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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Sugestão da Semana #646

Das estreias da passada Quinta-feira, a última Sugestão da Semana de 2024 destaca Babygirl, de Halina Reijn, com Nicole Kidman no papel principal.

BABYGIRL


Ficha Técnica:
Título Original: Babygirl
Realizadora: Halina Reijn
Elenco: Nicole Kidman, Harris Dickinson, Antonio Banderas, Sophie Wilde, John Cenatiempo, Anoop Desai, Victor Slezak
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/14
Duração: 114 minutos

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Oscars 2020: Os Actores Principais

Foco-me agora nos nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Entre os cinco candidatos, há um nome que se destaca muito dos restantes candidatos, seguem-se outros dois desempenhos muito bons, um quarto lugar muito merecido e, em último, um actor que admiro muito mas que, este ano, não deveria ter chegado tão longe. Eis os nomeados, por ordem de preferência:


Eis a apoteose do Joker, como não pensávamos possível ver no cinema. Uma personagem sóbria e bem explorada, que carrega um sofrimento tão imenso que as gargalhadas compulsivas só tornam mais aterrador. Joaquin Phoenix supera-se quando pensávamos que já não seria possível, e as lágrimas caem-lhe no rosto, enquanto o riso descontrolado assombra a sala de cinema. A dor que sente - mais mental que física - transparece em cada expressão e, mesmo nas suas danças inebriantes, que acompanhamos vidrados, encontramos a tristeza irreparável.


Um trabalho reflexivo e íntimo, sem excessos, que traz à tona o grande actor que é Antonio Banderas. No meio do bloqueio criativo de Salvador, a dor que o parece impedir de avançar não é apenas física. Ela pede uma reconciliação com o passado. E Banderas dá tudo de si neste papel, sóbrio e intimo, como poucas vezes o vemos, numa tristeza latente.


Adam Driver é, sem dúvida, o destaque de Marriage Story. Expressa as emoções como poucos, consegue transmitir tudo com um simples olhar: sofrimento, esperança, desilusão... Dá gosto vê-lo representar, emocionar-se, chorar, brincar - e cantar!


Teremos sempre tendência para simpatizar mais com Francisco, e Dois Papas favorece-lhe a imagem. Claro que Jonathan Pryce muito contribui para tal, com a bondade e tolerância espelhadas no rosto. Há uma humildade contagiante na prestação do actor, liberal, simples e espirituoso, fanático por futebol e pelo tango, mas igualmente capaz de se comover e permanentemente arrependido dos erros do passado.



Leonardo DiCaprio não merece esta nomeação, especialmente num ano com tantas grandes interpretações masculinas, totalmente ignoradas pela Academia. Todos sabemos o grande actor que é e, no filme de Tarantino, faz tudo com uma perna às costas, seja bêbado, deprimido, galã ou vilão. Uma prestação divertida e competente.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Crítica: Dor e Glória / Dolor y Gloria (2019)

"The nights that coincide several pains, those nights I believe in God and I pray to him. The days when I only suffer a type of pain I'm an atheist."
Salvador Mallo


*8/10*

Dor e Glória é um Almodóvar (parcialmente) autobiográfico, que se enfrenta a si e aos seus fantasmas, sem receios e fiel ao seu estilo. Um trabalho reflexivo e íntimo, sem excessos, que traz à tona o grande actor que é Antonio Banderas.

Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um realizador de cinema, que se vê obrigado a reflectir sobre as escolhas que fez ao longo da vida quando passado e presente se parecem desmoronar ao seu redor. Entre a doença física e a dor psicológica, Salvador recorda a infância e reencontra os fantasmas do passado.

Eis que Dor e Glória deambula entre tempos distintos, intercalando-os, à medida que reencontros e decisões vão activando memórias. Tudo especialmente bem construído, resultando numa espécie de meta-ficção. Almodóvar é genial, como sempre, a escrever e a filmar, e o facto de criar Salvador à sua imagem, está longe de ser um problema.


