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terça-feira, 31 de março de 2026

Sugestão da Semana #711

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Entroncamento, de Pedro Cabeleira.

ENTRONCAMENTO


Ficha Técnica:
Título Original: Entroncamento
Realizador: Pedro Cabeleira
Elenco: Ana Vilaça, Rafael Morais, Tiago Costa, Cleo Diára, Henrique Barbosa, Sérgio Coragem, André Simões, Luís Filipe Eusébio, Carlos Carvalho, Ivo Arroja
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 131 minutos

domingo, 12 de janeiro de 2025

Crítica: Um Café e um Par de Sapatos Novos / A Cup of Coffee and New Shoes On / Një filxhan kafe dhe këpucë të reja veshur (2022)

*6.5/10*

Em Um Café e um Par de Sapatos Novos, o realizador albanês Gentian Koçi constrói um filme minimalista, que aposta tudo na premissa e nos actores - os gémeos portugueses Edgar e Rafael Morais. O filme, que se baseia na história real de dois irmãos surdos-mudos, é uma co-produção da Albânia, Grécia, Kosovo e Portugal.

Em Tirana, nos dias de hoje, Agim (Rafael Morais) e Gëzim (Edgar Morais), dois irmãos gémeos, idênticos, inseparáveis, surdos-mudos, vivem juntos na mesma casa. Ana (Drita Kabashi), a namorada de Gëzim, jovem e enérgica, visita-os com frequência. Uma noite, Agim está a conduzir de regresso a casa com Gëzim, quando fica com a visão turva e quase sofrem um acidente fatal. Dias mais tarde, no oftalmologista, descobrem que, em virtude de uma doença genética rara, ficarão ambos cegos de forma progressiva e irreversível.

Os silêncios imperam nesta longa-metragem, quase toda "falada" em linguagem gestual albanesa. A estranheza inicial dá lugar à naturalidade da relação próxima entre os dois irmãos. A revolta calada, a protecção que têm um para com o outro e o desespero que se adensa com a progressão da doença sentem-se na pele. E, progressivamente, o sentido que lhes resta para comunicarem entre eles ou com o mundo é o tacto.

As cores frias reinam nos cenários da acção e não há enredos complexos, nada de experimentalismos. O foco de Um Café e um Par de Sapatos Novos são os gémeos Rafael e Edgar Morais, nas suas extraordinárias interpretações de Agim e Gëzim. Os actores expõem fragilidades e sentimentos e, sem falar, são capazes de transmitir tudo o que é necessário para que a plateia compreenda a sua dor e a sua revolta infrutífera. 

Um Café e um Par de Sapatos Novos é um drama familiar sem sentimentalismos, simples e directo ao assunto que trata. Uma reflexão silenciosa e triste, e a constatação de como os cinco sentidos são, de várias formas, o nosso veículo de comunicação com o mundo.

domingo, 14 de maio de 2023

Sugestão da Semana #560

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca dois filmes: Mal Viver e Viver Mal, de João Canijo. Este díptico sobre maternidade já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme. Vem mesmo a calhar, para aproveitar a Festa do Cinema, que começa hoje, dia 14, e se prolonga até 17 de Maio, com bilhetes a 3,50€, em todas as sessões 2D, em quase todas as salas de cinema do país.



Ficha Técnica:
Título Original: Mal Viver
Realizador: João Canijo
Elenco: Anabela Moreira, Rita Blanco, Madalena Almeida, Cleia Almeida, Vera Barreto, Nuno Lopes, Filipa Areosa, Leonor Silveira, Rafael Morais, Lia Carvalho, Beatriz Batarda, Carolina Amaral, Leonor Vasconcelos
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 127 minutos




Ficha Técnica:
Título Original: Viver Mal
Realizador: João Canijo
Elenco: Nuno Lopes, Filipa Areosa, Leonor Silveira, Rafael Morais, Lia Carvalho, Beatriz Batarda, Leonor Vasconcelos, Carolina Amaral, Anabela Moreira, Rita Blanco, Madalena Almeida, Cleia Almeida, Vera Barreto
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 124 minutos

domingo, 29 de janeiro de 2023

Sugestão da Semana #545

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Amadeo, de Vicente Alves do Ó, sobre o pintor Amadeo de Souza-Cardoso. O Hoje Vi(vi) um Filme já escreveu sobre o filme.



