segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Red Carpet

E depois de entregues os prémios da grande noite do cinema é tempo de eleger os meus modelos favoritos que desfilaram pela passadeira vermelha dos Oscars. Aqui ficam os meus eleitos e, já sabem, eu não percebo nada de moda.


Jared Leto destacou-se entre os homens pela originalidade. Um cravo vermelho ao pescoço, em vez da gravata, lembrou-nos que o 25 de Abril está perto e conjugou-o muito bem com o seu blazer preto da Gucci.

Flores nasceram no vestido verde claro da nomeada Cate Blanchett. O modelo da Armani com decote em V assenta de forma fabulosa na actriz que transpira elegância e jovialidade.


Houve quem dissesse que ela era o Oscar deste ano, dada a opção pelo dourado. Para mim, Margot Robbie fez a aposta certa, mais jovial que as suas opções em anos anteriores e não menos sensual, mas, acima de tudo, elegante. O vestido Tom Ford consegue ser tão simples como vistoso e realça o visual leve e fresco da actriz.


Sofia Vergara não deixa ninguém indiferente onde quer que esteja. Os Oscars não foram excepção. A actriz surgiu com um vestido Marchesa, longo, cai-cai, azul escuro. Conferiu-lhe elegância, sofisticação e potenciou ainda mais a sua beleza latina.


Já provou que é muito mais do que uma popstar excêntrica. Tem uma voz extraordinária, proporcionou, provavelmente, o melhor momento da noite dos Oscars com a sua actuação e mostrou elegância no modelo branco de Brandon Maxwell. Lady Gaga não conquistou o Oscar para Melhor Canção Original mas deslumbrou na red carpet.

Jovial e descontraída, mas com muita classe, a estrela de Star Wars, Daisy Ridley, não passou despercebida no tapete vermelho. Desfilou num vestido prateado da Chanel, aliando a simplicidade à sofisticação.


Se há mulher que é raro desiludir na red carpet, ela é Jennifer Garner. A actriz escolheu um vestido preto do Atelier Versace que é tudo menos banal. Fabulosa, Garner está certamente entre as mais bem vestidas da noite.


Com o verde esmeralda a realçar a sua pele muito clara e os seus hipnotizantes olhos azuis, Saoirse Ronan não conquistou nenhum Oscar mas todos demos pela sua presença. A talentosa actriz, de 21 anos, desfilou num vestido Calvin Klein, de decote profundo. O cabelo solto fez a combinação perfeita.


Num ano onde o preto e branco predominaram (não tanto na minha lista), Charlize Theron não foi de modas e surgiu fabulosa num vestido vermelho Dior. O profundo decote em V e a saia tipo sereia acentuaram a silhueta da actriz que, aos 40 anos, continua a não dar hipótese na passadeira vermelha. É mesmo um "mulherão" de uma elegância invejável.

Oscars 2016: Vencedores

É esta noite que ficamos a conhecer os grandes vencedores dos Oscars. Por aqui, estamos a actualizar em tempo real.
Melhor Filme
A Queda de Wall Street
Ponte dos Espiões
Brooklyn
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
The Revenant - O Renascido
Quarto
O Caso Spotlight

Melhor Actor
Bryan Cranston por Trumbo
Matt Damon por Perdido em Marte
Leonardo DiCaprio por The Revenant - O Renascido
Michael Fassbender por Steve Jobs
Eddie Redmayne por A Rapariga Dinamarquesa

Melhor Actriz
Cate Blanchett por Carol
Brie Larson por Quarto
Jennifer Lawrence por Joy
Charlotte Rampling por 45 Anos
Saoirse Ronan por Brooklyn

Melhor Actor Secundário
Christian Bale por A Queda de Wall Street
Tom Hardy por The Revenant - O Renascido
Mark Ruffalo por O Caso Spotlight
Mark Rylance por A Ponte dos Espiões
Sylvester Stallone por Creed: O Legado de Rocky

Melhor Actriz Secundária 
Jennifer Jason Leigh por Os Oito Odiados
Rooney Mara por Carol
Rachel McAdams por O Caso Spotlight
Alicia Vikander por A Rapariga Dinamarquesa
Kate Winslet por Steve Jobs

Melhor Realizador
Adam McKay por A Queda de Wall Street
George Miller por Mad Max: Estrada da Fúria
Alejandro G. Iñárritu por The Revenant - O Renascido
Lenny Abrahamson por Quarto
Tom McCarthy por O Caso Spotlight

Melhor Argumento Original
A Ponte dos Espiões, Matt Charman e Ethan Coen & Joel Coen
Ex Machina, Alex Garland
Divertida-mente, Pete Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley; História original de Pete Docter, Ronnie del Carmen
O Caso Spotlight, Josh Singer e Tom McCarthy
Straight Outta Compton, Jonathan Herman e Andrea Berloff; História de S. Leigh Savidge, Alan Wenkus e Andrea Berloff

Melhor Argumento Adaptado
A Queda de Wall Street, Charles Randolph e Adam McKay
Brooklyn, Nick Hornby
Carol, Phyllis Nagy
Perdido em Marte, Drew Goddard
Quarto, Emma Donoghue

Melhor Filme de Animação
Anomalisa, Charlie Kaufman, Duke Johnson e Rosa Tran
O Menino e o Mundo, Alê Abreu
Divertida-mente, Pete Docter e Jonas Rivera
A Ovelha Choné - O Filme, Mark Burton e Richard Starzak
When Marnie Was There, Hiromasa Yonebayashi e Yoshiaki Nishimura

Melhor Filme Estrangeiro
O Abraço da Serpente - Colômbia
Mustang - França
Filho de Saul - Hungria
Theeb - Jordânia
A War - Dinamarca

