terça-feira, 30 de março de 2021

Crítica: Nomadland - Sobreviver na América (2020)

"We be the bitches of the badlands."

Fern

*8/10*

Chloé Zhao criou um road movie melancólico e realista, que convida à introspecção, enquanto viajamos estrada fora pelas planícies sem fim do Oeste dos EUA. Eis Nomadland - Sobreviver na América, protagonizado por Frances McDormand e um elenco de não actores, verdadeiros nómadas.

"Após o colapso económico de uma cidade empresarial na zona rural de Nevada, Fern (Frances McDormand) prepara a sua carrinha e parte pela estrada explorando uma vida fora da sociedade convencional, como uma nómada moderna." 

O filme baseia-se no livro de não ficção Nomadland: Surviving America in the Twenty-First Century, de Jessica Bruder, e mostra esta nova forma de vida, potenciada pela crise de 2008, que tantas pessoas adoptaram depois de ficar sem os seus bens. A bordo de uma carrinha ou autocaravana, todos procuram trabalhos sazonais, liberdade e a estabilidade possível. A quase totalidade de elenco não profissional torna tudo muito mais autêntico. Estamos perante verdadeiros nómadas e as suas experiências conferem a Nomadland um tom, parcialmente, documental.

Para além da crítica socio-político (que começa desde logo pela cidade operária, Empire, que desapareceu do mapa assim que a empresa empregadora fechou a fábrica no local), Chloé Zhao apela ao autoconhecimento, com uma longa-metragem solitária e desencantada, tal como a sua protagonista, mas sempre esperançosa num reencontro consigo mesma, estrada fora. A relação dos humanos com a perda é também um dos grandes motores do filme, numa reflexão das personagens que se estende à plateia. Os traumas demoram a superar e a circularidade temporal do filme é exemplificativa disso mesmo.

Sempre a reinventar-se, Frances McDormand tem um desempenho sóbrio e realista, na pele desta mulher nómada por natureza, independente e corajosa, que viaja pelo país à medida que as estações do ano passam e para onde o trabalho surja. Incapaz de criar raízes, estabelece laços com quem quer que se cruze, mas segue caminho, deixando em aberto potenciais - e quase certos - reencontros. Fern só se sente livre e feliz dentro da sua carrinha; ela não quer amarras, luta contra os sentimentos e, muitas vezes, foge como uma adolescente.

A harmonia entre Homem e Natureza e a sua ideia de paz e quase divindade enchem o ecrã. As árvores, os animais, as planícies e desertos até perder de vista, as montanhas, a neve, os rios, a terra, as ondas, a liberdade e a vida que transmitem são captadas com a grandiosidade que merecem, tirando partido da luz, da profundidade e do detalhe, num excelente trabalho da direcção de fotografia de Joshua James Richards. A banda sonora de Ludovico Einaudi adensa a aura melancólica mas igualmente a calma e tranquilidade que rodeiam a vida da protagonista.

Com Nomadland, Chloé Zhao eleva-se enquanto realizadora e partilha com o mundo a experiência de uma comunidade unida que, à margem da sociedade, conseguiu reerguer-se mesmo que da forma menos convencional.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Crítica: A Sabedoria do Polvo / My Octopus Teacher (2020)

"What she taught me was to feel... that you're part of this place, not a visitor. That's a huge difference."

Craig Foster

*8/10*

A Sabedoria do Polvo (My Octopus Teacher), de Pippa Ehrlich e James Reed, leva-nos a mergulhar com Craig Foster e a conhecer as maravilhas subaquáticas, em especial um polvo fêmea com quem desenvolve uma relação inesperada.

É numa floresta de algas na África do Sul que o cineasta Craig Foster fez as descobertas mais arrebatadoras da sua vida. Se, por um lado, foi ali que passou a infância, sempre em contacto com o oceano, também foi ali que se refugiou quando sentiu a vida desmoronar. A cura parece ter chegado através do animal mais inteligente do planeta.

As imagens que Foster registou dos seus encontros diários - ao longo de quase um ano - com a sua amiga de oito tentáculos, juntam-se aos seus mergulhos e depoimentos recentes em que descreve toda a experiência quase sobrenatural que viveu e que resulta neste documentário.

My Octopus Teacher é um retrato de uma sensibilidade e dedicação extraordinárias, da inacreditável amizade que se criou entre um polvo e um humano. Se, para o homem este convívio foi terapêutico e de grandes ensinamentos, parece-nos que, para o animal, a companhia foi igualmente estimulante. Eis uma relação que nos ensina a confiança, a dedicação e o carinho. A descoberta mútua de uma outra forma de vida, do perigo, adversidade e superação. Craig Foster teve quase um ano de emoções intensas e uma obsessão que nem todos compreenderão. O polvo fê-lo mudar a sua personalidade, as suas preocupações e o seu foco, ajudando-o a curar uma depressão e reforçando a relação com o filho - e observar a interacção dos dois com os animais selvagens é surpreendente.

A personalização do ser aquático aproxima-nos do animal de uma maneira incrível. Admiramos a sua inteligência, curiosidade e criatividade, seguimo-lo e procuramo-lo com o mesmo interesse que Craig e compreendemo-lo. E, nestes mergulhos, somos presenteados com imagens únicas, de beleza ímpar e proporcionadas por uma direcção de fotografia de excelência.


My Octopus Teacher é um milagre da Natureza que nos alerta para a necessidade de protegê-la e, ao mesmo tempo, nos protegermos a nós e aos nossos. Acima de tudo, é uma prova de respeito e de valorização da sua grandiosidade e importância.

sábado, 27 de março de 2021

Crítica: A Grande Escavação / The Dig (2021)

"From the first human handprint on a cave wall, we're part of something continuous. So, we... don't really die."

Basil Brown

*7.5/10*

A Grande Escavação (The Dig), de Simon Stone, faz um elogio a duas personalidades responsáveis por uma das maiores descobertas arqueológicas da História da Inglaterra. Ao mesmo tempo, o filme compõe um intenso quadro visual, enquanto os dilemas e receios de uma Segunda Guerra Mundial assombram todas as personagens.

"Com o aproximar da Segunda Guerra Mundial, uma viúva abastada contrata um arqueólogo amador para escavar antigas estruturas funerárias na sua propriedade. Quando fazem uma descoberta histórica, os ecos do passado britânico enfrentam um futuro incerto‎."

Baseado no romance de John Preston e adaptado para cinema por Moira Buffini, A Grande Escavação é um elogio à arqueologia e à sua importância para contar o passado longínquo às gerações presentes e futuras.

