segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Crítica: Um Lugar Silencioso 2 / A Quiet Place Part II (2020)

*7/10*


O perigo constante, à escuta do mínimo barulho, regressa em Um Lugar Silencioso II, de John Krasinski, que dá seguimento à história da família protagonista do filme de 2018. A tensão desconcertante mantém-se e a originalidade do enredo segue, rumo a um terceiro filme.

Após os acontecimentos terríveis ocorridos em casa, a família Abbott (Emily BluntMillicent SimmondsNoah Jupe) terá agora que enfrentar os horrores do mundo exterior enquanto continua a lutar pela sobrevivência em silêncio. Forçados a seguir viagem para o desconhecido, rapidamente percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças que se escondem para lá do caminho de areia.

Desta vez, Krasinski começa por revelar a origem desta espécie ameaçadora de ouvidos sensíveis numa emocionante cena inicial, que remonta ao "dia 1" desta nova era. Depois, a acção regressa ao ponto em que terminou em Um Lugar Silencioso. A mãe e os três filhos seguem caminho em busca de sobreviventes e da sua própria sobrevivência, preparados para lutar.


O suspense e a tensão mantêm-se, mas o mistério inicial dissipou-se: a ameaça é aterradora mas já lhe é conhecida a forma. Os sustos são demasiado previsíveis, não denegrindo contudo o potencial da história e personagens - e é aí que está o grande foco de Um Lugar Silencioso II, na resiliência e coragem de cada um perante as adversidades cada vez maiores.

O crescendo de importância que as crianças têm neste segundo filme - em especial Millicent Simmonds - é de seguir com atenção. A jovem actriz mostra-se cada vez mais confiante e madura no papel de Regan e supera o desafio com nota máxima. Cillian Murphy foi, por seu lado, uma boa adição ao casting na pele de um homem solitário, desconfiado e profundamente marcado pela presença dos monstros.


O silêncio - sinónimo de sobrevivência para as personagens - continua a imperar e a ser o grande trunfo de Um Lugar Silencioso II, transportando a plateia para uma realidade cada vez menos comum numa sala de cinema, e para uma experiência especialmente imersiva e aterradora. Que venha o próximo capítulo, com a mesma fórmula e dedicação.

domingo, 28 de novembro de 2021

Sugestão da Semana #483

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Benedetta, de Paul Verhoeven, que já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

BENEDETTA


Ficha Técnica:
Título Original: Benedetta
Realizador: Paul Verhoeven
Elenco: Virginie Efira, Charlotte Rampling, Daphne PatakiaLambert WilsonOlivier RabourdinElena Plonka
Género: Biografia, Drama, História
Classificação: M/16
Duração: 131 minutos

Porto/Post/Doc 2021: Vencedores

O Porto/Post/Doc já anunciou os vencedores desta edição. The Last Shelter, de Ousmane Samassekou, conquistou o Grande Prémio do festival.

Eis a lista completa de palmarés desta 8.ª edição:

Competição Internacional

Grande Prémio Vicente Pinto Abreu

THE LAST SHELTER, Ousmane Samassekou


Menção Honrosa

BEATRIX, Lilith Kraxner, Milena Czernovsky 


Competição Cinema Falado

DISTOPIA, Tiago Afonso


Prémio Cinema Novo by Canal180

FRUTO DO VOSSO VENTRE, Fábio Silva

 

Competição Transmission 

NUEVE SEVILLAS, Gonzalo García Pelayo, Pedro G. Romero


Menção Honrosa

KAREN DALTON: IN MY OWN TIME, Richard Peete, Robert Yapkowtiz


Prémio Arché by Companhia das Culturas/Fundação Pereira Monteiro

À PROCURA DA ESTRELA, Carlos Martínez-Peñalver Mas 


Prémio Teenage

GABI, BETWEEN AGES 8 AND 13, Engeli Broberg


O Porto/Post/Doc começou no dia 20 e termina a 30 de Novembro. Mais informações em http://portopostdoc.com/.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Estreias da Semana #483

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses seis novos filmes (um deles em reposição). No streaming, também há muitas novidades.

