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domingo, 9 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: As Actrizes Principais

Passamos às nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz. Das cinco actrizes, apenas vi o desempenho de três. Não falarei portanto de Renee Zellweger (a quase certa vencedora deste ano) nem de Cynthia Erivo. Das restantes, todas as nomeadas tiveram bons desempenhos, sendo que duas delas se destacam da terceira. Aqui fica a minha listagem das nomeadas, por ordem de preferência.
Saoirse é Jo, a feminista emancipada que sonha ser independente através do seu dom para a escrita e acredita que não precisa casar para ser feliz. Tão focada na sua independência e individualidade enquanto mulher, de repente, vê-se rodeada de solidão. O talento para a escrita desvanece-se a par dos laços, esses que a inspiravam e a motivavam a criar histórias, sem esforço. Saoirse Ronan encaixa perfeitamente na personagem, destemida, corajosa e cheia de garra - com o orgulho por vezes a prejudicá-la.


Em Bombshell, Charlize Theron é camaleónica para além da maquilhagem, vestindo a pele de Megyn Kelly com destreza, confiança e ambição. Uma mulher poderosa que sofreu assédio e, provavelmente, se julgava sozinha. Quando desafia as ideias de Trump - ele que tanto ama a Fox News -, vê a sua carreira em risco, com o ódio a cercá-la.

Scarlett Johansson é Nicole, a mulher à beira de um divórcio difícil. O filme faz-nos sentir menos ligados à protagonista, com quem somos menos compreensivos, menos solidários. Ao mesmo tempo, a actriz não se encaixa tão bem em papéis tão exigentes e dramáticos, sendo muito notáveis as suas fraquezas. Ainda assim, é inevitável destacar a discussão entre Charlie e Nicole, intensa e carregada de emoções, onde Driver e Johansson dão tudo de si.

Cynthia Erivo (Harriet)

Sem avaliação

Renée Zellweger (Judy)

Sem avaliação

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Crítica: Mulherzinhas / Little Women (2019)

"I can't get over my disappointment at being a girl."
Jo March


*8/10*

Clássica e feminina, Greta Gerwig emancipou-se a par das suas Mulherzinhas, numa adaptação cinematográfica especialmente bem concretizada. Enquanto realizadora, cresceu a olhos vistos e começa a ganhar identidade; como argumentista ganhou uma maturidade inspiradora.

Louisa May Alcott era uma mulher à frente no seu tempo e ver, em pleno século XXI, a adaptação cinematográfica de um romance do século XIX, sentindo-o tão actual, com problemáticas feministas que ainda hoje se colocam, de uma forma ou de outra, mostra como Greta incorporou bem as ideias da autora norte-americana e adaptou-as ao ecrã de um modo moderno e singular.

As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) vivem a passagem da infância para a vida adulta, enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Vivem com dificuldades com a mãe (Laura Dern). Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer, unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.


O filme de Gerwig começa quando as irmãs são já adultas, recuando depois sete anos. A partir daí, a acção desenrola-se em duas linhas temporais distintas. As cores quentes contrastam com as frias, numa clara diferenciação temporal, entre os felizes tempos da infância, cheios de sonhos, e a dureza da vida adulta, com desgostos e perdas.

Os papéis importantes estão nesta história destinados às mulheres - ao contrário do que ainda hoje continua a acontecer na sociedade real -, as personagens masculinas dependem de uma maneira ou de outra destas mulheres para viverem ou serem felizes. Esta constatação é irónica, mais ainda quando todas as personagens femininas têm um carácter muito mais forte e complexo que os homens. Alcott fê-lo há quase dois séculos, Gerwig reafirma-o. Estas mulheres são artistas, de ideias claras e informadas, e o seu discurso prova-o.


