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domingo, 14 de maio de 2023

Sugestão da Semana #560

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca dois filmes: Mal Viver e Viver Mal, de João Canijo. Este díptico sobre maternidade já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme. Vem mesmo a calhar, para aproveitar a Festa do Cinema, que começa hoje, dia 14, e se prolonga até 17 de Maio, com bilhetes a 3,50€, em todas as sessões 2D, em quase todas as salas de cinema do país.



Ficha Técnica:
Título Original: Mal Viver
Realizador: João Canijo
Elenco: Anabela Moreira, Rita Blanco, Madalena Almeida, Cleia Almeida, Vera Barreto, Nuno Lopes, Filipa Areosa, Leonor Silveira, Rafael Morais, Lia Carvalho, Beatriz Batarda, Carolina Amaral, Leonor Vasconcelos
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 127 minutos




Ficha Técnica:
Título Original: Viver Mal
Realizador: João Canijo
Elenco: Nuno Lopes, Filipa Areosa, Leonor Silveira, Rafael Morais, Lia Carvalho, Beatriz Batarda, Leonor Vasconcelos, Carolina Amaral, Anabela Moreira, Rita Blanco, Madalena Almeida, Cleia Almeida, Vera Barreto
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 124 minutos

domingo, 17 de abril de 2022

Sugestão da Semana #503

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português Salgueiro Maia - O Implicado, de Sérgio Graciano.

SALGUEIRO MAIA - O IMPLICADO


Ficha Técnica:
Título Original: Salgueiro Maia - O Implicado
Realizador: Sérgio Graciano
Elenco: Tomás Alves, Filipa Areosa, Catarina Wallenstein, José Condessa, Frederico Barata
Género: Biografia, Drama
Classificação: M/12
Duração: 115 minutos

domingo, 5 de julho de 2020

Sugestão da Semana #424

Das estreias da passada Quinta-feira, o Hoje Vi(vi) um Filme destaca o português Faz-me Companhia, de Gonçalo Almeida. A critica à longa-metragem pode ser lida aqui, bem como a entrevista ao realizador, aqui.



Ficha Técnica:
Título Original: Faz-me Companhia
Realizador: Gonçalo Almeida
Elenco: Cleia Almeida, Filipa Areosa, Eunice Muñoz Helena Simões
Género: Mistério
Classificação: M/14
Duração: 88 minutos

sábado, 4 de julho de 2020

Entrevista: Gonçalo Almeida, realizador de Faz-me Companhia

Faz-me Companhia (crítica aqui) estreou nos cinemas nacionais esta Quinta-feira, dia 2 de Julho, e o realizador Gonçalo Almeida respondeu a algumas questões do Hoje Vi(vi) um Filme. Mais um convite para mergulhar no terror psicológico em português.


Depois de várias curtas-metragens, a tua primeira longa estreia nos cinemas no dia 2 de Julho, ainda com o fantasma do Covid-19 a pairar. Que oportunidades te traz o desafio que é lançar um filme numa altura de excepção?

Gonçalo Almeida: Foi a oportunidade que nos foi dada e, nesse aspecto, não foi bem uma opção. Os filmes têm que começar a estrear e alguém tem que o fazer. Penso que iremos viver numa altura de excepção durante vários anos, especialmente, na área do cinema. As coisas jamais serão como foram. Espero continuar a trabalhar e a aproximar-me da minha audiência. Espero também, que esta mudança de paradigma nos traga novas oportunidades a todos.

Depois de Thursday Night, em Faz-me Companhia segues a mesma linha do terror ambiente, agora mais psicológico mas com a ideia da assombração sempre presente. É um estilo onde gostas especialmente de trabalhar? Vês-te a continuar no terror ou a arriscar outros géneros? 

