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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Festa do Cinema Francês 2022: De 26 de Outubro a 20 de Novembro em 10 cidades portuguesas

A 23.ª edição da Festa do Cinema Francês regressa a 10 cidades portuguesas, de 26 de Outubro a 20 de Novembro, com mais de 80 filmes e muitos convidados. 

Toda a Gente Gosta de Jeanne, de Céline Deavaux, é o filme de abertura da Festa, a 26 de Outubro, no Cinema São Jorge, em Lisboa, com a presença da realizadora e parte do elenco. Os actores Nuno Lopes e Pedro Lacerda fazem parte do elenco e a acção da longa-metragem desenrola-se em Lisboa. Já O Inocente, de Louis Garrel, fará as honras de encerramento, no dia 6 de Novembro, também no Cinema São Jorge.

Toda a Gente Gosta de Jeanne, de Céline Devaux

Antestreias, Filmes Inéditos ou Revisitados

Para além destas duas antestreias nacionais, destaque ainda para a exibição de Un beau matin, de Mia Hansen-Løve, com Léa Seydoux no papel de Sandra, uma jovem mãe que está a criar sozinha a filha; e de Simone - A Viagem do Século, de Olivier Dahan, que conta a história da política francesa Simone Veil. Em estreia estarão também Irmão e Irmã, de Arnaud Desplechin; Os Passageiros da Noite, de Mikhaël Hers; ou A Acusação, de Yvan Attal.

Antoine Barraud vem a Portugal apresentar o seu filme Madeleine Collins, sobre Judith, uma mulher que mantém uma vida dupla entre a Suíça e França. Também O Pátio dos Milagres contará com a presença dos seus realizadores Hakim Zouhani e Carine May na Festa.

Haverá ainda a possibilidade de ver ou rever 20 produções francesas já exibidas nas salas de cinema em Portugal, entre 2021 e 2022. O Acontecimento, de Audrey Diwan; Vortex, de Gaspar Noé; Ilusões Perdidas, de Xavier Giannoli; Jane por Charlotte, de Charlotte Gainsbourg; O que nos Une, de Bernard Campan e Alexandre Jollien; e Notre Dame em Chamas, de Jean-Jacques Annaud, são algumas da obras que irão passar pela secção Segunda Chance da Festa do Cinema Francês.

Entre os convidados desta edição estão os realizadores Arnaud Desplechin, Régis Roinsard, Céline Devaux, Antoine Barraud, Emma Benestan, Sylvain Prudhomme, Philippe Béziat, Hakim Zouhani e Carine May.

Cinema à Mesa e CineJovem

A gastronomia chega ao grande ecrã na secção Cinema à Mesa, com quatro filmes em que a culinária está no centro da acção: A Brigada, de Louis-Julien Petit; Champagne!, de Nicolas Vanier; Assim é a Vida, de Olivier Nakache e Eric Toledano; e Delicioso, de Eric Besnard.

Menino Nicolau – A Felicidade Não Pode Esperar, de Amandine Fredon e Benjamin Massoubre

Na CineJovem, secção dedicada aos mais novos e famílias, não faltarão filmes de ficção, animação, documentário e um clássico da cinematografia francesa. Fahim, de Pierre-François Martin-Laval, O Menino Nicolau – A Felicidade Não Pode Esperar, de Amandine Fredon e Benjamin Massoubre, As Aventuras de Lia, de Julien Fournet, e Adeus Rapazes, de Louis Malle (que também integra a retrospectiva Louis Malle na Cinemateca Portuguesa), farão parte desta secção.

Retrospectiva Louis Malle e programa ACID

Durante o Festival de Cannes, a ACID (Associação para a Distribuição de Cinema Independente) dá visibilidade a realizadores cujos trabalhos têm escassa distribuição. Nesse sentido, a Festa vai exibir o documentário Atlantic Bar, de Fanny Molins.

Já em parceria com a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, será apresentada, ao longo do mês de Novembro, uma retrospectiva do trabalho do realizador francês Louis Malle (1932-1995).

A Festa do Cinema Francês realiza-se em Lisboa, Almada, Oeiras, Coimbra, Porto, Évora, Viseu, Faro, Lagos e Funchal. Mais informações sobre o festival em https://www.festadocinemafrances.com/.