Melhor Fotografia
Carol, Ed Lachman
Os Oito Odiados, Robert Richardson
Mad Max: Estrada da Fúria, John Seale
The Revenant - O Renascido, Emmanuel Lubezki
Sicario, Roger Deakins

Melhor Montagem
A Queda de Wall Street, Hank Corwin
Mad Max: Estrada da Fúria, Margaret Sixel
The Revenant - O Renascido, Stephen Mirrione
O Caso Spotlight, Tom McArdle
Star Wars: O Despertar da Força, Maryann Brandon e Mary Jo Markey

Melhor Design de Produção
Ponte dos Espiões, Adam Stockhausen, Rena DeAngelo e Bernhard Henrich
A Rapariga Dinamarquesa, Eve Stewart, Michael Standish
Mad Max: Estrada da Fúria, Colin Gibson, Lisa Thompson
Perdido em Marte, Arthur Max, Celia Bobak
The Revenant - O Renascido, Jack Fisk, Hamish Purdy

Melhor Guarda-Roupa
Carol, Sandy Powell
Cinderela, Sandy Powell
A Rapariga Dinamarquesa, Paco Delgado
Mad Max: Estrada da Fúria, Jenny Beavan
The Revenant - O Renascido, Jacqueline West

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Mad Max: Estrada da Fúria, Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin
O Centenário Que Fugiu Pela Janela e Desapareceu, Love Larson e Eva von Bahr
The Revenant - O Renascido, Siân Grigg, Duncan Jarman e Robert Pandini

Melhor Banda Sonora Original
Ponte dos Espiões, Thomas Newman
Carol, Carter Burwell
Os Oito Odiados, Ennio Morricone
Sicario, Jóhann Jóhannsson
Star Wars: O Despertar da Força, John Williams

Melhor Canção Original
Earned It, de As Cinquenta Sombras de Grey
Manta Ray, de Racing Extinction
Simple Song #3, de A Juventude
Til It Happens To You, de The Hunting Ground
Writing's On The Wall, de 007 - Spectre

Melhores Efeitos Sonoros
A Ponte dos Espiões, Andy Nelson, Gary Rydstrom e Drew Kunin
Mad Max: Estrada da Fúria, Chris Jenkins, Gregg Rudloff, Ben Osmo
Perdido em Marte, Paul Massey, Mark Taylor e Mac Ruth
The Revenant - O Renascido, Jon Taylor, Frank A. Montaño, Randy Thom e Chris Duesterdiek
Star Wars: O Despertar da Força, Andy Nelson, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson

Melhor Montagem de Som
Mad Max: Estrada da Fúria, Mark Mangini e David White
Perdido em Marte, Oliver Tarney
The Revenant - O Renascido, Martin Hernandez e Lon Bender
Sicario, Alan Robert Murray
Star Wars: O Despertar da Força, Matthew Wood e David Acord

Melhores Efeitos Visuais
Ex Machina, Andrew Whitehurst, Paul Norris, Mark Ard|gton e Sara Bennett
Mad Max: Estrada da Fúria, Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver e Andy Williams
Perdido em Marte, Richard Stammers, Anders Langlands, Chris Lawrence e Steven Warner
The Revenant - O Renascido, Rich McBride, Matthew Shumway, Jason Smith e Cameron Waldbauer
Star Wars: O Despertar da Força, Roger Guyett, Patrick Tubach, Neal Scanlan e Chris Corbould

Melhor Documentário
Amy, Asif Kapadia e James Gay-Rees
Cartel Land, Matthew Heineman e Tom Yellin
The Look of Silence, Joshua Oppenheimer e Signe Byrge Sørensen
What Happened, Miss Simone?, Liz Garbus, Amy Hobby e Justinin Wilkes
Winter on Fire: Ukraine's Fight for Freedom, Evgeny Afineevsky e Den Tolmor

Melhor Curta Documental
Body Team 12, David Darg e Bryn Mooser
Chau, Beyond the Lines, Courtney Marsh e Jerry Franck
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah, Adam Benz|e
A Girl in the River: The Price of Forgiveness, Sharmeen Obaid-Chinoy
Last Day of Freedom, Dee Hibbert-Jones e Nomi Talisman

Melhor Curta de Animação
Bear Story, Gabriel Osorio e Pato Escala
Prologue, Richard Williams e Imogen Sutton
Sanjay's Super Team, Sanjay Patel e Nicole Grindle
We Can't Live without Cosmos,  Konstantin Bronzit
World of Tomorrow, Don Hertzfeldt

Melhor Curta
Ave Maria, Basil Khalil e Eric Dupont
Day One, Henry Hughes
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut), Patrick Vollrath
Shok, Jamie Donoughue
Stutterer, Benjamin Cleary e Serena Armitage

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Melhor Filme

Chego, finalmente, à análise dos nomeados para Melhor Filme. Esta é uma edição em que sinto a ausência de filmes que gostei muito e não conseguiram a nomeação - Os Oito Odiados, 45 Anos ou Carol, por exemplo. Ainda assim, há três filmes que, a meu ver, mereciam a estatueta dourada. Eis os oito nomeados, mais uma vez por ordem de preferência.

É o meu preferido do coração. Emocionou-se e surpreendeu-me por se revelar muito mais profundo e do que poderia parecer à primeira vista. O romance existe, sim, mas em jogo está algo maior: o sentimento de pertença. Afinal, onde está o nosso verdadeiro Lar? John Crowley vai até aos anos 50 e, apesar da dura jornada dos irlandeses, as cores e o ambiente são vivazes, cheios de sorrisos, de música e alegria, e, mesmo nos momentos dramáticos e introspectivos, a cor predomina, como uma esperança que não se desvanece.