Jo é a feminista emancipada que sonha ser independente através do seu dom para a escrita e está decidida que não precisa de casar para ser feliz. Tão focada na sua independência e individualidade enquanto mulher, de repente, vê-se rodeada de solidão. O talento para a escrita desvanece-se a par dos laços, esses que a inspiravam e a motivavam a criar histórias, sem esforço. Saoirse Ronan encaixa perfeitamente na personagem, destemida, corajosa e cheia de garra - com o orgulho por vezes a prejudicá-la. Emma Watson é Meg, a mais velha e mais tradicional das quatro irmãs. Apaixonada pelo teatro, ambiciona casar e ter filhos, com alguém que realmente ame, independentemente do dinheiro que possua. Amy é a mais nova, quer ser pintora mas cedo percebe que pintar nunca lhe garantirá o futuro. Uma jovem mimada, apaixonada, por vezes maliciosa, mas especialmente esclarecida. Florence Pugh interpreta-a com a fúria e clarividência que a personagem pede. Beth, num desempenho doce e tranquilo de Eliza Scanlen, é frágil mas apaziguadora, dotada para a música, protectora e protegida das irmãs. Laura Dern - numa interpretação contida mas dotada de emoção - é a mãe protectora e compreensiva, uma mulher sempre pronta a ajudar o próximo. Aparentemente feliz e paciente, guarda em si preocupação e raiva que insiste em não revelar. Meryl Streep é a Tia March, uma mulher rica, mas solitária e desagradável, que faz questão de relembrar as sobrinhas do fado que espera uma mulher sem dinheiro.


As personagens femininas são apaixonantes e inspiradoras. Modernas na sua concepção clássica. As suas personalidades transformam esta versão de Mulherzinhas num trabalho singular. Os planos sequência, os diálogos aguerridos, o guarda-roupa pensado ao pormenor e a banda sonora de Alexandre Desplat, tudo se funde para criar este clássico moderno do século XXI.

Curiosamente, Greta Gerwig estava grávida do primeiro filho enquanto filmava Mulherzinhas, num desafio a dobrar que parece ter sido inspirador. A realizadora desabrochou e, depois da adolescência problemática de Lady Bird, mostra uma imensa maturidade e respeito pela obra que adapta, afirmando-se como uma das grandes realizadoras da actualidade.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Sugestão da Semana #414

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Mulherzinhas, de Greta Gerwig. A mais recente adaptação do romance de Louisa May Alcott conta com Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Eliza Scanlen, Laura Dern, Meryl Streep e Timothée Chalamet no elenco.

MULHERZINHAS


Ficha Técnica:
Título Original: Little Women
Realizadora: Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Eliza Scanlen, Laura Dern, Meryl Streep, Timothée Chalamet
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 135 minutos

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Globos de Ouro 2020: Red Carpet

Mais uma edição dos Globos de Ouro e chega a primeira análise à red carpet de 2020, no Hoje Vi(vi) um Filme. Numa passadeira vermelha com alguma exuberância, escolhi os modelos que mais me agradaram, alguns bastante discretos, por sinal. Porque todos temos os nossos favoritos. 


Nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Actriz (Drama), SCARLETT JOHANSSON surgiu num vestido Vera Wang, vermelho vistoso. O decote em V e o laço nas costas fizeram-na sobressair na red carpet


Vencedor do Globo de Ouro para Melhor Actor Secundário, BRAD PITT surgiu elegante, num fato Brioni, mas sempre com o seu toque rebelde, de cabelo comprido.


LAURA DERN conquistou o Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária e deslumbrou neste modelo preto florido Saint Laurent que lhe deu um ar jovem, a condizer com o cabelo solto. Radiante.


REESE WITHERSPOON apostou num modelo que nunca passa de moda. A actriz desfilou num elegante vestido branco justo Roland Mouret.


SAOIRSE RONAN também optou pela simplicidade num vestido de alças Celine, reluzente em tons prateados, com uma abertura lateral. O cabelo ainda lhe deu mais glamour.


Mesmo que quisesse, SOFIA VERGARA nunca passaria despercebida numa red carpet. Desta vez, a actriz optou por um vestido Dolce & Gabbana em tons bordô com uns pormenores dourados, que fez jus à sua figura.


HELEN MIRREN está sempre fabulosa na passadeira vermelha. A actriz desfilou num modelo muito elegante e jovial Christian Dior em tons de vermelho-bordô. Cabelo, maquilhagem e jóias realçaram ainda mais a beleza da actriz veterana.