CALENDÁRIO - FESTA DO CINEMA FRANCÊS 2022

LISBOA

26 de Outubro a 6 de Novembro: Cinema São Jorge

2 a 30 de Novembro: Cinemateca Portuguesa


ALMADA

26 a 28 de Outubro: Auditório Fernando Lopes-Graça


COIMBRA

26 a 29 de outubro: Teatro Académico de Gil Vicente


OEIRAS

27 a 30 de Outubro: Auditório Municipal Eunice Muñoz

17 a 20 Novembro: Cinemas NOS


PORTO

7 a 12 de Novembro: Teatro Municipal do Porto - Rivoli

10 ao 15 de Novembro  - Trindade 

17 a 20 de Novembro - Cinemas NOS Alameda


FARO

17 a 20 de Novembro: Cinemas NOS Fórum Algarve


VISEU

17 a 20 de novembro: Cinema NOS Fórum Viseu


ÉVORA

17 a 20 de Novembro: Cinemas NOS Évora Plaza


LAGOS

15, 16, 17 e 19 de Novembro: Biblioteca Municipal


FUNCHAL

17 a 20 de Novembro: Cinemas NOS Fórum Madeira

sábado, 2 de outubro de 2021

CineEco 2021: 'I am Greta' e 'La Croisade' em antestreia nacional e outros destaques

O CineEco 2021 - Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela anunciou dois filmes fora de competição em antestreia nacional: I am Greta e La Croisade.

I Am Greta, de Nathan Grossman, tem estreia marcada para 13 de Outubro, às 21h30, na Casa Municipal da Cultura em Seia. O realizador acompanha a jovem activista Greta Thunberg, desde o início da greve escolar em 2018, antes mesmo da explosão mediática actual, até Setembro de 2019, durante a travessia do Atlântico num veleiro que a levou à sede das Nações Unidas. 

Já La Croisade, de Louis Garrel, será exibido a 16 de Outubro, pelas 21h30, após o anúncio dos vencedores do CineEco 2021. O filme retrata a história de Abel (Louis Garrel) e Marianne (Laetitia Casta), um casal que descobre que o filho de 13 anos vende secretamente bens preciosos para financiar um projeto ambiental.

Fora de Competição estarão ainda O Lago Sagrado – Uma viagem por uma estrada profunda e gelada, de Carla Varanda e Mário Lisboa - uma viagem pela maior massa gelada de água doce existente no mundo, na Rússia -, a abrir o festival, no dia 9 de Outubro; e o documentário de Inês Gil, Curtir a Pele - retrato de uma fábrica de curtume de pele na Beira Alta -, exibido a 15 de Outubro.

Mário Lisboa fotografou o lago Baikal, viajando cerca de 300 quilómetros ao longo da superfície gelada, com temperaturas entre -15º C e -30º C, e o seu trabalho resulta na mostra que estará patente nas galerias da Casa Municipal da Cultura de Seia, de 9 de Outubro a 30 de Novembro.

A 27.ª edição do evento conta, pela primeira vez, com a exibição em simultâneo dos documentários Une Fois que tu Sais, de Emmanuel Cappellin, Ophir, de Alexandre Berman, e Arica, de Lars Edman e William Johansson, no FIC.A, Festival Internacional de Ciência, em Oeiras, que acontece no Palácio do Marquês do Pombal, entre os dias 12 e 17 de Outubro.

O CineEco 2021 acontece de 9 a 16 de Outubro. Mais informações em https://www.cineeco.pt/.

domingo, 26 de setembro de 2021

Sugestão da Semana #474

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão Semana destaca o novo filme de Woody Allen, Rifkin's Festival. 

RIFKIN'S FESTIVAL


Ficha Técnica:
Título Original: Rifkin's Festival
Realizador: Woody Allen
Elenco: Wallace Shawn, Gina Gershon, Louis Garrel, Elena Anaya, Enrique Arce, Steve Guttenberg, Christoph Waltz, Sergi López
Género: Comédia
Classificação: M/12
Duração: 88 minutos

terça-feira, 14 de setembro de 2021

CineEco 2021: Cinco Ecotalks, Antestreias Nacionais, Concertos e mais destaques da 27.ª edição

O CineEco - Festival Internacional de Cinema Ambiental de Seia anunciou os principais destaques da 27.ª edição, que decorre entre 9 e 16 de Outubro. Estão já assegurados três filmes em ante-estreias nacionais, um destes está já confirmado: La Croisade, de Louis Garrel.

