quarta-feira, 22 de maio de 2024
Crítica: Furiosa: Uma Saga Mad Max / Furiosa: A Mad Max Saga (2024)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
Crítica: O Menu / The Menu (2022)
domingo, 24 de abril de 2022
Sugestão da Semana #504
sexta-feira, 22 de abril de 2022
Crítica: O Homem do Norte / The Northman (2022)
"I will avenge you, Father. I will save you, Mother. I will kill you, Fjölnir."
Amleth
*8/10*
Robert Eggers regressa com o visceral O Homem do Norte (The Northman), onde lendas e espíritos se juntam numa acção comandada pelo desejo de vingança. Semelhanças com Hamlet, de William Shakespeare, não são coincidência, já que ambos se inspiram no lendário herói nórdico, Amleth. Contudo, Eggers, em coautoria com o escritor islandês Sjón, cria a sua própria visão dos mitos e lendas escandinavos, inserindo-os no universo sujo e sombrio que caracteriza os seus filmes.
"Durante a viragem do século X, na Islândia, o jovem príncipe Amleth está à beira de se tornar um homem quando o pai é brutalmente assassinado pelo tio, que rapta a mãe do rapaz. Fugindo do seu reino insular por barco, jura vingança. Duas décadas mais tarde, Amleth é um viking berserker que invade aldeias eslavas. Num desses lugares, uma vidente recorda-o do seu voto: vingar o pai, salvar a mãe, matar o tio. Viajando num navio de escravos para a Islândia, Amleth infiltra-se na quinta do seu tio com a ajuda de Olga, uma mulher eslava."
Ainda que a história que inspira o filme de Eggers já seja conhecida, o desenlace não é óbvio nem desilude. A vingança e o desejo de justiça são motivação para cada acto de Amleth, onde a acção é contrabalançada com suspense e misticismo - tudo bem ao estilo do realizador (basta lembrar O Farol e A Bruxa) - e muita violência.
O Homem do Norte é exímio na recriação do ambiente inóspito e brutal da época, das batalhas sangrentas, das perigosas viagens de barco nos mares do norte, do trabalho escravo ou da leviandade com que os poderosos tratam os seus subordinados.
No protagonista, Amleth, são trabalhados muitos sentimentos e emoções: da criança que admira o pai e quer estar à altura das suas expectativas, ao trauma que alimenta o desejo de vingança e o obriga a partir para terras desconhecidas; ou do adulto selvagem e implacável, que recupera o seu lado racional e retoma o desejo de fazer justiça ao pai e salvar a mãe. Ao fim de 20 anos, Amleth reencontra-se com o passado e tem a oportunidade de experimentar muitos sentimentos que deixou de parte - entre eles o amor. Alexander Skarsgard revela-se empenhado e tão capaz quer na componente física do papel - onde adopta uma postura quase animalesca -, como na psicológica, com diferentes nuances emocionais ao longo da longa-metragem.
Mas é tecnicamente que O Homem do Norte realmente se eleva. Nos cenários gelados da Islândia, há que dar todo o mérito ao fabuloso trabalho da direcção de fotografia de Jarin Blaschke (o mesmo dos anteriores filmes de Eggers) que, entre o gelo, a lama e os vulcões fumegantes, consegue captar, através da iluminação das imagens - também diurnas, mas em especial as nocturnas -, os corações gélidos das personagens e o calor do ódio que carregam em si. As sequências de acção são intensas e bem coreografadas, potenciadas mais ainda pela excelente montagem de Louise Ford. A pairar, qual fantasma, a banda sonora de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough funde-se com os uivos e gritos de guerra ou de terror.
O Homem do Norte veio alargar o espectro da filmografia de Robert Eggers, reforçando a criatividade e o talento que o realizador tem para entorpecer as audiências e, ao mesmo tempo, prendê-las à visceralidade tanto visual como psicológica da sua obra.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
Crítica: A Noite Passada em Soho / Last Night in Soho (2021)
"Do you believe in ghosts?"
Eloise
A criatividade sem limites de Edgar Wright junta-se ao leque de influências do realizador e resulta num inspirador giallo moderno chamado A Noite Passada em Soho. Um filme que explora duas eras distintas como se fossem a mesma, com personagens dúbias e muito suspense.
A Noite Passada em Soho acompanha Ellie (Thomasin McKenzie), uma jovem estudante, apaixonada por design de moda, que misteriosa e inesperadamente consegue entrar na década de 1960 onde encontra a sua musa, Sandie (Anya Taylor-Joy) uma jovem "aspirante a cantora. Mas Londres dos anos 60 não é o que parece, e o tempo parece desmoronar-se à sua frente com consequências sombrias…".
Desde logo somos confrontados com algo de sobrenatural associado à protagonista, que alimenta uma ligação especial com a falecida mãe. Os espelhos são a revelação da mente perturbada de Ellie, que se degrada com o avançar da narrativa, e o terror psicológico instala-se. Os seus dons - artístico e metafísico - unem-se numa experiência que percorre duas eras e duas vidas distintas, e apresentam-lhe novos rostos, do presente e do passado.
