quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Estreias da Semana #655

Esta Quinta-feira, chegam às salas de cinema portuguesas seis novos filmes. Memórias de Um Caracol, O ImpérioParthenope são algumas das estreias em destaque.

Homem-Cão (2025)
Dog Man
Um fiel cão-polícia e o seu dono, um polícia humano, sofrem um acidente de trabalho. Graças a uma louca, mas eficaz cirurgia, os dois são unidos no Homem Cão. À medida que o Homem Cão abraça a sua nova identidade e se esforça por impressionar o Chefe, tem de impedir os planos maléficos do supervilão felino Petey, o Gato.

Memórias de Um Caracol (2024)
Memoir of a Snail
As memórias agridoces de uma mulher melancólica e solitária chamada Grace Pudel - que conta a história da sua vida a um humilde caracol de jardim chamado Sylvia. Grace Pudel é uma desajustada solitária com uma afinidade para coleccionar caracóis ornamentais e um amor intenso por livros. Em tenra idade, quando é separada de Gilbert, o seu irmão gémeo cuspidor de fogo, Grace cai numa espiral de ansiedade e angústia. Apesar de uma série contínua de dificuldades, a inspiração e a esperança surgem quando estabelece uma amizade duradoura com uma idosa excêntrica chamada Pinky, cheia de garra e desejo de viver.

O Império (2024)
L'Empire
Numa pacata vila piscatória francesa, nasce um bebé peculiar que desencadeia uma guerra secreta entre duas forças opostas de cavaleiros extraterrestres vindos das profundezas do espaço.

Parthenope (2024)
A longa viagem da vida de Parthenope, desde o seu nascimento, em 1950, até agora. Uma epopeia feminina, desprovida de heroísmo, mas repleta de uma paixão inexorável pela liberdade, por Nápoles e pelos rostos do amor - todos esses amores verdadeiros, inúteis e indizíveis. O Verão perfeito de Capri, uma juventude despreocupada apesar de um horizonte sem esperança. A vida pode ser hesitante, memorável ou vulgar. A passagem do tempo oferece um repertório de sentimentos. E lá no fundo, tão perto e tão longe, está Nápoles, essa cidade inefável que enfeitiça, encanta, grita, ri e sabe sempre como nos magoar.

Resgate em Alto Mar (2025)
Last Breath
Um mergulhador está encalhado no fundo do Mar do Norte. O cordão que o liga à superfície rompe-se devido ao mar agitado e uma avaria no equipamento faz com que fique com apenas dez minutos de oxigénio, envolvido numa escuridão total e em águas geladas, a 100 metros de profundidade, sem hipótese de salvamento durante pelo menos 30 minutos. À superfície os seus colegas lutam contra uma tempestade furiosa e fazem tudo o que podem para o trazer de volta vivo.

Visita de Estudo (2023)
Ekskurzija
Em Sarajevo, uma adolescente à procura de afirmação revela que teve relações sexuais pela primeira vez durante um jogo de "verdade ou consequência" entre alunos do ensino secundário. Presa na sua mentira, fabrica uma gravidez e torna-se o centro de uma controvérsia que foge ao controlo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O Hoje Vi(vi) um Filme faz 13 anos

O Hoje Vi(vi) um Filme completa hoje o seu 13.º aniversário! São 13 anos de muito amor ao cinema. 

Fiz um pequeno apanhado das experiências que o cinema me trouxe ao longo do último ano. Obrigada a todos os que fizeram parte de mais 366 dias (ano bissexto) de Hoje Vi(vi) um Filme.

Foi a 26 de Fevereiro de 2012 que tudo começou, num Domingo de Oscars.

E um especial agradecimentos a todos os que nos vão acompanhando e ajudado a crescer. Continuaremos por aqui a viver o Cinema convosco.

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Sugestão da Semana #654

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca longa-metragem letã Flow - À Deriva, de Gints Zilbalodis, nomeado para os Oscars de Melhor Filme de Animação e Melhor Filme Estrangeiro.

FLOW - À DERIVA


Ficha Técnica:
Título Original: Straume / Flow
Realizador: Gints Zilbalodis
Género: Animação, Aventura, Fantasia
Classificação: M/6
Duração: 85 minutos

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Crítica: Ainda Estou Aqui / I'm Still Here (2024)

"- O meu marido está em perigo!

- Todo o mundo está em perigo, Eunice."

*7.5/10*

Walter Salles regressa aos anos da ditadura brasileira para contar uma história real em Ainda Estou Aqui. O filme é inspirado no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva, sobre a história da sua família. Em tempos estranhos como os actuais, é ainda mais importante recordar os horrores das ditaduras do século XX.

"Rio de Janeiro, anos 70. No Brasil impera a ditadura militar iniciada em 1964 e que só terminaria em 1985. Rubens Paiva é um deputado do regime deposto, casado, pai de cinco filhos, engenheiro de profissão. Em janeiro de 1971, homens armados entram na sua casa e levam-no para interrogatório. Nunca regressou, sendo oficialmente considerado como 'desaparecido'. Ainda Estou Aqui é a história da sua família. A história de Eunice, uma mãe que procura incessantemente o marido desaparecido, empenhada em descobrir a verdade por detrás do 'desaparecimento', enquanto tudo faz para que a família tenha uma vida normal. A busca duraria 30 longos anos."

