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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: Red Carpet

Depois dos prémios, analisamos os nossos favoritos da passadeira vermelha dos Oscars 2020. Eis os dez modelos que mais gostei, com predominância de tons claros e verdes - e a excepção de um vestido preto.


LAURA DERN foi receber o seu Oscar de Melhor Actriz Secundária com um belo modelo Emporio Armani, rosa suave, com um decote preto bordado. Cabelo e maquilhagens discretos deram o toque final de elegância à actriz de Marriage Story e Mulhezinhas.



A actriz de Jojo Rabbit, REBEL WILSON, desfilou na passadeira vermelha com um visual muito clássico e elegante, num vestido dourado Jason Wu e uma gargantilha Pomellato.



Elegante e feminina, SIGOURNEY WEAVER estava deslumbrante num vestido verde Christian Dior e uma clutch a condizer. Até o Alien ficaria encantado.



Mulherzinhas levou para casa o Oscar para Melhor Guarda-roupa, e a realizadora GRETA GERWIG fez jus ao prémio que o seu filme recebeu, com um vestido verde seco Dior e um colar Bulgari. Simples e elegante.



RENÉE ZELLWEGER venceu o Oscar de Melhor Actriz pela sua interpretação no filme Judy, e desfilou num belíssimo vestido branco assimétrico Armani Prive. Uma das mais elegantes da noite.



Aos 64 anos, GEENA DAVIS surgiu estonteante na red carpet dos Oscars. O vestido preto Romona Keveža, de decote em V e saia fluída com bolsos e brilho, assentou-lhe que nem uma luva. As jóias eram da Chopard. Sem dúvida, uma das mais bonitas da noite.



BRIE LARSON optou por um vestido Celine com capa, em tons rosa pastel com algum brilho, decote profundo, e abertura lateral na saia. Cabelo, jóias e sapatos a condizer proporcionaram um dos looks mais elegantes da noite.



Aos 22 anos, a actriz e manequim argentina CAMILA MORRONE, namorada de Leonardo DiCaprio, surgiu na passadeira vermelha dos Oscars com um look simples mas que não passou despercebido. O vestido Carolina Herrera, cai-cai rosa nude, destacou a sua jovialidade e beleza.  



Duplamente nomeada, SCARLETT JOHANSSON não conquistou nenhum Oscar mas marcou a passadeira vermelha com a sua beleza. Desfilou num vestido Oscar de la Renta em tons prata, que marcava a sua figura, e um decote original. O penteado deu-lhe ainda uma grande jovialidade.



Todos os olhares se viraram para JANELLE MONÁE quando chegou. O seu vestido prateado com capuz Ralph Lauren assentava-lhe na perfeição, e os quase 170 mil cristais bordados deram nas vistas. Exagerado ou não, certo é que o visual é estonteante e a cantora e actriz foi inesquecível na red carpet.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: As Actrizes Principais

Passamos às nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz. Das cinco actrizes, apenas vi o desempenho de três. Não falarei portanto de Renee Zellweger (a quase certa vencedora deste ano) nem de Cynthia Erivo. Das restantes, todas as nomeadas tiveram bons desempenhos, sendo que duas delas se destacam da terceira. Aqui fica a minha listagem das nomeadas, por ordem de preferência.
Saoirse é Jo, a feminista emancipada que sonha ser independente através do seu dom para a escrita e acredita que não precisa casar para ser feliz. Tão focada na sua independência e individualidade enquanto mulher, de repente, vê-se rodeada de solidão. O talento para a escrita desvanece-se a par dos laços, esses que a inspiravam e a motivavam a criar histórias, sem esforço. Saoirse Ronan encaixa perfeitamente na personagem, destemida, corajosa e cheia de garra - com o orgulho por vezes a prejudicá-la.


Em Bombshell, Charlize Theron é camaleónica para além da maquilhagem, vestindo a pele de Megyn Kelly com destreza, confiança e ambição. Uma mulher poderosa que sofreu assédio e, provavelmente, se julgava sozinha. Quando desafia as ideias de Trump - ele que tanto ama a Fox News -, vê a sua carreira em risco, com o ódio a cercá-la.

Scarlett Johansson é Nicole, a mulher à beira de um divórcio difícil. O filme faz-nos sentir menos ligados à protagonista, com quem somos menos compreensivos, menos solidários. Ao mesmo tempo, a actriz não se encaixa tão bem em papéis tão exigentes e dramáticos, sendo muito notáveis as suas fraquezas. Ainda assim, é inevitável destacar a discussão entre Charlie e Nicole, intensa e carregada de emoções, onde Driver e Johansson dão tudo de si.

