Mostrar mensagens com a etiqueta Janelle Monáe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Janelle Monáe. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Crítica: Antebellum: A Escolhida (2020)

"The unresolved past can certainly wreak havoc on the present."
Sarah


*7/10*

Antebellum: A Escolhida é um corajoso confronto da sociedade norte-americana actual com os tempos da escravatura pré-Guerra Civil. O filme de Gerard Bush e Christopher Renz tem sido entendido por uns como uma afronta de violência gratuita e, por outros, como um alerta para a gravidade da situação que os afroamericanos continuam ainda hoje a viver - por aqui, concordamos com os segundos.

Partilhando semelhanças com A Vila, de M. Night Shyamalan, e, tematicamente, com Foge, de Jordan Peele, Antebellum é capaz de nos manobrar para que nada seja óbvio, e depois tudo faça sentido.

A escritora de sucesso Veronica Henley (Janelle Monáe) vê-se presa a uma realidade terrível que a obriga a enfrentar o passado, presente e futuro, antes que seja tarde demais. O seu destino cruza-se com o de uma escrava chamada Eden (também intepretada por Janelle Monáe).


O paralelismo estabelecido entre o passado e o presente é um dos grandes motores de Antebellum, e os realizadores Bush e Renz sabiam bem onde queriam chegar, que mensagem queriam passar. Contudo, o filme devia ir mais fundo na ferida em que toca, com um argumento mais acutilante, sem receios de travar uma luta contra o racismo intrínseco da sociedade norte-americana, que nem a guerra civil, nem todos os avanços feitos ao longo de mais de cem anos de História conseguiram travar totalmente. É preciso delegar responsabilidades, sem medo de confrontar o passado. Este filme fá-lo ligeiramente, a mensagem passa, mas dilui-se na pouca profundidade das personagens e situações. Um pouco mais de convicção e consistência ao longo do segundo acto e o resultado final seria louvável.

Os pesadelos que atormentam a protagonista são muito mais reais do que aparentam, tal como o terror que caracteriza o filme. O público sente-se tão incomodado pois o retrato projectado no ecrã é historicamente real e, como tal, não se pode falar em violência gratuita em Antebellum. A longa-metragem é, em parte, um revenge movie, ao mesmo tempo que se traduz num alerta visual e impactante para os tempos actuais, onde os supremacistas brancos têm ganhado terreno e não são condenados pelo Presidente norte-americano.


A forte presença de Janelle Monáe, com uma grande interpretação, é um dos grandes destaques deste filme que sairia a perder sem uma protagonista tão capaz. A artista - especialmente quando encarna Eden - transpira força e coragem, que contrastam com a fragilidade da sua figura e a tornam uma heroína de garra e difícil de ignorar. Importante de destacar é o facto de termos uma mulher no papel principal de Antebellum, demonstrando mais de perto as atrocidades que as mulheres negras sofriam à mão dos homens brancos durante a escravatura, contando-nos a história sob o ponto de vista feminino.

O silêncio impera nas plantações de algodão, e Antebellum quer que, na sociedade actual, os afroamericanos tenham a palavra, se possam emancipar política, social e culturalmente sem constrangimentos, conquistem os direitos que lhes são devidos e estão há décadas na Lei.


A estreia da dupla de realizadores nas longas-metragens é ambiciosa e, mesmo que esteja longe de ser perfeita, incomodou o mundo e está a dar que falar. Afinal, o confronto com o passado, quase nunca é fácil.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Sugestão da Semana #437

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme protagonizado por Janelle Monáe, Antebellum: A Escolhida, de Gerard Bush e Christopher Renz.

ANTEBELLUM: A ESCOLHIDA


Ficha Técnica:
Título Original: Antebellum
Realizadores: Gerard Bush e Christopher Renz
Elenco: Janelle Monáe, Eric Lange, Jena Malone, Jack Huston, Kiersey Clemons, Gabourey Sidibe, Tongayi Chirisa, Marque Richardson
Género: Drama, Mistério, Terror
Classificação: M/16
Duração: 105 minutos

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: Red Carpet

Depois dos prémios, analisamos os nossos favoritos da passadeira vermelha dos Oscars 2020. Eis os dez modelos que mais gostei, com predominância de tons claros e verdes - e a excepção de um vestido preto.