A preservação de artefactos dos antepassados de uma civilização, o reconhecimento por quem dedica a vida à descoberta de vestígios da História e a eminência da guerra e da morte a pairar são os focos da acção do filme de Simon Stone. A defesa da memória é a grande mensagem da longa-metragem que, para além das descobertas museológicas, destaca ainda a importância da fotografia como mais um suporte físico que perdura no tempo, testemunhando, para o futuro, tempos há muito passados.

Destaque para Carey Mulligan e Ralph Fiennes com duas prestações muito discretas mas carregadas de uma paixão comum - a arqueologia. E se Mulligan surge na pele de Edith Pretty, uma mulher frágil e doente, que vive para o filho e para os tesouros que acredita estarem escondidos debaixo dos montes de terra no seu terreno, Fiennes como Basil Brown será a esperança de os encontrar. Um homem dedicado, experiente, dos maiores conhecedores da terra (e dos astros), contudo desvalorizado pelos seus pares por não ter estudos.

Com direcção de fotografia de Mike Eley, A Grande Escavação oferece-nos planos dinâmicos e envolventes, e transforma paisagens tristes, simples e despidas, em imagens de grande beleza e vida, com especial foco na terra e nos céus, na vida e na morte.

Para além da homenagem que presta, Simon Stone eleva a fasquia e traz-nos muito mais do que um filme histórico: a memória colectiva divide-se entre a alegria da descoberta na escavação e o pavor da guerra, numa obra estimulante e carismática.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Doclisboa 2021 - 'Eu Vim de Longe': 5 Filmes a Não Perder

A terminar a programação online do 18.º Doclisboa estão sete sessões do momento Eu Vim de Longe, disponíveis de 25 a 31 de Março. O Hoje Vi(vi) um Filme deixa-te algumas sugestões de filmes que não deves perder.

A Revolt Without Images (Una revuelta sin imágenes), de Pilar Monsell


"Uma das rebeliões mais desconhecidas da nossa história, ‘A Revolta do Pão’, foi liderada por mulheres em Córdova, em Maio de 1652. Não há rostos nem nomes. Não há nenhuma imagem delas. Como recuperar os gestos de resistência de quem não conseguimos ver?" Pilar Monsell


A Maior Massa de Granito do Mundo (The Largest Mass of Granite in the World), de Luis Felipe Labaki

"Em 1953, o governo de São Paulo patrocinou a construção do Monumento às Bandeiras, do escultor Victor Brecheret, concebido em 1920 em homenagem às expedições bandeirantes. Ainda hoje, os rostos de granito ouvem ecos do discurso oficial por trás do monumento."


Luz nos Trópicos (Light in the Tropics), de Paula Gaitán

"O filme tece uma trama densa de enredos, cronologias e localizações entremeados com cosmologias indígenas, diários de viagem e escritos antropológicos. Acompanha um jovem de origem indígena em viagem rio acima através da selva brasileira a caminho de uma aldeia e um grupo de colonos europeus também em viagem rio acima, recolhendo, tomando posse e procurando uma posição de onde sondar a floresta e o rio. As duas narrativas distam cerca de 150 anos. Um tributo à vegetação abundante da região amazónica, aos bosques da Nova Inglaterra no Inverno e às populações indígenas das duas Américas."


City Hall, de Frederick Wiseman

"A gestão municipal toca quase todos os aspectos das nossas vidas. A maior parte de nós desconhece ou não questiona serviços necessários como os da polícia, bombeiros, saneamento, relacionados com veteranos de guerra, apoio aos idosos, jardins, licenciamento de várias actividades profissionais, registo de nascimentos, casamentos e mortes assim como centenas de outras actividades que prestam apoio aos residentes e visitantes. O filme mostra os esforços da administração municipal de Boston para prestar esses serviços e ilustra as muitas maneiras de o Município dialogar com os seus cidadãos."


Jean-François Stévenin – Simple Men (Jean-François Stévenin – Simple Messieurs), de Laurent Achard

"Num restaurante, perante uma plateia, Jean-François Stévenin fala sobre a sua vida de cineasta e sobretudo acerca do filme que não realizou sobre Lucette Destouches."


Mais informações sobre o festival em https://doclisboa.org/2020/.

segunda-feira, 22 de março de 2021

Doclisboa 2021: 'Eu Vim De Longe' de 25 a 31 de Março com 7 sessões online

A 18.ª edição do Doclisboa vai apresentar sete sessões online do momento Eu Vim De Longe, de 25 a 31 de Março, em online.doclisboa.org.

Trata-se de uma selecção de filmes "que se inscrevem na perseverança e resistência às adversidade que os atravessam". Destaque para Tiempos de Deseo, de Raquel Marques, Luz nos Trópicos, de Paula Gaitán, With Love – Volume One 1987-1996, de Michael Pilz, e City Hall, de Frederick Wiseman. Mantêm-se os debates online com os realizadores dos filmes, que terão lugar diariamente, em exclusivo para os portadores dos bilhetes das respectivas sessões.

O festival retomará a programação presencial na Culturgest em Maio, altura em que apresentará a estreia mundial de Visões do Império, de Joana Pontes, a cópia restaurada de Grand Opera: An Historical Romance, de James Benning, e Mata-Ratos ao Vivo na Academia de Linda-a-Velha, filme-concerto de Patrick Mendes, entre outros.

A cerimónia de encerramento trará a exibição de Paris Calligrammes, o mosaico de memórias e imagens de arquivo que compõem a autobiografia parisiense da cineasta alemã Ulrike Ottinger. Será ainda anunciado o vencedor do Prémio Fernando Lopes, que distingue uma primeira-obra portuguesa apresentada no festival.

Em Maio será ainda apresentada a Mostra Origens - Práticas e Tradições no Cinema, desenhada em colaboração com a Fundação Inatel, a ter lugar no Cinema Ideal. O ciclo O cinema para uma luta anti-racista, programado pela SOS Racismo no contexto do Cinema de Urgência, decorrerá em Julho no Padrão dos Descobrimentos

A programação completa e actualizada poderá ser consultada em breve em doclisboa.org.