KIRSTEN DUNST optou por um modelo discreto em tons rosa da Rodarte, que lembra os contos de fadas. Os bordados e o efeito junto aos ombros e pescoço deram-lhe um toque quase angelical.


MARGOT ROBBIE levou um dos modelos que mais gostei nesta noite. Elegante e prática, a actriz nomeada desfilou num vestido Chanel, de top cheio de cor e saia branca com bolsos.


A nomeada ANA DE ARMAS foi a minha favorita a desfilar na red carpet. Ninguém lhe ficaria indiferente. O vestido azul escuro cintilante Ralph & Russo revelou uma mulher confiante e segura. Cabelo, maquilhagem e jóias combinaram na perfeição para um look estrondoso.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Globos de Ouro 2019: Red Carpet

Passou-se mais uma edição dos Globos de Ouro e eis que surge a primeira análise à red carpet de 2019, aqui no blog. Como sempre, escolho alguns dos vestidos que mais gostei de ver desfilar na passadeira vermelha (apenas gosto pessoal, sem grandes conhecimentos de moda), porque todos gostamos de escolher os nossos favoritos. Vou apenas destacar modelos femininos, mas aproveito para ressalvar que Mahershala Ali foi um dos homens mais bem vestidos da noite, com a escolha arrojada de Timothée Chalamet a segui-lo de perto.


JAMIE LEE CURTIS surgiu cheia de elegância e presença num vestido branco Alexander Wang que realça a sua figura esbelta, por onde parece que os anos não passam.


KRISTEN BELL vestiu um daqueles vestidos que nunca passam de moda e são normalmente uma boa escolha. Um modelo rosa claro Zuhair Murad, com decote em V. Simples, discreto e eficaz.


PATRICIA CLARKSON conquistou o Globo de Ouro para Melhor Actriz Secundária pela série Sharp Objects, mas também triunfou na passadeira vermelha. Desfilou com um vestido Georges Chakra Couture em tons coral, entre os laranjas e rosas, que a favoreceu e fê-la destacar-se.


JULIA ROBERTS arriscou no visual, mas sem perder a elegância, com este modelo bege Stella McCartney, com uma cauda, a acompanhar as calças pretas. Um modelo que apela à sua eterna jovialidade.


Rendas não são para todas, mas EMILY BLUNT apostou neste vestido Alexander McQueen, prateado rendado, e brilhou na red carpet. A nova Mary Poppins não venceu nenhuma estatueta mas na passadeira foi vencedora, entre elegância e rebeldia.


EMMA STONE surgiu simples e discreta, em tons coral, num bonito vestido Louis Vuitton, muito ao estilo que nos tem habituado nestas cerimónias. Apostou pelo seguro e não se saiu nada mal, já que os detalhes prateados dão vida e movimento à simplicidade do modelo.


A nomeada CLAIRE FOY esteve encantadora. Um discreto vestido amarelo, com detalhes em prata, da Miu Miu, ficou a condizer com o fabuloso penteado clássico, os brincos e a maquilhagem. Um dos visuais mais bonitos da noite.


DAKOTA FANNING desfilou com um dos meus modelos favoritos da noite, um vestido branco-prata da Armani Prive, a contrastar com um batom vermelho que lhe deu imensa presença. 


SAOIRSE RONAN não deixa de constar como uma das mais bem vestidas, uma vez mais. A actriz está fabulosa neste modelo Gucci de decote em V. Aparentemente tão simples, o visual marca pelos pormenores do vestido.


ALISON BRIE foi uma espécie de princesa sexy da noite. Amo este modelo tão clássico como arrojado Vera Wang, com uma saia em tule muito romântica e o top prateado a quebrar as regras.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Ads & Cinema #25

Lupita Nyong'o e Saoirse Ronan são as estrelas do anúncio do perfume Calvin Klein Women. A campanha já tem uns meses, mas é um dos spots mais vistos na televisão e redes sociais nesta época natalícia.


