segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
Sugestão da Semana #643
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
Crítica: May December: Segredos de Um Escândalo (2023)
"Insecure people are very dangerous, aren't they? I'm secure. Make sure you put that in there."
Gracie
*8/10*
Todd Haynes tem uma sensibilidade pouco comum para filmar personagens femininas misteriosas, e May December: Segredos de Um Escândalo vem reforçar esta sua qualidade. Duas mulheres fortes e de personalidades dúbias encabeçam este thriller psicológico.
"Apesar de a sua relação ter começado como um caso amoroso chocante, Gracie (Julianne Moore), então com 36 anos, e Joe (Charles Melton) com 13, levam agora, 20 anos depois, uma vida suburbana aparentemente perfeita. A sua felicidade doméstica é perturbada quando Elizabeth (Natalie Portman), uma actriz famosa, chega à coesa comunidade onde vivem para fazer a pesquisa para o seu próximo papel como Gracie. À medida que Elizabeth se insinua na vida quotidiana de Gracie e Joe, os factos incómodos sobre o escândalo vão-se revelando, fazendo ressurgir emoções há muito adormecidas."
O realizador constrói um labirinto de enigmas psicológicos e sociais, para que a actriz seja capaz de interiorizar as motivações de uma mulher real que vai interpretar no cinema. Há um ambiente desconfortável de dúvida, e a desconfiança paira, quer para Elizabeth como para todos os elementos da família. Se ela surge como uma intrusa naquela casa, que vem reavivar segredos do passado, as relações familiares de Gracie, Joe e os filhos de ambos fazem-na também questionar-se a si mesma e sobre qual o verdadeiro papel que tem nestas vidas que acompanha.
Visualmente, os tons claros e suaves do filme parecem colaborar com a falsa impressão de tranquilidade em volta da família de Gracie. Há uma sensação de encenação e manipulação constante da parte de Gracie sob os que a rodeiam - até a filha mais nova se sente desconfortável ou condicionada perante as opiniões da mãe. Elizabeth está atenta a tudo (incluindo os maneirismos de Gracie), conversa com muitos dos que acompanharam de perto o mediático caso de Gracie e Joe, todos opinam mas há muito que não faz sentido para a actriz.
Já para Gracie tudo parece estar sob controlo - à frente de Elizabeth - e totalmente descontrolado se algo sai fora dos seus planos.
Natalie Portman e Julianne Moore encarnam as duas protagonistas intimidantes (intimidam-se mutuamente, bem como a quem as rodeia e até mesmo à plateia) e que Todd Haynes tão bem dirige. O realizador consegue captar uma química incómoda entre as duas personagens, que varia entre a admiração, a inveja e o receio mútuos. Moore veste a pele de uma mulher desequilibrada; Portman de uma mulher de sucesso com poucos escrúpulos.
Por outro lado, a fraqueza e imaturidade revelam-se na personalidade de Joe - numa espantosa interpretação de Charles Melton -, por vezes, em atitudes ingénuas que até surpreendem o filho. E uma secreta vontade de novas experiências que lhe foram "roubadas" na adolescência. A personagem de Joe vive em constante conflito interno (tentando mediar os seus sentimentos e a instabilidade da mulher), onde os traumas do passado revelam-se em momentos-chave de May December, e o fazem repensar toda a vida.
Afinal, onde está a mentira, a verdade ou a pura manipulação de emoções e de factos? May December: Segredos de um Escândalo é um mergulho profundo em traumas nunca superados, e uma descoberta constante do âmago de cada um.
domingo, 3 de dezembro de 2023
Sugestão da Semana #590
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Crítica: A Mulher à Janela / The Woman in the Window (2021)
"You don't think it's paranoid if I wanna change the locks. Do you?"
Anna Fox
*3/10*
A Mulher à Janela, de Joe Wright, quer ser tanto e acaba por ser tão pouco. Um filme sem alma, que começa com mistério e termina num autêntico terror. Ver Joe Wright associado a um filme tão pouco coeso e sem personalidade é a grande surpresa de uma longa-metragem que não é sequer capaz de valorizar o elenco.
"Confinada à sua casa por sofrer de agorafobia, uma psicóloga fica obcecada com os seus novos vizinhos e em resolver um crime brutal que testemunha pela janela."
Baseado no livro homónimo, de A. J. Finn (que não li), A Mulher à Janela pretende ser um Hitchcock dos tempos modernos - não lhe poupando referências, sendo a mais óbvia A Janela Indiscreta -, mas não lhe chega perto. Se, inicialmente, pode haver a esperança de estarmos perante um bom filme de mistério, com terror psicológico e voyeurismo à mistura, depressa nos desinteressamos do enredo confuso e pouco sustentado, com momentos quase cómicos, tal a implausibilidade ou a previsibilidade. Perto do fim, entramos noutra realidade, mais slasher, e num "novo" filme - ainda pior.
Há pouco a que nos possamos agarrar para defender A Mulher à Janela. Amy Adams é talvez o ponto mais forte, mas longe das grandes interpretações que marcam a sua carreira. A direcção artística será, provavelmente, o mais admirável da longa-metragem, com a mansão solitária de Anna a ganhar personalidade, seja pela imensa escadaria, pela clarabóia, ou pelos detalhes de decoração (a casa de bonecas, por exemplo, chama-nos logo a atenção).