Ficha Técnica:
Título Original: Amadeo
Realizador: Vicente Alves do Ó
Elenco: Rafael Morais, Raquel Rocha Vieira, Ana Lopes, Eunice Muñoz, Ana Vilela da Costa, Lúcia Moniz, Rogério Samora, José Pimentão, Manuela Couto, Ricardo Barbosa
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 98 minutos

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Crítica: Amadeo (2023)

"Foge comigo. Tenho medo de ficar aqui para sempre e enlouquecer."

Amadeo

*7.5/10*

Depois de Florbela e Al Berto, Amadeo encerra a trilogia de filmes sobre artistas - dois poetas e um pintor - de Vicente Alves do Ó. 

Amadeo é um filme melancólico, marcado por duas pandemias - com cem anos de distância - e, inevitavelmente, toda a experiência de visualização é distinta daquela que seria caso não tivessem passados três anos pandémicos. Desde a conclusão das filmagens, no final de 2019, até à estreia, em 2023, alguns elementos da equipa do filme perderam a vida, sendo o mesmo dedicado a Eunice Muñoz e Rogério Samora - que interpretaram a avó e o pai de Amadeo. 

Amadeo de Souza-Cardoso, nascido em Manhufe, Amarante, fixa-se em Paris onde integra um círculo de artistas modernistas, onde se contam Modigliani, Picasso, Apollinaire, Brancusi, Derain, Emmerico Nunes e Max Jacob. Com o início da Primeira Guerra Mundial, regressa a Portugal, à casa da família, juntamente com a sua mulher Lucie. Em 1918, com a chegada da pneumónica a Portugal, vai para Espinho com as irmãs e Lucie, até adoecer e falecer a 25 de Outubro de 1918, aos 30 anos.

São estes os momentos-chave do filme de Vicente Alves do Ó, que se divide em três partes: a estadia em casa dos pais durante a Primeira Guerra Mundial e a primeira exposição que organiza, em 1916, no Passos Manoel, no Porto; 1911 e a temporada passada em Paris, onde assistimos a uma vernissage em sua casa, onde marcam presença os maiores artistas da época como Modigliani e Picasso (e onde estão alguns dos melhores momentos da longa-metragem); e, por fim, 1918, e a chegada da doença. 

Amadeo carrega uma aura trágica tal qual o destino do seu protagonista: um homem com tamanha urgência em viver e com um talento grande demais para o país que o viu nascer. O jovem artista queria pintar o futuro que não chegou a viver, e que a guerra e uma pandemia fizeram adiar.

Rafael Morais incorpora o pintor de corpo e alma, e confere-lhe o ar sombrio de quem desespera por voltar a Paris e sair da "prisão" em que a guerra o colocou. Ele quer ser livre e compreendido e sabe que, em Portugal, isso não vai acontecer. Esta inquietação está latente no actor, bem como a sua extrema dedicação a Lucie e às irmãs.

Há que destacar também a fabulosa direcção de fotografia de Rui Poças, proporcionando planos que são autênticos quadros, a par dos que Amadeo pintou, numa fusão de artes.

Um dos mais talentosos e vanguardistas artistas portugueses do século XX tem finalmente um filme que o traz para a ribalta. Amadeo dá corpo e movimento ao pintor que é ainda tão desconhecido. O mistério em redor de um homem prometedor que morreu tão cedo torna-o, mais ainda, objecto de atento interesse. 

Os filmes de Vicente são de uma sensibilidade pouco comum no cinema português e Amadeo não foge à regra: é poético, livre e urgente como o seu protagonista.