A abrir o evento, no dia 9 de Outubro, será exibido o documentário O Lago Sagrado, Uma viagem por uma estrada profunda e gelada, com a presença da realizadora Carla Varanda e do fotógrafo Mário Lisboa. Antes da sessão, será inaugurada a mostra fotográfica sobre o lago gelado de Baikal, na Rússia, patente de 9 de Outubro a 30 de Novembro. O concerto de abertura do CineEco estará a cargo dos Anaquim.

Nos dias 10, 11, 12, 14 e 15 de Outubro, haverá espaço para cinco Ecotalks sobre temáticas associadas ao cinema e ao ambiente, com a participação de nomes como Christiane Torloni, actriz brasileira e realizadora do filme Amazónia, o Despertar da Florestania, premiado na edição passada; Chico Guariba, director da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental de São Paulo; Jorge Pelicano, cineasta e repórter de imagem; Diogo Reffóios, nómada digital; Joana Sá, pianista, improvisadora e compositora; Cristina Branquinho professora de ecologia e investigadora, entre outros.

A 13 de Outubro, Dörte Schneider, especialista certificada em matéria de educação e sensibilização para uma produção mais verde, dará uma palestra sobre Green Shotting, com foco na adopção de práticas ambientais sustentáveis e integração de modelos de produção mais verdes.

De 9 de Outubro a 30 de Novembro estará também patente no Foyer Auditório a mostra Artes Plásticas – Projeto ReciclARTE, da companhia ASTA Teatro, que integra artes plásticas, teatro, música e lixo, para a criação de objectos artísticos e de forma a combater o insucesso escolar e educar para a reciclagem, reutilização e reaproveitamento de resíduos. 

A 16 de Outubro, em parceria com o Festival DME, poderá ser vista a instalação interativa Lugares Invisíveis, uma mostra com paisagens sonoras e visuais que visam a reflexão sobre o meio ambiente, diferentes níveis de poluição e a nossa relação com o planeta. 

Mais informações sobre o CineEco Seia em www.cineeco.pt.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Crítica: J'accuse - O Oficial e o Espião (2019)

"Dreyfus is innocent"
Picquart


*7.5/10*

J'accuse - O Oficial e o Espião é a mais recente obra de Roman Polanski, um drama histórico sobre espionagem. Longe de ser o filme mais inspirado do cineasta, é contudo um trabalho sóbrio e bem executado sobre justiça e política.

"No dia 5 de Janeiro de 1895, o Capitão Alfred Dreyfus, um jovem oficial judeu, é acusado de espionagem para a Alemanha e condenado a prisão perpétua na ilha do Diabo. Entre as testemunhas está Georges Picquart, promovido para gerir a unidade militar de contra-espionagem. Mas quando Picquart descobre que informações secretas continuam a ser fornecidas aos alemães, é arrastado para um labirinto perigoso de fraude e corrupção que ameaça não só a sua honra, mas também a sua vida."


Polanski transpõe para o grande ecrã um famoso caso de escândalo político, retratando sem receios e com crueza, desde o preconceito da época em relação aos judeus - como o próprio realizador -, a humilhação a que Dreyfus foi exposto, e a investigação de Picquart e posterior perseguição política.

Esta árdua luta, em que a verdade foi repetidamente anulada para bem da imagem política do país, é encabeçada por uma grande interpretação de Jean Dujardin como Georges Picquart, entre a contenção, o sentido de justiça, e desilusão com o exército e seus superiores. Ao seu lado, Louis Garrel veste a pele do sofrimento e revolta de Dreyfus, incansável em provar a sua inocência e limpar o nome da sua família.


J'accuse é um registo ficcional de um escândalo da História da França, mas também um elogio aos que clamam por justiça e não se deixam corromper.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Crítica: Mulherzinhas / Little Women (2019)

"I can't get over my disappointment at being a girl."
Jo March


*8/10*

Clássica e feminina, Greta Gerwig emancipou-se a par das suas Mulherzinhas, numa adaptação cinematográfica especialmente bem concretizada. Enquanto realizadora, cresceu a olhos vistos e começa a ganhar identidade; como argumentista ganhou uma maturidade inspiradora.

Louisa May Alcott era uma mulher à frente no seu tempo e ver, em pleno século XXI, a adaptação cinematográfica de um romance do século XIX, sentindo-o tão actual, com problemáticas feministas que ainda hoje se colocam, de uma forma ou de outra, mostra como Greta incorporou bem as ideias da autora norte-americana e adaptou-as ao ecrã de um modo moderno e singular.