Num época de medo e perseguição, Walter Salles foca-se no desaparecimento de Rubens Paiva (interpretado por Selton Mello), para mostrar (ou relembrar) como a ditadura assombrava e destruía famílias. O realizador cria um filme realista, comovente e fiel aos acontecimentos, e em que todo o visual do filme transporta a plateia para os anos 70, onde tudo começa.

Depois de levarem o ex-deputado, é a matriarca Eunice, interpretada por Fernanda Torres, quem toma as rédeas. Uma dona de casa que vivia para gerir a casa e os filhos e não se envolvia nas lutas políticas do marido, vê-se, de repente, sem rumo. E é então que muda totalmente de vida, torna-se a cara da luta de tantos brasileiros.

Depois de ser vigiada, presa, interrogada e de lidar com a tortura, Eunice percebe que é preciso expor o caso mediaticamente e lutar por todos os meios legais para conseguir as respostas que teimam em não chegar e, principalmente, justiça. E é aqui que Fernanda Torres toma conta do filme. Ela encarna a verdadeira Eunice nas suas lutas, ao longo de 30 anos, sem nunca desistir. Um sorriso para uma foto que se espera triste já é desafiar o sistema. E Eunice já não teme. Ela supera-se, reinventa-se, mostra que nunca é tarde para o que for e que desistir nunca será opção.

Ainda Estou Aqui é memória, melancolia, revolta e justiça. É daquelas obras que nunca deixarão de ser necessárias.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Crítica: O Macaco / The Monkey (2025)

"Everybody dies. Some of us peacefully and in our sleep, and some of us... horribly. And that's life."
Lois


*6/10*

Depois do excêntrico O Colecionador de Almas (Longlegs), a nova proposta de Osgood Perkins chama-se O Macaco, um "brinquedo" cheio de ritmo e humor negro. O filme baseia-se no conto homónimo de Stephen King, que faz parte do livro Skeleton Crew.

O Macaco segue os gémeos Hal e Bill, desde crianças, quando descobrem o velho boneco em forma de macaco que pertencia ao pai. A partir desse momento, uma sucessão de mortes horríveis começa a ocorrer à sua volta. Depois de se desfazerem do brinquedo, os dois irmãos crescem e afastam-se. Até que o macaco e uma nova vaga de mortes os volta a aproximar.


Muito menos sombrio e perturbador que o seu antecessor, O Macaco é diversão garantida, sem grandes subtextos ou enigmas. Osgood Perkins transporta Stephen King para o grande ecrã e espera que resulte. E funciona, especialmente para quem procura um filme pouco complexo, com algum gore, poucos sustos e mortes hilariantes. 

O Macaco protagonista - um "focinho" conhecido de Toy Story 3, que mudou de instrumento musical - toca um tambor e tem uma personalidade forte. É dele que chega uma música que não sairá da cabeça, enquanto serve de banda sonora para a sucessão de mortes do filme de Perkins, que ocorrem nas situações mais inusitadas, levando a plateia a gargalhadas nervosas.


O realizador parece aproveitar a simplicidade de O Macaco para ganhar fôlego para novas e bem mais inspiradas obras cinematográficas. Enquanto isso, é preciso ter cuidado quando alguém dá corda ao macaco percussionista.  

Cinema na TV generalista no fim-de-semana: Fevereiro #4

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Estreias da Semana #654

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses nove novos filmes. Entre as estreias estão Flow - À DerivaO Atentado de 5 de Setembro, O Macaco No Other Land.

Bucha - Memória ou Esquecimento (2024)
Bucha
A história de um refugiado do Cazaquistão que, na primavera de 2022, salvou centenas de ucranianos em Bucha e noutras localidades ocupadas pelas tropas russas.

Flow - À Deriva (2024)
Straume
O mundo parece estar à beira do fim, marcado pelos vestígios deixados pela presença humana. A casa do solitário Gato é devastada por uma grande inundação. Ele encontra refúgio num barco habitado por várias espécies. Juntos, enfrentam os desafios da adaptação a um mundo transformado pelas alterações climáticas.

Longe da Estrada (2024)
Taiti, 1903. O médico, poeta e artista Victor Segalen abandona a França e ruma para Hiva-Ao, para conhecer Gauguin pessoalmente. Ao chegar à ilha, é informado de que o pintor havia falecido.

No Other Land (2024)
Filme realizado por um colectivo palestino-israelita, mostra a destruição de Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada, por soldados israelitas, e a aliança que se desenvolve entre o activista palestiniano Basel e o jornalista israelita Yuval.

