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segunda-feira, 13 de março de 2023

Oscars 2023: Red Carpet

Após uma cerimónia com poucas surpresas, fazemos a habitual ronda pela passadeira vermelha dos Oscars. Foram muitos os modelos exuberantes e algo exagerados, todavia encontraram-se alguns vestidos verdadeiramente bonitos e elegantes. E eu, que não percebo nada de moda, continuo a ter os meus gostos. Eis os poucos que se destacaram na noite de Domingo.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz Secundária, Kerry Condon desfilou discreta na passadeira vermelha, mas com uma jovialidade potenciada pelo cabelo solto a condizer com o vestido amarelo do Atelier Versace.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, Cate Blanchett levou um elegante conjunto azul e preto da Louis Vuitton.


Mais uma actriz que é a elegância em pessoa. Vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária por Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo, Jamie Lee Curtis exibiu um vestido Dolce & Gabbana em tons champanhe com brilhantes.


Vencedora do Oscar de Melhor Actriz, Michelle Yeoh desfilou com um bonito vestido branco Christian Dior e jóias Moussaieff, que lhe deram um ar muito jovial.


A mais jovem Nobel da Paz, Malala Yousafzai marcou presença na cerimónia dos Oscars com um vestido prateado Ralph Lauren e jóias Fred Leighton. Uma das mais bem vestidas da noite.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, Michelle Williams surgiu encantadora na passadeira vermelha, com um vestido Chanel branco com apontamentos em prateado e uma capa em tule, a condizer com uma maquilhagem discreta e jóias Tiffany & Co.


Destaque para o homem mais bem vestido da noite, Paul Mescal, nomeado para o Oscar de Melhor Actor por Aftersun, surgiu com um fato Gucci, de casaco e camisa brancos e calças pretas estilo à boca de sino. Uma aposta arrojada que lhe ficou muito bem.


Já do lado das mulheres, Jessica Chastain foi a mais bem vestida da noite. A actriz desfilou num vestido prateado Gucci, com decote em v e uma cauda preta. Elegante e distinta.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Crítica: Os Fabelmans / The Fabelmans (2022)

"Family, art. It will tear you in two."
Uncle Boris


*7.5/10*

Steven Spielberg filma a sua magia do Cinema em Os Fabelmans, um épico autobiográfico em jeito de elogio à Sétima Arte e à família. Uma obra íntima e tocante, que reflecte a alma do seu autor. 

"Sammy Fabelman (Gabrielle LaBelle) está empenhado em fazer cinema, um interesse que é exaltado e defendido pela sua mãe com veia artística, Mitzi (Michelle Williams). O pai de Sammy, o bem-sucedido cientista Burt (Paul Dano), apoia o trabalho de Sammy mas considera-o um passatempo pouco sério. Ao longo dos anos, Sammy torna-se um autêntico documentarista das aventuras da família e realiza produções cinematográficas amadoras cada vez mais elaboradas, protagonizadas pelas irmãs e amigos. Aos 16 anos, Sammy é simultaneamente o principal observador e arquivista da história da família. Mas quando se mudam para oeste, Sammy descobre um facto desolador sobre a mãe que vai redefinir a relação entre os dois e alterar o seu futuro e o de toda a família."


Os Fabelmans espelha Spielberg e a sua filmografia em cada detalhe: na luz, nos temas em que toca, nas presença das crianças, na banda sonora. Ao mesmo tempo que cria um filme coming-of-age, partilha com o público a sua própria infância e adolescência (entre os 7 e os 18 anos) e todos os altos e baixos da sua família - e como o impactaram, tornando-o no cineasta que é actualmente -, não deixando de elogiar a película, filmando em Super 8, 16mm e 35mm.

Oriundo de uma família de "cientistas contra artistas" - como diz Mitzi a dado momento -, Sammy (ou Steven) cresceu com a paixão pelo cinema, incentivada pela mãe e encarada como um mero passatempo pelo pai, gerando em si alguma revolta. Os Fabelmans constrói-se essencialmente sob a dinâmica familiar, as mudanças de casa devido aos empregos do pai e as depressões da mãe. 