LAURA DERN foi receber o seu Oscar de Melhor Actriz Secundária com um belo modelo Emporio Armani, rosa suave, com um decote preto bordado. Cabelo e maquilhagens discretos deram o toque final de elegância à actriz de Marriage Story e Mulhezinhas.



A actriz de Jojo Rabbit, REBEL WILSON, desfilou na passadeira vermelha com um visual muito clássico e elegante, num vestido dourado Jason Wu e uma gargantilha Pomellato.



Elegante e feminina, SIGOURNEY WEAVER estava deslumbrante num vestido verde Christian Dior e uma clutch a condizer. Até o Alien ficaria encantado.



Mulherzinhas levou para casa o Oscar para Melhor Guarda-roupa, e a realizadora GRETA GERWIG fez jus ao prémio que o seu filme recebeu, com um vestido verde seco Dior e um colar Bulgari. Simples e elegante.



RENÉE ZELLWEGER venceu o Oscar de Melhor Actriz pela sua interpretação no filme Judy, e desfilou num belíssimo vestido branco assimétrico Armani Prive. Uma das mais elegantes da noite.



Aos 64 anos, GEENA DAVIS surgiu estonteante na red carpet dos Oscars. O vestido preto Romona Keveža, de decote em V e saia fluída com bolsos e brilho, assentou-lhe que nem uma luva. As jóias eram da Chopard. Sem dúvida, uma das mais bonitas da noite.



BRIE LARSON optou por um vestido Celine com capa, em tons rosa pastel com algum brilho, decote profundo, e abertura lateral na saia. Cabelo, jóias e sapatos a condizer proporcionaram um dos looks mais elegantes da noite.



Aos 22 anos, a actriz e manequim argentina CAMILA MORRONE, namorada de Leonardo DiCaprio, surgiu na passadeira vermelha dos Oscars com um look simples mas que não passou despercebido. O vestido Carolina Herrera, cai-cai rosa nude, destacou a sua jovialidade e beleza.  



Duplamente nomeada, SCARLETT JOHANSSON não conquistou nenhum Oscar mas marcou a passadeira vermelha com a sua beleza. Desfilou num vestido Oscar de la Renta em tons prata, que marcava a sua figura, e um decote original. O penteado deu-lhe ainda uma grande jovialidade.



Todos os olhares se viraram para JANELLE MONÁE quando chegou. O seu vestido prateado com capuz Ralph Lauren assentava-lhe na perfeição, e os quase 170 mil cristais bordados deram nas vistas. Exagerado ou não, certo é que o visual é estonteante e a cantora e actriz foi inesquecível na red carpet.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Red carpet

Depois de um final de noite atribulado na entrega dos Oscars 2017, olhemos com mais calma para a passadeira vermelha. Eis aqueles que foram, para mim, os mais bem vestidos da cerimónia, onde predominaram vermelho, preto e branco (e muito dourado).



TARAJI P. HENSON arrasou na red carpet. O vestido Alberta Ferretti potenciou a sensualidade da actriz, e as jóias - destaco a gargantilha lindíssima - deram-lhe uma elegância e charme a que foi impossível ficar indiferente.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, ISABELLE HUPPERT é a elegância em pessoa. Fabulosa, a protagonista de Ela surgiu um vestido branco "reluzente" Armani Privé, que lhe assentou muito bem e lhe favoreceu a figura, a contrastar com o batom e unhas escuras.


Vencedora do Oscar de Melhor Actriz em 2016, BRIE LARSON surgiu sóbria mas muito sexy num vestido preto Oscar de la Renta que, apesar da cor escura, tinha uma presença imensa graças ao seu design volumoso e ondulante.


Também de preto, KIRSTEN DUNST desfilou num vestido Dior, com bolsos, que deixava ver os sapatos, e balançava entre o elegante e o jovial. Uma boa aposta da actriz.



O vencedor do Oscar de Melhor Actor Secundário, MAHERSHALA ALI, foi um dos homens mais elegantes da noite, um fato preto Ermenegildo Zegna.

Com um penteado leve e jovial, VIOLA DAVIS soube também escolher o modelo para o dia em que venceu o seu primeiro Oscar. A actriz surgiu lindíssima num vestido vermelho Armani Privé que destacou imenso a sua figura. A clutch e jóias douradas deram-lhe ainda mais elegância.