Um clip feminino e sensível onde a simplicidade e beleza das duas actrizes se conjugam na perfeição, recuperando, ao mesmo tempo, divas e influências de outros tempos (Eartha Kitt, Katharine Hepburn, Sissy Spacek e Nina Simone).

Eis o spot publicitário:


Ainda como parte da campanha estão disponíveis dois clips com Nyong'o e Ronan, em grande cumplicidade, à conversa num sofá.


domingo, 11 de março de 2018

Sugestão da Semana #315

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme destaca Lady Bird, de Greta Gerwig. O filme esteve nomeado para cinco Oscars da Academia e a crítica pode ser lida aqui.

LADY BIRD


Ficha Técnica:
Título Original: Lady Bird
Realizadora: Greta Gerwig
Actores: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet
Género: Comédia, Drama
Classificação: M/14
Duração: 94 minutos

sexta-feira, 2 de março de 2018

Oscars 2018: As Actrizes Principais

Mais um ano de interessantes personagens femininas. As duas primeiras da lista têm desempenhos muito fortes, a quinta nomeada parece já ter lugar cativo, roubando sempre a vaga para alguém que realmente merece. Este ano, Kate Winslet, por Roda Gigante, é uma das principais esquecidas. Aqui fica a minha listagem das nomeadas, por ordem de preferência.

1. Frances McDormand, Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Frances McDormand é uma força da Natureza na pele de Mildred Hayes, uma mãe-justiceira, sem medo de consequências, sem remorsos, sem papas na língua. Ela nunca sorri, é fria, dura, mas também chora. Já foi vítima, mas aprendeu a não se sentir intimidada por nada, desafia a autoridade e as provocações e protege os seus como pode.



Margot Robbie reinventa-se na pele da protagonista Tonya, expressiva e camaleónica. A actriz assusta-nos (no bom sentido) com alguns olhares e sorrisos, mais ameaçadores e tresloucados do que de simpatia, e revela-se empenhada na pele desta mulher que, desde cedo, viveu num ambiente desequilibrado.

3. Sally Hawkins, A Forma da Água (The Shape of Water)


Sally Hawkins encarna uma mulher muda, corajosa e altruísta que parece descobrir a sua razão de viver e luta por ela. Aparenta uma imensa fragilidade mas revela-se muito desafiadora. Uma interpretação tão consistente sem dizer uma palavra não é para todos.

4. Saoirse Ronan, Lady Bird


Saoirse Ronan continua talentosa e nem o sotaque americano a deixa ficar mal. A actriz é uma força da Natureza e prova que ainda tem muito para mostrar. Na pele de Lady Bird sabe convencer-nos de que é, verdadeiramente, uma adolescente insolente e criativa, cheia de sonhos.

5. Meryl Streep, The Post


É grande o destaque que o Spielberg dá ao papel de Katherine Graham, a mulher entre os homens, alvo de desconforto da parte masculina e de admiração das mulheres que ainda não conseguiram a emancipação. Meryl Streep representa bem esta mulher pioneira em cargos de poder, perturbada com o dilema em que a sua posição a coloca. Contudo, está a tornar-se demasiado frequenta a presença da actriz entre os nomeados. Certo que ela faz bem qualquer papel que lhe dêem, mas nem todos são dignos de nomeações, é o caso deste.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Crítica: Lady Bird (2017)

"I want you to be the very best version of yourself that you can be." 
Marion McPherson

*7/10*

Lady Bird é símbolo de amadurecimento e de amor, acima de tudo. Greta Gerwig estreia-se na realização com uma longa-metragem que se despede da adolescência para entrar na idade adulta, com os receios e dilemas que essa transição acarreta. Ao mesmo tempo, o amor à cidade de Sacramento, Califórnia, e a tudo e todos os que a ligam à protagonista, é uma das mensagens mais puras do filme.


Leve e divertido, o filme de Gerwig emana energia positiva. Apesar de estar a ser algo sobrevalorizado por público e crítica, não deixa de ser uma estreia alegre e colorida para uma realizadora sempre ligada a filmes com este tipo de ambiente. 