Gonçalo Almeida: Vejo-me a continuar a fazer filmes de género, de terror, de ficção científica e também o que está nas fronteiras entre ambos e entre estes e outros géneros. Cresci a gostar de cinema por ver filmes de género. Os filmes que me fizeram sonhar foram os filmes de terror dos anos 80, nomeadamente o Pesadelo em Elm Street. Em miúdo, era muito assustadiço, qualquer barulho me assustava. Tendo essa sensibilidade e sendo exposto a filmes de terror, em criança, o impacto que estes tiveram em mim acabou por ser intenso. O género de terror é um espaço vasto onde vale tudo, pois existe no mundo da imaginação. Gosto de caminhar por este mundo e contemplar as possibilidades. Ter um sonho e poder partilhá-lo, tornando-o visível.


Quais as tuas principais influências cinematográficas ou artísticas? 

Gonçalo Almeida: As influências vão mudando ao longo dos anos. Em relação à maior parte delas, nem estou consciente do quanto me influenciam. Nos tempos que decorrem, dou por mim cada vez a ler mais e a ver menos filmes. Tenho deambulado pela literatura gótica e a “weird fiction”. Comecei há uns anos atrás por escritores mais conhecidos como H.P. Lovecraft e agora tenho me aventurado a conhecer nomes menos sonantes como E.T.A. Hoffmann ou Maurice Sandoz. Basicamente, encontro-me sempre mais ou menos perto dos surrealistas. Sem André Breton não teria tido a força para achar que era sequer legítimo tentar fazer o que faço. Acho que o cinema de terror é uma forte expressão do movimento surrealista.

Faz-me Companhia é a prova de que com pouco se pode fazer muito. Duas actrizes, uma casa, uma história simples, o resto é a tua imaginação a trabalhar. Como surgiu a ideia para este filme? 

Gonçalo Almeida: Imaginei que uma piscina poderia funcionar como metáfora para representar o espaço que duas pessoas ocupam numa relação amorosa. Quando estamos dentro de água, não vemos nem ouvimos o que está do lado de fora. E quando estamos fora de água, não vemos nem ouvimos o que se passa dentro de água. Ou seja, cada pessoa ocupa a sua realidade e ausência de comunicação entre as duas realidades poderá causar ruptura e até tragédia.

Como foi todo o processo de rodagem? Como foi trabalhar com a Filipa Areosa e a Cleia Almeida, ainda para mais com a particularidade da Cleia estar grávida?

Gonçalo Almeida: A equipa e o elenco portou-se optimamente. A Cleia surpreendeu-me muito, pois estando grávida, manteve o profissionalismo e o nível de trabalho que eu esperava. Tanto a Cleia como a Filipa foram actrizes que me deram a sua confiança e me ajudaram a ultrapassar as dificuldades que tive que enfrentar durante a rodagem. Sendo um filme independente, Faz-me Companhia foi rodado em pouco tempo e com pouco dinheiro, o que faz com que o processo tenha sido mais difícil do que é normal. Desta forma, foi bom contar com uma equipa e elenco lutadores e competentes para enfrentar as adversidades que surgiram no nosso caminho. 


Em Faz-me Companhia, para além da paranóia crescente, encontrei uma espécie de hino à feminilidade e à maternidade. Fiz uma leitura correcta das tuas intenções? O que pretendias transmitir com este filme?

Gonçalo Almeida: Penso que tenhas feito uma leitura correcta das minhas intenções. Fui criado por mulheres muito fortes e num ambiente, de certa forma, matriarcal. Interesso-me portanto em entender melhor as mulheres, trabalhando personagens femininas. O que pretendia transmitir no filme, nele está implícito. A reflexão sobre a solidão, nas suas diversas formas, é algo recorrente no meu processo mental.

Porque é que o público português deve ir ver o teu filme?

Gonçalo Almeida: Acho que numa altura destas precisamos de outro tipo de terror do que aquele a que nos estão a tentar habituar. Precisamos de ficção, de sonhar, chorar e ter medo, tudo isto num ambiente seguro. Precisamos de expressar essas emoções de forma catártica e em segurança.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Crítica: Faz-me Companhia (2019)

"Achas que se pode morrer num sonho?"
Clara


*7/10*

Não são muitos os títulos nacionais do género de terror - em especial, ao olharmos para os anos mais recentes - e Faz-me Companhia, de Gonçalo Almeida, chega às salas para inverter a maré. Um filme com conteúdo, que respira ideias e influências, e capaz de incomodar e fazer pensar.