JANELLE MONAE nunca passa despercebida. Com este vestido da Elie Saab, preto e prateado, onde reinam as transparência, foi novamente impossível não tirar os olhos da cantora e actriz. Apesar de não ser especial fã da saia, acho que a parte de cima, a gargantilha e cabelo fazem valer todo o visual, que a transforma numa qualquer rainha exótica.


Mais um dos homens mais bem vestidos dos Oscars 2017: RYAN GOSLING. Elegante e sempre cavalheiro, o protagonista de La La Land, nomeado para Melhor Actor, chamou as atenções no seu fato Gucci.


Simples, mas muito bonito. O vestido Louis Vuitton, preto e branco, decotado e comprido, que MICHELLE WILLIAMS levou à cerimónia dos Oscars - onde esteva nomeada para Melhor Actriz Secundária - assentava-lhe especialmente bem. A maquilhagem suave e o cabelo curto, como já nos tem habituado, tornaram-na uma das minhas favoritas da noite.


A minha favorita da noite foi mesmo RUTH NEGGA. Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, a protagonista de Loving surgiu num vestido vermelho Valentino, comprido, de manga comprida e gola subida, com alguns detalhes de renda. A maquilhagem (que destacou os seus enormes olhos e boca) e o cabelo, a condizer, transformaram-na na mais bonita desta cerimónia.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Crítica: Elementos Secretos / Hidden Figures (2016)

"Every time we get a chance to get ahead they move the finish line. Every time."
Mary Jackson
*7/10*


Elementos Secretos realça bem a segregação racial (e mesmo de género) que se vivia ainda nos anos 60, tratando um tema sensível com humor,  com os diálogos a assumirem um papel fulcral. Ao mesmo tempo, o filme de Theodore Melfi homenageia três importantes nomes femininos da História da NASA.

Seguimos o trabalho de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) – três afro-americanas que trabalham na NASA e são os cérebros por trás de uma das maiores operações da história: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita, feito que restaurou a confiança dos norte-americanos e agitou a Corrida Espacial.


Preconceitos de sexo ou raça são deitados por terra com o bom argumento de Elementos Secretos. Uma adaptação competente que, apesar de insistir em alguns clichés e acentuar, mais ainda, atitudes discriminatórias, mostra-se de grande importância para demarcar a igualdade e a luta destas mulheres pelos seus direitos. Há que lembrar estas três grandes primeiras mulheres a destacarem-se na NASA pela sua competência e inteligência, não importa a cor da pele.

Ao mesmo tempo que é um filme para os norte-americanos, Elementos Secretos sabe como ser igualmente um filme para o mundo. Ao relatar com detalhe e sem exaustão os pormenores do lado americano na corrida ao espaço, há uma contextualização histórica tão completa como interessante, onde se recorre a imagens de arquivo da época, seja dos astronautas ou mesmo do presidente John F. Kennedy.


Theodore Melfi oferece-nos um filme muito ritmado, com a banda sonora a acentuar o ritmo da montagem. Ao mesmo tempo, Elementos Secretos ganha mais vida com excelente trabalho da direcção artística, numa bela representação dos anos 60 nos EUA, e guarda-roupa.

Dos batons garridos aos vestidos coloridos, estas mulheres dão cor, conhecimento e animação à NASA "so white". E que personalidade conferem as três actrizes às suas personagens. Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe são estrondosas e encantadoras como Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, respectivamente.

As três dão brilho, vivacidade e perspicácia à longa-metragem e é impossível dizer qual delas está melhor. Taraji é a protagonista que sabe impor a sua presença e conhecimento numa sala onde os homens brancos querem deter o poder. Bonita e inteligente, apesar de inicialmente receosa em se fazer ouvir, depressa toma consciência que a vida de muitos depende de si. Octavia Spencer é a matemática mais comedida, que menos ondas quer levantar. Contudo, a revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la querer mudar e ultrapassar os seus receios. Janelle Monáe é a mais jovem mas também mais emancipada das três. Sem papas na língua, ela luta por todos os meios que lhe são possíveis para se tornar engenheira, enfrentando família e sociedade. As três mulheres arriscam e lutam pela igualdade de direitos, contagiando-nos com a sua alegria e garra.


Actualmente, num momento sociopolítico tão instável e incerto para o ocidente, Elementos Secretos é uma excelente forma de relembrar que a História foi feita por todos.