O Atentado de 5 de Setembro (2024)
September 5
Durante os Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, uma equipa de transmissão desportiva americana é obrigada a adaptar-se para cobrir o caso dos atletas israelitas feitos reféns por um comando terrorista palestiniano. Geoff (John Magaro), um jovem produtor, esforça-se por provar o seu valor ao patrão, Roone Arledge (Peter Sarsgaard). Com a intérprete alemã Marianne (Leonie Benesch) e o seu mentor Marvin Bader (Ben Chaplin), Geoff assume inesperadamente a cobertura em directo. As narrativas mudam, o tempo passa e surgem rumores contraditórios. Diante de uma situação nunca vista, o produtor terá de tomar decisões difíceis e ir contra as suas convicções morais.

O Auto da Compadecida 2 (2024)
Depois de 20 anos desaparecido, João Grilo regressa à pequena cidade de Taperoá para se juntar ao seu velho amigo Chicó. Para sua surpresa, é recebido como uma celebridade. Reza a lenda que tinha sido morto por uma bala de espingarda e ressuscitado após um julgamento que tinha o Diabo como acusador, a Nossa Senhora como defensora e o próprio Jesus Cristo como juiz. Disputado como principal atração de campanha pelos dois políticos mais poderosos da cidade, ele faz de tudo para finalmente aplicar o golpe que lhe vai render muito dinheiro e, quem sabe, uma vida calma – como se fosse possível que ele sossegasse. Só que nada sai como planeado e ele acaba alvejado pelo mesmo homem que o tinha morto anos antes. Será que a Compadecida vai intervir para salvá-lo novamente?

O Macaco (2025)
The Monkey
Os gémeos Hal e Bill descobrem o velho boneco em forma de macaco que pertencia ao pai. A partir desse momento, uma sucessão de mortes horríveis começa a ocorrer à sua volta.

Oh, Canada (2024)
Consciente da idade e da doença, o documentarista Leonard Fife (Richard Gere) concede uma longa entrevista a Malcolm (Michael Imperioli), um antigo aluno. Ao longo da entrevista, revela finalmente as verdades e mentiras da sua vida e carreira, avançando com histórias sinceras sobre o seu "eu" mais jovem (Jacob Elordi) nos fracturantes anos 60. Emma (Uma Thurman), a sua esposa e parceira indispensável, é testemunha do depoimento por insistência de Leonard. A viagem ao passado começa com um momento crucial: 30 de Março de 1968, durante o recrutamento para a Guerra do Vietname, antes de Leonard se tornar cineasta. O jovem Leonard (Elordi) está casado com Alicia, grávida. e prestes a embarcar numa viagem a Vermont. Irá visitar amigos ou tentar entrar no Canadá para fugir ao serviço militar? Novas memórias surgem. O que começa como uma entrevista transforma-se num ajuste de contas pessoal. Leonard é confrontado com sucessos e fracassos e as mentiras são confrontadas com os factos à medida que o homem é limpo do mito.

Ouro Verde (2024)
La Promesse verte
Na tentativa de salvar o filho de uma condenação à pena de morte em território indonésio, Carole lança-se num combate desigual contra os responsáveis pelas plantações de óleo de palma que promovem a desflorestação e ameaçam as populações.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Crítica: A Rapariga da Agulha / Pigen med nålen / The Girl with the Needle (2024)

"I have a new life. Please forgive me."
Karoline


*7/10*

Ao contrário do que muitos dizem, A Rapariga da Agulha não é um filme de terror. Poderá, contudo, perturbar os mais sensíveis, por se inspirar em factos reais. Magnus Von Horn constrói um filme envolto num ambiente pesado e obscuro, onde a esperança está longe de ser alcançável. 

A longa-metragem dinamarquesa, "acompanha Karoline, uma jovem grávida e abandonada, que procura sobreviver no pós-Primeira Guerra Mundial, em Copenhaga. Um dia conhece uma mulher que gere uma agência de adopção clandestina, de quem se aproxima, até ao momento em que uma descoberta inesperada muda tudo".


Numa sociedade cruel e desolada pela guerra, Karoline (Vic Carmen Sonne) não tem notícias do marido soldado há um ano e vive em grandes dificuldades. É a protagonista que dá nome ao filme, e logo ao início vêmo-la a fazer tricô e a trabalhar numa fábrica de confecção, onde manuseia máquinas de costura - e são muitas as agulhas que se partem. Entretanto, grávida e abandonada, desespera, até que o marido aparece-lhe, sem explicações e mutilado. Chocada e sem esperança, a protagonista toma decisões precipitadas e confia em Dagmar (aterradora interpretação de Trine Dyrholm), a mulher da loja de doces, que gere, em segredo, uma agência de adopções - a fachada perfeita para o paradoxal negócio que tem dentro de casa. 


A Rapariga da Agulha faz várias vítimas ao longo do decorrer da trama, para além das mais óbvias e indefesas. O marido de KarolinePeter (interpretado por Besir Zeciri), é uma das principais, um ferido de guerra que demonstra, a certo ponto, ser a encarnação da bondade (que escasseia na longa-metragem), num rosto desfeito, escondido atrás de uma máscara. É ele a nova atracção do circo das aberrações local e é assim que vai ganhando a vida que tenta reconstruir - nunca deixando de amar e acolher a mulher quando esta regressa. E é também Karoline, apesar de alguns actos impensados, uma das maiores vítimas da história: desde a dor da ausência à da separação, às dúvidas que a assolam, aos sacrifícios por que passa, quase sempre solitária, com a vida devastada.