Programação Eu Vim de Longe - 25 a 31 de Março:

LETTER FROM A FILMMAKER TO HIS DAUGHTER 

Eric Pauwels

Bélgica | 2002 | 47'

TIEMPOS DE DESEO

Raquel Marques

Espanha | 2020 | 60'


A REVOLT WITHOUT IMAGES

Pilar Monsell

Espanha | 2020 | 15'

A MAIOR MASSA DE GRANITO DO MUNDO

Luis Felipe Labaki

Brasil | 2020 | 15'

UNTITLED SEQUENCE OF GAPS

Vika Kirchenbauer

Alemanha | 2020 | 13'

PLAYBACK. ENSAYO DE UNA DESPEDIDA

Agustina Comedi

Argentina | 2019 | 14'


LUZ NOS TRÓPICOS

Paula Gaitán

Brasil | 2020 | 260'


CITY HALL

Frederick Wiseman

EUA | 2020 | 272'


EVERYTHING MAY GO AWRY

Christophe Derouet

França | 2020 | 33'

JEAN-FRANÇOIS STÉVENIN - SIMPLE MEN

Laurent Achard

França | 2020 | 59'


WITH LOVE – VOLUME ONE 1987-1996

Michael Pilz

Áustria | 2020 | 102'


A FAREWELL TO MEMORY

Nicolás Prividera

Argentina | 2021 | 90'


Os filmes estão disponíveis para visionamento a qualquer momento durante este período. Os bilhetes têm o valor de 2.50€ por sessão. Pode ser adquirido também um Passe Semanal por 14.00€, que garante o acesso exclusivo a todo o conteúdo online do respectivo programa (filmes e debates com os realizadores) ou um Pack Especial (passe + saco 18.º Doclisboa) por 20.00€. Cada sessão tem um limite de 300 bilhetes.

A programação completa pode ser consultada em online.doclisboa.org.

domingo, 21 de março de 2021

Crítica: A Mulher Que Fugiu / The Woman Who Ran / Domangchin yeoja (2020)

*6/10*

Fiel a si mesmo, Hong Sang-soo traz, em A Mulher Que Fugiu, mais um filme rotineiro e minimalista, onde as conversas de circunstância revelam, aos poucos, mágoas bem guardadas. 

"Gam-hee (Kim Min-hee) tem três encontros separados com amigas enquanto o marido está fora, numa viagem de negócios. Young-soon (Seo Young-wha), divorciada, desistiu de comer carne e gosta de cuidar do jardim no seu quintal. Su-young (Song Seon-mi) tem um fraquinho pelo vizinho arquitecto e está a ser perseguida por um jovem poeta que conheceu num bar. Woo-jin (Kim Sae-byuk) trabalha num cinema. Os encontros são amigáveis, mas tensos. Em pouco tempo, a história partilhada destas mulheres surge à superfície."

O humor subtil, a sensibilidade e naturalidade das conversas - muito graças ao excelente leque de actrizes -, os dramas do quotidiano de cada uma das mulheres, em reencontros amigáveis mas nem sempre confortáveis, são algumas das características que distinguem A Mulher Que Fugiu e a inserem perfeitamente no estilo de Hong Sang-soo. Inesquecível será o charmoso gato, que se deixa filmar, qual estrela de cinema, e conquista a plateia com um bocejo sincero.

O elenco dominado por mulheres - com destaque para Kim Min-hee - (onde os homens são meros acessórios, à excepção do marido ausente da protagonista, que conta às amigas sobre um homem supostamente apaixonado mas bastante controlador) destaca o lado feminino e independente das quatro personagens, sendo os homens quem lhes traz aborrecimentos: um vizinho que não gosta de gatos, um stalker que não sabe receber um não e um marido famoso, que fala muito.

E no meio da simplicidade da história e da realização (em que o jogo de zooms compete pela nossa atenção), há outros ecrãs de câmaras de videovigilância a contarem histórias mudas, mas que acrescentam detalhes sobre as emoções do filme.

A Mulher Que Fugiu é um retiro de reencontro com emoções e sentimentos passados ainda por resolver. Apreciam-se paisagens, locais, conversas e um filme numa sala de cinema, tal como o espectador que assiste ao filme de Hong Sang-soo, sentado no seu lugar.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Crítica: Raya e o Último Dragão / Raya and the Last Dragon (2021)

"My girl Raya and I are gonna fix the world."

Sisu

*6/10*

Raya e o Último Dragão, o mais recente filme de animação da Disney, apresenta-nos uma protagonista independente e corajosa, numa jornada perigosa pela união e paz. Uma aventura que nos leva à magia dos dragões e aos povos do sudeste asiático - Kumandra é inspirada em países como a Tailândia, Vietname, Cambodja, Myanmar, Malásia, Indonésia, Filipinas e Laos.

"Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas, quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões sacrificaram-se para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, encontrar o último dragão lendário para reconstruir o mundo destruído e voltar a unir o seu povo. No entanto, ao longo da sua jornada, vai perceber que será necessário mais do que a magia de um dragão para salvar o mundo."

São várias as semelhanças de Raya e o Último Dragão e Moana (Vaiana), tanto na fisionomia da protagonista como no argumento. Ambas saem da sua terra para procurar o ser ou objecto mágico que possa trazer de volta a prosperidade - e a paz - ao seu lar. Ao mesmo tempo, os elementos da natureza têm uma papel fundamental nos dois filmes. Demasiadas semelhanças, talvez, que fazem denotar alguma falta de originalidade neste novo filme, que difere, principalmente, por não ser musical.

O sacrifício por um bem maior, a união e o trabalho em equipa, a confiança em si e no outro, o respeito pela Natureza e pelo nosso semelhante e o desejo de paz são alguns dos valores presentes nesta animação da Disney, que tem apostado forte nas personagens femininas e emancipadas. Depois de Moana e Elsa (Frozen), também Raya é uma jovem mulher de garra, destemida e inteligente, sem interesses amorosos, e a sua antagonista, Namaari, partilha das mesmas características. Duas verdadeiras guerreiras.

No elenco de vozes, destaque para Awkwafina como Sisu (e a sua versão "humana", tão parecida com a actriz), protagonista dos momentos mais divertidos de Raya e o Último Dragão

Visualmente, o filme continua a revelar o bom trabalho dos animadores da Disney que se superam ao conferir tamanho realismo aos elementos da natureza - a água em destaque, mais uma vez -, bem como às expressões e emoções das personagens.

Longe de ser o filme mais inspirado da Disney, Raya e o Último Dragão é entretenimento para todas as idades, com personagens fortes, bons momentos de acção, humor, magia e esperança.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Arquiteturas Film Festival 2021: 'Bodies Out of Space' e Angola de 1 a 6 de Junho em Lisboa

A 8.ª edição do Arquiteturas Film Festival está de regresso de 1 a 6 de Junho, no Cinema São Jorge, em Lisboa, com o tema Bodies Out of Space e Angola como país convidado.

Este ano, o festival quer "pensar ativamente sobre a nossa responsabilidade como espetadores, enquanto percorremos este labirinto de desigualdades como descendentes directos da exploração do espaço e dos corpos", explica a organização em comunicado.

A abrir o Arquiteturas 2021, a 1 de Junho, está o filme Para Lá dos Meus Passos, de Kamy Lara e Paula Agostinho, onde cinco bailarinos de diferentes regiões angolanas exploram os conceitos de tradição, cultura, memória e identidade, reflectindo sobre o papel destes na sua imagem e nas suas vidas. 