No final do século XVII, em Itália, Benedetta traça o retrato de uma freira católica que tem visões religiosas e eróticas perturbadoras. Desde muito nova que Benedetta Carlini (Virginie Efira) demonstra ter um dom, e ao entrar para um convento, em Pescia, essa capacidade torna-se mais evidente. Os anos passam e quando Bartolomea (Daphne Patakia) pede abrigo e proteção no convento, as duas mulheres tornam próximas e cresce entre elas uma atracção que vem abalar e Igreja e a sociedade.

Caça-Fantasmas: O Legado (2021)
Ghostbusters: Afterlife
Passado 30 anos após os acontecimentos do filme original, Caça-Fantasmas: O Legado deixa o cenário urbano de Nova Iorque e mergulha numa paisagem rural. Agora, tudo gira em redor de uma mãe solteira e dos seus dois filhos que chegam a uma pequena cidade para descobrirem a sua ligação aos
Caça-Fantasmas originais e ao legado secreto que o avô lhes deixou.

Casa Gucci (2021)
House of Gucci
Filme inspirado na história da casa de moda italiana Gucci. Três décadas repletas de amor, traição, escândalo, decadência e  vingança levada a extremos, que ajudam a compreender o significado de um nome, o seu valor e os limites a que família está disposta a ir para manter o seu controlo.

Encanto (2021)
A história de uma família extraordinária, os Madrigais, que vivem escondidos numa casa mágica nas montanhas da Colômbia, numa cidade chamada Encanto. A magia de Encanto abençoou todas as crianças da família com um dom único, de superforça ao poder de curar - todas, excepto uma, Mirabel. Quando Mirabel descobre que a magia em torno de Encanto está em perigo, decide que ela, a única Madrigal comum, pode ser a última esperança da sua família excepcional.

Oldboy - Velho Amigo (reposição) (2003)
Oldeuboi
Num dia em 1988, Oh Dae-soo, um empresário casado e com uma filha, é raptado, drogado, torturado e mantido em cativeiro sem qualquer explicação durante 15 anos. Subitamente posto em liberdade, recebe dinheiro, um telemóvel e um fato novo. Desorientado, luta para descobrir porque foi preso enquanto o raptor lhe envia mensagens que o incitam à vingança.

Numa paisagem africana após uma catástrofe, um rapaz vagueia em busca do fantasma da mãe.

Netflix Portugal

Estreou a 24 de Novembro:

Ferida (2021)
Bruised
Jackie Justice (Halle Berry) é uma lutadora de MMA que deixa o desporto em desgraça. Abandonada pela sorte e fervilhando de raiva e arrependimento, é persuadida a entrar numa brutal luta clandestina pelo seu agente e namorado Desi, o que chama a atenção de um promotor que promete a Jackie uma nova vida no octógono. Mas o caminho para a redenção ganha novos contornos quando aparece Manny, o filho que Jackie abandonou em criança.

Quem És Tu, Robin? (2021)
Robin Robin
Quando o seu ovo cai e aterra numa lixeira, Robin acaba por ser criada por uma carinhosa família de ratinhos. À medida que cresce, as suas diferenças em relação aos outros começam a tornar-se cada vez mais evidentes. Robin parte numa missão para efetuar um golpe para acabar com todos os golpes e provar à família que consegue ser um bom ratinho, mas acaba por descobrir quem realmente é.

Um Rapaz Chamado Natal (2021)
A Boy Called Christmas
Um rapaz normal chamado Nikolas parte para uma extraordinária aventura na neve do norte em busca do pai, que se encontra numa missão para descobrir Elfhelm, a mítica aldeia dos duendes. Com a ajuda de uma rena obstinada chamada Blitzen e de um fiel rato de estimação, Nikolas não tarda a encontrar o seu destino.

Amazon Prime Video

Estreia a 25 de Novembro:

Anni da cane (2021)
A história de Stella, uma adolescente desajeitada, cínica, imaginativa e atormentada. Após um acidente de carro que mudou a sua vida, envolvendo um cão, ela convence-se de que deve contar a sua idade em anos de cão: um ano da sua vida conta como sete. Agora que faz 16 anos, torna-se centenária. Por esta razão, Stella pensa que não lhe resta muito tempo de vida e faz uma lista com todas os objetivos que gostaria de alcançar antes de morrer.

