento do actor. Destacando os dois primeiros, Jackman surge quase irreconhecível em Os Miseráveis, e o seu papel em Raptadas é brilhante, na pele de um pai desesperado e com sede de vingança, que tudo faz para encontrar a sua filha.

2. Joaquin Phoenix por O Mentor (The Master)
Fenomenal está Joaquin Phoenix em O Mentor na pele de um homem desequilibrado e traumatizado, marcado um amor irrecuperável e por um passado doloroso.

1. Daniel Day-Lewis por Lincoln
As semelhanças físicas são evidentes, e Daniel Day-Lewis provou uma vez mais que é capaz de incorporar todos os desafios que lhe propuserem e sempre de forma magistral. Ponderado e teimoso, Lincoln deu-lhe mais um Oscar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Os Vencedores

E chegou a grande noite dos Oscars. Acompanha aqui no Hoje Vi(vi) um Filme o anúncio dos vencedores, com actualização em tempo real.
Melhor Filme
Argo

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis por Lincoln

Melhor Actriz
Jennifer Lawrence por Guia para um Final Feliz

Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz por Django Libertado

Melhor Actriz Secundária
Anne Hathaway por Os Miseráveis

Melhor Realizador
Ang Lee por A Vida de Pi

Melhor Argumento Original
Django Libertado: Quentin Tarantino

Melhor Argumento Adaptado
Argo: Chris Terrio

Melhor Filme Animado
Brave - Indomável

Melhor Filme Estrangeiro

Melhor Fotografia
A Vida de Pi: Claudio Miranda

Melhor Montagem
Argo: William Goldenberg

Melhor Direcção Artística

Melhor Guarda-Roupa

Melhor Maquilhagem e Cabelo

Melhor Banda Sonora Original
A Vida de Pi: Mychael Danna

Melhor Canção Original
Skyfall, de AdelePaul Epworth, no filme 007 - Skyfall

Melhor Efeitos Sonoros
Os Miseráveis

Melhor Montagem de Som
Empate:
007 - Skyfall 

Melhor Efeitos Visuais

Melhor Documentário
Searching for Sugar Man

Melhor Curta Documental
Inocente

Melhor Curta de Animação
O Rapaz do Papel: John Kahrs

Melhor Curta
Curfew: Shawn Christensen

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Os Actores Principais

Depois das mulheres, seguimos para os homens, enumerando, sempre por ordem de preferência, os cinco nomeados ao Oscar de Melhor Actor.

1. Joaquin Phoenix em The Master - O Mentor
As possibilidades de ganhar são muito poucas para Joaquin Phoenix, mas é ele, sem dúvida, o grande merecedor do prémio. Em The Master - O Mentor, o actor presenteia-nos com uma interpretação exigente, onde se entrega ao problemático veterano de Guerra Freddie Quell, que balança entre o álcool, os problemas pessoais e sexuais, e a aparente pouca vontade de os ultrapassar. Phoenix confere à personagem tudo o que ela pede: a postura física, o descontrole emocional, a nostalgia do passado, a culpa que parece não o largar. Phoenix não levará o prémio para casa, mas tem consigo o reconhecimento de todos os que assistiram à sua performance de tirar o fôlego. É impossível ficar-lhe indiferente.

2. Daniel Day-Lewis em Lincoln
O mais provável vencedor do prémio para Melhor Actor é o meu segundo favorito de entre os nomeados. Day-Lewis não desilude na pele do Presidente Lincoln e a sua interpretação é muito competente. Frágil, mas decidido, e capaz de tudo para que a sua vontade - a aprovação da lei que ilegaliza a escravatura - seja cumprida, o actor oferece-nos um Lincoln muito credível, onde nem a caracterização, que o envelhece uns dez anos, nos faz duvidar do que quer que seja. Tudo aponta para que leve o Oscar para casa e, se tal se verificar, é merecido.

3. Hugh Jackman em Os Miseráveis
No musical de Tom Hooper, Jackman oferece uma participação interessante, onde volta a mostrar os seus dotes vocais (que ainda assim o deixam ficar mal algumas vezes durante a longa-metragem). Não sendo brilhante, o actor veste bem a pele do sofrido e corajoso Jean Valjean, surgindo irreconhecível no início de Os Miseráveis.