Ao mesmo tempo que arrisca, o realizador coloca igualmente nesta obra algumas referências cinematográficas notórias, como a Sortie de l'usine Lumière à Lyon (1895), de Auguste e Louis Lumière, e outras tantas que se descortinam no marcado visual sombrio de A Rapariga da Agulha. A preto e branco, a direcção de fotografia faz um trabalho fabuloso, captando o ambiente e potenciando os momentos de maior suspense, muitas vezes, verdadeiramente assombrosos, em jogos de sombras e luz que mostram as diversas faces do ser humano. 

O tom pesado e o desenlace abominável, inspirado em acontecimentos reais, que encontram semelhanças em alguns casos pelo mundo, incluindo um em Portugal (Luiza de Jesus, no século XVIII - para evitar spoilers, pesquisem só depois de ver o filme), faz com que A Rapariga da Agulha não seja um filme consensual. Magnus Von Horn desafia os limites do drama, criando um incómodo latente na plateia.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Sugestão da Semana #653

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca A Rapariga da Agulha, de Magnus von Horn, um dos nomeados para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A RAPARIGA DA AGULHA


Ficha Técnica:
Título Original: Pigen med nålen / The Girl with the Needle
Realizador: Magnus von Horn
Elenco: Vic Carmen Sonne, Trine Dyrholm, Besir Zeciri, Joachim Fjelstrup, Tessa Hoder, Ava Knox Martin
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/14
Duração: 123 minutos

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Prémios Curtas 2025: Nomeados

Os nomeados para a 3.ª edição dos Prémios Curtas foram revelados este Domingo. A cerimónia de entrega dos prémios vai decorrer no dia 5 de Abril, no Fórum Lisboa.

Umbral

Com um recorde de 10 nomeações, Umbral, de Miguel Andrade, segue na frente da corrida, seguido de perto por Era Uma Vez no Apocalipse, de Tiago Pimentel, com nove, e O Procedimento, de Chico Noras, com sete nomeações.

Entre os nomeados nas 18 categorias a concurso, destacam-se ainda títulos como: As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer, de Isadora Neves Marques, Mau Por Um Momento, de Daniel Soares, O Jardim em Movimento, de Inês Lima, Golden Shower, de Stella Carneiro, À Tona d'Água, de Alexander David, Percebes, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, ou Kora, de Cláudia Varejão.

Era Uma Vez no Apocalipse

Pela primeira vez, os Prémios Curtas vão distinguir uma personalidade portuguesa com um Prémio Honorário, distinção essa que se inicia nesta 3.ª edição, homenageando Luís Miguel Cintra, "pela sua forte contribuição em diferentes palcos e telas, assim como pela sua entrega em diversas primeiras obras de vários autores, impulsionando assim o panorama cinematográfico português e em particular os jovens cineastas", explica André Marques da organização, em comunicado.

O Júri desta edição é composto por: Frederico Corado (realizador, encenador e programador), Marina Leonardo (actriz e realizadora), Hugo Gomes (crítico de cinema), Inês Moreira Santos (blogger de cinema/TV e divulgadora cultural), Rafael Félix (crítico de cinema), Carolina Serranito (artista e programadora), Francisco Rocha (blogger de cinema, programador e fotógrafo), Jasmim Bettencourt (crítico de cinema e realizador), Filipa Amaro (realizadora e argumentista), André Pereira (editor de vídeo e videógrafo), Bernardo Freire (crítico de cinema, apresentador e podcaster) e Bruno Gascon (realizador e argumentista).

O Procedimento

Eis a lista completa de nomeados da 3.ª edição dos Prémios Curtas:


Melhor Curta de Ficção

As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer

Era Uma Vez no Apocalipse

Golden Shower

Mau Por Um Momento

Umbral


Melhor Curta Documental

Kora

Os Cães Voltaram a Ladrar

Quando a terra foge

Tão pequeninas, tinham o ar de serem já crescidas

Uma mulher do género


Melhor Curta de Animação

A Cada Dia Que Passa

O Estado de Alma

Percebes

Pietra

Três Vírgula Catorze


Melhor Realização

Cláudia Varejão por Kora

Daniel Soares por Mau Por Um Momento

Inês Lima por O Jardim em Movimento

Isadora Neves Marques por As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer

Mário Veloso por Chuvas de Verão


Melhor Argumento

Alexander David por À Tona d’Água

António Miguel Pereira e Tiago Pimentel por Era Uma Vez no Apocalipse

Chico Noras e Rafael Traquino por O Procedimento

Isadora Neves Marques por As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer

Miguel Andrade por Umbral


Melhor Actor

Daniel Silva em Umbral

João Nunes Monteiro em Nós

João Villas-Boas em Mau Por Um Momento

José Eduardo em Desgosto de Morrer no Inverno

Sérgio Godinho em Era Uma Vez no Apocalipse


Melhor Actriz

Cirila Bossuet em Êxtase

Kim Ostrowskij em Golden Shower

Nádia Yracema em Prima ku Lebsi

Paula Só em O Procedimento

Teresa Faria em Porta-te Bem


Melhor Actor Secundário

Diogo Fernandes em Golden Shower

Luis Reboredo em Nós

Nuno Branco em Santa Rita Dream

Paulo Calatré em Era Uma Vez no Apocalipse

Will Costa em 00:00 MEIA-NOITE


Melhor Actriz Secundária

Ana Luísa Martins em O Jardim em Movimento

Bia Gomes em Antes do Nascer da Lua

Diana Sá em Umbral

Isadora Alves em As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer

Mariana Pacheco em Era Uma Vez no Apocalipse


Melhor Interpretação Infantil

Ada Costa em À Tona d’Água

Evie Gomes em À Tona d’Água

Inês Cruz em Conseguimos Fazer Um Filme

João Bica em Francisco Perdido

Leandro Vieira em Vale do Fogo


Melhor Montagem

Cláudia Varejão por Kora

Daniel Soares e Lucas Moesch por Mau Por Um Momento

João Brás por Vale do Fogo

João Cunha e Maria Cândida por Umbral

Vera Lúcia Rita por O Procedimento


Melhor Fotografia

Bruno Reis Oliveira por Chuvas de Verão

Frederico Lobo por Quando a terra foge

Marta Simões por As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer

Miguel Cravo por Êxtase

Vasco Viana por Mau Por Um Momento


Melhor Som/Efeitos Sonoros

Alex Gregson, Danny Jones e Ryan Sweetman por The Hunt

Bernardo Bento, Ricardo Salazar e Vasco Carvalho por Percebes

Filipe Rebelo, Mauricio d'Orey, Rafael Cardoso e Sérgio Silva por Quando a terra foge

Guilherme Marta e Lurdes Osswald por Umbral

Tiago Inuit e Tomé Palmeirim por Quorum


Melhor Guarda-Roupa

Ana Abelha por Umbral

Cátia Santos por O Procedimento

Luís Sequeira por Era Uma Vez no Apocalipse

Mónica Lafayette por Antes do Nascer da Lua

Mónica Lafayette por Prima ku Lebsi


Melhor Caracterização

Alexandra Santos por Umbral

Cidália Espadinha por Santanário

Cláudia Fonseca por O Procedimento

Jude Sousa por Menor que três

Susana Cruz por Era Uma Vez no Apocalipse


Melhor Direcção Artística

Ana Abelha por Umbral

Ana Meleiro por As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer

Cátia Santos por O Procedimento

João Sousa por Penrose

Sofia Videira Pinto por Era Uma Vez no Apocalipse


Melhor Banda Sonora

Cristopher Ruiz Cárdenas, Inês Lima e Margarida Gonçalves por O Jardim em Movimento

Nicolas Tricot por Percebes

Rui Gaio por Rosa Choque, Ou Se

Timóteo de Azevedo por O Procedimento

Vagné Lima por Latitude Fénix


Melhores Efeitos Visuais

Diogo Vale, Mário Espada e Vítor Carvalho por O Jardim em Movimento

Duarte Gandum e Tiago Loureiro por Depois do Tempo

Gonçalo Homem e Johnny Rodrigues por Era Uma Vez no Apocalipse

João Pedro Gomes por Quorum

Nuno Costa por Umbral


Mais informações sobre os Prémios Curtas em https://premioscurtas.pt/.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

BAFTA 2025: Vencedores

Foram esta noite anunciados os vencedores dos BAFTA 2025, os prémios do cinema britânico. 

Conclave e O Brutalista receberam quatro prémios cada, tendo o primeiro conquistado o BAFTA para Melhor Filme e o segundo os BAFTA para Melhor Realizador e Melhor Actor Principal.

Eis a lista completa de vencedores:


Melhor Filme
ANORA
THE BRUTALIST
A COMPLETE UNKNOWN
EMILIA PÉREZ

Melhor Filme Britânico
BIRD
BLITZ
GLADIATOR II
HARD TRUTHS
KNEECAP
LEE
LOVE LIES BLEEDING
THE OUTRUN
WALLACE AND GROMIT: VENGEANCE MOST FOWL

Melhor Primeira Obra de um Realizador, Produtor ou Argumentista Britânico
HOARD Luna Carmoon (Realizadora, Argumentista)
KNEECAP Rich Peppiatt (Realizador, Argumentista)
MONKEY MAN Dev Patel (Realizador)
SANTOSH Sandhya Suri (Realizadora, Argumentista), James Bowsher (Produtor), Balthazar de Ganay (Produtor) [também produzido por Alan McAlex, Mike Goodridge]
SISTER MIDNIGHT Karan Kandhari (Realizador, Argumentista)

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa
ALL WE IMAGINE AS LIGHT Payal Kapadia, Thomas Hakim
I’M STILL HERE (AINDA ESTOU AQUI) Walter Salles, TBD
KNEECAP Rich Peppiatt, Trevor Birney
THE SEED OF THE SACRED FIG Mohammad Rasoulof, Amin Sadraei