Apesar de Christine ‘Lady Bird’ McPherson (Saoirse Ronan) lutar contra isso, é exactamente igual à extremamente apaixonada, opinativa e teimosa mãe (Laurie Metcalf), que trabalha incansavelmente como enfermeira para sustentar a sua família depois de o pai (Tracy Letts) ter perdido o emprego.


O conflito está constantemente presente, seja com a mãe ou com a melhor amiga - duas das pessoas que, no fundo, ela mais ama. Discussões inflamadas, exageradas (alguns diálogos roçam o presunçoso) - a idade ajuda -, paixões avassaladoras que depressa se esquecem, mentiras inconscientes, vergonha de quem se é, reacções explosivas e imaturas. Lady Bird constrói-se através destas situações e vai crescendo, tal como a nossa protagonista, até se tornar adulto.

O argumento é a cara de Greta Gerwig, é sólido, divertido, sem grandes compromissos, conta uma história delicodoce e agradável, onde a relação mãe-filha toma um lugar especial. Mas o grande foco está mesmo na mudança, na idade que passa e traz com ela responsabilidades que não se desejam (lembram-se de Frances Ha?). No fim de contas, Greta e Christine têm muito em comum, o que começa desde logo na mesma cidade natal.


A direcção artística faz um óptimo trabalho, transpondo a acção para a época em que decorre, o ano 2002: o início da generalização do telemóvel e de outros fenómenos tecnológicos. A banda sonora acompanha esta temporalidade.

Saoirse Ronan continua talentosa e nem o sotaque americano a deixa ficar mal. A actriz é uma força da Natureza e prova que ainda tem muito para mostrar. Ao seu lado, Laurie Metcalf, a mãe implacável, teimosa e obstinada, cria com a protagonista grandes momentos de emoção - em especial após a segunda metade de Lady Bird.


E no meio da ligeireza que o filme transmite, Greta Gerwig consegue convencer-nos de que, também nós, já tivemos qualquer coisa de Lady Bird: já fomos adolescentes revoltados, extravagantes, com sonhos mirabulantes, duvidas e receios. Mas todos crescemos.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Sugestão da Semana #295

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Paixão de Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman.

A PAIXÃO DE VAN GOGH


Ficha Técnica:
Título Original: Loving Vincent
Realizadores: Dorota Kobiela e Hugh Welchman
Actores: Aidan Turner, Saoirse Ronan, Douglas Booth, Eleanor Tomlinson, Jerome Flynn, Chris O'Dowd, John Sessions
Género: Animação, Biografia, Crime
Classificação: M/14
Duração: 94 minutos


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Red Carpet

E depois de entregues os prémios da grande noite do cinema é tempo de eleger os meus modelos favoritos que desfilaram pela passadeira vermelha dos Oscars. Aqui ficam os meus eleitos e, já sabem, eu não percebo nada de moda.


Jared Leto destacou-se entre os homens pela originalidade. Um cravo vermelho ao pescoço, em vez da gravata, lembrou-nos que o 25 de Abril está perto e conjugou-o muito bem com o seu blazer preto da Gucci.

Flores nasceram no vestido verde claro da nomeada Cate Blanchett. O modelo da Armani com decote em V assenta de forma fabulosa na actriz que transpira elegância e jovialidade.


Houve quem dissesse que ela era o Oscar deste ano, dada a opção pelo dourado. Para mim, Margot Robbie fez a aposta certa, mais jovial que as suas opções em anos anteriores e não menos sensual, mas, acima de tudo, elegante. O vestido Tom Ford consegue ser tão simples como vistoso e realça o visual leve e fresco da actriz.


Sofia Vergara não deixa ninguém indiferente onde quer que esteja. Os Oscars não foram excepção. A actriz surgiu com um vestido Marchesa, longo, cai-cai, azul escuro. Conferiu-lhe elegância, sofisticação e potenciou ainda mais a sua beleza latina.