4. Denzel Washington em Decisão de Risco
Duplamente oscarizado, Denzel Washington soma este ano mais uma nomeação. Sabemos que o actor nunca descura nenhum papel, e como o piloto alcoólico Whip Whitaker também não desilude. Contudo esta não será certamente a sua melhor interpretação, e as probabilidades de Washington levar o prémio para casa são baixas.

5. Bradley Cooper em Guia para um Final Feliz
Surpreendentemente, Bradley Cooper tem sido muito aclamado pela sua interpretação em Guia para um Final Feliz. Com uma personagem bipolar que poderia ser interessante, Cooper começa bem, demonstrando ser capaz de muito mais do que nos tem habituado, mas rapidamente a interpretação se torna banal, ao mesmo tempo que a própria personagem perde a sua singularidade. Melhor do que a sua colega  no filme - Jennifer Lawrence -, é certo, o actor, ainda assim, não me convence.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

BAFTA Awards 2013: Os Vencedores

Cada vez mais perto da noite dos Oscars (que acontece a 24 de Fevereiro), ficaram a conhecer-se este Domingo, dia 10, os vencedores dos BAFTA, os prémios da Academia Britânica. Aqui fica a lista completa de nomeados e vencedores.


Melhor Filme
Argo
Outros nomeados:
Os Miseráveis 
A Vida de Pi 
Lincoln 
00:30 A Hora Negra 

Melhor Filme Britânico
007 - Skyfall 
Outros nomeados:
Anna Karenina 
O Exótico Hotel Marigold 
Os Miseráveis 
Sete Psicopatas 

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis por Lincoln
Outros nomeados:
Ben Affleck por Argo 
Bradley Cooper por Guia para um Final Feliz 
Hugh Jackman por Os Miseráveis 
Joaquin Phoenix por The Master - O Mentor 

Melhor Actriz
Emmanuelle Riva por Amor 
Outros nomeados:
Jessica Chastain por 00:30 A Hora Negra 
Marion Cotillard por Ferrugem e Osso 
Jennifer Lawrence por Guia para um Final Feliz 
Helen Mirren por Hitchcock

Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz por Django Libertado
Outros nomeados:
Alan Arkin por Argo 
Javier Bardem por 007 - Skyfall 
Philip Seymour Hoffman por The Master - O Mentor
Tommy Lee Jones por Lincoln 

Melhor Actriz Secundária
Anne Hathaway por Os Miseráveis 
Outros nomeados:
Amy Adams por The Master - O Mentor 
Judi Dench por 007 - Skyfall 
Sally Field por Lincoln 
Helen Hunt por Seis Sessões 

Melhor Realizador
Ben Affleck por Argo 
Outros nomeados:
Kathryn Bigelow por 00:30 A Hora Negra
Michael Haneke por Amor 
Ang Lee por A Vida de Pi 
Quentin Tarantino por Django Libertado 

Melhor Argumento Original
Django Libertado: Quentin Tarantino
Outros nomeados:
Amor: Michael Haneke
The Master - O Mentor: Paul Thomas Anderson
Moonrise Kingdom: Wes Anderson, Roman Coppola
00:30 A Hora Negra: Mark Boal

Melhor Argumento Adaptado
Guia para um Final Feliz: David O. Russell
Outros nomeados:
Argo: Chris Terrio
Bestas do Sul Selvagem: Lucy Alibar, Benh Zeitlin
A Vida de Pi: David Magee
Lincoln: Tony Kushner

Melhor Fotografia
A Vida de Pi: Claudio Miranda
Outros nomeados:
Anna Karenina: Seamus McGarvey
Os Miseráveis: Danny Cohen
Lincoln: Janusz Kaminski
007 - Skyfall: Roger Deakins

Melhor Montagem
Argo: Billy Goldenberg
Outros nomeados:
Django Libertado: Fred Raskin
A Vida de Pi: Tim Squyres
007 - Skyfall: Stuart Baird
00:30 A Hora Negra: Dylan Tichenor, Billy Goldenberg