Melhor Documentário
BLACK BOX DIARIES
DAUGHTERS
NO OTHER LAND
SUPER/MAN: THE CHRISTOPHER REEVE STORY
WILL & HARPER

Melhor Filme de Animação
FLOW
INSIDE OUT 2
WALLACE AND GROMIT: VENGEANCE MOST FOWL
THE WILD ROBOT

Melhor Filme Infantil e Familiar
FLOW
KENSUKE'S KINGDOM
WALLACE AND GROMIT: VENGEANCE MOST FOWL
THE WILD ROBOT

Melhor Realizador
ANORA Sean Baker
CONCLAVE Edward Berger
DUNE: PART TWO Denis Villeneuve
EMILIA PÉREZ Jacques Audiard
THE SUBSTANCE Coralie Fargeat

Melhor Argumento Original
ANORA escrito por Sean Baker
THE BRUTALIST escrito por Brady Corbet & Mona Fastvold
KNEECAP escrito por Rich Peppiatt, história de Rich Peppiatt, Naoise Ó Cairealláin, Liam Óg Ó Hannaidh, JJ Ó Dochartaigh
A REAL PAIN escrito por Jesse Eisenberg
THE SUBSTANCE escrito por Coralie Fargeat

Melhor Argumento Adaptado
A COMPLETE UNKNOWN adaptado por James Mangold Jay Cocks
EMILIA PÉREZ escrito por Jacques Audiard
NICKEL BOYS adaptado por RaMell Ross & Joslyn Barnes
SING SING adaptado por Clint Bentley, Greg Kwedar, história de Clint Bentley, Greg Kwedar, Clarence ‘Divine Eye’ Maclin, John ‘Divine G’ Whitfield

Melhor Actor Principal
TIMOTHÉE CHALAMET A Complete Unknown
COLMAN DOMINGO Sing Sing
RALPH FIENNES Conclave
HUGH GRANT Heretic
SEBASTIAN STAN The Apprentice

Melhor Actriz Principal
CYNTHIA ERIVO Wicked
KARLA SOFÍA GASCÓN Emilia Pérez
MARIANNE JEAN-BAPTISTE Hard Truths
DEMI MOORE The Substance
SAOIRSE RONAN The Outrun

Melhor Actor Secundário
YURA BORISOV Anora
KIERAN CULKIN A Real Pain
CLARENCE MACLIN Sing Sing
EDWARD NORTON A Complete Unknown
GUY PEARCE The Brutalist
JEREMY STRONG The Apprentice

Melhor Actriz Secundária
SELENA GOMEZ Emilia Pérez
ARIANA GRANDE Wicked
FELICITY JONES The Brutalist
JAMIE LEE CURTIS The Last Showgirl
ISABELLA ROSSELLINI Conclave

Melhor Banda Sonora Original
CONCLAVE Volker Bertelmann 
EMILIA PÉREZ Camille, Clément Ducol
NOSFERATU Robin Carolan
THE WILD ROBOT Kris Bowers

Melhor Fotografia
CONCLAVE Stéphane Fontaine
DUNE: PART TWO Greig Fraser
EMILIA PÉREZ Paul Guilhaume
NOSFERATU Jarin Blaschke

Melhor Montagem
ANORA Sean Baker 
DUNE: PART TWO Joe Walker 
EMILIA PÉREZ Juliette Welfling 
KNEECAP Julian Ulrichs, Chris Gill

Melhor Design de Produção
THE BRUTALIST Judy Becker, Patricia Cuccia 
CONCLAVE Suzie Davies, Cynthia Sleiter 
DUNE: PART TWO Patrice Vermette, Shane Vieau
NOSFERATU Craig Lathrop
WICKED Nathan Crowley, Lee Sandales

Melhor Guarda-roupa
BLITZ Jacqueline Durran
A COMPLETE UNKNOWN Arianne Phillips
CONCLAVE Lisy Christl
NOSFERATU Linda Muir
WICKED Paul Tazewell

Melhor Maquilhagem e Cabelo
DUNE: PART TWO Love Larson, Eva Von Bahr
EMILIA PÉREZ Julia Floch Carbonel, Emmanuel Janvier, Jean-Christophe Spadaccini, Romain Marietti 
NOSFERATU David White, Traci Loader, Suzanne Stokes-Munton 
WICKED Frances Hannon, Laura Blount, Sarah Nuth

Melhor Som
BLITZ John Casali, Paul Cotterell, James Harrison 
GLADIATOR II Stéphane Bucher, Matthew Collinge, Paul Massey Danny Sheehan 
THE SUBSTANCE Valérie Deloof, Victor Fleurant, Victor Praud, Stéphane Thiébaut, Emmanuelle Villard 
WICKED Robin Baynton, Simon Hayes, John Marquis, Andy Nelson, Nancy Nugent Title  

Melhores Efeitos Visuais
BETTER MAN Luke Millar, David Clayton, Keith Herft, Peter Stubbs
GLADIATOR II Mark Bakowski, Neil Corbould, Nikki Penny, Pietro Ponti
KINGDOM OF THE PLANET OF THE APES Erik Winquist, Rodney Burke, Paul Story, Stephen Unterfranz 
WICKED Pablo Helman, Paul Corbould, Jonathan Fawkner, Anthony Smith

