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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: As Actrizes Secundárias

Começo a análise pré-Oscars aos nomeados com a categoria de Melhor Actriz Secundária. Temos grandes nomes nomeados e algumas estreantes nestas andanças dos prémios. Há duas actrizes - as minhas favoritas deste ano - que, a meu ver, se destacam das restantes. Eis as nomeadas por ordem de preferência.

Kathy Bates já conta com um Oscar no curriculo, e é mais que certo que não vencerá este ano. Contudo, é ela a mais merecedora das cinco nomeadas. Interpreta Bobbi, a mãe de Richard Jewell, no filme homónimo de Clint Eastwood, e, em poucos minutos, consegue comover e convencer qualquer um.

A jovem actriz interpreta Amy, a mais nova das quatro irmãs March. Ela quer ser pintora mas cedo percebe que pintar nunca lhe garantirá o futuro. É mimada, apaixonada, por vezes maliciosa, mas especialmente esclarecida. Florence Pugh interpreta-a com a fúria e clarividência que a personagem pede. Esta primeira nomeação só prova o talento anunciado no seu soberbo desempenho em 2016, como protagonista de Lady MacBeth, totalmente ignorado pela Academia.

Margot Robbie é Kayla Pospisil, das três protagonistas de Bombshell, a única que é ficcional. Ela é a jovem ambiciosa mas ingénua, que não espera os avanços de Ailes. De repente, a confiança que exibe inicialmente transforma-se em medo e insegurança, especialmente quando percebe que parece estar sozinha naquela redacção cheia de competitividade e beleza. Um tipo de papel a que a actriz já nos tem habituado, mas desempenhado com competência.

Scarlett Johansson encarna a mãe carinhosa e revolucionária, em tempos difíceis. Para além de representar no grande ecrã uma família monoparental (com o marido ausente na Guerra), é a figura clara da mulher emancipada na Alemanha nazi. A actriz cria facilmente empatia com a plateia já que depressa percebemos que é uma mulher lutadora e com valores. Um papel mais à imagem de Johansson (duplamente nomeada este ano) do que a protagonista do dramático Marriage Story.

A actriz é Nora Fanshaw, a advogada irascível contratada por Nicole para tratar do seu divórcio. Uma mulher superficial, independente, provocadora, num misto de características que não fazem Laura Dern parecer nada realista. Pelo contrário, penso que se justificaria muito mais uma nomeação nesta categoria mas pelo papel de Marmee March em Mulherzinhas, uma personagem totalmente distinta e carinhosa. Ironicamente, é quase certo que Dern irá conquistar o seu primeiro Oscar graças a Nora.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Crítica: O Caso de Richard Jewell / Richard Jewell (2019)

"I'm sorry the world has gone insane."
Watson Bryant


*8/10*

Aos 89 anos, Clint Eastwood parece rejuvenescer enquanto realizador. Se em Correio de Droga o tínhamos visto renascer, deixando parcialmente de lado o seu patriotismo exacerbado (de Sniper Americano, por exemplo), a crítica ao Governo, forças de segurança e imprensa norte-americanos está ao rubro em O Caso de Richard Jewell. E este alerta não se cinge aos órgãos de poder, mas a toda uma sociedade que vive do imediato - se era assim em 1996, imaginemos nos dias que correm, com fake news à mistura...

Baseado em acontecimentos reais, O Caso de Richard Jewell conta a história do segurança que localizou a bomba no atentado de 1996 no Centennial Olympic Park, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta. De herói, Richard Jewell (Paul Walter Hauser) torna-se, em  poucos  dias,  o  suspeito  número  um  do  FBI. Difamado  pela  imprensa  e pelo  público,  a  sua  vida  transforma-se  rapidamente  num pesadelo. Quando contrata o advogado Watson Bryant (Sam Rockwell), Jewell expressa convictamente a sua inocência. Contudo, Bryant vê-se em desvantagem para limpar e proteger o nome do seu cliente, enquanto tenta combater as autoridades e a imprensa.


Clint Eastwood constrói a acção com ritmo e entusiasmo, potenciados por um grande trabalho do director de fotografia Yves Bélanger - planos sequência, contra-picados, etc., numa diversidade de experiências visuais para a plateia.

O argumento de Billy Ray tem por base o artigo publicado na Vanity Fair, em 1997, American Nightmare: The Ballad of Richard Jewell, de Marie Brenner. Para além de contar a história da acusação injusta ao segurança, o filme faz-nos observar como, tantos anos depois, tudo continua na mesma. É fácil acusar sem julgamento - e sem provas, até. Foi assim com Richard Jewell, é assim com tantos casos, um pouco por todo o mundo. Se quem devia investigar ou defender os inocentes só se preocupa com a audiência ou com a rapidez em encontrar um culpado, em quem se pode confiar? Eis que Eastwood não poupa ninguém: Governos, polícias, jornalistas - e não nos fará pensar em nós mesmos?


Richard Jewell encaixava no perfil do criminoso que os investigadores queriam encontrar. Mas encaixava igualmente no perfil da vítima perfeita para humilhações e bullying. Um homem ingénuo, com peso a mais, solitário e com uma obsessiva vontade de agradar. Paul Walter Hauser tem um desempenho fabuloso na pele do protagonista. Para além das parecenças físicas, o sofrimento e a contenção que espelha revelam um grande actor. Ao seu lado, a "mãe" Kathy Bates, sempre talentosa, que em poucos minutos consegue comover e convencer qualquer um. Sam Rockwell tem uma prestação tão inusitada como aguerrida, na pele do advogado com o caso de uma vida nas mãos.

Polémicas à parte (a principal relacionada com a jornalista interpretada por Olivia Wilde), O Caso de Richard Jewell é um retrato relativamente fiel de um caso que envergonhou os Estados Unidos da América. E é Clint Eastwood a provar que a idade é só um número.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Sugestão da Semana #410

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o novo filme de Clint EastwoodO Caso de Richard Jewell.

O CASO DE RICHARD JEWELL


Ficha Técnica:
Título Original: Richard Jewell
Realizador: Clint Eastwood
Elenco: Paul Walter Hauser, Sam Rockwell, Kathy Bates, Jon Hamm, Olivia Wilde
Género: Biografia, Crime, Drama
Classificação: M/12
Duração: 131 minutos

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Momentos Para Recordar #52

Para além da paixão pelo Cinema, também adoro ler e, apesar de não o fazer tanto como gostaria, quando gosto de um livro devoro-o depressa. Muito recentemente li Misery, de Stephen King, um dos meus autores favoritos.

Agora, por fim, assisti ao filme homónimo, de 1990, realizado por Rob Reiner. Protagonizado por James Caan e Kathy Bates - que venceu o Oscar de Melhor Actriz pelo papel da desequilibrada e aterradora Annie Wilkes -, não me deslumbrou tanto como o livro, mas foi uma boa surpresa cinematográfica. Nada como destacá-lo em mais um Momentos Para Recordar.

Misery - O Capítulo Final (Misery), Rob Reiner (1990)