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sábado, 13 de abril de 2019

Dia Internacional do Beijo: Os Melhores Beijos de 2018

Como de costume, no Hoje Vi(vi) um Filme celebramos o Dia Internacional do Beijo com os mais inesquecíveis beijos do passado ano cinematográfico. De 2018, aqui estão dez beijos que ficaram na memória do público e que pudemos ver entre Janeiro e Dezembro (nos cinemas portugueses). Muito romantismo, primeiras experiências e até beijos um pouco mais sobrenaturais, a variedade é muita nesta lista. Nada como recordar (e cuidado com os spoilers se não viram os filmes).

Call Me By Your NameElio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer)



The Shape of Water - Elisa Esposito (Sally Hawkins) e o Homem-Anfíbio (Doug Jones)



Phantom Thread - Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e Alma Elson (Vicky Krieps)


Black Panther - T'Challa (Chadwick Boseman) e Nakia (Lupita Nyong'o)



Lady BirdLady Bird (Saoirse Ronan) e Danny (Lucas Hedges)



As Boas Maneiras - Ana (Marjorie Estiano) e Clara (Isabel Zuaa)



First Reformed - Rev. Ernst Toller (Ethan Hawke) e Mary (Amanda Seyfried)


Cold War - Zula (Joanna Kulig) e Wiktor (Tomasz Kot)


Thelma - Anja (Kaya Wilkins) e Thelma (Eili Harboe)



A Star is Born - Jackson Maine (Bradley Cooper) e Ally (Lady Gaga)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Dia dos Namorados: Filmes Alternativos para Casais ou Solteiros

O Dia dos Namorados é apenas mais um dia no calendário do qual o marketing se apoderou, mas já que acabamos por ir nesta onda de romantismo forçada, nada como explorar alguns filmes alusivos à data, que tanto comprometidos como solteiros devem apreciar. O Hoje Vi(vi) um Filme deixa-vos uma lista um pouco mais alternativa, para todos os gostos.

Para quem gosta de dançar - Chico & Rita, 2010


Para os românticos incuráveis - Expiação (Atonement), 2007


Para os apaixonados pela vida - Assim é o Amor (Beginners), 2010


Para os mais marotos - O ABC do Amor (Everything You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask), 1972


Para os eternamente apaixonados - Cold War - Guerra Fria, 2018


Para os sonhadores - Meia-noite em Paris (Midnight in Paris), 2011


Para os que não largam a tecnologia - Her - Uma História de Amor, 2013


Para os dramáticos - Blue Valentine - Só Tu e Eu, 2010


Para quem faz da vida uma alegria - O Fabuloso Destino de Amélie (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain), 2001


Para os viajados - O Amor é um Lugar Estranho (Lost in Translation), 2003


Para os aventureiros - Bonnie & Clyde, 1967


Para os provocadores - A Criada (Ah-ga-ssi), 2016


Para os poetas - Al Berto, 2017


Para quem gosta de noitadas - Descarrilada (Trainwreck), 2015


Para os desencantados - A Lagosta (The Lobster), 2015


Para os ciumentos - De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut), 1999


Para os indecisos - Sr. Ninguém (Mr. Nobody), 2009


Para os gulosos - Chocolate (Chocolat), 2000


Para os amores adolescentes - Submarino (Submarine), 2010


Para os introvertidos - Lars e o Verdadeiro Amor (Lars and the Real Girl), 2007


Para os fora-da-lei - Amor Fora da Lei (Ain't Them Bodies Saints), 2013


Para os clássicos - Difamação (Notorious), 1946


Para os que quebram barreiras - Uma História de Amor (Loving), 2016


Feliz dia para todos!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2018

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2018 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam. A ordem poderia ser outra pois, para mim, estão todos muito equilibrados, em especial os cinco primeiros. Eis os meus 10 favoritos de 2018 (estreados no circuito comercial de cinema - e Netflix - em Portugal).

10. Aniquilação (Annihilation), de  Alex Garland, 2018



Aniquilação leva-nos a mergulhar entre alucinações, pesadelos, mutações, ecos e as misteriosas tatuagens, seres em mutação, na descoberta de uma dimensão que não parece ser a que conhecemos. O objectivo é só um, chegar ao farol - o foco do Brilho - e voltar para contar a história. Nesta jornada vamos também perceber que a diferença entre destruição e criação não é assim tão grande.