Apesar de muitos momentos novelescos - afinal, é mesmo a vida real ficcionada -, há pormenores tão simples que mostram a verdadeira magia do cinema: o olhar triste da mãe de Sammy, a sala de projecção improvisada dentro do armário, as mãos usadas como tela ou mesmo a inesperada presença do tio Boris, de importância decisiva para Sammy

Todos os momentos em que o jovem faz o trabalho de montagem dos seus filmes têm uma aura quase secreta- entre truques e descobertas (a grande revelação feita por Sammy, que marcará o início da viragem na sua vida, acontece também no seu quarto, enquanto monta o filme do acampamento em família) -, e transformam-se num acto de plena partilha quando as imagens, já editadas, são projectadas para o público, seja em casa com a família, para o grupo alargado de amigos (quase todos eles actores ou figurantes na acção) ou perante toda a escola.


De regresso, está a habitual colaboração com John Williams e é notável como, mesmo numa obra tão íntima, a banda sonora do compositor assenta na perfeição a cada momento do filme, entre a inocência e todas as reviravoltas do crescimento.

Eis Steven Spielberg  na sua mais pura essência. Os Fabelmans é partilha, amor e aprendizagem - até à genial última cena.

domingo, 25 de dezembro de 2022

Sugestão da Semana #540

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Os Fabelmans, de Steven Spielberg. Aproveitamos também para desejar um feliz Natal a todos os leitores do Hoje Vi(vi) um Filme!

OS FABELMANS


Ficha Técnica:
Título Original: The Fabelmans
Realizador: Steven Spielberg
Elenco: Gabriel LaBelle, Michelle Williams, Paul Dano, Seth Rogen, Julia Butters, Judd Hirsch, David Lynch, Jeannie Berlin
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 151 minutos

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Sugestão da Semana #327

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca um filme para ver sem expectativas, apenas por diversão. Vamos lá pôr a auto-estima em alta com Sou Sexy, Eu Sei!

SOU SEXY, EU SEI!



Ficha Técnica:
Título Original: I Feel Pretty
Realizador: Abby Kohn, Marc Silverstein
Actores: Amy Schumer, Michelle Williams, Emily Ratajkowski, Tom HopperRory Scovel 
Género: Comédia
Classificação: M/12
Duração: 110 minutos

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Crítica: Todo o Dinheiro do Mundo / All The Money in The World (2017)

"If you can count your money you're not a billionaire."
J. Paul Getty

*6.5/10*

Uma história real sobre dinheiro, poder e família é adaptada ao cinema pela mão de Ridley Scott e o resultado é Todo o Dinheiro do Mundo. A longa-metragem ficou mais conhecida pelas polémicas em torno da troca de Kevin Spacey por Christopher Plummer a poucas semanas da estreia, mas há mais por detrás do escândalo.

Todo o Dinheiro do Mundo é um thriller com um argumento forte - que peca por ser tão longo - e é exactamente a grande interpretação de Plummer que faz a diferença.


John Paul Getty III, um adolescente de 16 anos e neto do homem mais rico do mundo, é raptado. Ao perceber que os raptores exigem uma quantia exorbitante de dinheiro, a sua mãe, Gail, rapidamente recorre ao sogro em busca de ajuda. No entanto, o avô não parece querer ceder às exigências dos raptores assim tão facilmente.

Ridley Scott não tem conquistado a crítica nos últimos anos, muitas vezes injustamente. Todo o Dinheiro do Mundo está longe de ser um filme inesquecível, mas sabe cativar atenções e desperta a curiosidade da plateia para a história de J. Paul Getty e da sua fortuna. Os fãs do realizador conseguirão encontrar muitas das suas marcas autorais por entre o vento, a chuva e as sombras.


O argumento é um dos pontos positivos do filme, que constrói bem o suspense em volta da decisão do patriarca da família Getty. Seguimos atentos, mas a ritmo lento, as negociações em torno do rapto do neto de um dos homens mais ricos do planeta, nos anos 70, e chegamos ao fim apaixonados pela interpretação de Christopher Plummer. É ele, na realidade e ironicamente, a estrela do filme. O veterano é perfeito a interpretar esta personagem tão ambígua, um homem inteligente, arrogante, inacessível e avarento, que nutre grande amor pelo neto raptado. É neste paradoxo de características que reside o encanto da personagem que consegue ser desprezível mas igualmente calorosa.