Melhor Design de Produção
Os Miseráveis: Eve Stewart, Anna Lynch-Robinson
Outros nomeados:
Anna Karenina: Sarah Greenwood, Katie Spencer
A Vida de Pi: David Gropman, Anna Pinnock
Lincoln: Rick Carter, Jim Erickson
007 - Skyfall: Dennis Gassner, Anna Pinnock

Melhor Guarda-Roupa
Anna Karenina: Jacqueline Durran
Outros nomeados:
Grandes Esperanças: Beatrix Aruna Pasztor
Os Miseráveis: Paco Delgado
Lincoln: Joanna Johnston
A Branca de Neve e o Caçador: Colleen Atwood

Melhor Música
007 - Skyfall: Thomas Newman
Outros nomeados:
Anna Karenina: Dario Marianelli
Argo: Alexandre Desplat
A Vida de Pi: Mychael Danna
Lincoln: John Williams

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Os Miseráveis
Outros nomeados:
Anna Karenina 
Hitchcock
O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Lincoln

Melhor Som
Os Miseráveis
Outros nomeados:
Django Libertado
O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
A Vida de Pi
007 - Skyfall

Melhores Efeitos Visuais
A Vida de Pi
Outros nomeados:
Os Vingadores
O Cavaleiro das Trevas Renasce
O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Prometheus

Melhor Filme Estrangeiro (em língua não inglesa)
Amor
Outros nomeados:
Hodejegerne
The Hunt - A Caça
Ferrugem e Osso
Amigos Improváveis

Melhor Filme de Animação
Brave - Indomável 
Outros nomeados:
Frankenweenie
ParaNorman

Melhor Documentário
Searching for Sugar Man
Outros nomeados:
The Imposter
Marley
McCullin
A Oeste de Memphis

Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico
The Imposter: Bart Layton, Dimitri Doganis
Outros nomeados:
I Am Nasrine: Tina Gharavi
McCullin: David Manos Morris, Jacqui Morris
Os Marretas: James Bobin
Wild Bill: Dexter Fletcher, Danny King

Melhor Curta-metragem de Animação
The Making of Longbird: Will Anderson, Ainslie Henderson
Outros nomeados:
Here to Fall: Kris Kelly, Evelyn McGrath
I'm Fine Thanks: Eamonn O'Neill

Melhor Curta-metragem
Swimmer: Lynne Ramsay, Peter Carlton, Diarmid Scrimshaw
Outros nomeados:
The Curse: Fyzal Boulifa, Gavin Humphries
Good Night: Muriel d'Ansembourg, Eva Sigurdardottir
Tumult: Johnny Barrington, Rhianna Andrews
The Voorman Problem: Mark Gill, Baldwin LI

Melhor Estrela em Ascenção
Juno Temple
Outros nomeados:
Elizabeth Olsen
Andrea Riseborough
Suraj Sharma
Alicia Vikander

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Crítica: Lincoln (2012)

"No one is loved as much as you by the people. Don't waste that power. "
Mary Todd Lincoln
*8/10*

Liberdade e Igualdade são os valores em jogo no novo filme de Spielberg. Um histórico que marca o fim da escravatura nos EUA e muito diz aos norte-americanos, mas que, mais do que para "agradar", sente-se que se fez com a sinceridade e a garra de quem ama a sua história e o seu país.

As 12 nomeações não podiam ser em vão ou estaríamos perante demasiados erros da Academia. Lincoln e Spielberg merecem-nas todas, em jeito de reconhecimento por uma longa-metragem, provavelmente incompreendida pelos menos pacientes ou insensíveis, cheia de amor e competência técnica e artística. Repleto de opções visuais de louvar e de excelentes interpretações, Lincoln só poderá afugentar os menos interessados em política, apesar de todas as reuniões e debates estarem brilhantemente construídos de forma a captar a atenção da plateia como poucos filmes do género conseguem.