Já provou que é muito mais do que uma popstar excêntrica. Tem uma voz extraordinária, proporcionou, provavelmente, o melhor momento da noite dos Oscars com a sua actuação e mostrou elegância no modelo branco de Brandon Maxwell. Lady Gaga não conquistou o Oscar para Melhor Canção Original mas deslumbrou na red carpet.

Jovial e descontraída, mas com muita classe, a estrela de Star Wars, Daisy Ridley, não passou despercebida no tapete vermelho. Desfilou num vestido prateado da Chanel, aliando a simplicidade à sofisticação.


Se há mulher que é raro desiludir na red carpet, ela é Jennifer Garner. A actriz escolheu um vestido preto do Atelier Versace que é tudo menos banal. Fabulosa, Garner está certamente entre as mais bem vestidas da noite.


Com o verde esmeralda a realçar a sua pele muito clara e os seus hipnotizantes olhos azuis, Saoirse Ronan não conquistou nenhum Oscar mas todos demos pela sua presença. A talentosa actriz, de 21 anos, desfilou num vestido Calvin Klein, de decote profundo. O cabelo solto fez a combinação perfeita.


Num ano onde o preto e branco predominaram (não tanto na minha lista), Charlize Theron não foi de modas e surgiu fabulosa num vestido vermelho Dior. O profundo decote em V e a saia tipo sereia acentuaram a silhueta da actriz que, aos 40 anos, continua a não dar hipótese na passadeira vermelha. É mesmo um "mulherão" de uma elegância invejável.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: As Actrizes Principais

Na análise dos nomeados nas categorias de interpretação, termino com as actrizes principais. Três actrizes muito jovens competem com duas consagradas. Duas das nomeadas já arrecadaram Oscars em outros anos. Talento não falta, mas a favorita à vitória desta vez é, para mim, a mais fraca das nomeadas. Aqui fica a minha listagem, por ordem de preferência.

1. Jennifer Lawrence por Joy
Se há ano em que Jennifer Lawrence mais merecesse receber o Oscar era este. Ela enche Joy de credibilidade e determinação, de emoções reais, sofrimento, desilusões, desamparo. O drama (e à séria, de preferência) é feito para Lawrence - e vice-versa - ou, afinal, não foi o duríssimo Despojos de Inverno que a catapultou para a fama com a sua primeira nomeação para os Oscars? A actriz prova que está muito acima de estereótipos e Joy é fruto do seu esforço e entrega, das suas lágrimas. A mulher-prodígio que dá tudo pelos outros, nada recebe em troca e pouco faz por si.

2. Charlotte Rampling por 45 Anos
A veterana desta edição é Charlotte Rampling e consegue chegar bem perto do público com Kate. A sua personalidade calma, tranquila, é perturbada por um estranho ciúme de um passado que não é o seu. O sentimento de posse inerente ao casamento vem ao de cima e todas as recordações do marido a deixam devastada, magoada, perdida. Sem exteriorizar, sabemos exactamente o que Kate sente. O seu rosto não nos engana entre os sorrisos de ocasião: ela está em grande sofrimento.

3. Saoirse Ronan por Brooklyn
Aos 21 anos, Saoirse Ronan é a mais jovem da categoria este ano. Uma Eilis realista, simples, cheia de expectativas, objectivos e muitas saudades da mãe e irmã. Novos horizontes fazem crescer igualmente as fronteiras da mente e, em Brooklyn, a transformação na protagonista vê-se através da sua personalidade, mais forte e carismática. A actriz tem uma interpretação à altura de Eilis que, na sua simplicidade e contenção, consegue transpor o ecrã e conquistar a plateia.

4. Cate Blanchett por Carol
Blanchett é sempre fabulosa nos seus papéis. Como Carol é madura, sensual, charmosa, presa a um casamento que acabou há muito e que a faz reprimir sentimentos. Numa interpretação comedida como a sua personagem, a actriz transborda elegância e entrega-se sem pudor às cenas mais íntimas.