Com uma boa interpretação encontramos também Michelle Williams como Gail, a mãe que sofre e é capaz de tudo para conseguir o resgate do filme. Ela que, aparentemente, é das personagens menos ligadas ao dinheiro ou poder.


A banda sonora é o outro grande trunfo de Todo o Dinheiro do Mundo, com os temas envolventes e poderosos compostos por Daniel Pemberton a surgir em uníssono com a acção.

Pode ser apenas "mais um filme" de Ridley Scott, mas é um daqueles que conta uma boa história e tem um Christopher Plummer de tirar o fôlego. Nada mau.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sugestão da Semana #311

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Todo o Dinheiro do Mundo, de Ridley Scott. A crítica não tem sido meiga com o filme, que em cima da data de estreia substituiu Kevin Spacey por Christopher Plummer, mas nada como ver para crer. Plummer está nomeado para o Oscar de Melhor Actor Secundário.

TODO O DINHEIRO DO MUNDO


Ficha Técnica:
Título Original: All the Money in the World
Realizador: Ridley Scott
Actores: Michelle Williams, Christopher Plummer, Mark WahlbergCharlie Plummer
Género: Biografia, Crime, Drama
Classificação: M/14
Duração: 132 minutos

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Red carpet

Depois de um final de noite atribulado na entrega dos Oscars 2017, olhemos com mais calma para a passadeira vermelha. Eis aqueles que foram, para mim, os mais bem vestidos da cerimónia, onde predominaram vermelho, preto e branco (e muito dourado).



TARAJI P. HENSON arrasou na red carpet. O vestido Alberta Ferretti potenciou a sensualidade da actriz, e as jóias - destaco a gargantilha lindíssima - deram-lhe uma elegância e charme a que foi impossível ficar indiferente.


Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, ISABELLE HUPPERT é a elegância em pessoa. Fabulosa, a protagonista de Ela surgiu um vestido branco "reluzente" Armani Privé, que lhe assentou muito bem e lhe favoreceu a figura, a contrastar com o batom e unhas escuras.


Vencedora do Oscar de Melhor Actriz em 2016, BRIE LARSON surgiu sóbria mas muito sexy num vestido preto Oscar de la Renta que, apesar da cor escura, tinha uma presença imensa graças ao seu design volumoso e ondulante.


Também de preto, KIRSTEN DUNST desfilou num vestido Dior, com bolsos, que deixava ver os sapatos, e balançava entre o elegante e o jovial. Uma boa aposta da actriz.



O vencedor do Oscar de Melhor Actor Secundário, MAHERSHALA ALI, foi um dos homens mais elegantes da noite, um fato preto Ermenegildo Zegna.

Com um penteado leve e jovial, VIOLA DAVIS soube também escolher o modelo para o dia em que venceu o seu primeiro Oscar. A actriz surgiu lindíssima num vestido vermelho Armani Privé que destacou imenso a sua figura. A clutch e jóias douradas deram-lhe ainda mais elegância.


JANELLE MONAE nunca passa despercebida. Com este vestido da Elie Saab, preto e prateado, onde reinam as transparência, foi novamente impossível não tirar os olhos da cantora e actriz. Apesar de não ser especial fã da saia, acho que a parte de cima, a gargantilha e cabelo fazem valer todo o visual, que a transforma numa qualquer rainha exótica.


Mais um dos homens mais bem vestidos dos Oscars 2017: RYAN GOSLING. Elegante e sempre cavalheiro, o protagonista de La La Land, nomeado para Melhor Actor, chamou as atenções no seu fato Gucci.


Simples, mas muito bonito. O vestido Louis Vuitton, preto e branco, decotado e comprido, que MICHELLE WILLIAMS levou à cerimónia dos Oscars - onde esteva nomeada para Melhor Actriz Secundária - assentava-lhe especialmente bem. A maquilhagem suave e o cabelo curto, como já nos tem habituado, tornaram-na uma das minhas favoritas da noite.