9. Mudbound - As Lamas do Mississipi (Mudbound), de Dee Rees, 2017



Para começar, Mudbound é uma história que aborda o racismo nos EUA, mas também a guerra e os seus traumas. Jamie e Ronsel são dois excelentes exemplos de veteranos de guerra que não estão felizes por regressar. Por outro lado, os cenários estão a condizer com o estado de espírito de quem ali vive e se sente a afundar na lama, de castanho até perder de vista. Tão semelhante à mentalidade racista de muitos, à falta de esperança de outros, à submissão, ao machismo, à intolerância. Depois da guerra, Jamie e Ronsel não pertencem ali, respiram progresso e liberdade - a mesma pela qual lutaram em terra e no ar.

8. Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri), de Martin McDonagh, 2017



A violência policial, actos irreflectidos, arrependimentos e relações familiares são alguns dos temas que constroem a história amarga e de desesperança que McDonagh nos conta - e que belo contador de histórias. Três Cartazes à Beira da Estrada fala de luta, revolta, batalhas infrutíferas, preconceitos, impunidade, onde, no meio do drama, surge o humor inusitado, sarcástico. Afinal, há que rir da própria desgraça.

7. Dogman, de Matteo Garrone, 2018



Matteo Garrone regressa ao âmago da sua Itália, numa construção que denuncia a decadência do país, de pessoas e lugares. Um alerta, violento e cheio de paixão pela arte. Dogman é uma espécie de western dos tempos modernos.

6. Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões (Manbiki kazoku), de Hirokazu Koreeda, 2018



A sensibilidade da lente de Hirokazu Koreeda é eficaz ao ligar-nos às personagens - nenhum é bom ou mau, coabitando numa dualidade que os torna verdadeiramente reais -, e produz o choque natural que surge aquando das revelações. E eis que questionamos a justiça e a moral, seremos juízes sem poder de decisão, encontraremos os nossos culpados que, se calhar, não serão os ladrões. Shoplifters: Uma Família de Pequenos Ladrões revela-se uma obra como já poucas se fazem, tão doce como cruel. É para sentir texturas, planos, gestos, dilemas e emoções.

5. Feliz Como Lázaro (Lazzaro felice), de Alice Rohrwacher, 2018



Eis iniciada mais uma fábula de encantar, uma metáfora de várias situações dos dias de hoje, ainda mais numa Itália com o momento político actual. Olhamos para Feliz Como Lázaro através dos olhos do protagonista, um jovem com uma inocência de criança no corpo de um homem sem tempo. Alice Rohrwacher sugere-nos a esperança na bondade humana, sem, no entanto, nos deixar sonhar muito alto, num mundo altamente corrompido e onde resta pouco amor para partilhar. Fica a expectativa de que existam mais Lazzaros por aí e que não os deixemos desaparecer. 

4. Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), de John Krasinski, 2018



Silêncio. A tensão aumenta a cada pequeno barulho, a cada passo em falso e até na plateia ninguém se atreve a mexer muito. De olhos (e ouvidos) fixos no ecrã, Um Lugar Silencioso traz o silêncio de novo às salas de cinema. E que bom que é! Nesta história de tensão, terror e coragem, o suspense vence o medo, mas os dois andaram de mãos dadas.

3. Linha Fantasma (Phantom Thread), de Paul Thomas Anderson, 2017


Linha Fantasma absorve o perfeccionismo de um artista que vive apenas para a sua criação. Quando o amor chega, os dois lutam por espaço na sua vida. Daniel Day-Lewis hipnotiza-nos e ensina-nos que só quando está de caras com a morte é que o Homem vive.