No meio do bloqueio criativo de Salvador, a dor que o parece impedir de avançar não é apenas física. Ela pede uma reconciliação com o passado. E Banderas dá tudo de si neste papel, sóbrio e intimo, como poucas vezes o vemos.

Há uma tristeza latente, quase num prenúncio para o que acontecerá a seguir, mas inesperado como gostamos que Almodóvar seja, ele surpreende-nos até ao final.

Apesar da sobriedade - está longe de extravagâncias de outros filmes do realizador, apesar da comédia espreitar, em alguns momentos -, Dor e Glória é todo ele Pedro Almodóvar. Para além do realismo, a direcção artística denúncia o seu autor. Abundam os vermelhos vivos, os padrões alegres, a arte nas paredes, num contraste sempre condizente com a narrativa de opressão ou angústia.


Dor e Glória é um trabalho contido e melancólico. Um elogio ao Cinema e prova da admiração pelos que o tornaram no homem que é. Uma carta de amor às suas inspirações, em jeito de filme.

domingo, 8 de setembro de 2019

Sugestão da Semana #393

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, protagonizado por Antonio Banderas.

DOR E GLÓRIA


Ficha Técnica:
Título Original: Dolor y gloria
Realizador: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia, Nora Navas, Julieta Serrano,  César Vicente, Penélope Cruz, Cecilia Roth
Género: Drama
Classificação: M/16
Duração: 113 minutos

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Crítica: Os Amantes Passageiros / Los Amantes Pasajeros (2013)

*7/10*

Pedro Almodóvar regressa aos tempos animados de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos com o seu mais recente trabalho, Os Amantes Passageiros. Cor, dança e estereótipos não faltam no novo filme do realizador espanhol, onde nem a crítica social deixa de marcar presença.

O cenário dos acontecimentos é um avião, que se depara com um problema em um dos trens de aterragem e, enquanto não há solução à vista, o céu é a única possibilidade para os caricatos passageiros e tripulação. Todos ficam alterados pois começam a acreditar que estão a viver as últimas horas de vida. O desespero geral força-os a fazer confissões inesperadas sobre os seus pecados e sobre as suas últimas vontades.

Desde os primeiros momentos - onde Penélope Cruz e Antonio Banderas fazem as nossas delícias por uns minutos -, sabemos que vamos divertir-nos com este voo repleto de figuras hilariantes. Para além de uma espécie de nonsense que paira ao longo da acção, há muito sarcasmo por detrás das personagens e acontecimentos. Desde a virgem com poderes premonitórios, aos comissários de bordo homossexuais, ao actor quebra-corações, etc., certo é que muitos nos remetem para as suas próprias histórias paralelas, onde o sentimentalismo aparente não passa de ironia e crítica social. 


Desde a referência ao rei de Espanha e suas supostas amantes, aos passageiros da classe económica que foram "adormecidos" para não se darem conta dos problemas que acontecem durante o voo, muitas são as temáticas sérias subtilmente encaixadas num argumento que aparenta ser somente leve e divertido. E nem as redes sociais escapam à ironia de Pedro Almodóvar, com o twitter a entrar em cena bem cedo.

O álcool e as drogas contribuem para a animação que sobrevoa Espanha, onde não falta sequer música e dança, proporcionadas pelos três comissários de bordo. Todas as personagens cativam o espectador, pelas suas particularidades e pelas boas prestações por parte do elenco, onde se destaca Joserra, o comissário  de bordo que não consegue mentir, interpretado por Javier Cámara, Norma Boss (Cecilia Roth), dona de uma empresa de prostituição de luxo, e Bruna, a virgem vidente, com um desempenho muito divertido de Lola Dueñas.

Leve, mas muito menos do que aparenta, Os Amantes Passageiros marca o regresso de Almodóvar às comédias - depois do registo pesado de A Pele Onde Eu Vivo -, mas provando que o cinema precisa de muito mais do que gargalhadas. Um filme que vai, certamente, dizer mais aos espanhóis, já que se debruça sobre a sua realidade, mas que será impossível passar despercebido ao resto do mundo. Para ver de mente aberta, com sentido de humor, mas também com atenção aos pormenores, desde o primeiro minuto.