Edgar Wright cria um universo repleto de influências e homenagens: o giallo, Dario Argento, Repulsa, de Polanski, ou os filmes de James Bond são algumas presenças que se destacam na história e suas personagens.
A Noite Passada em Soho leva-nos numa viagem audaciosa, onde abundam beleza, moda, música, sonhos e alucinações. A direcção de fotografia tem um papel preponderante em toda a acção, quer pelos jogos de espelhos, as luzes neon, as sombras, os desfoques e o destaque das cores intensas e vibrantes - em especial nas cenas dos anos 60.
Ainda a direcção artística cuidada é exímia na fusão entre passado e presente: o gira-discos e os discos de vinil, o telefone retro, toda a decoração do quarto da protagonista em casa da avó, as suas roupas ou a jukebox no bar onde trabalha, por exemplo.
Thomasin McKenzie, como Ellie, e Anya Taylor-Joy, como Sandie, conquistam o ecrã com duas personagens tão distintas e que se inspiram mutuamente. A obsessão que a protagonista nutre pela figura da jovem dos anos 60 é fundamental para a decadência de Ellie. Thomasin McKenzie encara a fragilidade e inocência da jovem solitária que acabou de chegar à grande cidade, com a mesma força que desenvolve a curiosidade e a coragem da personagem, em cada incursão nocturna aos anos 60. Já a elegância e o mistério que Anya Taylor-Joy coloca em Sandie justificam todo o encanto que cria em quem a conhece, sejam quais forem as intenções para com ela. Uma mulher segura, sensual e confiante, que Ellie vê como inspiração e quer, por tudo, proteger.
E nesta história que cruza décadas, sempre ao som da melhor música dos anos 60, Edgar Wright traça uma arriscada jornada para as suas personagens, num ambiente tão hipnótico como perigoso, tão belo como violento.
domingo, 31 de outubro de 2021
Sugestão da Semana #479
segunda-feira, 5 de abril de 2021
SAG Awards: Os Vencedores
Os vencedores dos Screen Actors Guild Awards - os prémios do sindicato de actores norte-americano - foram anunciados na noite de Domingo, 4 de Abril, numa cerimónia virtual pré-gravada.
The Trial of the Chicago 7, The Crown e Schitt's Creek conquistaram os prémios para Melhor Elenco. Eis a lista completa de vencedores:
CINEMA
Melhor Elenco
DA 5 BLOODS
MA RAINEY’S BLACK BOTTOM
MINARI
ONE NIGHT IN MIAMI…
THE TRIAL OF THE CHICAGO 7
Melhor Actriz Principal
AMY ADAMS / Bev – HILLBILLY ELEGY
VIOLA DAVIS / Ma Rainey – MA RAINEY’S BLACK BOTTOM
VANESSA KIRBY / Martha – PIECES OF A WOMAN
FRANCES McDORMAND / Fern – NOMADLAND
CAREY MULLIGAN / Cassandra – PROMISING YOUNG WOMAN
Melhor Actor Principal
RIZ AHMED / Ruben – SOUND OF METAL
CHADWICK BOSEMAN / Levee – MA RAINEY’S BLACK BOTTOM
ANTHONY HOPKINS / Anthony – THE FATHER
GARY OLDMAN / Herman Mankiewicz – MANK
STEVEN YEUN / Jacob – MINARI
Melhor Actriz Secundária
MARIA BAKALOVA / Tutar – BORAT SUBSEQUENT MOVIEFILM
GLENN CLOSE / Mamaw – HILLBILLY ELEGY
OLIVIA COLMAN / Anne – THE FATHER
YUH-JUNG YOUN / Soonja – MINARI
HELENA ZENGEL / Johanna – NEWS OF THE WORLD
Melhor Actor Secundário
SACHA BARON COHEN / Abbie Hoffman – THE TRIAL OF THE CHICAGO 7
CHADWICK BOSEMAN / Stormin’ Norman – DA 5 BLOODS
DANIEL KALUUYA / Fred Hampton – JUDAS AND THE BLACK MESSIAH
JARED LETO / Albert Sparma – “THE LITTLE THINGS
LESLIE ODOM JR. / Sam Cooke – ONE NIGHT IN MIAMI…
Melhor Elenco de Duplos
DA 5 BLOODS
MULAN
NEWS OF THE WORLD
THE TRIAL OF THE CHICAGO 7
WONDER WOMAN 1984
TELEVISÃO
Melhor Elenco - Drama
BETTER CALL SAUL
BRIDGERTON
THE CROWN
LOVECRAFT COUNTRY
OZARK
Melhor Actriz - Drama
GILLIAN ANDERSON / Margaret Thatcher – THE CROWN
OLIVIA COLMAN / Queen Elizabeth II – THE CROWN
EMMA CORRIN / Princess Diana – THE CROWN
JULIA GARNER / Ruth Langmore – OZARK
LAURA LINNEY / Wendy Byrde – OZARK
Melhor Actor - Drama
JASON BATEMAN / Marty Byrde – OZARK
STERLING K. BROWN / Randall Pearson – THIS IS US