Cynthia Erivo (Harriet)

Sem avaliação

Renée Zellweger (Judy)

Sem avaliação

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: As Actrizes Secundárias

Começo a análise pré-Oscars aos nomeados com a categoria de Melhor Actriz Secundária. Temos grandes nomes nomeados e algumas estreantes nestas andanças dos prémios. Há duas actrizes - as minhas favoritas deste ano - que, a meu ver, se destacam das restantes. Eis as nomeadas por ordem de preferência.

Kathy Bates já conta com um Oscar no curriculo, e é mais que certo que não vencerá este ano. Contudo, é ela a mais merecedora das cinco nomeadas. Interpreta Bobbi, a mãe de Richard Jewell, no filme homónimo de Clint Eastwood, e, em poucos minutos, consegue comover e convencer qualquer um.

A jovem actriz interpreta Amy, a mais nova das quatro irmãs March. Ela quer ser pintora mas cedo percebe que pintar nunca lhe garantirá o futuro. É mimada, apaixonada, por vezes maliciosa, mas especialmente esclarecida. Florence Pugh interpreta-a com a fúria e clarividência que a personagem pede. Esta primeira nomeação só prova o talento anunciado no seu soberbo desempenho em 2016, como protagonista de Lady MacBeth, totalmente ignorado pela Academia.

Margot Robbie é Kayla Pospisil, das três protagonistas de Bombshell, a única que é ficcional. Ela é a jovem ambiciosa mas ingénua, que não espera os avanços de Ailes. De repente, a confiança que exibe inicialmente transforma-se em medo e insegurança, especialmente quando percebe que parece estar sozinha naquela redacção cheia de competitividade e beleza. Um tipo de papel a que a actriz já nos tem habituado, mas desempenhado com competência.

Scarlett Johansson encarna a mãe carinhosa e revolucionária, em tempos difíceis. Para além de representar no grande ecrã uma família monoparental (com o marido ausente na Guerra), é a figura clara da mulher emancipada na Alemanha nazi. A actriz cria facilmente empatia com a plateia já que depressa percebemos que é uma mulher lutadora e com valores. Um papel mais à imagem de Johansson (duplamente nomeada este ano) do que a protagonista do dramático Marriage Story.

A actriz é Nora Fanshaw, a advogada irascível contratada por Nicole para tratar do seu divórcio. Uma mulher superficial, independente, provocadora, num misto de características que não fazem Laura Dern parecer nada realista. Pelo contrário, penso que se justificaria muito mais uma nomeação nesta categoria mas pelo papel de Marmee March em Mulherzinhas, uma personagem totalmente distinta e carinhosa. Ironicamente, é quase certo que Dern irá conquistar o seu primeiro Oscar graças a Nora.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Crítica: Jojo Rabbit (2019)

"I'm the enemy?"
Jojo Betzler


*4.5/10*

Jojo Rabbit quer ser a comédia sarcástica, que condena e ridiculariza os maus da fita (e da História), mas fica-se apenas pelo bom trabalho técnico. Taika Waititi quer passar uma mensagem positiva, através da história de uma criança. Educado para adorar Hitler e odiar os judeus, o pequeno Jojo passa por provações que irão moldar a sua forma de ver o mundo, na Alemanha nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

Jojo Rabbit (Roman Griffin Davis) é um menino que vive durante a Segunda Guerra Mundial e tem como amigo imaginário, uma versão imprecisa de Adolf Hitler (Taika Waititi), que inflama as ingénuas crenças patrióticas do menino. No entanto, tudo muda quando Jojo conhece uma menina judia (Thomasin McKenzie) que desafia esses pontos de vista e o obriga a enfrentar a realidade.


Taika Waititi tenta ser espirituoso, com um humor leve - mas muitas vezes repetitivo -, e consegue despertar algumas gargalhadas, mas o tom do filme é inconstante e sem foco. Não transmite nada de verdadeiramente único ao espectador, não espicaça o regime que critica como poderíamos esperar, e nenhuma relação - nem entre mãe e filho, nem entre as crianças - é emotiva ou forte.

Timidamente, Waititi toca nas temáticas da família monoparental, da mulher emancipada (na figura de Scarlett Johansson) e da homossexualidade, mas sem causar mossa. Quase nem damos por elas. Sam Rockwell é quem mais vivacidade e ritmo dá a Jojo Rabbit, num papel pouco exigente mas que o actor sabe tornar especial e muito empático.