Uma experiência inebriante e cruel para o espectador. The Revenant é um filme pesado, onde o instinto de sobrevivência é alimentado pelo desejo de vingança, numa jornada violenta e visceral. Desta vez, Iñárritu exibe-se mas com brilhantismo e proporciona aos actores um desafio como poucos.

Era, possivelmente, o menos esperado dos nomeados, mas ele cá está e em força. As cores fortes pintam a desolação deste mundo apocalíptico dominado por homens demoníacos. Mad Max regressou ao grande ecrã em grande forma e, desta vez, até é ofuscado pelo brilho das mulheres de armas que lutam pela dignidade dos seus. Uma surpresa cheia de acção, girl power, com George Miller ao comando a mostrar como, fiel ao original q.b., Mad Max também se sabe actualizar.

Boas histórias de jornalistas são comigo. Despertam-me inevitavelmente o interesse. O Caso Spotlight não será um filme especialmente marcante, mas é um excelente regresso aos filmes de jornalistas, dos bons. O realizador trouxe para o cinema uma das grandes investigações jornalísticas dos últimos tempos e conta-a ao mundo. Simples e eficaz, o filme de Tom McCarthy faz o que os jornalistas têm por regra fazer: contar um "estória" - com clareza e dedicação.

A Queda de Wall Street mune-se de um argumento bem construído e resulta numa critica mordaz ao ciclo vicioso do crédito. Com muito humor, Adam McKay é tão simples como arrojado e dá uma aula sobre a crise à plateia, provoca-a. Usa a câmara como se de um documentário se tratasse, aproximando o espectador das personagens, das suas expectativas e desilusões. Os actores, por vezes, olham-nos nos olhos e falam para a câmara, integrando-nos como se não houvesse qualquer ecrã a separar-nos. Somos uma espécie de espectador-participante. 

Spielberg mune-se dos actores ideais, e dá-nos mais uma lição de história, com personagens bem exploradas e um suspense de invejar. A desconfiança paira nas sombras, nas ruas geladas e inseguras, nas salas de negociação. Mais ou menos conhecedores desta época, é impossível tirar os olhos do ecrã e o tempo - quase 2h30 de filme - passa a voar.

Ridley Scott já teve muito mais êxito e ambição ao viajar no espaço. Perdido em Marte é bom entretenimento, mas o público parece conseguir adivinhar cada novo desenvolvimento da narrativa, cada nova "surpresa" e até o final - que poderia ter sido muito mais impactante. Afinal, quem acabou por se perder no planeta vermelho foi o realizador. Esperemos que, pelo menos por lá, encontre a inspiração necessária para as sequelas de Prometheus.

Querem arruinar uma boa história? Quarto ensina-vos como. Nos cativantes primeiros 50 minutos, a longa-metragem esgota totalmente a ideia que tinha ainda muito por explorar e transforma-se em mais um filme sentimental, a chamar pela lágrima fácil.

Estreias da Semana #209

Seis filmes chegaram esta Quinta-feira às salas de cinema portuguesas. Filho de SaulSalve, César! Zootrópolis são algumas das estreias.

Filho de Saul (2015)
Son of Saul
Outubro de 1944, Auschwitz-Birkenau. Saul Ausländer é um membro húngaro do Sonderkommando, o grupo de prisioneiros judeus isolados do campo de concentração e forçados a dar apoio aos nazis no processo de exterminação em larga escala. Durante os trabalhos num dos crematórios, Saul descobre o corpo de um rapaz que ele reconhece como sendo o seu filho. Enquanto os Sonderkommando planeiam uma revolta, Saul fica obcecado com a missão de salvar o corpo do rapaz de uma autópsia e encontrar um rabino para lhe recitar as orações Kaddish e realizar o funeral.

Left Behind - A Última Profecia (2014)
Left Behind
Após o misterioso desaparecimento de milhões de pessoas em todo o mundo, o experiente piloto Ray Steele (Nicholas Cage) tem de fazer tudo ao seu alcance para proteger os passageiros a bordo do seu voo comercial. Sem apoio, a 30 mil pés de altitude, encontra-se entre o céu e o inferno que se tornou a terra onde procura aterrar, enquanto tenta compreender a razão para o acontecimento que assolou o planeta.

Os Deuses do Egipto (2016)
Gods of Egypt
O mortal Bek (Brenton Thwaites) inicia uma viagem para salvar o mundo e a mulher que ama. Para tal, tenta convencer o poderoso deus Horus (Nikolaj Coster-Waldau) a ajudá-lo a enfrentar Set (Gerard Butler), o impiedoso deus das trevas que se apoderou do trono egípcio e mergulhou o próspero e pacífico império no caos e na guerra.

Salve, César! (2016)
Hail Caesar!
Na era dourada de Hollywood, Baird Whitlock (George Clooney), um actor canastrão, é raptado durante a rodagem de um épico passado na era do Império Romano. Os raptores pedem 100 mil dólares de resgate e afirmam ser "O Futuro". Eddie Mannix (Josh Brolin) é um director da Capitol Studios que, de repente, perde a estrela da sua gigantesca produção e tem apenas um dia para o encontrar.

Triplo 9 (2015)
Triple Nine
Um grupo de policias corruptos é chantageado pela máfia russa para executar um assalto aparentemente impossível. Para terem o caminho livre, planeiam assassinar um policia novato a fim de emitirem um "999", o código que assinala "agente abatido".