A minha favorita da noite foi mesmo RUTH NEGGA. Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, a protagonista de Loving surgiu num vestido vermelho Valentino, comprido, de manga comprida e gola subida, com alguns detalhes de renda. A maquilhagem (que destacou os seus enormes olhos e boca) e o cabelo, a condizer, transformaram-na na mais bonita desta cerimónia.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Mais um ano de bons desempenhos nesta categoria. Duas das nomeadas destacam-se das restantes, mas as cinco são merecedoras da nomeação, ainda que Michelle Williams pudesse trocar com outro nome (Janelle Monáe por Elementos Secretos seria a minha opção). Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.

É quase certo que à terceira nomeação será de vez, e a actriz levará, finalmente, o Oscar para casa. Ainda que seja discutível que Viola Davis esteja nomeada na categoria de Actriz Secundária e não Principal, e mesmo que tenha a seu favor o facto de já ter interpretado anteriormente o mesmo papel na Broadway, ela merece este prémio. Em Vedações, a actriz tem o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. É contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. 

Se Viola Davis não estivesse na corrida, Naomi Harris merecia, sem dúvida, o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula em Moonlight. Na pele de uma toxicodependente, mãe do protagonista, a actriz tem uma interpretação atordoante, com uma notória e realista degradação física e psicológica ao longo do filme.

Bastam poucos minutos da sua presença para que um filme se encha do seu talento, assim é Nicole Kidman. A actriz de Lion - A Longa Estrada para Casa enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos.

Numa interpretação mais contida do que a que lhe valeu um Oscar em As Serviçais, Octavia Spencer merece a nomeação deste ano. Em Elementos Secretos (onde as três principais actrizes fazem um excelente trabalho), a actriz é uma matemática da NASA que está descontente com a forma como as negras ali são tratadas, mas receia levantar ondas. A revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la, contudo, querer mudar e ultrapassar os seus receios.

Pela quarta vez nomeada para um Oscar, ainda não será desta que Michelle Williams levará a estatueta consigo. Apesar da dor e sofrimento que demonstra quando veste a pele da sua personagem em Manchester by the Sea, a actriz não consegue competir com as performances das restantes nomeadas.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Crítica: Manchester by the Sea (2016)

"My heart was broken, but I know yours was broken too."
Randi Chandler

*7.5/10*

Quando deixamos de pertencer à terra onde nascemos ou crescemos, nem os laços familiares podem, por vezes, curar a ferida. Manchester by the Sea faz-nos seguir a trágica família Chandler, e a sua realidade dura e triste. Kenneth Lonergan escreve e filma um drama familiar bem construído, focado essencialmente em dois elementos da mesma família: tio e sobrinho - os dois que restam. 

Quando Joe (Kyle Chandler) morre subitamente, o seu irmão, Lee (Casey Affleck), passa a ter a guarda legal do sobrinho Patrick (Lucas Hedges), um adolescente de 16 anos. Este facto obriga-o a lidar com o trágico passado que o separou da mulher, Randi (Michelle  Williams), e da comunidade onde nasceu e foi criado.

Presente e passado vão-se alternando à medida que conhecemos Lee e a história da sua família. O companheirismo com o irmão, os problemas conjugais de ambos, os dias felizes e aqueles que arruinaram tudo. Certo é que por muito dramático que seja, Manchester by the Sea não é um filme previsível. Lonergan consegue desconstruir a história ao pormenor, encaixando as revelações nos momentos certos e atraindo, cada vez mais, a atenção do seu público.


Lee é um homem solitário que vive num pequeno quarto em Boston onde é uma espécie de zelador de diversos prédios - um faz-tudo de poucas falas ou sorrisos. O seu emprego mal pago é uma espécie de hobby que o ajuda a passar os dias. A morte inesperada do irmão traz uma reviravolta à sua vida. Um regresso ao doloroso passado. Casey Affleck é o motor da narrativa, seguimo-lo de Boston a Machester-by-the-sea, entre o presente e passado, num conflito interior constante. Um homem triste, deprimido, com uma aura cheia de mágoa e culpa. O actor transparece todas estes sentimentos e emoções sem esforço e faz-nos nutrir facilmente uma simpatia tímida pela sua personagem reservada.