Melhor Casting
THE APPRENTICE Stephanie Gorin, Carmen Cuba 
A COMPLETE UNKNOWN Yesi Ramirez 
CONCLAVE Nina Gold, Martin Ware 
KNEECAP Carla Stronge

Melhor Curta de Animação Britânica
ADIÓS
MOG'S CHRISTMAS
WANDER TO WONDER

Melhor Curta-metragem Britânica
THE FLOWERS STAND SILENTLY, WITNESSING
MARION
MILK
ROCK, PAPER, SCISSORS
STOMACH BUG

Revelação do Ano - EE Rising Star Award (votado pelo público)
MARISA ABELA
JHARREL JEROME
DAVID JONSSON
MICKEY MADISON
NABHAAN RIZWAN

Crítica: Anora (2024)

"PLEASE! STOP! SCREAMING!"
Igor


*6/10*

Sean Baker não descura o realismo social que coloca nos seus filmes. Normalmente, aborda histórias e personagens pouco felizes, que, paradoxalmente, vivem envoltas num ambiente de cores vivas (Tangerine, The Florida Project). Em Anora, a receita é semelhante, mas menos capaz de envolver público e personagens.

Anora (Mikey Madison) é uma stripper - e prostituta ocasional - em Brooklyn, que começa a viver uma história de Cinderela na vida real quando, no clube onde trabalha, conhece e casa impulsivamente com Ivan (Mark Eydelshteyn), filho de um oligarca russo. Quando a notícia chega à Rússia, o seu conto de fadas é ameaçado pelos pais do noivo, que partem para Nova Iorque para anular o casamento.


De conto de fadas, a amor proibido, o enredo de Anora não é nada do que parece na primeira metade do filme. Após a mudança radical de vida, a jovem acredita estar a viver um verdadeiro sonho, mas os primeiros dias de casados de puro ócio, entre sexo, jogos de vídeo, drogas e álcool, duram pouco. A vida de Anora sofre nova reviravolta com a chegada dos "capangas" que os pais de Ivan enviam à mansão da família. 

A partir daí, o filme de Sean Baker muda de rumo. A máscara de Igor cai - um menino mimado e rico, que gosta de contrariar os pais - e Anora vê o sonho transformar-se em pesadelo - muito divertido para a plateia, nada para a protagonista. Apesar da tragédia eminente, esta segunda metade da longa-metragem traz momentos hilariantes que começam na invasão da mansão, seguindo-se uma fuga e uma busca incessante, que conduz às mais inusitadas aventuras para as personagens.


Visualmente, Anora joga com as cores (abundam tons vermelhos, muito associados a Anora, e azuis), luzes, sombras e brilho, em especial no clube de striptease. Este local de encontros e desencontros é como um escape, uma realidade alternativa, onde cada um pode ser o que quiser. Mas é no mundo real, onde as cores são ligeiramente mais frias, que a dura realidade chega para destruir todas as fantasias.


Mikey Madison entrega-se à personagem com disponibilidade e sem preconceitos. A jovem actriz destaca-se, num filme que exige grande exposição do seu corpo e em que passa pelas maiores mudanças emocionais - de uma mulher confiante e sensual, para um registo tão cómico como trágico e da revolta para à aceitação. Não passa despercebido o tímido Igor, (interpretado por Yura Borisov, que já havia chamado a atenção no filme Compartimento No 6) contratado para ajudar na anulação do casamento de Anora e Ivan, mas também ele um estranho na confusão que se gera em torno da família russa. O seu olhar transmite surpresa, curiosidade e empatia para com Anora. O lado cómico reside nas interpretações de Mark Eydelshteyn como o irresponsável Ivan, e dos capangas Toros (Karren Karagulian) e Garnik (Vache Tovmasyan).


Não fosse o erotismo que carrega em si, Anora poderia ser uma comédia dramática de Domingo à tarde. É um filme leve, com toques de realismo e, sem dúvida, dentro da linha do realizador, mas com muito menos conteúdo. Essencialmente, divertido.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Estreias da Semana #653

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses cinco novos filmes. A Rapariga da Agulha e Capitão América: Admirável Mundo Novo são duas das estreias.

A Rapariga da Agulha (2024)
Pigen med nålen / The Girl with the Needle
Karoline, uma jovem operária fabril, vê-se abandonada e grávida enquanto tenta sair da pobreza na Copenhaga do pós-Primeira Guerra Mundial. No meio das dificuldades, conhece Dagmar, uma mulher carismática que gere uma agência de adopção escondida numa loja de doces, ajudando mães pobres a encontrar lares adoptivos para os seus filhos indesejados.