Lincoln retrata os últimos quatro meses de vida do Presidente norte-americano, nomeadamente na abolição da escravatura e no fim da Guerra Civil Americana. A votação renhida pela 13ª emenda pela Câmara dos Representantes, que ilegaliza a escravatura, é o ponto central do filme.


Arriscado, de facto, mas bem concretizado, sem qualquer sombra de dúvida, Lincoln é uma aposta ganha de Spielberg, depois do muito fraco Cavalo de Guerra. Argumentativamente, o facto de estarmos perante um momento-chave da história dos Estados Unidos torna o filme, desde logo, o centro das atenções. No centro da narrativa temos a luta do Presidente norte-americano pela abolição da escravatura, com a aprovação da 13ª emenda à Constituição, e, ao mesmo tempo, a relação com a mulher e filhos tem espaço para alguma atenção.

Conseguimos facilmente traçar o carácter do protagonista: um homem justo, bom, persistente, com alguma dificuldade em lidar com a mulher. Lincoln revela-se próximo daqueles que lhe são íntimos mas também dos seus subordinados, que trata como se de familiares se tratassem, preocupando-se com os que sofrem injustiças. Para levar a sua vontade em diante e tornar a escravatura ilegal, o Presidente tem acções que poderão levantar dúvidas acerca da sua conduta, se as suas opções são ou não legítimas, se os fins justificam os meios, mas o certo é que o retrato político que Spielberg nos apresenta prova, a cada cena, o rigor e transparência que a plateia anseia, e onde se podem encontrar tantos paralelismos com a política actual. Cabe-nos a nós fazer os juízos de valor.


Como referi, a temática política, que acompanha reuniões do presidente e debates na Câmara dos Representantes, poderia deitar tudo a perder, mas, muito pelo contrário, a história nunca se mostra cansativa. Lincoln tem ritmo e sabe com prender a atenção até do menos entendido em história dos EUA, com conversas claras e discursos fluidos, que deixam de lado qualquer tipo de superficialidade. Aliás, o filme de Steven Spielberg de superficial nada tem, bem pelo contrário, demonstra ser muito profundo e mesmo emocional.

Para tal, muito contribuem as personagens secundárias, especialmente a de Tommy Lee Jones, com uma interpretação muito competente enquanto Thaddeus Stevens, defensor incansável da aprovação da 13ª Emenda, que prende todas as atenções e protagoniza dos momentos mais emocionantes de Lincoln. Por seu lado, a actriz Sally Field veste bem a pele a Mary Todd Lincoln, uma mulher que nunca superou a morte de um dos filhos, revelando um certo desequilíbrio advindo daquela perda, e com quem Lincoln revela dificuldade em lidar, apesar do amor que os une. Por seu lado, a personagem de Daniel Day-Lewis é fulcral, e o actor interpreta-a com alma, conferindo-lhe uma aparente fragilidade e calma, aliadas a uma forte vontade de corrigir o que está mal na sociedade da época. De entre o elenco de actores, destaque ainda para as participações de John Hawkes ou Hal Holbrook, por exemplo, entre muitas outros nomes de relevo.


Tecnicamente, deve dar-se todo o mérito à realização de Spielberg, que volta assim à grande forma, a que se junta um excelente trabalho da direcção de fotografia, a cargo de Janusz Kaminski, repleta de tons escuros - que se tornam frios nas cenas da Guerra Civil -, e de cores pouco fortes, onde se sente a sua saturação, que tão bem se conjugam com a difícil época vivida, e onde o trabalho de iluminação é de elogiar. A banda sonora de John Williams é subtil e encaixa na perfeição em Lincoln, nunca se sobrepondo à força de cada cena. O guarda-roupa merece igualmente destaque, bem como a excelente caracterização de Daniel Day-Lewis (com uns bons 10 anos a mais), sem que ninguém duvide de que se está perante Lincoln.

Lincoln é um retrato de uma época conturbada e cheia de dificuldades, são quatro meses da luta de um dos homens mais importantes da história norte-americana apresentados sem tabus e onde o espectador tem um papel activo. Que todos os filmes históricos fossem tão sinceros e profundos.