A solidão do tio contrasta com a rebeldia do sobrinho, no esplendor da adolescência, mas ambos estão unidos pelo sangue, dor e recordações. Conflitos e egoísmo, dão lugar à compreensão. Mas os reencontros, as hostilidades, o desconforto, os vícios do passado, os traumas e os fantasmas regressam e Lee vê-se a afundar como acontecera muitos anos antes.


As cores frias perduram, junto ao mar já de si azul (blue), ou em Boston gelada, onde o pacato Lee vive. O ambiente de Manchester by the Sea é também pouco caloroso, às vezes desesperante, com a banda sonora a acompanhar o mood.

Realista e amargo, o mais recente filme de Kenneth Lonergan não ficará na memória, mas vale uma sentida visualização, onde o Lee de Casey Affleck vai merecer toda a nossa compaixão e admiração. Para muitos, o regresso às origens pode ser um pesadelo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sugestão da Semana #254

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Manchester by the Sea, de Kenneth Lonergan.

MANCHESTER BY THE SEA


Ficha Técnica:
Título Original: Manchester by the Sea
Realizador: Kenneth Lonergan
Actores:  Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle ChandlerLucas Hedges
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 137 minutos

domingo, 2 de junho de 2013

Iniciativas de Bloggers: "Um Filme, Uma Mulher": Cindy, Blue Valentine

A propósito do convite para participar na iniciativa Um Filme, Uma Mulher no blog Girl on Film, aqui vos deixo a minha escolha. O post original pode ser visto AQUI.

Um filme: Blue Valentine
Uma Mulher: Cindy

Michelle Williams vestiu a pele desta protagonista forte e marcante. A minha escolha recai sobre ela pelo realismo que encarna, pela crueza e mágoa que simboliza. Cindy é, desde jovem, uma mulher marcada e magoada pela desunião (e desilusão) familiar, onde a única pessoa por quem nutre afecto e proximidade é a sua avó. 

É dela que recolhe conselhos, valores e amizade. Dos seus pais apenas assimila discussões, sofrimento. O amor, esse, procura-o fora de casa em relações fugazes e pouco sentidas. 


Até encontrar o outro protagonista - Dean - um homem que realmente a ama e tudo faz por ela, tão diferente de si e, ao mesmo tempo, tudo aquilo que ela precisa. Até ali desacreditada de relações duradouras, é Dean quem lhe oferece a possibilidade de contrariar esse preconceito.


Deparando-se - spoilers, cuidado - com uma gravidez inesperada, fruto de um relacionamento anterior, Cindy toma a decisão de abortar mas, no momento em que o tenta realizar, desiste por tão doloroso ser para si, tanto física como psicologicamente. Dean, por seu lado, está sempre consigo, e dá-lhe ali uma das maiores provas de amor.


Os momentos felizes vão, com os anos, transformando-se em monotonia, e a tristeza do passado regressa a Cindy. Ao contrário do marido, ela parece nada fazer para que a situação melhore - os momentos no quarto do motel são um arrepiante exemplo disto. Cindy faz-nos crer que nem sequer tem amor por si própria, que o seu corpo funciona como um simples objecto.



A dor que encarna em especial nas últimas cenas de Blue Valentine (cuidado com mais spoilers),é um dos melhores exemplos do realismo arrepiante desta personagem.



Todas estas razões, aliadas à entrega física e psicológica que a personagem exige, fizeram com que a minha escolha recaísse sobre ela. Poucas personagens e filmes nos tocam tão fundo e tão próximo como Blue Valentine, um inesquecível drama que podia acontecer mesmo ao nosso lado.