JOSH O’CONNOR / Prince Charles – THE CROWN
BOB ODENKIRK / Jimmy McGill/Saul Goodman – BETTER CALL SAUL
REGÉ-JEAN PAGE / Simon Basset – BRIDGERTON
Melhor Elenco - Comédia
DEAD TO ME
THE FLIGHT ATTENDANT
THE GREAT
SCHITT’S CREEK
TED LASSO
Melhor Actriz - Comédia
CHRISTINA APPLEGATE / Jen Harding – DEAD TO ME
LINDA CARDELLINI / Judy Hale – DEAD TO ME
KALEY CUOCO / Cassie Bowden – THE FLIGHT ATTENDANT
ANNIE MURPHY / Alexis Rose – SCHITT’S CREEK
CATHERINE O’HARA / Moira Rose – SCHITT’S CREEK
Melhor Actor - Comédia
NICHOLAS HOULT / Peter – THE GREAT
DANIEL LEVY / David Rose – SCHITT’S CREEK
EUGENE LEVY / Johnny Rose – SCHITT’S CREEK
JASON SUDEIKIS / Ted Lasso – TED LASSO
RAMY YOUSSEF / Ramy – RAMY
Melhor Actor em minissérie ou filme para televisão
BILL CAMP / Mr. Shaibel – THE QUEEN’S GAMBIT
DAVEED DIGGS / Marquis de Lafayette/Thomas Jefferson – HAMILTON
HUGH GRANT / Jonathan Fraser – THE UNDOING
ETHAN HAWKE / John Brown – THE GOOD LORD BIRD
MARK RUFFALO / Dominick Birdsey/Thomas Birdsey – I KNOW THIS MUCH IS TRUE
Melhor Actriz em minissérie ou filme para televisão
CATE BLANCHETT / Phyllis Schlafly – MRS. AMERICA
MICHAELA COEL / Arabella – I MAY DESTROY YOU
NICOLE KIDMAN / Grace Fraser – THE UNDOING
ANYA TAYLOR-JOY / Beth Harmon – THE QUEEN’S GAMBIT
KERRY WASHINGTON / Mia Warren – LITTLE FIRES EVERYWHERE
Melhor Elenco de Duplos
THE BOYS
COBRA KAI
LOVECRAFT COUNTRY
THE MANDALORIAN
WESTWORLD
segunda-feira, 1 de março de 2021
Globos de Ouro 2021: Red Carpet
segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
Sugestão da Semana #360
Realizador: M. Night Shyamalan
sábado, 23 de abril de 2016
IndieLisboa'16: The Witch (2015)
"Wouldst thou like to live deliciously?"Black Phillip
A Boca do Inferno do IndieLisboa'16 não se fez rogada e presenteou-nos com um dos filmes de terror mais falados dos últimos tempos: The Witch, de Robert Eggers. Perturbador, aterrador, incómodo, visceral, o filme traz-nos uma visão pouco comum do género, numa abordagem corajosa que junta a História e seus mitos e lendas, à bruxaria e satanismo.
O argumento é imprevisível, sem medos, nem pudores. Ora, entre as bruxas e os demónios, os animais - eles que são a única companhia desta família - revelam-se de uma enorme importância para o desenrolar da narrativa.
A adensar todo o ambiente já de si desconfortável e inseguro de The Witch, a banda sonora de Mark Korven é brilhante, surge como representação do desespero das personagens, e quase nos coloca mais alerta do que as imagens. A câmara, o nosso olhar, percorre os terrenos desconhecidos e embrenha-se na floresta, ao lado das crianças e dos pais. Sabemos o mesmo que eles, vemos os mesmos fantasmas, delírios ou simples alucinações - somos os estranhos do futuro que mergulham num passado de tormenta.
A direcção de fotografia de Jarin Blaschke faz um excelente trabalho, quer nas sombras como no ambiente cinzento e enevoado. Ao mesmo tempo, tira excelente partido das cenas de violência ou nudez, com as cores a tornarem-se mais vivas, numa espécie de sugestão do pecado ou das tentações a que as personagens estão expostas.
The Witch vale ainda mais pelas interpretações, especialmente a da jovem Anya Taylor-Joy. Quase desconhecida do grande público, a jovem actriz revela um talento pouco comum. Como Thomasin, Anya mostra-se frágil e desamparada, confusa e amedrontada com os acontecimentos que a rodeiam e, ao mesmo tempo, fria e agressiva, conseguindo ainda assim conquistar totalmente a plateia.
Robert Eggers dá uma nova vida ao cinema de terror. Já tínhamos saudades que nos surpreendessem assim.
-
Esta Quinta-feira, dia 4 de Outubro, são muitas as estreias que vão encher as salas de cinema de todo o país. Nove filmes, um pouco para to...
-
"I think I've made a terrible mistake." Zhenya *7.5/10* Há quem não nasça para ser pai ou mãe, há filhos que ...



