Sem moralidades, a crítica extravagante não é suficientemente aguerrida para nos tocar ou ficar na memória. Jojo Rabbit é um filme esquecível, que marcará, provavelmente, apenas pela direcção artística e guarda-roupa cativantes e cheios de cor, num inteligente contraste com o clima sombrio, de medo e guerra.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Globos de Ouro 2020: Red Carpet

Mais uma edição dos Globos de Ouro e chega a primeira análise à red carpet de 2020, no Hoje Vi(vi) um Filme. Numa passadeira vermelha com alguma exuberância, escolhi os modelos que mais me agradaram, alguns bastante discretos, por sinal. Porque todos temos os nossos favoritos. 


Nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Actriz (Drama), SCARLETT JOHANSSON surgiu num vestido Vera Wang, vermelho vistoso. O decote em V e o laço nas costas fizeram-na sobressair na red carpet


Vencedor do Globo de Ouro para Melhor Actor Secundário, BRAD PITT surgiu elegante, num fato Brioni, mas sempre com o seu toque rebelde, de cabelo comprido.


LAURA DERN conquistou o Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária e deslumbrou neste modelo preto florido Saint Laurent que lhe deu um ar jovem, a condizer com o cabelo solto. Radiante.


REESE WITHERSPOON apostou num modelo que nunca passa de moda. A actriz desfilou num elegante vestido branco justo Roland Mouret.


SAOIRSE RONAN também optou pela simplicidade num vestido de alças Celine, reluzente em tons prateados, com uma abertura lateral. O cabelo ainda lhe deu mais glamour.


Mesmo que quisesse, SOFIA VERGARA nunca passaria despercebida numa red carpet. Desta vez, a actriz optou por um vestido Dolce & Gabbana em tons bordô com uns pormenores dourados, que fez jus à sua figura.


HELEN MIRREN está sempre fabulosa na passadeira vermelha. A actriz desfilou num modelo muito elegante e jovial Christian Dior em tons de vermelho-bordô. Cabelo, maquilhagem e jóias realçaram ainda mais a beleza da actriz veterana.


KIRSTEN DUNST optou por um modelo discreto em tons rosa da Rodarte, que lembra os contos de fadas. Os bordados e o efeito junto aos ombros e pescoço deram-lhe um toque quase angelical.


MARGOT ROBBIE levou um dos modelos que mais gostei nesta noite. Elegante e prática, a actriz nomeada desfilou num vestido Chanel, de top cheio de cor e saia branca com bolsos.


A nomeada ANA DE ARMAS foi a minha favorita a desfilar na red carpet. Ninguém lhe ficaria indiferente. O vestido azul escuro cintilante Ralph & Russo revelou uma mulher confiante e segura. Cabelo, maquilhagem e jóias combinaram na perfeição para um look estrondoso.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Crítica: Marriage Story (2019)

"Getting divorced with a kid is one of the hardest things to do. It's like a death without a body."
Bert Spitz


*7.5/10*

Marriage Story, de Noah Baumbach, respira teatro por todos os poros. A história de um divórcio, vagamente inspirada na separação do realizador e Jennifer Jason Leigh, é um trabalho pessoal, repleto das marcas a que Baumbach já nos habituou na sua filmografia. A temática pesada é apresentada com leveza, proporcionada pelo humor, contrabalançada por diálogos intensos e emotivos.

Comparações com Kramer contra Kramer são pertinentes, mas Marriage Story tem muito mais amor envolvido. O amor não acabou, mas a emancipação da mulher surge como o maior bloqueio à continuidade da relação.

O filme de Baumbach é um olhar sobre o fim de um casamento e a união de uma família. Seguimos o processo de divórcio de Charlie (Adam Driver), um encenador de teatro bem sucedido de Nova Iorque, e Nicole (Scarlett Johansson), uma actriz que sonha regressar à cidade natal, Los Angeles. Os dois têm um filho em comum, Henry (Azhy Robertson), de oito anos.


Um divórcio que se queria pacífico e sem advogados, de repente, torna-se uma batalha legal e um chorrilho de ofensas, que nenhum dos dois envolvidos pretende. Este aparentemente inevitável conflito cria situações pouco realistas, tendo em conta a vontade dos protagonistas, e leva-nos a distanciar do drama a que assistimos. As personagens contradizem acções e sentimentos, há momentos demasiado exagerados - onde o humor quer ser desculpa para aliviar a gravidade da situação - e outros em que somos totalmente envolvidos pelos diálogos entre o casal. Marriage Story proporciona-nos sentimentos contraditórios. 