2. No Coração da Escuridão (First Reformed), de Paul Schrader, 2018



Que estocada no meu sossegado íntimo cinéfilo, que desconforto e vício, que bom voltar a sentir-me viva e em conflito numa sala de cinema. Paul Schrader ensina-nos como com pouco se faz muito e aponta as câmaras ao que realmente interessa, as personagens e o seu conflituoso e perturbado interior. Num misto de desespero, obsessão, coragem e esperança, No Coração da Escuridão constrói-se e desabrocha numa jornada de decisões e acontecimentos inesperados. Toca em temáticas fulcrais da forma menos usual, sejam as crises de fé, o luto, o activismo ou os interesses económicos acima de tudo o resto. Nada aqui é cliché, nem simples, nem demasiado complexo. É um trabalho desconfortável mas muito intenso, inteligente e absorvente. O filme não nos irá deixar em paz, nem dormir sossegados.

1. Cold War - Guerra Fria (Zimna wojna), de Pawel Pawlikowski, 2018


Do tradicional ao jazz, percorremos diversos géneros musicais ao acompanhar duas vidas de frustrações e desencantos. A liberdade ocidental que Wiktor ambiciona entra em choque com a tranquilidade e simplicidade a que Zula está habituada, mas eles não são capazes de viver um sem o outro, nem um com o outro. A Guerra Fria, suas fronteiras e ideologias políticas, criam e separam este amor impossível. E desgastam mais as personagens do que o sentimento, que se mantém inabalável anos a fio. Um filme esteticamente irrepreensível, apaixonadamente doloroso, porque o amor é assim.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Crítica: Cold War - Guerra Fria (2018)

*9/10*


É difícil expressar o que Pawel Pawlikowski consegue transmitir com Cold War. Tal como no filme anterior, Ida, o realizador polaco conta a História do pós-segunda guerra do seu país através de casos singulares escritos e filmados de forma exímia. Na simplicidade, reinam mais as acções que as palavras. Reina o amor e muita dor.

O preto e branco e ecrã quadrado (tal como em Ida) enquadram ainda melhor a acção no tempo - começa no final dos anos 40 e prolonga-se até a meados de 60 -, e condizem igualmente com o carácter fortemente etnográfico que Cold War demonstra.


Durante a Guerra Fria, Zula (Joanna Kulig) e Wiktor (Tomasz Kot), duas pessoas com diferentes experiências e temperamentos, apaixonam-se, entrando numa espiral de encontros e desencontros entre Polónia, Berlim, Jugoslávia e Paris. É a música que os une um ao outro e ao mundo que os rodeia. 

Pawel Pawlikowski inspira-se livremente na história dos pais - a quem dedica o filme - e cria uma obra muito envolvente, ao mesmo tempo que mostra a realidade da Polónia no pós-guerra, sem que isso seja o foco. A música dá vida a Cold War, conta histórias e coreografa tradições, apresenta um pouco do folclore do país numa espécie de retrato musical da época.


Do tradicional ao jazz, percorremos diversos géneros musicais ao acompanhar duas vidas de frustrações e desencantos. E muita dor, para Zula, Wiktor e para a plateia. É fortíssimo e indescritível o sentimento que Cold War passa para o outro lado do ecrã. A liberdade ocidental que Wiktor ambiciona entra em choque com a tranquilidade e simplicidade a que Zula está habituada, mas eles não são capazes de viver um sem o outro, nem um com o outro.

A Guerra Fria, suas fronteiras e ideologias políticas, criam e separam este amor impossível. E desgastam mais as personagens do que o sentimento, que se mantém inabalável anos a fio. É incrível observar como a personagem de Joanna Kulig envelhece, perdendo toda a inocência, jovialidade e audácia que a caracterizam inicialmente. A tristeza e desilusão tomam conta de si, tornando-a uma mulher magoada numa espiral decadente, contudo, para sempre apaixonada por Wiktor. Nele, a mudança parece menor, mas a sua personalidade introspectiva esconde melhor a infelicidade em que sobrevive. Apesar de tudo, ele não se cansa de lutar. Mas a adversidade persegue-os. Tudo por causa de uma escolha. Ou talvez tudo fosse igual se a decisão fosse outra.


Amores frustrados na difícil História de uma Europa dividida, filmada com a mestria de Pawlikowski, é a proposta de Cold War - Guerra Fria. Um filme contido mas capaz de arrebatar emoções, com a música como companheira de sessão. Esteticamente irrepreensível, apaixonadamente doloroso, porque o amor é assim.