Zootrópolis (2016)
Zootopia
A moderna metrópole mamífera de Zootrópolis é uma cidade como não existe igual. Composta por zonas de habitats, como a luxuosa Sahara Square e a gelada Tundratown, é um local onde animais de todas as espécies podem viver juntos – um sítio onde não interessa quem se é, desde o maior elefante até ao mais pequeno rato, pois cada um pode ser quem quiser. Mas para a Judy Hopps, ser o primeiro coelho numa força policial de grandes e difíceis animais, não é fácil. Determinada a vingar, agarra a oportunidade de resolver um caso, mesmo que isso signifique ser parceira da faladora, rápida e fraudulenta raposa, Nick Wilde, para resolver o mistério.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: As Actrizes Principais

Na análise dos nomeados nas categorias de interpretação, termino com as actrizes principais. Três actrizes muito jovens competem com duas consagradas. Duas das nomeadas já arrecadaram Oscars em outros anos. Talento não falta, mas a favorita à vitória desta vez é, para mim, a mais fraca das nomeadas. Aqui fica a minha listagem, por ordem de preferência.

1. Jennifer Lawrence por Joy
Se há ano em que Jennifer Lawrence mais merecesse receber o Oscar era este. Ela enche Joy de credibilidade e determinação, de emoções reais, sofrimento, desilusões, desamparo. O drama (e à séria, de preferência) é feito para Lawrence - e vice-versa - ou, afinal, não foi o duríssimo Despojos de Inverno que a catapultou para a fama com a sua primeira nomeação para os Oscars? A actriz prova que está muito acima de estereótipos e Joy é fruto do seu esforço e entrega, das suas lágrimas. A mulher-prodígio que dá tudo pelos outros, nada recebe em troca e pouco faz por si.

2. Charlotte Rampling por 45 Anos
A veterana desta edição é Charlotte Rampling e consegue chegar bem perto do público com Kate. A sua personalidade calma, tranquila, é perturbada por um estranho ciúme de um passado que não é o seu. O sentimento de posse inerente ao casamento vem ao de cima e todas as recordações do marido a deixam devastada, magoada, perdida. Sem exteriorizar, sabemos exactamente o que Kate sente. O seu rosto não nos engana entre os sorrisos de ocasião: ela está em grande sofrimento.

3. Saoirse Ronan por Brooklyn
Aos 21 anos, Saoirse Ronan é a mais jovem da categoria este ano. Uma Eilis realista, simples, cheia de expectativas, objectivos e muitas saudades da mãe e irmã. Novos horizontes fazem crescer igualmente as fronteiras da mente e, em Brooklyn, a transformação na protagonista vê-se através da sua personalidade, mais forte e carismática. A actriz tem uma interpretação à altura de Eilis que, na sua simplicidade e contenção, consegue transpor o ecrã e conquistar a plateia.

4. Cate Blanchett por Carol
Blanchett é sempre fabulosa nos seus papéis. Como Carol é madura, sensual, charmosa, presa a um casamento que acabou há muito e que a faz reprimir sentimentos. Numa interpretação comedida como a sua personagem, a actriz transborda elegância e entrega-se sem pudor às cenas mais íntimas.

5. Brie Larson por Quarto
Com um papel exigente, Brie Larson está competente na sua personagem trágica, Ma. O medo, as tentativas desesperadas de elaborar um plano de fuga eficaz, as histórias fantasiosas com que tenta justificar ao filho as perguntas difíceis oferecem uma forte possibilidade da actriz conquistar o Oscar. A mim, contudo, não convenceu o suficiente.

4º aniversário do Hoje Vi(vi) um Filme


Começou a 26 de Fevereiro de 2012 e cá continua. Parabéns ao meu bebé-blog, fiel companheiro de devaneios cinéfilos.

Oscars 2016: Os Actores Principais

Avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Duas interpretações surpreendentes e outra que as segue de perto distanciam-se das restantes. Eis os nomeados, por ordem de preferência.

Se não for desta, não sabemos que mais terá Leonardo DiCaprio que fazer para receber um Oscar. O actor tem um desempenho assombroso como Hugh Glass, de uma exigência física imensa. Sem falas durante grande parte do filme, DiCaprio sabe servir-se do corpo e das expressões faciais para dizer muito mais do que as palavras o permitiriam.

Vencedor do Oscar para Melhor Actor em 2015, Redmayne tenta repetir o feito este ano. E se como Stephen Hawking foi surpreendente, na pele de Lili Elbe não ficou atrás. Os gestos, o olhar, os movimentos e a sensibilidade nas palavras, o sofrimento enclausurado que quer sair para sempre, custe o que custar. O protagonista sofre, experimenta, sabe que tem o corpo errado e, a cada pequena mudança, mais mulher se sente. 

3. Michael Fassbender por Steve Jobs
Se o mundo fosse justo Fassbender já podia ter na prateleira pelo menos um Oscar pelo seu papel em Vergonha (já nem falemos em Fome), mas nem nomeado foi. Este ano contabiliza a sua segunda nomeação (a primeira foi por 12 Anos Escravo) e o seu desempenho é exemplar como Steve Jobs. Ele é duro, arrogante, antipático, mas não chega a igualar as fabulosas interpretações nas primeiras duas longas-metragens de Steve McQueen, e dificilmente conseguiria bater Redmayne ou DiCaprio.

4. Bryan Cranston por Trumbo
Cranston é um excelente actor mas o cinema ainda não lhe ofereceu o papel que lhe dê o Oscar. Em Trumbo, tem um bom desempenho, onde até a postura foi trabalhada, mas não há margem de manobra para uma grande interpretação.

Matt Damon é bom actor, ninguém duvida. Contudo, não foi certamente na pele de Mark Watney, o astronauta botânico que fica esquecido em Marte, que o actor se conseguiu superar. Damon tem um desempenho descontraído, com algum humor, no meio da tragédia em que a sua personagem se encontra. É, acima de tudo, divertido vê-lo.