Há uma clara simpatia pela personagem de Adam Driver, o eterno apaixonado que sofre e se desdobra entre duas cidades para estar perto do filho. Do lado de Nicole, sentimo-nos menos ligados, menos compreensivos. Talvez por ser um homem a realizar ou por ser inspirado no seu próprio divórcio... Ainda assim, é inevitável destacar a discussão entre Charlie e Nicole, intensa e carregada de emoções, onde Driver e Johansson dão tudo de si. Uma cena que ficará, sem dúvida, na História do cinema.


Apesar de tudo, Adam Driver é, sem dúvida, o destaque da longa-metragem. Expressa as emoções como poucos, consegue transmitir tudo com um simples olhar: sofrimento, esperança, desilusão... Dá gosto vê-lo representar - e cantar!

O argumento transborda dramaturgia, é filmado como se estivéssemos a ver os actores moverem-se num palco... Tudo aqui é teatro! Fica a sensação que Marriage Story resultaria estrondosamente  bem numa adaptação teatral, mais do que cinematográfica. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Os trailers de que se fala

Nos últimos dias, foram revelados vários trailers de filmes muito esperados nos próximos meses. As primeiras imagens de Viúva Negra, 007: Sem Tempo para Morrer e Mulan aguçam a curiosidade dos fãs, e tivemos ainda direito a um making off de 1917, de Sam Mendes.

Eis o teaser trailer de Viúva Negra:



Realizado por Cate Shortland e protagonizado por Scarlett Johansson, o filme chega aos cinemas em Abril de 2020.

O primeiro trailer de 007: Sem Tempo para Morrer:


Protagonizado por Daniel Craig e com Rami Malek como vilão, o filme, realizado por Cary Fukunaga, estreia a 8 de Abril de 2020.

Mulan também já tem trailer:


O filme da guerreira chinesa, agora em imagem real, estreia em Março de 2020. A actriz Yifei Liu interpreta a personagem principal.

Foi ainda divulgado um making off do filme 1917, de Sam Mendes:



1917 estreia a 23 de Janeiro de 2020 e é um sério candidato aos Oscars.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Crítica: Ilha dos Cães / Isle of Dogs (2018)

"I bite." 
Chief

*8.5/10*

O título em inglês diz tudo, com trocadilhos, é verdade: Isle of Dogs (ou I Love Dogs) e Wes Anderson partilham connosco esse amor, felizmente. Ilha dos Cães (em português, perde o impacto sonoro do original) é uma surpresa animada, com os protagonistas mais meigos e fiéis que poderíamos encontrar.

Mensagens a retirar desta longa-metragem não faltarão. Das ecológicas às sócio-políticas. Revoltemo-nos contra quem maltrata ou abandona animais. Revoltemo-nos igualmente contra todos aqueles que colocam as vidas dos outros em suspenso, um pouco por todo o mundo real, dominado por extremistas e ditadores disfarçados. Revoltemo-nos e mostremos que também somos capazes de lutar como os protagonistas.


Ataru Kobayashi, de 12 anos, enfrenta o corrupto Mayor Kobayashi, de Megasaki City, que com um decreto manda exilar todos os cães numa lixeira chamada Trash Island. Ataru voa até à ilha em busca do seu cão Spots. A partir daí, na companhia de um novo grupo de amigos de quatro patas, inicia uma viagem épica que irá definir o destino e o futuro da cidade.

Persistência e muito amor são os ingredientes para esta animação em stop motion funcionar tão bem. E, no final de Ilha dos Cães, sinto-me eu também como o pequeno Ataru. Wes Anderson consegue criar um universo tão único e, ao mesmo tempo, tão realista, com muitas influências à mistura.

O elenco de vozes não podia ser mais diversificado e é uma experiência divertida associar as personagens aos actores. Harvey Keitel, Bryan Cranston, Edward Norton, Bill Murray, Jeff Goldblum, Scarlett Johansson, Greta Gerwig, F. Murray Abraham, Tilda Swinton, Fisher Stevens, Frances McDormand Bob Balaban são alguns dos nomes do elenco.


Ilha dos Cães deve ser visto e sentido, com coração e cabeça, com amor e justiça. É Wes Anderson em grande forma e inspiração.

domingo, 29 de abril de 2018

Sugestão da Semana #322

Das estreias da passada Quarta-feira, a Sugestão da Semana destaca Ilha dos Cães, de Wes Anderson.