Apenas duas actrizes e uma casa alugada - ela própria uma terceira personagem -, eis alguns dos elementos que destacam, desde logo, Faz-me Companhia, conferindo-lhe alguma singularidade: um foco imenso no sexo feminino.

Sílvia (Cleia Almeida) aluga uma casa para o fim-de-semana, no sul de Portugal, com a intenção de se encontrar com a sua amante secreta, Clara (Filipa Areosa). Entre mergulhos na piscina e banhos de sol, o fim-de-semana perfeito a duas começa a ser perturbado por um mal misterioso. Estranhos eventos ocorrem na casa e terão um impacto permanente na relação e na vida das duas mulheres.


Gonçalo Almeida chamou as atenções em 2017, no MOTELx, onde o seu filme Thursday Night, conquistou o Prémio para Melhor  Curta-metragem Portuguesa. Agora, na sua primeira longa, a ideia do fantasma ou assombro continua presente, juntando-lhe personagens humanas (depois dos cães da curta) e os seus medos.

Faz-me companhia parte de uma história simples e pouco previsível, para aprofundar ideias fortes em redor da Mulher e da Maternidade. Temos duas personagens femininas, uma delas está grávida (Cleia Almeida estava mesmo grávida durante as filmagens), e para além da relação amorosa secreta e das diferenças entre as duas mulheres, os objectivos de vida de cada uma delas parecem ser inconciliáveis. Ainda assim, aquele fim-de-semana poderia ser uma forma de reaproximação.

O local isolado onde as duas se encontram, uma casa, a sua piscina e jardim envolvente, onde se destaca uma árvore em especial, surge como uma terceira entidade feminina presente e capaz de influenciar a presença humana. A casa parece ter uma espécie de útero, tal como aquelas mulheres, e uma vida pulsante, que se reflecte na bomba da piscina, e no barulho que se ouve vindo da casa das máquinas. O realizador mostra-nos, por diversas vezes, as entranhas daquele lugar e esta comparação, não sendo óbvia, torna-se inevitável.


A par do ambiente sinistro - bom trabalho da direcção artística, em alguns detalhes do quarto, onde para além do cavalo de baloiço vemos que também existe um berço -, as noites são mal dormidas, atormentadas por pesadelos, sonhos lúcidos e até um estado de sonambulismo/transe - e a montagem joga bem com esta dualidade sonho/realidade. Enquanto Sílvia parece manter-se mais racional, Clara depressa começa a manifestar comportamentos estranhos. A gravidez de Sílvia (e alterações hormonais que vêm com ela), as incertezas e inseguranças mútuas, o ambiente desconhecido, tudo potencia o estado de paranóia para que as duas mulheres caminham.

As cores também parecem simbólicas, com a predominância do vermelho sangue, em especial após a chegada de Clara, e quase sempre associado à sua personagem, seja no bikini que veste, na bebida que toma, ou no sangue que lhe escorre do nariz, mas também na iluminação de algumas cenas ou de alguns locais - a casa das máquinas, claro.


As duas actrizes são capazes de conduzir o filme, com papéis muito físicos e psicologicamente exigentes. Cleia Almeida, com a experiência adicional de rodar grávida um filme de terror, revela maturidade e segurança na sua personagem; e Filipa Areosa, mais habituada à televisão, mostrou-se capaz de revelar outra faceta, mais corajosa. Faltou um pouco mais de química entre as duas actrizes, mas tudo se constrói, e sabemos que em Faz-me Companhia a relação de Sílvia e Clara está tremida.

Uma surpreendente estreia de Gonçalo Almeida nas longas-metragens, um novo fôlego para um género e bom auguro para próximos trabalhos.