Oscars 2016: As Actrizes Secundárias

Continuamos com os Oscars. Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Bons desempenhos, com especial destaque para Rooney Mara. Das cinco, a mais fraca acaba por ser Kate Winslet, apesar de ter fortes hipóteses de levar o Oscar para casa. Eis as nomeadas, por ordem de preferência.

Carol dá-lhe a sua segunda nomeação para os Oscars. Rooney Mara é a jovem Therese, na inocência da descoberta da paixão e da sexualidade, é uma mulher tímida, mas segura e com muito menos tabus que a sociedade que a rodeia. Deixa-se conquistar e sabe bem o que quer. A actriz continua a provar o seu grande talento e não tem medo de desafios: supera sempre as expectativas. 

2. Jennifer Jason Leigh por Os Oito Odiados
A mulher no meio dos homens. Jennifer Jason Leigh é fabulosa no filme de Tarantino. Perigosa mas hilariante, a actriz rouba as atenções a alguns dos outros sete odiados e tem aqui a merecida nomeação para o Oscar.

Talvez a nomeação para Alicia Vikander fosse mais justa por Ex Machina, mas foi ao lado de Eddie Redmayne que a Academia a destacou. A actriz entrega-se a Gerda, companheira de todos os momentos, efectivamente a responsável pela tomada de consciência da sexualidade do marido, sofre com ele e por ele. Vê-se obrigada a abdicar do amor da sua vida pela felicidade dele - haverá maior prova de amor?

McAdams tem surpreendido pela sua versatilidade. Como jornalista também não desilude. Ela é Sacha Pfeiffer, a mulher desta pequena equipa de investigação jornalística. Muito dedicada, sensível e perspicaz.

5. Kate Winslet por Steve Jobs
A mais fraca das interpretações nomeadas, para mim, é mesmo a de Kate Winslet. Como Joanna Hoffman, a actriz é competente mas não sai do seu registo habitual.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Os Actores Secundários

Os Oscars são já no dia 28 e, como de costume, faço uma pequena análise aos nomeados nas categorias mais esperadas. Começo com o Oscar de Melhor Actor Secundário. Não é uma categoria fácil. A competição é renhida e a qualidade dos actores é enorme. É complicado ordená-los por ordem de preferência, mas aqui fica.

Devem-lhe um Oscar. Mais ainda pelo seu Rocky, agora reformado do ringue, frágil e emocional. Stallone mostra um lado muito humano, a prova de como até os ícones envelhecem e são reais. Emociona-se e emociona-nos, este Rocky Balboa magoado pela vida, que parece descobrir em Adonis a força e vitalidade que os anos lhe roubaram. 

Ele é mesmo bom a fazer de vilão. Tom Hardy consegue encarnar na perfeição Fitzgerald, o homem ausente de sentimentos, com uma maldade imensa a pairar sobre si, sem arrependimentos. Mais um grande desempenho de um actor que ainda continua a ser subvalorizado - justamente deram-lhe a nomeação.

Quase podia passar despercebido, não fosse o magnetismo que emana, que só os bons actores conseguem atingir. Mark Rylance é o espião russo, Rudolf Abel. Um desempenho comedido, de um homem de ar frágil, com uma presença muito forte, acusado de espionagem mas capaz de comover o público.

Num filme de grandes desempenhos, Mark Ruffalo tem possivelmente o desempenho mais forte. Até a postura e forma do actor se movimentar estão diferentes, na pele do jornalista luso-descendente, Mike Rezendes, emocional, corajoso, persistente, sem papas na língua e verdadeiramente incomodado com o caso que investiga.

Christian Bale é um camaleão. Desta vez, vestiu a pele de Michael Burry, o primeiro cérebro a prever a queda do mercado imobiliário. Um homem rebelde, solitário que, praticamente, vive no escritório. O actor incorpora de forma hilariante este homem que se veste e comporta como um adolescente, de baquetas nas mãos e com a cabeça cheia de números.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: As Previsões

E como de costume, dou-vos a conhecer as minhas previsões para a noite dos Oscars. É já na madrugada de Domingo (dia 28) para Segunda-feira que ficaremos a conhecer os grandes vencedores da grande noite do Cinema. Façam as vossas apostas e conheçam as minhas:


Melhor Filme
Ganha: The Revenant - O Renascido
Com possibilidades: A Queda de Wall StreetO Caso Spotlight
Devia Ganhar: The Revenant - O Renascido ou Mad Max: Estrada da Fúria ou Brooklyn

Melhor Actor
Ganha: Leonardo DiCaprio por The Revenant - O Renascido
Com possibilidades: Eddie Redmayne por A Rapariga Dinamarquesa
Devia Ganhar: Leonardo DiCaprio por The Revenant - O Renascido

Melhor Actriz
Ganha: Brie Larson por Quarto
Com Possibilidades: Jennifer Lawrence por Joy
Devia Ganhar: Jennifer Lawrence por Joy

Melhor Actor Secundário
Ganha: Sylvester Stallone por Creed: O Legado de Rocky
Com Possibilidades: Mark Rylance por A Ponte dos Espiões
Devia Ganhar: Sylvester Stallone por Creed: O Legado de Rocky

Melhor Actriz Secundária
Ganha: Alicia Vikander por A Rapariga Dinamarquesa
Com Possibilidades: Kate Winslet por Steve Jobs
Devia Ganhar: Rooney Mara por Carol

Melhor Realizador
Ganha: Alejandro G. Iñárritu por The Revenant - O Renascido
Com possibilidades: George Miller por Mad Max: Estrada da Fúria
Devia Ganhar: George Miller por Mad Max: Estrada da Fúria ou Alejandro G. Iñárritu por The Revenant - O Renascido