ILHA DOS CÃES


Ficha Técnica:
Título Original: Isle of Dogs
Realizador: Wes Anderson
Actores: Bryan Cranston, Edward Norton, Bill Murray, Jeff Goldblum, Kunichi Nomura, Greta Gerwig, Frances McDormand, Harvey Keitel, Liev Schreiber, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, F. Murray Abraham
Género: Animação, Aventura, Comédia
Classificação: M/12
Duração: 101 minutos

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Crítica: O Livro da Selva / The Jungle Book (2016)

"Well, let me remind you. A man-cub becomes a man, and man is forbidden!"
Shere Khan


*7/10*

A história de Mogli regressa ao grande ecrã com um protagonista de carne e osso. Jon Favreau mostrou-se à altura do desafio e traz ao público O Livro da Selva com muita acção, aventura e amor, para toda a família.

Baseado no clássico de Rudyard Kipling, o novo O Livro da Selva em imagem real conta a história de Mogli, uma criança que foi criada por uma família de lobos. No entanto, Mogli percebe que já não é bem-vindo na selva quando um tigre, Shere Khan, que carrega cicatrizes feitas pelo Homem, promete eliminar tudo o que lhe pareça uma ameaça. Convidado a abandonar a única casa que conheceu, Mogli embarca numa viagem de auto-descoberta, guiado pela pantera que se tornou seu mentor, Bagheera, e pelo urso com espírito livre, Balu.


Um argumento já muito conhecido mas bem transportado para o grande ecrã faz da versão de Jon Favreau uma boa experiência para crianças e adultos. Os efeitos especiais de animais e natureza estão bem executados, especialmente no que toca à interacção do protagonista com os animais. A experiência Imax 3D é interessante mas não fundamental para desfrutar do filme.

A câmara irrequieta coloca-nos no meio da selva e conduz-nos na aventura ao lado das personagens. Entre todo o visual digital, o trabalho do realizador sobressai e adensa as emoções e o suspense - para o qual também o bom trabalho de som contribui.

O protagonista Neel Sethi, encarna bem a essência da personagem e é fisicamente muito semelhante à imagem que todos criamos de Mogli. Apesar de muito jovem e de ter ainda muito a aprender, o actor cria rapidamente empatia com a plateia, desde o início, junto da sua família na alcateia, como à medida que explora a selva e vai crescendo e conhecendo o seu passado.


Nas vozes da versão original (a que assisti), destaque para o Bagheera Ben Kingsley, um excelente mentor, sempre; Bill Murray como Balu, divertido, um tanto matreiro, mas muito protector; Idris Elba na pele do vilão, o tigre Shere KhanChristopher Walken hilariante como rei LouieLupita Nyong'o como a maternal loba Raksha; e sem esquecer, claro, a sedutora e quase hipnotizante Kaa, na voz quente de Scarlett Johansson.

Não sendo um filme indispensável, O Livro da Selva, de Jon Favreau, respeita os valores da Disney. É um filme envolvente, repleto de mensagens positivas e visualmente estimulante, para todas as idades.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Red Carpet

Como de costume, depois de entregues os prémios da grande noite do cinema é por aqui tempo de eleger os meus modelos favoritos que desfilaram pela passadeira vermelha. Sim, porque se todos querem saber quem leva os Oscars para casa, também todos querem ver quem é o/a mais bem vestido/a. 

Não foi um ano especialmente rico em vestidos que me agradassem, mas aqui ficam os que mais me cativaram (como sempre, com a ressalva de que não percebo nada de moda).

A vencedora do Oscar de Melhor Actriz, Julianne Moore, surgiu lindíssima e muito elegante num vestido branco da Chanel, num belo contraste com o seu cabelo ruivo, apanhado, e com pormenores que dão ainda mais brilho à talentosa actriz.

Lupita Nyong'o causa sempre furor em todas as cerimónias pela indumentária que apresenta e os Oscars não foram excepção. A actriz oscarizada desfilou com um vestido branco repleto de pérolas da Calvin Klein Collection e foi uma das mais bem vestidas da noite.

Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, Rosamund Pike surgiu com um bonito vestido da Givenchy, que ficou especialmente bem com o seu cabelo loiro, apanhado.

Scarlett Johansson surgiu discreta, mas extremamente bonita, com um vestido verde da Versace. A gargantilha, a condizer, deu que falar, mas por aqui, gostámos de ver.