5. Brie Larson por Quarto
Com um papel exigente, Brie Larson está competente na sua personagem trágica, Ma. O medo, as tentativas desesperadas de elaborar um plano de fuga eficaz, as histórias fantasiosas com que tenta justificar ao filho as perguntas difíceis oferecem uma forte possibilidade da actriz conquistar o Oscar. A mim, contudo, não convenceu o suficiente.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sugestão da Semana #203

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Brooklyn, com Saoirse Ronan no papel principal - nomeada para o Oscar de Melhor Actriz. O Hoje Vi(vi) um Filme gostou muito e explica porquê na sua crítica.

BROOKLYN


Ficha Técnica:
Título Original: Brooklyn
Realizador: John Crowley
Actores: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall GleesonJim BroadbentJulie Walters
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 111 minutos

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Crítica: Brooklyn (2015)

"Home is home."
Tony
*8.5/10*

Aparenta ser o grande filme romântico da temporada mas Brooklyn vai muito além disso. Aliás, o romance existe, sim, mas em jogo está algo maior: o sentimento de pertença. Afinal, onde está o nosso verdadeiro Lar?

Brooklyn conta-nos a história de Eilis Lacey (Saoirse Ronan), uma jovem imigrante irlandesa atraída pela promessa do sonho americano, que troca a Irlanda e o conforto da casa da mãe, pelos bairros de Brooklyn nos anos 50. As iniciais saudades do seu país diminuem com o surgimento de um romance, que impele Eilis para o encanto inebriante do amor. Mas rapidamente esta nova vivacidade é interrompida pelo seu passado, e Eilis tem de escolher entre dois países e a vida que cada um lhe oferece.


O argumento é simples, doce, sensível, tal como a sua protagonista. Brooklyn é um drama romântico, mas lança questões muito mais sérias do que triângulos amorosos. Uma irlandesa de origens humildes vai para Brooklyn em busca de um futuro. Com família e amigos na Irlanda, à necessidade de começar do zero juntam-se a solidão e as saudades de casa, até se começar a reconstruir uma vida - trabalho, Universidade, amigos e amor.

Um retrato de uma época, de uma comunidade que emigrou em busca do que o seu país não lhes oferecia: futuro. E, longe da imigração que fugia da Europa no pós Primeira Guerra, que tão bem retratou no cinema James Gray com A Emigrante, sempre com uma aura pessimista e triste a pairar, o realizador John Crowley vai até aos anos 50 e, apesar da dura jornada dos irlandeses, as cores e o ambiente são vivazes, cheios de sorrisos, de música e alegria, e, mesmo nos momentos dramáticos e introspectivos, a cor predomina, como uma esperança que não se desvanece. Brooklyn tenta levar a sua história sempre com algum humor, tal como deveríamos levar a vida.


Para além da temática principal, em redor das escolhas e dilemas de Eilis - comuns a todo o ser humano que muitas vezes tem dúvidas sobre qual o caminho certo a tomar -, encontra-se igualmente uma crítica ao conservadorismo da Irlanda, onde os interesses e o conveniente parecem muitas vezes sobrepor-se à satisfação pessoal. Muito forte neste filme é a posição da mulher, já que, para se adaptar à vida em Brooklyn, Eilis se torna uma jovem emancipada - é uma das poucas mulheres a estudar - e moderna.

Saoirse Ronan é a nossa guia, leva-nos da Irlanda a Nova Iorque e vice-versa, na atribulada viagem pelo Oceano Atlântico. Uma Eilis realista, simples, cheia de expectativas, objectivos e muitas saudades da mãe e irmã. Novos horizontes fazem crescer igualmente as fronteiras da mente e, em Brooklyn, a transformação na protagonista vê-se através da sua personalidade, mais forte e carismática, mas igualmente graças ao bom trabalho de guarda-roupa, muito fiel aos anos 50 e às diferentes realidades - também a direcção artística é muito competente. A actriz tem uma interpretação à altura de Eilis que, na sua simplicidade e contenção, consegue transpor o ecrã e conquistar a plateia.


Belo e singelo, Brooklyn partilha as qualidades com a sua protagonista. Da inocência à emancipação, entre a Irlanda e os Estados Unidos, seguimos com paixão a realidade, por vezes dura, por vezes feliz, de Eilis e do sonho americano de que foi à procura.