Melhor Argumento Original
Ganha: O Caso Spotlight, Josh Singer e Tom McCarthy
Com possibilidades: A Ponte dos Espiões, Matt Charman e Ethan Coen & Joel Coen
Devia Ganhar: Ex Machina, Alex Garland

Melhor Argumento Adaptado
Ganha: A Queda de Wall Street, Charles Randolph e Adam McKay
Com possibilidades: Quarto, Emma Donoghue
Devia Ganhar: Brooklyn, Nick Hornby

Melhor Filme de Animação
Ganha: Divertida-mente, Pete Docter e Jonas Rivera
Com Possibilidades: Anomalisa, Charlie Kaufman, Duke Johnson e Rosa Tran

Melhor Filme Estrangeiro
Ganha: Filho de Saul - Hungria
Com possibilidades: Mustang - França

Melhor Fotografia
Ganha: The Revenant - O Renascido, Emmanuel Lubezki
Com possibilidades: Sicario, Roger Deakins
Devia Ganhar: The Revenant - O RenascidoEmmanuel Lubezki

Melhor Montagem
Ganha: Mad Max: Estrada da Fúria, Margaret Sixel
Com possibilidades: A Queda de Wall Street, Hank Corwin
Devia Ganhar: Mad Max: Estrada da Fúria, Margaret Sixel

Melhor Design de Produção
Ganha: Mad Max: Estrada da FúriaColin Gibson, Lisa Thompson
Com possibilidades: The Revenant - O RenascidoJack Fisk, Hamish Purdy ou Perdido em MarteArthur Max, Celia Bobak
Devia Ganhar: Mad Max: Estrada da Fúria, Colin Gibson, Lisa Thompson

Melhor Guarda-Roupa
Ganha: Mad Max: Estrada da Fúria, Jenny Beavan
Com possibilidades: A Rapariga Dinamarquesa, Paco Delgado
Devia Ganhar: CarolSandy Powell

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Ganha: Mad Max: Estrada da Fúria, Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin
Com Possibilidades: The Revenant - O Renascido, Siân Grigg, Duncan Jarman e Robert Pandini
Devia Ganhar: Mad Max: Estrada da Fúria, Lesley Vanderwalt, Elka Wardega e Damian Martin

Melhor Banda Sonora Original
Ganha: Os Oito Odiados, Ennio Morricone
Com possibilidades: A Ponte dos Espiões, Thomas Newman
Devia Ganhar: Os Oito Odiados, Ennio Morricone

Melhor Canção Original
Ganha: Writing's On The Wall, de 007 - Spectre
Com Possibilidades: Earned It, de As Cinquenta Sombras de Grey
Devia Ganhar: Manta Ray, de Racing Extinction ou Simple Song #3, de A Juventude

Melhor Efeitos Sonoros
Ganha: Mad Max: Estrada da Fúria, Chris Jenkins, Gregg Rudloff ,Ben Osmo
Com possibilidades: The Revenant - O Renascido, Jon Taylor, Frank A. Montaño, Randy Thom e Chris Duesterdiek
Devia Ganhar: Mad Max: Estrada da FúriaChris Jenkins, Gregg Rudloff ,Ben Osmo

Melhor Montagem de Som
Ganha: Mad Max: Estrada da Fúria, Mark Mangini e David White
Com possibilidades: Star Wars: O Despertar da Força, Matthew Wood e David Acord
Devia Ganhar: Mad Max: Estrada da Fúria, Mark Mangini e David White

Melhor Efeitos Visuais
Ganha: Star Wars: O Despertar da Força, Roger Guyett, Patrick Tubach, Neal Scanlan e Chris Corbould
Com possibilidades: Mad Max: Estrada da Fúria, Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver e Andy Williams
Devia Ganhar: Star Wars: O Despertar da Força, Roger Guyett, Patrick Tubach, Neal Scanlan e Chris Corbould ou Mad Max: Estrada da Fúria, Andrew Jackson, Tom Wood, Dan Oliver e Andy Williams

Melhor Documentário
Ganha: Cartel Land, Matthew Heineman e Tom Yellin
Com Possibilidades: Amy, Asif Kapadia e James Gay-Rees

Melhor Curta Documental
Ganha: A Girl in the River: The Price of Forgiveness, Sharmeen Obaid-Chinoy
Com Possibilidades: Chau, Beyond the LinesCourtney Marsh e Jerry Franck

Melhor Curta de Animação
Ganha: World of Tomorrow, Don Hertzfeldt
Com Possibilidades: Sanjay's Super Team, Sanjay Patel e Nicole Grindle
Devia Ganhar: We Can't Live without Cosmos,  Konstantin Bronzit (dos dois nomeados que visualizei, este mostrou-se muito superior)

Melhor Curta
Ganha: Shok, Jamie Donoughue
Com Possibilidades: Day One, Henry Hughes

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Crítica: A Queda de Wall Street / The Big Short (2015)

"Truth is like poetry. And most people fucking hate poetry."
Overheard at a Washington, D.C. bar

*7.5/10*

Não percebe nada da crise financeira? A Queda de Wall Street explica, trocando os termos complexos por "miúdos". No meio da tragédia de muitos, há sempre os que ficam a ganhar e Adam McKay conta-nos tudo com um humor sarcástico ao estilo de "eles bem vos avisaram".

O elenco conta com nomes sonantes e a longa-metragem traz consigo muitos "convidados" surpresa que se interpretam a si mesmos. Os filmes sobre a bolsa não têm de ser massudos e A Queda de Wall Street é a prova: gargalhadas não vão faltar e não vamos querer perder nem um minuto.

A história é simples: quando quatro homens vêem o que os grandes bancos, comunicação social e governo recusaram ver - o colapso global da economia - têm uma ideia. Os seus investimentos avultados levam-nos aos meandros do sistema bancário moderno, onde têm de questionar tudo e todos.