As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) vivem a passagem da infância para a vida adulta, enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Vivem com dificuldades com a mãe (Laura Dern). Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer, unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.


O filme de Gerwig começa quando as irmãs são já adultas, recuando depois sete anos. A partir daí, a acção desenrola-se em duas linhas temporais distintas. As cores quentes contrastam com as frias, numa clara diferenciação temporal, entre os felizes tempos da infância, cheios de sonhos, e a dureza da vida adulta, com desgostos e perdas.

Os papéis importantes estão nesta história destinados às mulheres - ao contrário do que ainda hoje continua a acontecer na sociedade real -, as personagens masculinas dependem de uma maneira ou de outra destas mulheres para viverem ou serem felizes. Esta constatação é irónica, mais ainda quando todas as personagens femininas têm um carácter muito mais forte e complexo que os homens. Alcott fê-lo há quase dois séculos, Gerwig reafirma-o. Estas mulheres são artistas, de ideias claras e informadas, e o seu discurso prova-o.


Jo é a feminista emancipada que sonha ser independente através do seu dom para a escrita e está decidida que não precisa de casar para ser feliz. Tão focada na sua independência e individualidade enquanto mulher, de repente, vê-se rodeada de solidão. O talento para a escrita desvanece-se a par dos laços, esses que a inspiravam e a motivavam a criar histórias, sem esforço. Saoirse Ronan encaixa perfeitamente na personagem, destemida, corajosa e cheia de garra - com o orgulho por vezes a prejudicá-la. Emma Watson é Meg, a mais velha e mais tradicional das quatro irmãs. Apaixonada pelo teatro, ambiciona casar e ter filhos, com alguém que realmente ame, independentemente do dinheiro que possua. Amy é a mais nova, quer ser pintora mas cedo percebe que pintar nunca lhe garantirá o futuro. Uma jovem mimada, apaixonada, por vezes maliciosa, mas especialmente esclarecida. Florence Pugh interpreta-a com a fúria e clarividência que a personagem pede. Beth, num desempenho doce e tranquilo de Eliza Scanlen, é frágil mas apaziguadora, dotada para a música, protectora e protegida das irmãs. Laura Dern - numa interpretação contida mas dotada de emoção - é a mãe protectora e compreensiva, uma mulher sempre pronta a ajudar o próximo. Aparentemente feliz e paciente, guarda em si preocupação e raiva que insiste em não revelar. Meryl Streep é a Tia March, uma mulher rica, mas solitária e desagradável, que faz questão de relembrar as sobrinhas do fado que espera uma mulher sem dinheiro.


As personagens femininas são apaixonantes e inspiradoras. Modernas na sua concepção clássica. As suas personalidades transformam esta versão de Mulherzinhas num trabalho singular. Os planos sequência, os diálogos aguerridos, o guarda-roupa pensado ao pormenor e a banda sonora de Alexandre Desplat, tudo se funde para criar este clássico moderno do século XXI.

Curiosamente, Greta Gerwig estava grávida do primeiro filho enquanto filmava Mulherzinhas, num desafio a dobrar que parece ter sido inspirador. A realizadora desabrochou e, depois da adolescência problemática de Lady Bird, mostra uma imensa maturidade e respeito pela obra que adapta, afirmando-se como uma das grandes realizadoras da actualidade.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Crítica: Um Homem Fiel / L'homme fidèle (2018)

*6/10*


Louis Garrel pegou na câmara, como realizador, há pouco tempo, mas parece seguir as pisadas do pai, Philippe, em especial no que toca às temáticas abordadas nos últimos anos. As relações são o foco dos filmes de pai e filho, com especial incidência em triângulos amorosos. Um Homem Fiel segue este modelo, com alguma originalidade.

Três personagens narram a sua versão da história, e assim percebemos o que sentem, já que na acção os três são contidos q.b. ao demonstrar sentimentos e emoções.

O jornalista Abel (Louis Garrel) namora há alguns anos com Marianne (Laetitia Casta), até ao momento em que ela o trai e fica grávida de Paul, o melhor amigo de Abel. Oito anos mais tarde, Paul morre e Abel e Marianne voltam a encontrar-se e a reatar o seu romance. Esta nova relação provoca ciúmes tanto no filho de Marianne, Joseph (Joseph Engel), como na jovem Ève (Lily-Rose Depp), a irmã mais nova de Paul, que sempre nutriu um carinho especial por Abel, desde os tempos da infância.