Deslumbrante esteve a actriz e cantora Jennifer Lopez, capaz de roubar as atenções a muitas colegas. O seu vestido cor de pele, com brilhantes, e de decote acentuado em v da Elie Saab deu-lhe um toque de princesa, a condizer com a maquilhagem leve e discreta.

Também a lembrar uma princesa esteve Felicity Jones, nomeada para o Oscar de Melhor Actriz este ano. A britânica vestiu um bonito modelo Alexander McQueen em tons de prata.

Dakota Johnson está nas bocas do mundo pela sua participação no filme As Cinquenta Sombras de Grey. Na red carpet dos Oscars distinguiu-se pelo bom gosto no modelo com que desfilou, um vestido vermelho da Saint Laurent. A cor caiu-lhe bem, contrastando com o seu tom de pele clara e condizendo com o batom, e dotou-a de uma figura elegante.

Sempre elegante e mais uma vez nomeada, Meryl Streep surgiu na red carpet de preto e branco num bonito modelo Lanvin. Mesmo discreta, ninguém consegue tirar os olhos da actriz recordista de nomeações para os Oscars.

Também de preto e branco surgiu Patricia Arquette, a vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária, com um bonito vestido Rosetta Getty.

O bom gosto de Jenna Dewan-Tatum continua a revelar-se e os Oscars 2015 foram mais uma confirmação do mesmo. A esposa de Channing Tatum surgiu de branco, com um vestido Zuhair Murad, de decote em v, com uma fila de brilhantes.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Sugestão da Semana #130

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Lucy, não por ser um bom filme, nada disso, mas porque é o blockbuster deste Verão. Não esperem momentos de grande cinema, mas divirtam-se no meio do absurdo que Luc Besson aqui criou.

LUCY

Ficha Técnica:
Título Original: Lucy
Realizador: Luc Besson
Actores: Scarlett Johansson, Morgan FreemanChoi Min-sik 
Género: Acção, Ficção Científica
Classificação: M/14
Duração: 89 minutos

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Crítica: Debaixo da Pele / Under the Skin (2013)

*6.5/10*

Desafiante e perturbadora é o que se pode dizer da possibilidade um tanto arrepiante que Jonathan Glazer evoca com Debaixo da Pele. Não é todos os dias que reflectimos sobre a presença de extraterrestres na Terra, nem sobre o seu comportamento e consequente adaptação à humanidade e seus hábitos e valores. Essencialmente sensorial e estético, Debaixo da Pele leva-nos a seguir os passos de Scarlett Johansson na pele de uma predadora sexy e sem emoções, que, aos poucos, inicia o seu processo de humanização.

Falta contudo que o caminho que seguimos seja mais coerente. O argumento - cuja premissa é excelente - não prima pela consistência e prefere deixar vazios inexplicáveis por preencher. Talvez nem tudo tenha de ser justificado, mas a dinâmica de Debaixo da Pele - especialmente lenta ao longo da sua primeira metade - sairia favorecida com uma condução mais digna e com acontecimentos verdadeiramente marcantes para o espectador, deixando espaço a uma reflexão mais orientada, digamos, e menos dominada por perguntas sem resposta. O ritmo não é o mais empolgante, com uma acentuada diferença entre a primeira e a segunda metade da longa-metragem, que marca igualmente uma importante mudança no comportamento da protagonista.


Scarlett não consegue sobressair como esperado, mas conduz eficazmente esta jornada num planeta para si desconhecido. Inexpressiva, cruel, sensual, ela seduz e aterroriza o espectador tal como faz às suas vítimas, mostrando, aos poucos, uma inesperada curiosidade por si e pelo que a rodeia, e uma ingenuidade quase infantil, totalmente oposta à sua personalidade inicial. A conclusão - quase previsível - é ainda assim uma agradável surpresa - ou revelação -, mas sabe a pouco. Debaixo da Pele chega a encontrar o ritmo certo, mas não imerge fundo o suficiente para que a experiência seja inesquecível.

Tecnicamente, o visual muitas vezes kubrickiano - onde a sequência inicial ganha especial ênfase - mergulha-nos num inferno de interrogações semelhante ao que, mais à frente, verificamos, impotentes, ser o mesmo em que as vítimas da protagonista se afundam. O ambiente sinistro e sombrio - onde os tons escuros e fortes abundam -, adensado pelas paisagens da Escócia, sai favorecido pelo excelente trabalho de fotografia, de Daniel Landin, que joga com o claro/escuro, espelhos e até nevoeiro. A acompanhar todo o visual incómodo está a fantástica e desconfortável banda sonora, de Mica Levi.