Bridget Jones: Louca Por Ele (2025)
Bridget Jones: Mad About the Boy
Viúva após a morte de Mark (Colin Firth) numa missão humanitária no Sudão, Bridget Jones (Renée Zellweger) está sozinha com os filhos Billy, de 9 anos, e Mabel, de 4, que cria com a ajuda de amigos leais e até de um antigo amante, Daniel Cleaver (Hugh Grant). Envolta num limbo emocional, é pressionada a forjar um novo caminho. Volta a trabalhar e experimenta as aplicações de encontros, onde em pouco tempo se vê envolvida com um jovem sonhador e entusiasta. Enquanto gere trabalho, casa e romance, Bridget enfrenta o julgamento das mães perfeitas da escola, preocupa-se com Billy, que sofre com a ausência do pai, e envolve-se numa série de interações embaraçosas com o professor de ciências do filho (Chiwetel Ejiofor).

Capitão América: Admirável Mundo Novo (2025)
Captain America: Brave New World
Após conhecer o recém-eleito presidente dos EUA, Thaddeus Ross, Sam vê-se no meio de um incidente internacional e tem de descobrir quem se esconde por detrás de uma nefasta conspiração global capaz de destruir o mundo.

Uma Família Assustadora (2024)
My Freaky Family
Prestes a completar 13 anos, Betty Flood - uma jovem música e criatura mágica - só quer ser como o resto da sua fabulosa, mas muito diferente, família. À medida que Betty se debate com esta questão, descobre também a incrível verdade sobre a sua família e que o não tão normal, o mágico e o musical fazem todos parte da sua família fabulosamente estranha.

Volveréis - Voltareis (2024)
Volveréis
Depois de 15 anos juntos, Ale, realizadora, e Alex, actor, chegam à conclusão de que a sua relação acabou. Como a decisão é mútua e a amizade entre os dois permanece, e com base numa brincadeira do pai de Ale ("Deve-se festejar quando os casais se separam, não quando começam"), decidem organizar uma "festa de separação" que deixa amigos e familiares perplexos.

Crítica: Conclave (2024)

"Our faith is a living thing precisely because it walks hand-in-hand with doubt. If there was only certainty and no doubt, there would be no mystery. And therefore no need for faith. Let us pray that God will grant us a Pope who doubts. And let him grant us a Pope who sins and asks for forgiveness and who carries on."
Lawrence


*7/10*

Em Conclave, Edward Berger entra na reunião mais secreta do Vaticano, no momento da eleição de um novo Papa, tudo envolto em muitos segredos e conspirações. O filme adapta o romance do escritor inglês Robert Harris, um dos argumentistas do filme, juntamente com o dramaturgo Peter Straughan.

Conclave apresenta um "dos acontecimentos mais sigilosos e antigos do mundo - a escolha de um novo Papa. O Cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) é encarregue de dirigir este processo secreto após a inesperada morte de um Papa muito estimado. Com os líderes mais poderosos da Igreja Católica de todo o mundo reunidos e encerrados entre as paredes do Vaticano, Lawrence encontra-se no centro de uma conspiração e descobre um segredo que poderá abalar os alicerces da Igreja."


O clima de tensão está instalado. Não só devido ao secretismo que envolve todos os Conclaves da História, mas porque em redor da morte do Papa, surgem possíveis conspirações, fortes rivalidades e segredos revelados. Lawrence, o responsável por manter a normalidade e justiça da eleição do novo chefe da Igreja Católica, vê-se assombrado por dúvidas e impasses, que, a seu ver, devem ser esclarecidos para que a eleição tenha o resultado mais justo possível.

Neste processo, há Cardeais, uns mais liberais, outros ultraconservadores, que se destacam entre os mais de 100 representantes da igreja católica a votação: para além de Lawrence - numa sóbria e emotiva interpretação de Ralph Fiennes, cheio de dúvidas em relação a si e aos que o rodeiam -, que se vê envolto numa teia de conspirações, encontram-se, no meio de conflitos e polémicas, os Cardeais Bellini (Stanley Tucci), Tremblay (John Lithgow), Adeyemi (Lucian Msamati), Benitez (Carlos Diehz) e Tedesco (Sergio Castellitto). A eles, juntam-se ainda duas freiras, a Irmã Agnes (Isabella Rossellini) e a Irmã Shanumi (Balkissa Maiga) - um pequeno vislumbre da importância e influência que as Mulheres podem (vir a) ter no seio da Igreja.


Num momento tão solene, Edward Berger consegue construir um thriller de suspense cheio de actualidade, onde montagem e direcção de fotografia muito contribuem para revelar o lado mais sombrio da Igreja e suas facções, e o total secretismo acerca do que se passa tanto dentro, como fora das paredes do Vaticano. A acompanhar, uma esplêndida banda sonora de Volker Bertelmann (que venceu o Oscar pela partitura de A Oeste Nada de Novo, também realizado por Berger), com uma composição que alia a música clássica a sonoridades mais tensas e sombrias, tal qual o ambiente do filme.


A intriga está bem construída, sendo um verdadeiro desafio para Lawrence, mas igualmente para a plateia, que testemunhará como os membros da Igreja estão bem longe de estarem isentos de pecado. E no meio de tantos mistérios, haverá um ligeiro desapontamento no culminar de Conclave, com tanto de previsível como de inesperado. Fora isto, Edward Berger continua o percurso virtuoso que, para além do seu trabalho em algumas séries, a longa-metragem A Oeste Nada de Novo veio consolidar.