O humor começa desde o diálogo inicial, mas é, ao mesmo tempo, tão trágico que receamos o riso. Com o decorrer da narrativa vamos aceitando melhor este tom, apesar de nunca nos rendermos por completo. A mística que se constrói em torno do pequeno Joseph, uma criança com alguns pensamentos sinistros, é um dos maiores apelos que Um Homem Fiel traz à plateia, bem como a relação deste com o protagonista.

Há uma reconstrução do triângulo amoroso clássico, com uma espécie de women power incomum. Contudo, não há muita substância nesta relação a três. A personagem de Lily-Rose Depp nunca chega a ganhar terreno. Nas interpretações, destaque para a química do par Louis Garrel / Laetitia Casta, não fossem eles, actualmente, marido e mulher; e, claro, para o pequeno e intimidante Joseph Engel.


Um Homem Fiel não traz nada de realmente novo ao género da comédia romântica, mas é corajoso por tentar descontrui-lo, com um argumento escrito por Jean-Claude Carrière e Louis Garrel. Acima de tudo, um filme leve e divertido.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Crítica: Godard, O Temível / Le Redoutable (2017)

"Politics is like shoes. There's a left and a right, but eventually you will want to go barefoot."Jean-Luc Godard

*4/10*

Parte da vida do mestre Jean-Luc Godard é filmada pelo vencedor de um Oscar Michel Hazanavicius, com Louis Garrel como protagonista, eis Godard, O Temível ou Le Redoutable, no original. Uma comédia biográfica leve mas algo pretensiosa é o resultado desta longa-metragem.

O foco de Le Redoutable é a história da relação amorosa entre o realizador Jean-Luc Godard e a actriz Anne Wiazemsky, que ficou marcada por uma mudança nos ideais do cineasta, numa época de manifestações, entre elas o Maio de 68.


É um curioso retrato do cineasta, interpretado com entusiasmo e esforço por Louis Garrel, que faz um bom trabalho, empenhado e atento ao detalhe, onde nem os tiques do realizador escapam. Stacy Martin faz um par curioso com o actor, e oferece uma interpretação com presença. A actriz faz-se notar e cativa atenções como Anne Wiazemksy.

Hazanavicius faz o que lhe compete, mas longe do que o Oscar que tem no curriculo faria esperar. Ele quer ser desafiador, inovador, coloca por vezes os actores a falar directamente para a câmara, como que desafiando as regras, mas não traz nada de marcante ou verdadeiramente original. É pretensioso, com diálogos exagerados, tal como escolheu levar as personagens até ao mais caricatural que pôde.


O ponto mais positivo é mesmo a opção de filmar em 35mm, a remeter um pouco para a época da acção. De resto, pouco mais encanto se encontra neste Godard, O Temível. É Hazanavicius, o presunçoso.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

IndieLisboa'16: Os Dois Amigos / Les Deux Amis (2015)

*6/10*

A estreia de Louis Garrel na realização de longas-metragens chegou ao IndieLisboa graças ao Herói Independente deste ano Vincent Macaigne, presente na sessão. Em Les Deux Amis (Os Dois Amigos), Garrel é realizador, actor e co-argumentista - com Christophe Honoré.

Nesta comédia romântica, Vincent Macaigne é Clement, um tímido actor que pede ajuda ao seu amigo extrovertido, Abel (Garrel), para seduzir Mona (Golshifteh Farahani), uma empregada num café - que ele não sabe que está presa. Quando os dois se interessam por ela, a relação entre ambos complica-se.


Uma história simples e já muito repetida em comédias românticas, mas filmada com uma sensibilidade muito "francesa", provavelmente inspirada pelo trabalho do pai, Philippe Garrel. Louis não tem uma estreia estrondosa mas proporciona momentos divertidos e emotivos, trabalhando bem a personalidade de Mona - sem dúvida, a mais interessante dos três protagonistas. Ao mesmo tempo, a amizade de Clement e Abel proporciona bons momentos de humor.