De destacar é a estreia em sala de Body-Buildings, de Henrique Pina, numa junção entre dança, arquitetura e cinema. O filme apresenta seis retratos coreográficos em seis locais portugueses distintos, fundindo conceitos e identidades. No trabalho coreográfico, conta com Tânia CarvalhoVera ManteroVictor Hugo Pontes, Jonas&LanderOlga Roriz e Paulo Ribeiro; já na arquitetura, conta com a participação de Eduardo Souto MouraAires MateusÁlvaro Siza VieiraJoão Luís Carrilho da Graça, João Mendes RibeiroMenos é Mais Arquitectos e Paulo David.

Com o objectivo de continuar a apresentar filmes relevantes para divulgar a arquitectura portuguesa contemporânea, a nível nacional e internacional, a 8.ª edição do Arquiteturas Film Festival será dividida em três pilares distintos: Selecção Oficial, Competição e País Convidado.

Este ano, o evento está de olhos postos na produção cinematográfica de Angola, "onde a confluência de tempos e regimes é visível na sua arquitetura e na sua memória coletiva". As vozes do cinema angolano têm a curadoria da jornalista, escritora e produtora Marta Lança (BUALA).

Haverá ainda tempo para o Ciclo de Debates África Habitat no café do Cinema São Jorge, organizado em parceria com a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Simultaneamente, estarão expostas instalações dos artistas angolanos Lino Damião e Nelo Teixeira. Durante o festival, decorre ainda uma exposição sobre os cineteatros de Angola organizada pelo arquitecto Afonso Quintã, que inclui material documental original do icónico Cine-estúdio do Namibe (1973-74) projectado pelo arquitecto José Botelho Pereira

O júri desta edição é constituído pela antropóloga visual Inês Ponte, a artista plástica Fernanda Fragateiro, a realizadora Fernanda Polacow, o realizador Richard John Seymour e o arquitecto e fundador da Galeria AntecâmaraPedro Campos Costa

Ao todo serão apresentados 36 filmes, de países como Portugal, Itália, Israel, Alemanha, França, Bélgica, Países Baixos, Polónia, Ucrânia e Canadá. Mais informações sobre o Arquiteturas Film Festival em http://arquiteturasfilmfestival.com/.

terça-feira, 16 de março de 2021

Guiões 2021: De 9 a 12 de Junho em Lisboa e online

A 7.ª edição do Guiões - Festival do Roteiro de Língua Portuguesa irá decorrer entre 9 e 12 de Junho num formato híbrido, com actividades presenciais em Lisboa e online. 

Este ano, haverá uma nova competição de guiões de episódios-pilotos de séries, a juntar à tradicional competição de guiões de longas-metragens. São 148 os guiões candidatos a um lugar entre os cinco finalistas de cada competição. Os seleccionados serão apresentados numa sessão de pitch no dia 9 de Junho,  que contará com a presença de produtores cinematográficos e audiovisuais de Língua Portuguesa. Os vencedores receberão prémios em dinheiro e em serviços.

Outra novidade da 7.ª edição do Guiões é o lançamento de secções de Indústria, destinadas a projetos de Língua Portuguesa em desenvolvimento ou em pós-produção. Os projetos seleccionados nestas secções PT CO-PROD e PT IN-PROGRESS, que continuam abertas para inscrições até ao dia 31 de Março, serão apresentados no dia 9 de Junho a um júri constituído por profissionais das agências de vendas Wild Bunch e Memento Films e dos Festivais Internacionais de Veneza e Locarno. Um conjunto de decisores internacionais também será convidado para assistir ao pitch de Indústria e participar em encontros de negócio com as empresas e os autores lusófonos no âmbito do festival.

Mais informações em www.guioes.com.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Oscars 2021: Os Nomeados

Os nomeados para os Oscars 2021 foram conhecidos esta Segunda-feira. Este ano, a actriz e produtora Priyanka Chopra Jonas e o cantor e actor Nick Jonas fizeram o anúncio dos nomes na corrida para as estatuetas douradas. Mank lidera com 10 nomeações.


A 93.ª cerimónia dos Oscars está marcada para 25 de Abril, a partir de vários locais, incluindo o Dolby Theatre.

Aqui fica a lista completa de nomeados:

Melhor Filme
The Father (Sony Pictures Classics) 
Judas and the Black Messiah (Warner Bros.) 
Mank (Netflix) 
Minari (A24) 
Nomadland (Searchlight Pictures) 
Promising Young Woman (Focus Features) 
Sound of Metal (Amazon Studios) 
The Trial of the Chicago 7 (Netflix) 

Melhor Actor
Riz Ahmed (Sound of Metal
Chadwick Boseman (Ma Rainey’s Black Bottom
Anthony Hopkins (The Father
Gary Oldman (Mank
Steven Yeun (Minari

Melhor Actriz
Viola Davis (Ma Rainey’s Black Bottom
Andra Day (The United States v. Billie Holiday
Vanessa Kirby (Pieces of a Woman
Frances McDormand (Nomadland
Carey Mulligan (Promising Young Woman

Melhor Actor Secundário
Sacha Baron Cohen (The Trial of the Chicago 7
Daniel Kaluuya (Judas and the Black Messiah
Leslie Odom Jr. (One Night in Miami
Paul Raci (Sound of Metal
Lakeith Stanfield (Judas and the Black Messiah)

Melhor Actriz Secundária 
Maria Bakalova (Borat Subsequent Moviefilm
Glenn Close (Hillbilly Elegy
Olivia Colman (The Father
Amanda Seyfried (Mank
Youn Yuh-jung (Minari

Melhor Realizador
Thomas Vinterberg (Another Round)
David Fincher (Mank
Lee Isaac Chung (Minari
Chloé Zhao (Nomadland
Emerald Fennell (Promising Young Woman

Melhor Argumento Original
Judas and the Black Messiah, Will Berson, Shaka King, Keith Lucas, Kenneth Lucas 
Minari, Lee Isaac Chung 
Promising Young Woman, Emerald Fennell 
Sound of Metal, Abraham Marder, Darius Marder, Derek Cianfrance 
The Trial of the Chicago 7, Aaron Sorkin 

Melhor Argumento Adaptado
Borat Subsequent Moviefilm, Peter Baynham, Sacha Baron Cohen, Jena Friedman, Anthony Hines, Lee Kern, Dan Mazer, Nina Pedrad, Erica Rivinoja, Dan Swimer 
The Father, Christopher Hampton, Florian Zeller 
Nomadland, Chloé Zhao 
One Night in Miami, Kemp Powers 
The White Tiger, Ramin Bahrani 