Nos últimos anos, não precisamos de pensar muito para nos lembrarmos de longas-metragens que envolvam temáticas sobre a bolsa, os bancos e a crise. Margin Call - O Dia Antes do Fim (2011) e O Lobo de Wall Street (2013) são dois títulos flagrantes. Dois bons filmes, cada um ao seu estilo, um mais sério, outro hilariante, não são contudo totalmente claros para um público leigo na matéria.


McKay é tão simples como arrojado em A Queda de Wall Street. Usa a câmara como se de um documentário se tratasse, aproximando a plateia das personagens, das suas expectativas e desilusões. A montagem é dinâmica e não deixa ninguém sentir-se aborrecido. Os actores, por vezes, olham-nos nos olhos e falam para a câmara, integrando-nos como se não houvesse qualquer ecrã a separar-nos. Por outro lado, somos conduzidos por um narrador - Ryan Gosling - que nos conta tudo com muito sarcasmo, numa provocação saudável. Somos uma espécie de espectador-participante. 

O elenco faz um bom trabalho, com destaque para Christian Bale e Steve Carell. Bale é Michael Burry o primeiro cérebro a prever a queda do mercado imobiliário. Um homem rebelde, solitário que, praticamente vive no escritório. O actor incorpora de forma hilariante este homem que se veste e comporta como um adolescente, de baquetas nas mãos e com a cabeça cheia de números. Já Carell é Mark Baum, inseguro e quase insuportável, é ele ainda assim quem parece ter a consciência mais pesada com o que acaba de descobrir. Ainda de destacar é a personagem de Ryan Gosling, Jared Vennett, sarcástico e sem escrúpulos, vai proporcionar boas gargalhadas. Quase despercebido passa Brad Pitt na pele de Ben Rickert, o homem que não quer lucrar com a crise, apenas dá uma mãozinha a quem lhe pede ajuda.


A Queda de Wall Street mune-se de um argumento bem construído e resulta numa critica mordaz ao ciclo vicioso do crédito. Com muito humor, Adam McKay dá uma aula sobre a crise à plateia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Córtex 2016: Vencedores

Os vencedores da 6ª edição do Festival Córtex foram anunciados este Domingo, no  Centro Olga Cadaval, em Sintra. Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, venceu a Competição Nacional.


O júri desta edição considerou que Outubro Acabou é uma obra "desarmante, íntimo, que nos faz acreditar ainda no cinema". Este ano, os jurados foram João Braz (editor de cinema), Joana Santos (actriz), Joana Ferreira (produtora de cinema), Miguel Valverde (director do IndieLisboa) e Igor Mirković (director do Motovun Film Festival, na Croácia). O vencedor nacional do Córtex passou também pelo IndieLisboa'15 onde tive oportunidade de vê-lo e fazer uma breve análise.

O Prémio do Público foi atribuído a Pronto, Era Assim, de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues. Na Competição Internacional, Svetlyachok, de Natalya Nazarova, foi o vencedor. Para o júri este trabalho é "uma viagem comovente e arrebatadora, um talento a seguir". Já no Mini-Córtex, os alunos das escolas de Sintra escolheram O Presente, de Jacob Frey, como Melhor Filme.

Sugestão da Semana #208

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Trumbo, que valeu a Bryan Cranston uma nomeação para os Oscars. O filme, apesar de não sair do patamar do mediano, revela-se interessante na medida em que dá a conhecer um pouco melhor um difícil momento para os argumentistas de Hollywood nos anos 40 e 50.

TRUMBO


Ficha Técnica:
Título Original: Trumbo
Realizador: Jay Roach
Actores: Bryan Cranston, Diane Lane, Helen MirrenLouis C.K., Elle Fanning, John Goodman, David Maldonado, David James ElliottRoger BartChristian BerkelDean O'Gorman
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 124 minutos

Balada de um Batráquio vence Urso de Ouro em Berlim

É portuguesa, tem 23 anos e é a mais jovem realizadora de sempre a vencer o Urso de Ouro para melhor curta metragem no Festival de Cinema de Berlim. Leonor Teles triunfou com Balada de um Batráquio.


Depois do seu primeiro filme, Rhoma Acans - que vimos no IndieLisboa'13 e gostámos -, a realizadora continua a explorar as suas origens ciganas no cinema. Em Balada de um Batráquio, Leonor debruça-se sobre a xenofobia que assenta na tradição portuguesa de colocar sapos de loiça à entrada de estabelecimentos comerciais para que pessoas de etnia cigana não entrem. "Através da minha história pessoal pretendi chamar a atenção para um comportamento crescente que se aproveita da crença e da superstição como forma de menosprezar e distanciar outros seres humanos", explica a realizadora.

Foi com o seu documentário interventivo e social que Leonor Teles conquistou a Berlinale. Por cá, resta-nos esperar para assistirmos a esta Balada de um Batráquio.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Estreias da Semana #208

Cinco filmes chegaram às salas de cinema esta Quinta-feira. Mustang, Trumbo Zoolander No. 2 estão entre as estreias da semana.

A Floresta (2016)
The Forest
Sara (Natalie Dormer) viaja até ao Japão em busca da sua irmã gémea desaparecida. A procura acaba por levá-la até à floresta de Aokigahara, um local tradicionalmente usado por suicidas que pretendem pôr fim à vida. Apesar dos avisos para se manter nos trilhos, Sara acaba por entrar nas profundezas da floresta onde é confrontada com as almas atormentadas dos mortos que perseguem quem quer que se atreva a cruzar os seus caminhos.