Golshifteh Farahani é a grande força do filme. Veste a pele de Mona, a presidiária em regime aberto, que trabalha num café na Gare du Nord. Cumpridora de horários e ansiosa para sair da prisão e voltar para junto da mãe, Mona vê a sua vida complicar-se ao perceber que Clement está apaixonado por ela. A actriz é um turbilhão de emoções e está envolta em sentimentos contraditórios, ansiando pela liberdade, mas assustada com a ideia de perder o comboio que a leva de regresso à prisão. Entre o amor e a liberdade, Mona transpira energia e sensualidade. Vincent Macaigne é um Clement sensível e apaixonado, com uma infantilidade inerente, e faz uma dupla cheia de química com o seu "melhor amigos"Abel, Louis Garrel.


Amizade, amor, sexualidade e mentiras são os principais ingredientes que constroem Les Deux Amis. Garrel, o filho, estreia-se de mansinho, explorando os temas e cenários que lhe têm sido próximos ao longo da sua carreira como actor.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ads & Cinema #14

O francês Louis Garrel é o rosto do perfume Valentino Uomo. Roma serviu de palco à campanha, cujo anúncio é realizado por Johan Renck, e as fotos são de David Sims.


Elegância e rebeldia são duas características comuns a Garrel e ao perfume a que dá a cara. Neste vídeo o actor surge discreto mas sempre com o seu tom rebelde, na noite brilhante da capital italiana. A acompanhar as imagens está o tema de Paolo Conte, Via Con Me.

A versão curta do anúncio:

E a versão longa:

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Crítica: Ciúme / La jalousie (2013)

*6.5/10*

Ciúme é um belo exercício de estilo, a preto e branco, envolvente mas sem convicção. Sente-se a ternura que Philippe Garrel colocou na sua longa-metragem. Um toque clássico no ambiente, no tom, no visual. Mas falta-lhe, essencialmente, fôlego e rumo.

Louis (Louis Garrel) é um homem de 30 anos que vive com uma mulher, Claudia, num pequeno apartamento arrendado. Ele tem uma filha com outra mulher - uma mulher que ele abandonou. É este o mote que nos leva a entrar nas vidas destas personagens, numa história que nos faz deambular entre traições, flirts, medos, interrogações, obsessão, ciúme, paixão e amor. São relações entre pessoas, numa tentativa mais ou menos realista de retratar a alegria e a tristeza, que peca principalmente pelas personagens pouco cativantes e pelas suas decisões injustificadas. As fraquezas do argumento são visíveis no decorrer dos 77 minutos, com a história deste casal a perder-se em si mesma.


Os protagonistas, Louis Garrel e Anna Mouglalis, oferecem-nos ainda assim boas interpretações, tentando colmatar as falhas dos seus Louis e Claudia, com entrega e intensificando a estranha obsessão que nutrem um pelo outro e os seus medos. Eles contribuem para adensar as diferenças entre o homem e a mulher desta relação, que poderão ser um ponto curioso de descobrir ao longo da longa-metragem, dotando-a de um certo carácter circular.

Ciúme não apaixona, mas embala o espectador no seu ritmo e, no fim, desilude, é certo. No entanto, e apesar dos seus pontos fracos, o filme tem um toque especial que nos liga a si, e nos faz esperar sempre um pouco mais do que nos dá, uma simplicidade e sensibilidade singulares e uma melancolia latente.

São os movimentos de câmara intimistas, e alguns planos especialmente bem conseguidos, que nos aproximam do casal e daqueles que os rodeiam. Colocam-nos naquela casa, no café, no teatro, no jardim... Aproximam-nos das personagens por quem não nutrimos especial empatia mas, não sabemos bem por quê, desejamos seguir de perto. O preto e branco adensa o ambiente triste e nostálgico, aliado ao grão que os mais atentos depressa encontrarão na imagem, lembrando que Ciúme foi filmado em 35 mm. A fotografia, de Willy Kurant, é competente e tira todo o proveito do preto e branco e a banda sonora de Jean-Louis Aubert encaixa na tristeza que paira desde o início.


Ciúme é essencialmente belo, mesmo que nada realmente significativo aconteça no ecrã. Todavia, Philippe Garrel transmite-nos totalmente o seu amor por este trabalho e esse é certamente um elemento que o torna especial.

domingo, 3 de agosto de 2014

Sugestão da Semana #127

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme de Philippe Garrel, Ciúme.

CIÚME

Ficha Técnica:
Título Original: La jalousie
Realizador: Philippe Garrel
Actores: Louis Garrel, Anna Mouglalis, Rebecca Convenant
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 77 minutos