Disney +

Estreia a 25 de Novembro:

The Beatles: Get Back (2021)
Novo documentário sobre a banda The Beatles com base em 55 horas de imagens inéditas gravadas entre 1969 e 1970, pouco antes da separação.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Comic Con Portugal 2021: Luccas Neto, Filipe Melo e Juan Cavia entre as presenças confirmadas

Luccas Neto, Filipe Melo, Juan CaviaAlvaro Martinez Bueno e Joe Abercrombie são algumas das presenças entretanto confirmadas na Comic Con Portugal. O evento decorrerá de 9 a 12 de Dezembro, no Parque das Nações, em Lisboa, sob o lema A New Hope.


Luccas Neto, um dos maiores criadores de conteúdo brasileiros na Internet, com 12 filmes lançados na Netflix, e a sua irmã na ficção, Giovanna Alparone, vão estar na Comic Con Portugal, nos dias 9 e 10 de Dezembro. No dia 9, os dois convidados irão fazer o lançamento mundial do novo livro de Luccas Neto. No dia 10, vão participar num painel sobre as suas carreiras, para além do meet&greet e sessões de autógrafos.

No cinema português, destaque para a apresentação do filme Duros de Roer, da Lanterna de Pedra Filmes, realizado por Vítor Santos. O filme tem estreia comercial em sala, assegurada pela PRIS Audiovisuais, prevista para a Páscoa de 2022. No dia 9 de Dezembro, o painel do filme na Comic Con Portugal contará com a presença de Fernando Rocha, João Seabra e Melânia Gomes.

Na área da BD & Literatura está confirmada a dupla Filipe Melo e Juan Cavia, criadores da obra Balada para Sophie. Filipe Melo é músico, realizador de cinema (realizou as curtas-metragens Sleepwalk e O Lobo Solitário) e autor de banda desenhada. Cavia é director de arte e ilustrador profissional e já fez anúncios, séries de televisão, videoclipes, teatro e participou em 10 longas-metragens como director de arte e cenógrafo (destaque para O Segredo dos Seus Olhos, de J.J. Campanella). Simultaneamente, desenvolveu a sua carreira como ilustrador.

Também confirmados estão os artistas Alvaro Martinez Bueno (trabalha exclusivamente para a DC Comics), Joe Abercrombie (A Vingança Serve-se Fria e as trilogias A Primeira Lei, Shattered Sea e Age of Madness), Mike Grell (The Warlord, Starslayer, Jon Sable, Freelance, Shaman’s Tears, Bar Sinister e Maggie The Cat), Paulo Monteiro (O Amor Infinito que Te Tenho, Mariana e Um Homem Sem Medo) e Ralph Meyer (Asgard e Undertaker).

Os CTT – Correios de Portugal, novamente parceiros da Comic Con Portugal, emite selos personalizados do evento. Trata-se de um booklet de seis selos, que pode ser adquirido por 3,24€ nas Lojas CTT e também na Loja Online. O design é inspirado no lema do evento, A New Hope.

 Mais informações sobre o evento em https://evento.comic-con-portugal.com/pt/.

Crítica: Benedetta (2021)

*7/10*

O erotismo do cinema de Paul Verhoeven é indissociável de cada novo filme, mais ainda quando a religião está no centro do argumento - o caso do mais recente Benedetta. Polémico como se quer, a longa-metragem mexe com as sensibilidades da Igreja, mas também com o lugar das mulheres na sociedade, ao longo dos séculos.

Verhoeven baseia-se no livro Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy, de Judith C. Brown, que por sua vez é inspirado numa história real, e cria Benedetta, com a colaboração de David Birke no argumento.

No final do século XVII, em Itália, Benedetta traça o retrato de uma freira católica que tem visões religiosas e eróticas perturbadoras. Desde muito nova que Benedetta Carlini (Virginie Efira) demonstra ter um dom, e ao entrar para um convento, em Pescia, essa capacidade torna-se mais evidente. Os anos passam e quando Bartolomea (Daphne Patakia) pede abrigo e proteção no convento, as duas mulheres tornam próximas e cresce entre elas uma atracção que vem abalar e Igreja e a sociedade.