Melhor Filme de Animação
Onward (Pixar) 
Over the Moon (Netflix) 
Shaun the Sheep Movie: Farmageddon (Netflix) 
Soul (Pixar) 
Wolfwalkers (Apple TV Plus/GKIDS) 

Melhor Filme Estrangeiro
Another Round (Dinamarca) 
Better Days (Hong Kong)
Collective (Roménia) 
The Man Who Sold His Skin (Tunísia)
Quo Vadis, Aida? (Bósnia e Herzegovina) 

Melhor Fotografia
Judas and the Black Messiah, Sean Bobbitt 
Mank, Erik Messerschmidt 
News of the World, Dariusz Wolski 
Nomadland, Joshua James Richards 
The Trial of the Chicago 7, Phedon Papamichael 

Melhor Montagem
The Father, Yorgos Lamprinos
Nomadland, Chloé Zhao 
Promising Young Woman, Frédéric Thoraval 
Sound of Metal, Mikkel E.G. Nielsen 
The Trial of the Chicago 7, Alan Baumgarten 

Melhor Design de Produção
The Father, Peter Francis, Cathy Featherstone 
Ma Rainey’s Black Bottom, Mark Ricker, Karen O’Hara, Diana Stoughton 
Mank, Donald Graham Burt, Jan Pascale 
News of the World, David Crank, Elizabeth Keenan 
Tenet, Nathan Crowley, Kathy Lucas 

Melhor Guarda-Roupa
Emma, Alexandra Byrne 
Mank, Trish Summerville 
Ma Rainey’s Black Bottom, Ann Roth 
Mulan, Bina Daigeler 
Pinocchio, Massimo Cantini Parrini

Melhor Caracterização
Emma, Marese Langan 
Hillbilly Elegy, Eryn Krueger Mekash, Patricia Dehaney, Matthew Mungle 
Ma Rainey’s Black Bottom, Matiki Anoff, Mia Neal, Larry M. Cherry 
Mank, Kimberley Spiteri, Gigi Williams 
Pinocchio, Dalia Colli, Anna Kieber, Sebastian Lochmann, Stephen Murphy 

Melhor Banda Sonora Original
Da 5 Bloods, Terence Blanchard 
Mank, Trent Reznor, Atticus Ross 
Minari, Emile Mosseri 
News of the World, James Newton Howard 
Soul, Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste 

Melhor Canção Original
Fight for You, (Judas and the Black Messiah), Música: H.E.R. e Dernst Emile II; Letra: H.E.R. e Tiara Thomas
Hear My Voice, (The Trial of the Chicago 7)Música: Daniel Pemberton; Letra: Daniel Pemberton e Celeste Waite
Húsavík, (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga)Música e Letra: Savan Kotecha, Fat Max Gsus e Rickard Göransson
Io Si (Seen), (The Life Ahead), Música: Diane Warren; Letra: Diane Warren e Laura Pausini
Speak Now, (One Night in Miami...)Música e Letra: Leslie Odom, Jr. e Sam Ashworth

Melhor Som
Greyhound, Odin Benitez, Jason King, Christian P. Minkler, Michael Minkler, Jeff Sawyer 
Mank, Ren Klyce, Jeremy Molod, David Parker, Nathan Nance, Drew Kunin 
News of the World, John Pritchett, Mike Prestwood Smith, William Miller, Oliver Tarney, Michael Fentum 
Soul, Coya Elliott, Ren Klyce, David Parker, Vince Caro 
Sound of Metal, Phillip Bladh, Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés, Carolina Santana 

Melhores Efeitos Visuais
Love and Monsters, Matt Sloan, Genevieve Camilleri, Matt Everitt, Brian Cox
The Midnight Sky, Matt Kasmir, Chris Lawrence, Dave Watkins, Max Solomon 
Mulan, Sean Faden, Anders Langlands, Seth Maury, Steve Ingram 
The One and Only Ivan, Nick Davis, Greg Fisher, Ben Jones, Santiago Colomo Martinez 
Tenet, Andrew Jackson, Andrew Lockley, Scott R. Fisher, Mike Chambers 

Melhor Documentário
Collective (Magnolia Pictures and Participant), Alexander Nanau e Bianca Oana
Crip Camp (Netflix), Nicole Newnham, Jim LeBrecht e Sara Bolder
The Mole Agent (Gravitas Ventures)Maite Alberdi e Marcela Santibáñez
My Octopus Teacher (Netflix), Pippa Ehrlich, James Reed e Craig Foster
Time (Amazon Studios), Garrett Bradley, Lauren Domino e Kellen Quinn

Melhor Curta Documental
Colette (Time Travel Unlimited), Anthony Giacchino e Alice Doyard
A Concerto Is a Conversation (Breakwater Studios), Ben Proudfoot e Kris Bowers
Do Not Split (Field of Vision), Anders Hammer e Charlotte Cook
Hunger Ward (MTV Documentary Films), Skye Fitzgerald e Michael Scheuerman
A Love Song for Latasha (Netflix), Sophia Nahli Allison e Janice Duncan

Melhor Curta de Animação
Burrow (Disney Plus/Pixar), Madeline Sharafian e Michael Capbarat
Genius Loci (Kazak Productions), Adrien Mérigeau e Amaury Ovise
If Anything Happens I Love You (Netflix), Will McCormack e Michael Govier
Opera (Beasts and Natives Alike), Erick Oh
Yes-People (CAOZ hf. Hólamói), Gísli Darri Halldórsson e Arnar Gunnarsson

Melhor Curta
Feeling Through, Doug Roland e Susan Ruzenski
The Letter Room, Elvira Lind e Sofia Sondervan
The Present, Farah Nabulsi
Two Distant Strangers, Travon Free e Martin Desmond Roe
White Eye, Tomer Shushan e Shira Hochman

domingo, 14 de março de 2021

Razzie Awards 2021: Os Nomeados

Os Razzie Awards, que premeiam o pior que se faz no cinema, deram a conhecer os nomeados desta 41.ª edição. A data da entrega dos prémios está marcada para 24 de Abril, véspera da noite dos Oscars

Eis a lista de nomeados:

Pior Filme

365 Days

Absolute Proof

Dolittle

Fantasy Island

Music


Pior Actriz

Anne Hathaway / The Last Thing He Wanted & The Witches

Katie Holmes / Brahms: The Boy II & The Secret: Dare to Dream

Kate Hudson / Music

Lauren Lapkus / The Wrong Missy

Anna-Maria Sieklucka / 365 Days


Pior Actor

Robert Downey Jr. / Dolittle

Mike Lindell / Absolute Proof

Michele Morrone / 365 Days

Adam Sandler / Hubie Halloween

David Spade / The Wrong Missy


Pior Actriz Secundária

Glenn Close / Hillbilly Elegy

Lucy Hale / Fantasy Island

Maggie Q / Fantasy Island

Kristen Wiig / Wonder Woman 1984

Maddie Ziegler / Music


Pior Actor Secundário

Chevy Chase / The Very Excellent Mr. Dundee

Rudy Giuliani / Borat, Subsequent Movie-Film

Shia LeBeouf / The Tax Collector

Arnold Schwarzeneggar / Iron Mask

Bruce Willis / Breach, Hard Kill Survive the Night


Pior Dupla

Rudy Giuliani & o fecho das suas calças / Borat Subsequent Movie-Film

Robert Downey Jr. & o seu sotaque galês pouco convincente / Doolittle

Harrison Ford & aquele aspecto totalmente falso do "cão" CGI / Call of the Wild

Lauren Lapkus & David Spade / The Wrong Missy

Adam Sandler & a sua irritante voz de simplório / Hubie Halloween


Pior Remake, Rip-Off ou Sequela

365 Days

Dolittle

Fantasy Island

Hubie Halloween

Wonder Woman 1984


Pior Realizador

Charles Band / Os três filmes Barbie & Kendra

Barbara Bialowas & Tomasz Mandes / 365 Days

Stephen Gaghan / Dolittle

Ron Howard / Hillbilly Elegy

Sia / Music


Pior Argumento

365 Days

Os três filmes Barbie & Kendra

Dolittle

Fantasy Island

Hillbilly Elegy

sábado, 13 de março de 2021

Prémios César 2021: Vencedores

Os vencedores da 46.ª edição dos César, os prémios do cinema francês, foram anunciados esta Sexta-feira, dia 12 de Fevereiro. Adieu Les Cons, de Albert Dupontel, foi o grande vencedor da noite.


Fica a lista completa de vencedores:

MELHOR FILME
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR PRIMEIRO FILME
Deux
Garçon chiffon
Mignonnes
Tout simplement noir
Un divan à Tunis

MELHOR REALIZAÇÃO
Albert Dupontel, Adieu les cons
Maïwenn, ADN
Sébastien Lifshitz, Adolescentes
Emmanuel Mouret, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
François Ozon, Été 85

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Albert Dupontel, Adieu les cons
Caroline Vignal, Antoinette dans les Cévennes
Emmanuel Mouret, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Filippo Meneghetti, Malysone Bovorasmy, Deux
Benoît Delépine, Gustave Kervern, Effacer l'historique

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Olivier Assayas, Cuban Network
Hannelore Cayre, Jean-Paul Salomé, La Daronne
François Ozon, Été 85
Stéphane Demoustier, La fille au bracelet
Eric Barbier, Petit pays

MELHOR ACTRIZ
Laure Calamy, Antoinette dans les Cévennes
Martine Chevallier, Deux
Virginie Efira, Adieu les cons
Camélia Jordana, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Barbara Sukowa, Deux

MELHOR ACTOR
Sami Bouajila, Un fils
Jonathan Cohen, Enorme
Albert Dupontel, Adieu les cons
Niels Schneider, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Lambert Wilson, De Gaulle

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Fanny Ardant, ADN
Valéria Bruni Tedeschi, Été 85
Emilie Dequenne, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Noémie Lvovsky, La bonne épouse
Yolande Moreau, La bonne épouse

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Edouard Baer, La bonne épouse
Louis Garrel, ADN
Benjamin Lavernhe, Antoinette dans les Cévennes
Vincent Macaigne, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Nicolas Marié, Adieu les cons

MELHOR ACTRIZ REVELAÇÃO
Mélissa Guers, La fille au bracelet
India Hair, Poissonsexe
Julia Piaton, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Camille Rutherford, Felicita
Fathia Youssouf, Mignonnes

MELHOR ACTOR REVELAÇÃO
Guang Huo, La nuit venue
Félix Lefebvre, Été 85
Benjamin Voisin, Été 85
Alexandre Wetter, Miss
Jean-Pascal Zadi, Tout simplement noir

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Adolescentes
La cravate
Cyrille, agriculteur, 30 ans, 20 vaches, du lait, du beurre, des dettes
Histoire d'un regard
Un pays qui se tient sage

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
1917
La communion
Dark Waters
Another Round
Eva en août

MELHOR FOTOGRAFIA
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR MONTAGEM
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Adieu les cons
La bonne épouse
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
De Gaulle
Été 85

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
Adieu les cons
ADN
Antoinette dans les Cévennes
Été 85
La nuit venue

MELHOR SOM
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR GUARDA-ROUPA
Adieu les cons
La bonne épouse
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
De Gaulle
Été 85

MELHOR CURTA-METRAGEM
L'aventure atomique
Baltringue
Je serai parmi les amandiers
Qu'importe si les bêtes meurent
Un adieu

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Calamity, une enfance de Martha Jane Cannary
Josep
Petit vampire

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Bach-Hông
L'heure de l'ours
L'odyssée de Choum
La tête dans les orties

Curtas de José Pedro Lopes realizadas durante a pandemia exibidas na TV

Zoom In e Um Conto de Natal Pandémico, de José Pedro Lopes, são as duas curtas-metragens portuguesas de terror, filmadas durante a pandemia da Covid-19, que serão exibidas a 15 de Março, às 23h45, na SIC Radical, e a 7 de Abril, às 22h30, no Canal Q, respectivamente.

A ideia resulta de uma colaboração da produtora A Raposa Branca e do realizador José Pedro Lopes (A Floresta das Almas Perdidas), e faz parte de uma trilogia de filmes sobre a pandemia, que integra ainda Quarentenando, lançada do Verão de 2020.

A ideia surgiu durante o primeiro confinamento. O realizador e o actor João Delgado Lourenço resolveram "experimentar fazer um filme através do WhatsApp", contou José Pedro Lopes ao Hoje Vi(vi) um Filme. "Juntou-se a nós a Lília Lopes e então começamos a compor a troca de vídeos romântica que criou Quarentenando (curta exibida na SIC Radical em Junho e disponível agora no Vodafone Indieworld)".

Em Dezembro, deram continuidade à ideia com Conto de Natal Pandémico, "que foi filmado presencialmente, mas com todas as restrições: o actor sozinho no set, a equipa pequena e de máscara preparava tudo antes", adiantou. 

Com o novo confinamento decidiram concluir a trilogia: "Eu, o João e o Paulo Próspero (que produziu os três filmes) escrevemos uma história entre as conversas descontraídas de grupos no Zoom (tão típicas dos nossos confinamentos)". Surgiu assim _Zoom In: Pequenas Maldições entre Amigos, com "um toque de terror", como o realizador gosta.