Quero agradecer à Sofia e ao Girl on Film pelo convite e dar os parabéns por esta iniciativa tão feminina.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sugestão da Semana #52

Das estreias da passada Quinta-feira, é difícil destacar um filme que realmente valha a pena ir ver ao cinema, por um lado pois ainda não tive a oportunidade de assistir a nenhum deles, por outro, porque a crítica não tem sido simpática com aqueles que, pelo seu grande elenco, poderiam suscitar maior atenção - falo de Força Anti-Crime ou Comédia Explícita - Movie 43. Como tal, a escolha desta semana vai para o filme protagonizado por Michelle Williams, que parece reunir opiniões positivas, na sua maioria.

NOTAS DE AMOR

Ficha Técnica:
Título Original: Take This Waltz
Realizador: Sarah Polley
Actores: Michelle Williams, Seth Rogen, Sarah Silverman
Género: Comédia, Drama, Romance
Classificação: M/16
Duração: 116 minutos

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Actrizes do Ano #2012

Depois dos homens, é a vez de percorrer os filmes vistos e descobrir quem foram as actrizes que nos proporcionaram as melhores interpretações de 2012. Poucas são as que nos marcaram verdadeiramente este ano, mas, ainda assim, encontram-se seis nomes que merecem ser destacados.


6º - Meryl Streep 
Meryl Streep dispensa apresentações e sabemos que poucas vezes desilude quando encarna uma personagem. Este ano ganhou (mais) um Óscar, pela sua interpretação de Margaret Thatcher em A Dama de Ferro e, apesar de ser uma das mais sobrevalorizadas do ano, a actriz, que também pudemos ver em Terapia a Dois, merece figurar nos destaques de interpretações de 2012. Não ser soberba como Thatcher, Streep veste-lhe a pele de forma competente e dá algum brilho a um filme que pouco tem a seu favor.



5º - Rooney Mara
Um nome que surpreendeu: Rooney Mara foi Lisbeth Salander em Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres, o remake realizado por David Fincher do filme sueco com o mesmo nome. Mara  (também nomeada para um Óscar este ano) provou merecer ter sido a escolhida para um papel já tão bem desempenhado por Noomi Rapace.  Inteligente, dura, forte, ela sente e sofre de forma arrepiante.



4º - Elizabeth Olsen 
A irmã mais nova das gémeas Olsen provou que afinal há talento na família. Martha Marcy May Marlene foi a prova disso mesmo com Elizabeth Olsen a encarnar de forma fabulosa a jovem Martha, que passou pelas mais terríveis experiências, ficando marcada da forma mais profunda.



3º - Michelle Williams
Michelle Williams tem, ao longo dos anos, demonstrado a excelente actriz que é. A Minha Semana com Marilyn veio reforçar esse facto com uma fiel interpretação do ícone Marilyn Monroe, que lhe valeu mais uma nomeação aos Oscares. O filme vale, principalmente, por Williams, que para além das semelhanças físicas, consegue parecer-se com Monroe nos gestos, forma de andar, falar, e incorpora tudo o que é preciso: o desencanto, a depressão ou a instabilidade emocional.



2º - Tilda Swinton
Tilda Swinton surgiu nos cinemas este ano em dois filmes: Temos de Falar sobre Kevin, no qual nos ofereceu o grande desempenho da sua carreira, e Moonrise Kingdom, onde não lhe deram uma personagem à sua altura. Falemos apenas do primeiro, onde a actriz é Eva, uma mãe que coloca as suas ambições e carreira de parte para dar à luz Kevin, com quem desenvolve uma relação difícil. Swinton vive de tal forma esta personagem que o próprio espectador partilha o seu drama e vive tão intensamente como Eva todos os acontecimentos. Ela entrega-se de corpo e alma à mulher corajosa que representa e dá-lhe a credibilidade necessária para que nos seja impossível ficar indiferentes à história mesmo depois dela acabar.



1º - Emmanuelle Riva 
Entre Swinton e Riva e escolha foi difícil. No entanto a actriz de Amor merece todos os destaques. Emmanuelle Riva, com 85 anos, encarna um papel extremamente exigente como Anne. Sem articular uma palavra, a actriz consegue transmitir inúmeras emoções e sentimentos e, a cada cena, é notório o desgaste físico e emocional que terá sido vestir a pele desta personagem.