Paul Verhoeven filma a sensualidade, mas também a violência, como poucos. Em Benedetta, como em grande parte das suas obras, as duas parecem inseparáveis. O assombro do pecado e das tentações de Cristo reflectem-se nos sonhos e visões da protagonista, ao mesmo tempo que descobre o corpo feminino (o seu e o das outras mulheres com quem partilha o tecto) e a paixão, para além da religião.

Benedetta percorre todo o filme como uma personagem dúbia, causando desconfiança em todos os que a rodeiam, mas também a plateia. Entre os que crêem nos dons que a freira descreve e exibe; são também muitos os que a vêem como uma falsa. A adoração que desenvolve por si mesma e a vontade de estar no centro das atenções em muito contribuem para essa suspeita.

Social e politicamente, o convento era o escape para todo o tipo de mulheres, com os mais difíceis passados. E entre as devotas plenas, encontram-se também as descrentes, mas que criaram no convento a sua vida e família. Num filme quase totalmente dominado por personagens femininas, são contudo os homens que detém o poder instituído, sejam os párocos ou o núncio apostólico - representante da Santa Sé -, e são também eles os que menos vocação e valores demonstram ter para os cargos que ocupam.

Entre o talento e entrega das actrizes, em especial Virginie Efira, Charlotte Rampling e Daphne Patakia, e a destreza ao filmar a trama, como só o realizador sabe, Benedetta balança entre o erotismo e a sensualidade; o sonho e a realidade, e sempre numa tensão latente entre personagens, sentimentos e acções.

Verhoeven cria uma ardente e provadora viagem à Idade Média e aos segredos que as portas de um convento guardam, numa época em que o mundo se debatia contra a peste negra, e todas as preces apelavam à protecção divina.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

International Atlàntida Mallorca Film Fest na Filmin de 10 de Dezembro a 10 de Janeiro

A 4.ª edição do International Atlàntida Mallorca Film Fest regressa à Filmin de 10 de Dezembro a 10 de Janeiro. 

O evento quer dar a conhecer ao público uma selecção de filmes europeus que nunca foram exibidos nas salas de cinema. A programação da Filmin conta com 16 títulos, de França, Reino Unido, Países Baixos, Alemanha, Espanha e Bélgica, que incluem estreias nacionais e exclusivos. 

Entre os filmes que fazem parte do festival encontram-se: O Rapaz Mais Belo do Mundo (The Most Beautiful Boy in the World), de Kristian Petri e Kristina Lindström, documentário sobre Björn Andrésen, o famoso Tadzio de Morte em Veneza, de Luchino Visconti; Lost Boys, de Joonas Neuvonen Sadri Cetinkaya, onde após saírem da prisão, dois amigos fazem uma viagem de excessos até à Tailândia e Camboja, mas quando um deles desaparece, o outro decide partir numa emboscada que o levará aos lugares mais sórdidos do mundo; Madly in Life (Une vie démente), de Ann Sirot e Raphaël Balboni, que explora os caminhos únicos que só a família pode percorrer; Human Factors, de Ronny Trocker, um thriller sobre as férias de uma família, perturbadas por um evento misterioso; entre outros.

O International Atlàntida Mallorca Film Fest apresenta ainda a versão restaurada em 4K de Friendship's Death (1987), de Peter Wollen, com Tilda Swinton na pele de um andróide alienígena enviado à Terra em paz.

Para além das longas-metragens, o evento apresenta também uma série de animação com as pinturas de Joan Miró como pano de fundo: Mironins conta a história de três gotas de tinta que escaparam dos quadros de Joan Miró para viver aventuras no universo da arte e da imaginação.

Os filmes vão estar disponíveis na filmin.pt para todos os subscritores, a partir de 10 de Dezembro. 