Com os filmes criados, a equipa apresentou-os aos canais de televisão, que "foram super abertos a dar-nos uma janela para o grande público", elogiou José Pedro Lopes.

Em Zoom In, uma curta-metragem criada à distância, "um grupo de amigos reúne-se por zoom durante o novo confinamento - mas um deles tem um plano maléfico para animar o encontro"Um Conto de Natal Pandémico leva-nos "à noite de Natal de 2020, onde um pai e um filho falam por vídeo sobre uns inquietantes monstros que, aproveitando as ruas vazias, andam a circular no seu bairro".

Mais informações sobre as curtas-metragens na página de Facebook da produtora A Raposa Brancahttps://www.facebook.com/araposabrancaprodutora/.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Doclisboa'21 - 'De Onde Venho, Para Onde Vou': 5 Filmes a Não Perder

O Doclisboa continua a programação online, agora com sete sessões do momento De Onde Venho, Para Onde Vou, disponíveis de 11 a 17 de Março. O Hoje Vi(vi) um Filme deixa-te algumas sugestões de filmes que não deves perder.

Just a Movement (Juste un mouvement), de Vincent Meessen

"Interpretação livre de Vincent Meessen de La Chinoise, o filme de 1967 de Jean-Luc Godard, e um 'filme no processo de se fabricar' em Dacar. É concebido como uma operação de remontagem do filme de Godard, redistribuindo os papéis e as personagens e actualizando o enredo. Apesar de já não estar vivo, Omar Blondin Diop, o único verdadeiro estudante maoista no original, torna-se agora no protagonista."

Me and the Cult Leader, de Atsushi Sakahara

"Gravemente ferido durante o ataque terrorista no metro de Tóquio com gás sarin em 1995, perpetrado pelo culto apocalíptico Aum, o realizador embarca numa viagem íntima e exigente com um executivo do culto, Hiroshi Araki, para registar os caminhos de vida paralelos de uma vítima e de um agressor."

The Annotated Field Guide of Ulysses S. Grant, de Jim Finn

"Durante quatro anos na década de 1860, metade dos EUA ficou refém de uma república supremacista branca não reconhecida. Rodado em 16mm em parques militares nacionais, pântanos, florestas e nas zonas de expansão suburbana que atravessam antigos campos de batalha, o filme segue o caminho do general Grant na sua libertação do sul dos EUA. Diário de viagem, filme ensaio e documentário de paisagem, vai da fronteira entre o Texas e o Luisiana a uma ilha prisão na costa de Nova Inglaterra. O som e a música inspiram-se nos filmes policiais dos anos 1970, para celebrar a destruição da Confederação."

Schlingensief – A Voice that Shook the Silence (Schlingensief – In das Schweigen hineinschreien), de Bettina Böhler

"Os filmes, performances, instalações e produções provocadoras de teatro, televisão e ópera de Christoph Schlingensief moldaram o discurso cultural e político na Alemanha durante duas décadas antes da sua morte, em 2010, com apenas 49 anos. O filme procura documentar de forma exaustiva o vasto espectro da obra deste artista excepcional, traçando o seu percurso de realizador púbere com uma sede de sangue artística a encenador revolucionário em Berlim e Beirute a, por fim, 'artista nacional' alemão, supostamente venerado por todos e convidado a criar o Pavilhão da Alemanha para a Bienal de Veneza 2011."

Medium, de Edgardo Cozarinsky

"Uma pianista de 90 anos tem uma relação especial com Brahms, cuja música toca desde o seu primeiro concerto. Ao mesmo tempo, vem participando em apresentações que combinam teatro e música de vanguarda, uma experiência que lhe proporciona uma nova abordagem à música clássica. As suas memórias de infância alimentam o seu trabalho criativo. Mantém contacto com alunos jovens e por via da sua amizade estes herdam a experiência completa de uma vida dedicada à música. Um filme sobre música e o desejo de viver uma vida mais plena, velhice e juventude promissora e o poder duradouro da passagem de testemunho."

Mais informações sobre o festival em https://doclisboa.org/2020/.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Crítica: Time (2020)

"Because what I clearly understood was that our prison system is nothing more than slavery. And I see myself as an abolitionist."
Fox Rich


*8/10*

Time é um documentário muito íntimo que nos leva às injustiças do sistema prisional e judicial dos Estados Unidos da América, especialmente se os condenados forem afro-americanos. Seguimos uma família ao longo de quase 20 anos, numa luta pela liberdade, superação e pelo direito à família.

Somos apresentados a Fox Rich, uma empresária e mãe de seis rapazes, que tem passado as últimas duas décadas numa campanha pela libertação do seu marido, Rob G. Rich, sentenciado em 60 anos de prisão por um assalto que ambos cometeram nos anos 90, num momento de desespero. O filme junta os vídeos caseiros que Fox gravou para Rob ao longo dos anos, num registo do dia-a-dia da família, às filmagens da realizadora Garrett Bradley, que acompanha a jornada de resiliência, amor e dedicação desta mulher contra o sistema prisional dos EUA.


A realizadora constrói um documentário de elogio a uma mulher lutadora e com uma força inesgotável, que após sair da prisão reconstruiu a sua vida, criou e educou os filhos, e tornou-se numa activista pelos direitos dos reclusos mais pobres ou não brancos. A certo momento, compara-se o sistema prisional norte-americano aos tempos da escravatura e a analogia tem muito de verdade. Basta ver o desrespeito que os tribunais têm pela família de Fox e Rob.

Ver o crescimento desta família ao longo de 20 anos, das imagens de Fox grávida dos gémeos, vê-los pequenos a falar ao telefone com o pai, os mais velhos a formar-se e construir o seu caminho, e o mais novo com os olhos a brilhar de curiosidade sempre que ouve a voz do pai, cria uma ligação pouco comum no cinema com os seus protagonistas reais. O trabalho de montagem em muito contribui para esta conexão, aproveitando da melhor forma as muitas horas de material que Fox Rich filmou para o seu marido.


Time é um desabafo e uma denúncia; um grito de revolta e de amor incondicional. São 20 anos de uma família separada, mas resistente e resiliente. Tudo pela justiça e humanidade do sistema.

terça-feira, 9 de março de 2021

BAFTA 2021: Os Nomeados

Foram hoje anunciados os nomeados para os BAFTA 2021. A cerimónia de entrega dos prémios britânicos está marcada para 11 de Abril, no Royal Albert Hall, em Londres.