Debaixo da Pele não é certamente o filme mais consensual do ano, nem o melhor, mas cativará a atenção dos mais curiosos ou dos que anseiam por novas experiências. Uma reflexão incompleta e inesperada sobre a existência e a humanidade é a proposta - preguiçosa na concretização - de Glazer. Ao fim de algum tempo no mesmo local, quem será mais humano: o Homem ou o Extraterrestre?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sugestão da Semana #115

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana irá dividir opiniões. Apesar do argumento não ser especialmente consistente, nem o ritmo o mais empolgante, a promessa de apresentar o mundo visto por um extraterrestre é de ter em conta, especialmente no ambiente sombrio e inesperado em que tudo acontece. Debaixo da Pele não será certamente o filme mais consensual do ano, nem o melhor, mas merece a atenção dos mais curiosos ou dos que anseiam por novas experiências.

DEBAIXO DA PELE

Ficha Técnica:
Título Original: Under the Skin
Realizador: Jonathan Glazer
Actores: Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams, Lynsey Taylor Mackay 
Género: Drama, Ficção Científica, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 108 minutos

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sugestão da Semana #103

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o filme de Spike Jonze, Uma História de Amor (Her). Tecnologia e romance aliam-se nesta longa-metragem e provam a originalidade e o sarcasmo do realizador. Ao mesmo tempo, Joaquin Phoenix oferece-nos uma excelente prestação. Podes reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

UMA HISTÓRIA DE AMOR


Ficha Técnica:
Título Original: Her
Realizador: Spike Jonze
Actores: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara
Género: Drama, Ficção Científica, Romance
Classificação: M/16
Duração: 126 minutos

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Crítica: Uma História de Amor / Her (2013)

"She's not just a computer."
Theodore

*7/10*

O pessimismo e a nostalgia invadem uma sociedade futurista, onde as emoções deixam de ser tão realistas como deviam. Uma História de Amor (Her, no original) é uma mordaz crítica social ao modo como o humano se relaciona com a tecnologia e, cada vez menos, com o seu semelhante.

Numa Los Angeles de um futuro próximo, Theodore Twombly é um homem complexo e sentimental que ganha a vida a escrever cartas pessoais para outros. De coração partido, após o fim de um longo relacionamento amoroso, Theodore fica intrigado com um novo sistema operativo, que promete ser uma entidade intuitiva em si mesma, com uma adaptação individualizada ao utilizador. Quando o inicia, fica encantando por conhecer Samantha, uma voz feminina perspicaz, sensível e divertida, que lhe parece muito real. À medida que as suas necessidades e desejos crescem, em sintonia com os de Theodore, esta amizade transforma-se numa espécie de história de amor.

Spike Jonze escreve e realiza e tem no argumento o ponto forte da sua mais recente longa-metragem. A distopia que apresenta em Uma História de Amor pode facilmente confundir-se com isso mesmo - uma história de amor -, mas, longe do romantismo, é muito mais uma história de seres humanos que deixaram de ser capazes de lidar com emoções reais. No futuro idealizado por Jonze a solidão invade os espaços cheios de gente. São raras as conversas entre amigos, colegas, vizinhos, é raro o olhar para o outro, a sociabilização quase deixa de existir. As atenções centram-se nos aparelhos electrónicos, tão evoluídos, em que já nem precisamos tocar, basta falar, ordenar.


Viver com e para a tecnologia é cada vez mais uma realidade nos dias que correm. Desde cedo que o cinema antecipou o crescendo tecnológico e o poder que esta ferramenta começaria a ter. Jonze leva ao extremo a ideia de um sistema operativo conseguir ter emoções e querer evoluir - mais do que devia -, tal como um ser humano. Com o surgimento desta inovação e de Samantha - ironicamente feita à medida do seu utilizador, Theodore -, tudo se torna ainda mais bizarro. O coração partido de Theo parece encontrar apenas ali a forma - muito fantasiosa - de superar o fim do casamento, a separação da mulher que tanto amou. Mais ainda, surpreendentemente, o facto de um homem namorar com um programa de computador é encarado com extrema naturalidade.