Programa

Filmes

O Rapaz Mais Belo do Mundo (The Most Beautiful Boy in the World), Kristian Petri, Kristina Lindström

Human Factors (Der menschliche Faktor), Ronny Trocker

A Oferenda (L'Ofrena), Ventura Durall 

My Mexican Bretzel, Núria Giménez Lorang

Os Inocentes (Los Inocentes), Guillermo Benet 

Ovelha (Ovella), Marc Puig Biel, Júlia Marcos Lázaro, Daria Molteni e Sergi Rubio González

Sempre Dijous, Joan Porcel 

Todo a la vez, Alberto Fuguet

M.C. Escher: Viagem até ao Infinito (M.C. Escher: Journey to Infinity), Robin Lutz 

Madly in Life (Une vie démente), Ann Sirot, Raphaël Balboni

Lost Boys, Joonas Neuvonen, Sadri Cetinkaya

Friendship's Death, Peter Wollen 

Everything at once, Alberto Fuguet

The Fall of the Swift (curta-metragem), Gonzalo Quincoces

Sighting 1978 (curta-metragem), Guillem Miró

Forastera (curta-metragem), de Lucía Aleñar Iglesias

Série

Mironins, Mikel Mas Bilbao, Txesco Montalto

KINO 2022: De 27 de Janeiro a 2 de Fevereiro no Cinema São Jorge e na Filmin

A 19.ª edição da KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã acontece entre 27 de Janeiro e 2 de Fevereiro de 2022, no Cinema São Jorge, em Lisboa, e online, na plataforma Filmin.

A mostra quer traçar um olhar sobre o futuro e sobre o cinema no feminino, mantendo as três secções habituais: Visões, para as grandes produções cinematográficas; Perspetivas, para primeiras e segundas obras; e Realidades, para os documentários.

Já confirmados na programação da KINO 2022 estão quatro filmes realizados por mulheres: Ivie wie Ivie, de Sarah Blaßkiewitz, sobre o racismo estrutural; Walchensee Forever, de Janna Ji Wonders, que aborda a herança afectiva ao longo de gerações de mulheres da mesma família; Nico, de Eline Gehring, sobre a reconstrução da auto-confiança após um ataque xenófobo; e The Case You, de Alison Kuhn, acerca da catarse colectiva frente a um episódio traumático de manipulação sexual.

Para além do cinema, haverá também conversas com realizadores e a atribuição do Prémio do Público, com sorteio de uma viagem à Alemanha.

Mais informações sobre a KINO 2022 em https://www.goethe.de/ins/pt/pt/kul/sup/kpo.html.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Caminhos do Cinema Português 2021: Vencedores

Alcindo, de Miguel Dores, venceu o Grande Prémio do Festival Caminhos do Cinema Português. Entre os mais premiados desta edição estão também A Metamorfose dos Pássaros e a curta-metragem O Lobo Solitário.


Eis a lista completa de vencedores do Caminhos 2021:

Prémio Queima das Fitas de Coimbra – Melhor Filme Outros Olhares
A Nossa Terra, o Nosso Altar, André Guiomar

Menção honrosa Outros Olhares 
A Mulher como Árvore, de Flávio Ferreira, Hélder Faria, Alejandro Vásquez, Daniela Cajías e Carmen Tortosa

Prémio de Melhor Ensaio Nacional - Selecção Ensaios – A Previdência Portuguesa
Camaradas de Armas, Catarina Henriques

Prémio Melhor Ensaio Nacional de Animação - Selecção Ensaios – A Previdência Portuguesa
Walkthrough, Sofia Salt

Prémio de Melhor Ensaio Internacional - Selecção Ensaios – A Previdência Portuguesa
Silent Zone, Caren Wuhrer