Tanta paranóia, referências cinematográficas, clichés e reviravoltas sem fim, e eis o vazio sideral após os créditos finais. Nada fica connosco de A Mulher à Janela, apenas a satisfação de termos conseguido matar a curiosidade mórbida que nos assolava antes da visualização.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Crítica: The Hunger Games: A Revolta - Parte 2 / The Hunger Games: Mockingjay - Part 2 (2015)
"Tonight, turn your weapons to the Capitol! Turn your weapons to Snow!"Katniss Everdeen
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Oscars 2015: Red Carpet
Também a lembrar uma princesa esteve Felicity Jones, nomeada para o Oscar de Melhor Actriz este ano. A britânica vestiu um bonito modelo Alexander McQueen em tons de prata.
Sempre elegante e mais uma vez nomeada, Meryl Streep surgiu na red carpet de preto e branco num bonito modelo Lanvin. Mesmo discreta, ninguém consegue tirar os olhos da actriz recordista de nomeações para os Oscars.
O bom gosto de Jenna Dewan-Tatum continua a revelar-se e os Oscars 2015 foram mais uma confirmação do mesmo. A esposa de Channing Tatum surgiu de branco, com um vestido Zuhair Murad, de decote em v, com uma fila de brilhantes.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Oscars 2015: As Actrizes Principais
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Sugestão da Semana #146
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Crítica: The Hunger Games: A Revolta - Parte 1 / The Hunger Games: Mockingjay - Part 1 (2014)
Começou a Guerra. Chegou o terceiro e penúltimo filme da saga The Hunger Games e a fasquia alta deixada pelo segundo capítulo desce agora consideravelmente com The Hunger Games: A Revolta - Parte 1. O ritmo abranda, mas os ânimos continuam exaltados e a revolta começou sob o contra-ataque - como sempre - cruel do Capitólio. Francis Lawrence traz a força de Katniss Everdeen de volta para agrado dos fãs que aguardarão com entusiasmo o capítulo final desta saga.
Quando Katniss (Jennifer Lawrence) destrói os jogos, ela é levada para o Distrito 13, depois do Distrito 12 ser destruído. Ali, conhece a Presidente Coin (Julianne Moore), que a convence a ser o símbolo da rebelião, enquanto tenta salvar Peeta (Josh Hutcherson) do Capitólio.
Francis Lawrence surpreendeu pela positiva no segundo filme da saga: as emoções ficaram ao rubro, o público sofreu com as personagens. Agora, perto do fim, os ânimos abrandam para preparar toda uma estratégia de como convencer e motivar as massas, onde a televisão volta a ter um papel importante, sendo o único meio de contactar todos os Distritos e uni-los - aqui, a presença da equipa de filmagens, liderada pela realizadora Cressida (aplausos para a decidida e corajosa Natalie Dormer, numa personagem algo diferente do habitual e com visual a condizer), que acompanha Katniss até nos cenários de guerra, é de extrema importância. O tom opressivo reina, como sempre, com ataques grotescos e impiedosos a marcar este início da Guerra, e com a ideia de tortura por parte do Capitólio sempre a pairar e a semear o medo e o terror.
Lê a crítica completa no Espalha-Factos: "The Hunger Games: A Revolta – Parte 1: A Esperança no Mimo-Gaio"
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
LEFFEST'14: Maps to the Stars (2014)
Os fantasmas de cada um surgem no lado mais obscuro da fama e David Cronenberg faz questão de mostrá-los no seu Maps to the Stars. No elenco deste pesadelo cinematográfico temos Julianne Moore, Mia Wasikowska, Robert Pattinson e John Cusack.
Não simpatizaremos com ninguém, não tomaremos partido, mas ficaremos chocados com os bastidores da fama - aqui marcados pelo incesto. A introdução e ligação entre cada personagem é feita de forma brilhante e sarcástica, onde é o incesto que une os protagonistas desta longa-metragem. É muito o que têm em comum Havana Segrand, Agatha e Benjie e será neles que as principais atenções vão recair, também muito graças ao excelente desempenho dos seus actores. Julianne Moore tem aqui mais uma das suas grandes performances, na pele de uma mulher capaz de tudo por um papel e totalmente desequilibrada, com uma transformação física que não tem medo de mostrar o cansaço e as marcas da idade. Mia Wasikowska é a sinistra Agatha, numa das sua melhores interpretações, extremamente bizarra e parca de sentimentos. Uma boa revelação é Evan Bird como Benjie, o jovem actor que alcançou o sucesso cedo demais e se deixou deslumbrar pelas drogas e vida fácil, mas que vive atormentado por um passado que teima em não o deixar.
Sexo, drogas, obsessão, loucura, família, alucinações e morte são os ingredientes fulcrais deste Maps to the Stars, que apesar da superficialidade com que nos apresenta a história de cada personagem - queríamos saber mais sobre Havana, sem dúvida -, consegue perturbar e deixar-nos a pensar sobre o outro lado deste sonho que tantos ambicionam. E nesta Hollywood irónica e mordaz, encontramos facilmente marcas de Cronenberg, um pouco por toda a parte.
Depois de passar pelo LEFFEST'14, o filme chegará aos cinemas portugueses ainda este ano.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
O Filme da Minha Vida, por Luís Filipe Borges
Agradeço ao Luís ter aceite o meu desafio.
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