No entanto, Uma História de Amor encaminha-se, em certos momentos, por terrenos menos felizes. O encontro às cegas do protagonista faz-nos perder algum interesse, reforçando a ideia de que, no futuro, ninguém parece saber lidar com sentimentos e relações. A crítica é quase certeira, mas perde-se um pouco na baixa probabilidade deste futuro próximo, e por delegar à maioria da população um espírito muito fraco e nulidade de emoções reais - o pessimismo no que toca ao amor e às emoções é verdadeiramente arrepiante, o que, por outro lado, pode jogar a favor do filme.

Por sua vez, a evolução de Samantha, que tanto questiona e ambiciona ser, torna-a menos ideal do que o previsto, revelando uma faceta egoísta do sistema operativo - que, como em tantos outros filmes, parece querer dominar e superar o humano -, trazendo, no desenrolar da narrativa, muito pouco de aliciante à ideia base. A voz que apaixona o protagonista precisa de algo mais substancial e credível para nos conquistar e, neste caso, apenas nos poderá fazer deixar de acreditar no amor.

Joaquin Phoenix oferece-nos uma interpretação surpreendente - escapou-lhe este ano a nomeação para o Oscar (injustamente, mas há apenas cinco lugares para o muito talentoso ano 2013). Após o desequilibrado e atormentado pelo passado Freddie Quell, em The Master, o actor entrega-se agora ao seu oposto: o solitário romântico, deprimido, refém da tecnologia e com fortes dificuldades em sociabilizar. O seu emprego denota um lado sensível e sentimental, ao mesmo tempo que prenuncia a relação muito pouco saudável e irreal que desenvolve com Samantha. Phoenix transpira sensibilidade e uma timidez arrebatadora.


A amizade de Theodore com Amy, interpretada por Amy Adams - que cada vez mais se revela camaleónica e eficaz em todos os papéis - é, contudo, uma das características mais humanas de Uma História de Amor. A actriz surge com um visual diferente e incorpora uma mulher aparentemente decidida, mas sentimental, que, tal como o protagonista, não sabe lidar com o final de uma relação. Amy, que cria tecnologia, acaba por também, ironicamente, se refugiar nela. Um último destaque para Scarlett Johansson, que apesar de entrar no projecto com ele quase concluído (a actriz substituiu Samantha Morton), assume-se como fundamental, com a sua voz sexy e dominadora - muito longe das habituais robóticas a que se está habituado.

Visualmente, os tons claros de ambiente predominam, e contrastam fortemente com as cores garridas do guarda-roupa (numa sociedade tão distópica, as emoções tinham de estar em algum lado, nem que seja na alegria reprimida de uma camisa vermelha). A banda sonora - nomeada para o Oscar - é um ponto muito forte de Uma História de Amor: melancólica, romântica, nostálgica, e, contudo, tornando-se rapidamente frenética, a transbordar tecnologia e a incorporar a ideia de um computador ou jogo de vídeo.

Um futuro pouco feliz, e com uma aterrorizante dependência sentimental das máquinas, é o que nos traz Spike Jonze em época de romance. Todavia, Uma História de Amor apaixona pouco, serve sim como alerta para a valorização das emoções reais. Não vá Samantha bater-nos à porta um dia destes.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Ads & Cinema #10

O mais recente anúncio do perfume The One, da Dolce & Gabbana, esteve envolvido no mais profundo mistério muitas semanas antes do seu lançamento. À medida que os dias passavam, a marca levantava a ponta do véu, os nomes dos protagonistas - Scarlett Johansson e Matthew McConaughey -, algumas imagens de bastidores, o nome do realizador - Martin Scorsese - e, por fim, foi divulgada a curta-metragem - Street of Dreams - de dois minutos e meio, de onde saiu o spot televisivo.


Elegância a preto e branco não falta, com Nova Iorque como palco, e é sempre um prazer ver três grandes nomes do cinema juntos, mesmo que seja na publicidade.

Aqui fica o spot publicitário e a curta-metragem.


Curta-metragem Street of Dreams

domingo, 16 de junho de 2013

Momentos para Recordar #21

O Momentos para Recordar regressa hoje após algum tempo de ausência. E é a segunda longa-metragem realizada por Sofia Coppola que merece destaque nesta 21ª publicação da rubrica. O Amor É um Lugar Estranho (Lost in Translation) está repleto de cenas que dizem tanto e tão pouco, protagonizadas por Scarlett Johansson e Bill Murray, com excelentes desempenhos. Esta é uma delas.

O Amor É um Lugar Estranho (Lost in Translation), Sofia Coppola (2003)