Melhor Som
Pedro Marinho, O Nosso Reino

Melhor Realização
Catarina Vasconcelos, A Metamorfose dos Pássaros

Melhor Montagem
Tiago Simões e Marta Sousa Ribeiro, Simon Chama

Melhor Guarda Roupa
Joana Cardoso, A Arte de Morrer Longe

Melhor Fotografia
Miguel da Santa e Tiago Carvalho, O Nosso Reino

Melhor Direcção de Arte
Fernanda Carlucci, Clube dos Anjos

Melhor Cartaz
Delfim Ruas, Simon Chama

Melhor Caracterização
Olga José, Sombra

Melhor Banda Sonora Original
Filipe Melo e Legendary Tigerman, O Lobo Solitário

Melhor Argumento Original
Diogo Lima, Os Últimos Dias de Emanuel Raposo

Melhor Argumento Adaptado
Júlio Alves, A Arte de Morrer Longe

Melhor Actriz Secundária
Rita Martins, Simon Chama

Melhor Actriz – GesMo
Diana Neves Silva, Luz de Presença

Melhor Actor Secundário
António Capelo, Clube dos Anjos

Melhor Actor
Pedro Lacerda, Terra Nova, A Arte de Morrer Longe

Prémio Revelação – FSS
Catarina Vasconcelos, A Metamorfose dos Pássaros

Melhor Curta-Metragem – União de Freguesias de Coimbra
Diogo Salgado, Noite Turva

Melhor Animação – Turismo Centro de Portugal
Catarina Romano, Seja como for

Melhor Documentário
Miguel Dores, Alcindo

Melhor ficção
Diogo Lima, Os Últimos dias de Emanuel Raposo

Menção Honrosa para melhor ficção
Arab Nasser e Tarzan Nasser, Gaza Mon Amour

Grande Prémio do Festival
Miguel Dores, Alcindo

Mais informações sobre o Festival Caminhos do Cinema Português em https://www.caminhos.info/.

domingo, 21 de novembro de 2021

Sugestão da Semana #482

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o novo filme de Paul Schrader, The Card Counter: O Jogador, com Oscar Isaac no papel principal. A longa-metragem já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.




Ficha Técnica:
Título Original: The Card Counter
Realizador: Paul Schrader
Elenco: Oscar Isaac, Tiffany Haddish, Tye SheridanWillem Dafoe
Género: Crime, Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 111 minutos

LEFFEST 2021: Vencedores

O LEFFEST 2021 anunciou os vencedores desta edição, na cerimónia de encerramento, que teve lugar no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, este Sábado. A Night of Knowing Nothing, de Payal Kapadia, foi eleito o Melhor Filme do festival pelo júri.

O júri, composto pelo escritor e Prémio Nobel da Literatura J.M. Coetzee, pelo realizador Emir Kusturica, pela realizadora Maria Speth, pela actriz Dolores Chaplin e pela poeta Ana Luísa Amaral, atribuiu os seguintes prémios:

Prémio Melhor Filme LEFFEST

A NIGHT OF KNOWING NOTHING, de Payal Kapadia


Grande Prémio do Júri, João Bénard da Costa

LA CAJA, de Lorenzo Vigas


Menções Honrosas – Distinções de Interpretação, Argumento e Fotografia

SWAMY ROTOLO (Interpretação), A Chiara

SAMET YILDIZ (Interpretação), Brother’s Keeper

PAULA MARKOVITCH e LORENZO VIGAS (Argumento), La Caja

DOUGLAS SEOK (Fotografia), White Building

A Night of Knowing Nothing será de novo exibido este Domingo, 21 de Novembro, às 21h30, no Cinema Medeia Nimas, em Lisboa, e La Caja passa às 21h00, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra. Mais informações sobre o Lisbon & Sintra Film Festival em https://www.leffest.com/.

sábado, 20 de novembro de 2021

Crítica: 007: Sem Tempo Para Morrer / No Time to Die (2021)

"The proper function of man is to live, not to exist. I shall not waste my days in trying to prolong them. I shall use my time."

M (a citar Jack London)

*5/10*

Cary Joji Fukunaga pegou no leme do último filme de Daniel Craig enquanto James Bond007: Sem Tempo Para Morrer, mas não fez jus nem à sua filmografia, nem ao legado do herói cinematográfico. Uma despedida inglória para o actor que veste a pele do agente secreto desde 2006, mas que não deixa de cumprir a função de entretenimento.

"James Bond deixou o serviço activo e está a desfrutar de uma vida tranquila na Jamaica. Mas a sua paz termina rapidamente quando o seu velho amigo Felix Leiter, da CIA, aparece com um pedido de ajuda. A missão de resgatar um cientista raptado acaba por ser bastante mais traiçoeira do que o esperado, o que leva Bond a perseguir um misterioso vilão, armado com uma nova tecnologia perigosa.