Fica a lista completa de nomeados:

Melhor Filme
The Father
The Mauritanian
Nomadland
Promising Young Woman
The Trial Of The Chicago 7

Melhor Filme Britânico
Calm With Horses
The Dig
The Father
His House
Limbo
The Mauritanian
Mogul Mowgli
Promising Young Woman
Rocks
Saint Maud

Melhor Primeira Obra de um Realizador, Produtor ou Argumentista Britânico
His House, Remi Weekes (Argumentista/Realizador)
Limbo, Ben Sharrock (Argumentista/Realizador), Irune Gurtubai (Produtora)
Moffie, Jack Sidey (Argumentista/Realizador) 
Rocks, Theresa Ikoko, Claire Wilson (Argumentistas)
Saint Maud, Rose Glass (Argumentista/Realizadora), Oliver Kassman (Produtor)

Melhor Filme Estrangeiro
Another Round
Dear Comrades!
Les Misérables
Minari
Quo Vadis, Aida?

Melhor Documentário
Collective
David Attenborough: A Life On Our Planet
The Dissident
My Octopus Teacher
The Social Dilemma

Melhor Filme de Animação
Onward
Soul
Wolfwalkers

Melhor Realizador
Another Round, Thomas Vinterberg
Babyteeth, Shannon Murphy
Minari, Lee Isaac Chung
Nomadland, Chloé Zhao
Quo Vadis, Aida?, Jasmila Žbanić
Rocks, Sarah Gavron

Melhor Argumento Original
Another Round, Tobias Lindholm, Thomas Vinterberg
Mank, Jack Fincher
Promising Young Woman, Emerald Fennell
Rocks, Theresa Ikoko, Claire Wilson
The Trial Of The Chicago 7, Aaron Sorkin

Melhor Argumento Adaptado
The Dig, Moira Buffini
The Father, Christopher Hampton, Florian Zeller
The Mauritanian, Rory Haines, Sohrab Noshirvani, M.B. Traven
Nomadland, Chloé Zhao
The White Tiger, Ramin Bahrani

Melhor Actor Principal
Riz Ahmed, Sound Of Metal
Chadwick Boseman, Ma Rainey’s Black Bottom
Adarsh Gourav, The White Tiger
Anthony Hopkins, The Father
Mads Mikkelsen, Another Round
Tahar Rahim, The Mauritanian

Melhor Actriz Principal
Bukky Bakray, Rocks
Radha Blank, The Forty-Year-Old Version
Vanessa Kirby, Pieces Of A Woman
Frances Mcdormand, Nomadland
Wunmi Mosaku, His House
Alfre Woodard, Clemency

Melhor Actor Secundário
Daniel Kaluuya, Judas And The Black Messiah
Barry Keoghan, Calm With Horses
Alan Kim, Minari
Leslie Odom Jr., One Night In Miami…
Clarke Peters, Da 5 Bloods
Paul Raci, Sound Of Metal

Melhor Actriz Secundária
Niamh Algar, Calm With Horses
Kosar Ali, Rocks
Maria Bakalova, Borat Subsequent Moviefilm
Dominique Fishback, Judas And The Black Messiah
Ashley Madekwe, County Lines
Yuh-Jung Youn, Minari

Melhor Banda Sonora Original
Mank, Trent Reznor, Atticus Ross
Minari, Emile Mosseri
News Of The World, James Newton Howard
Promising Young Woman, Anthony Willis
Soul, Jon Batiste, Trent Reznor, Atticus Ross

Melhor Fotografia
Judas And The Black Messiah, Sean Bobbitt
Mank, Erik Messerschmidt
The Mauritanian, Alwin H. Küchler
News Of The World, Dariusz Wolski
Nomadland, Joshua James Richards

Melhor Montagem
The Father, Yorgos Lamprinos
Nomadland, Chloé Zhao
Promising Young Woman, Frédéric Thoraval
Sound Of Metal, Mikkel E.G. Nielsen
The Trial Of The Chicago 7, Alan Baumgarten

Melhor Design de Produção
The Dig, Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
The Father, Peter Francis, Cathy Featherstone
Mank, Donald Graham Burt, Jan Pascale
News Of The World, David Crank, Elizabeth Keenan
Rebecca, Sarah Greenwood, Katie Spencer

Melhor Guarda-roupa
Ammonite, Michael O'connor
The Dig, Alice Babidge
Emma, Alexandra Byrne
Ma Rainey’s Black Bottom, Ann Roth
Mank, Trish Summerville

Melhor Maquilhagem e Cabelo
The Dig, Jenny Shircore
Hillbilly Elegy, Patricia Dehaney, Eryn Krueger Mekash, Matthew Mungle
Ma Rainey’s Black Bottom, Matiki Anoff, Larry M. Cherry, Sergio Lopez-Rivera, Mia Neal
Mank, Kimberley Spiteri, Gigi Williams
Pinocchio, Mark Coulier

Melhor Som
Greyhound, Tbc
News Of The World, Michael Fentum, William Miller, Mike Prestwood Smith, John Pritchett, Oliver Tarney
Nomadland, Sergio Diaz, Zach Seivers, M. Wolf Snyder
Soul, Coya Elliott, Ren Klyce, David Parker
Sound Of Metal, Jaime Baksht, Nicolas Becker, Phillip Bladh, Carlos Cortés, Michelle Couttolenc

Melhores Efeitos Visuais
Greyhound, Pete Bebb, Nathan Mcguinness, Sebastian Von Overheidt
The Midnight Sky, Matt Kasmir, Chris Lawrence, David Watkins
Mulan, Sean Faden, Steve Ingram, Anders Langlands, Seth Maury
The One And Only Ivan, Santiago Colomo Martinez, Nick Davis, Greg Fisher
Tenet, Scott Fisher, Andrew Jackson, Andrew Lockley

Melhor Casting
Calm With Horses, Shaheen Baig
Judas And The Black Messiah, Alexa L. Fogel
Minari, Julia Kim
Promising Young Woman, Lindsay Graham Ahanonu, Mary Vernieu
Rocks, Lucy Pardee

Melhor Curta de Animação Britânica
The Fire Next Time, Renaldho Pelle, Yanling Wang, Kerry Jade Kolbe
The Owl And The Pussycat, Mole Hill, Laura Duncalf
The Song Of A Lost Boy, Daniel Quirke, Jamie Macdonald, Brid Arnstein

Melhor Curta-metragem Britânica
Eyelash, Jesse Lewis Reece, Ike Newman
Lizard, Akinola Davies, Rachel Dargavel, Wale Davies
Lucky Break, John Addis, Rami Sarras Pantoja
Miss Curvy, Ghada Eldemellawy
The Present, Farah Nabulsi

Revelação do Ano - EE Rising Star Award (votado pelo público)
Bukky Bakray
Conrad Khan
Kingsley Ben-Adir
Morfydd Clark
Ṣọpẹ́ Dìrísù