Mustang (2015)
No início do verão, numa aldeia no norte da Turquia, Lale e as suas quatro irmãs terminam as aulas e divertem-se na praia com colegas de escola. O seu comportamento, apesar de inocente, provoca um escândalo de consequências inesperadas. Órfãs de pai e mãe, as cinco irmãs estão à guarda da avó conservadora e à mercê dos caprichos de um tio retrógrado. A casa da família transforma-se lentamente numa prisão, a escola é substituída por aulas de tarefas domésticas e culinária, e os seus casamentos começam a ser arranjados. Movidas pelo mesmo desejo de liberdade, as cinco irmãs procuram por todos os meios contornar as regras que lhes são impostas.

O Julgamento: Fronteira de Esperança (2014)
Sadilishteto
Numa pequena e pobre aldeia na Bulgária, localizada perto da fronteira com a Turquia e a Grécia, Mityo perde o emprego vê-se forçado a trabalhar para o seu antigo comandante de forma a manter a casa e pagar os empréstimos. A sua missão é contrabandear imigrantes sírios através da fronteira Búlgaro-Turca para a União Europeia.

Trumbo (2015)
A carreira de sucesso do argumentista Dalton Trumbo (Bryan Cranston) durante os anos 40 termina de forma abrupta quando ele e outras personalidades de Hollywood são colocadas na Lista Negra devido às suas crenças políticas. Trumbo narra a história da sua luta contra o governo dos EUA e os chefes dos estúdios.

Zoolander No. 2 (2016)
A última vez que vimos Derek Zoolander (Ben Stiller) e Hansel (Owen Wilson), o duo divertia-se no Centro Derek Zoolander Para Crianças Que Não Sabem Ler Bem E Querem Aprender A Fazer Outras Coisas Bem Também e Mugatu (Will Ferrell) estava atrás das grades. Mas uma catástrofe força o duo ao isolamento. 15 anos depois, Derek e Hansel seguiram caminhos diferentes e permanecem bem longe do resto do mundo. É então que lhes chega um convite especial para participarem num grande evento de moda em Roma. Derek e Hansel conhecem os excêntricos designers que dominam a moda actual e depressa percebem como tudo mudou drasticamente.

Crítica: Mad Max: Estrada da Fúria / Mad Max: Fury Road (2015)

"If I'm gonna die, I'm gonna die historic on the Fury Road!"

Nux
*8/10*

George Miller está aí para as curvas. Mad Max: Estrada da Fúria veio prová-lo. A relação que une o cineasta à personagem data de 1979, com Mel Gibson a encarnar o protagonista em Mad Max - As Motos da Morte. Daí em diante, surgiu uma saga conduzida por Miller, com outro filme em 1981, que culminou com o terceiro em 1985. Ora 30 anos depois, o herói regressou aos ecrãs pela mão do seu criador.

Tom Hardy é quem dá agora corpo a Max, mas a energia e o ambiente tresloucado criado por Miller em 1979 mantém-se, com uma modernidade avassaladora, que em nada faz esquecer as origens da saga.


Temporalmente, não há ligação entre o filme de 2015 e os anteriores (mas os fãs da saga vão encontrar algumas referências). Em Mad Max: Estrada da Fúria, Max acredita que a melhor forma de sobreviver é não depender de mais ninguém para além de si próprio. Ainda assim, acaba por se juntar a um grupo de rebeldes que atravessa a Wasteland numa máquina de guerra conduzida por uma Imperatriz de elite, Furiosa (Charlize Theron). Este bando está em fuga de uma cidadela tiranizada por Immortan Joe, a quem algo insubstituível foi roubado. Exasperado com a sua perda, o Senhor da Guerra reúne o seu gang e inicia uma perseguição aos rebeldes e uma feroz Guerra na Estrada.

Um cenário pós-apocalíptico australiano absorve-nos para um deserto onde não queremos viver: sem lei, uma terra infértil, onde reina a fome, a sede e a submissão a um vilão demoníaco. A história ganha ritmo com a fuga de um grupo de rebeldes - todas mulheres -, que se insurgem contra o temível ditador. No início da perseguição, Max junta-se a elas, e perde muito do protagonismo para a sua líder, Furiosa. Muitos apelidaram Mad Max: Estrada da Fúria de um filme feminista, devido ao grupo de "heroínas". Eu considero-o antes um filme anti-machista. Mulheres oprimidas querem apenas ser livres.

Mas Mad Max é, principalmente, técnico. A fantástica realização proporciona-nos um espectáculo visual assombroso, o som e a montagem dinâmica realçam a acção e o suspense na medida certa sem frenesim desnecessário, a caracterização é eficaz, quase a funcionar como uma forma simples de distinguir o lado bom do mau. Ao mesmo tempo, a opção de Miller pela fotografia repleta de cor e a direcção artística a proporcionar-nos imagens cheias de beleza no meio da decadência, num corajoso contraste, demonstram a sua forte faceta autoral.


Nas interpretações, Tom Hardy é o nosso herói solitário sem nada a perder que se junta a quem precisa da sua ajuda. Um Max mais comedido, mas com o mesmo sentido de justiça. Charlize Theron usa do seu lado mais obscuro ao vestir a pele de Furiosa e é quem mais se destaca, numa interpretação poderosa de uma mulher pronta para a guerra, cansada de ser subjugada. Ainda de realçar é a interpretação segura de Nicholas Hoult como Nux.

As cores fortes pintam a desolação deste mundo apocalíptico dominado por homens demoníacos. Mad Max regressou ao grande ecrã em grande forma e, desta vez, até é ofuscado pelo brilho das mulheres de armas que lutam pela dignidade dos seus. Uma surpresa cheia de acção, girl power, com George Miller ao comando a mostrar como, fiel ao original q.b., Mad Max também se sabe actualizar.