James Bond está mais maduro, menos ágil, mais sensível, menos mulherengo (?), mas nem por isso consegue gozar a reforma descansado. Mais uma vez, é chamado à acção quer pela CIA como pelo MI5 (onde o seu nome de código 007 foi agora para uma agente mulher), e viaja por locais distantes para salvar a humanidade, de uma arma tecnológica bastante complexa.

Mas nesta (muito longa) jornada, cruzam-se enredos de filmes anteriores (onde Spectre assume o maior protagonismo), e novas histórias paralelas; há um novo vilão e outro que regressa por breves momentos; tudo cruzando-se entre explosões, perseguições, tiroteios, e para além de descobrir o paradeiro da cobiçada arma, há uma família a salvar. Não admira que o título deste 007 seja Sem Tempo Para Morrer.

A Rami Malek, ofereceram um vilão narcisista que tinha tudo para ser perturbador mas mal se dá por ele, nem mesmo pela sua ambição desmedida. Lyutsifer Safin tem uma história que se cruza com a de Madeleine (Léa Seydoux), mas nunca se consegue afirmar na acção. Mais uma presença desperdiçada foi Ana de Armas, com poucos minutos de antena. Destaque positivo para a banda sonora de Hans Zimmer e para a canção original No Time To Die, de Billie Eilish.

Cary Joji Fukunaga não deixa marca neste 25.º filme da saga, e 007: Sem Tempo para Morrer não ficará na memória dos fãs de James Bond. Felizmente, há outros quatro filmes com Daniel Craig como protagonista para recordar.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Estreias da Semana #482

Esta Quinta-feira, chegam aos cinemas portugueses oito novos filmes. Nas plataformas de streaming também se contam algumas estreias.

#EstouAqui (2020)
#JeSuisLà
Stéphane leva uma vida pacífica no País Basco entre os seus dois filhos, agora adultos, a ex-esposa e a sua profissão como chef. As pequenas emoções com que toda a gente sonha, ele encontra nas redes sociais, onde conversa diariamente com Soo, uma jovem sul-coreana. Por mero capricho, Stéphane decide voar para a Coreia na esperança de conhecê-la. Assim que chega ao aeroporto de Seul, um novo mundo abre-se para ele...

A Colónia (2021)
Tides
Quando a Terra se torna inabitável para os humanos, a elite dominante estabelece-se no Planeta Kepler 209. Mas a atmosfera do novo planeta torna os habitantes estéreis. Duas gerações mais tarde, o programa Ulysses é criado para determinar se a vida é novamente possível na Terra. A missão Ulisses II é lançada para o confirmar, mas a cápsula espacial perde o controlo quando atinge a atmosfera da Terra. Blake é a única astronauta a sobreviver à aterragem - mas descobre que não está sozinha. Começa uma luta pela sobrevivência e Blake tem de tomar decisões que irão determinar o destino da humanidade.

As Coisas Que Dizemos, As Coisas Que Fazemos (2020)
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Daphne, grávida de três meses, está de férias no campo com o seu companheiro François. Ele tem que se ausentar para o trabalho e ela vê-se sozinha para dar as boas-vindas a Maxime, o primo que ela nunca conheceu. Durante quatro dias, enquanto aguardam o retorno de François, Daphne e Maxime conhecem-se gradualmente e partilham histórias cada vez mais íntimas sobre as suas histórias de amor, do presente e do passado...

Irregular (2021)
Gabriel (Pedro Teixeira) é um homem feliz. No caminho para levar a filha a uma excursão, pára num posto de gasolina. Tudo muda quando vê a criança ser forçada a entrar numa van que arranca a alta velocidade. Ao chegar a casa, percebe que a mulher também foi sequestrada e que no seu lugar está agora outra mulher e uma criança que ele nunca viu...

King Richard - Para lá do Jogo (2021)
King Richard
A história de Richard Williams (Will Smith), um pai decidido a criar duas das atletas mais dotadas de todos os tempos que mudaram o ténis para sempre. Impulsionado por uma visão clara do futuro e usando métodos pouco convencionais, Richard tem um plano que levará Vénus e Serena Williams dos bairros pobres de Compton, na Califórnia, até às vitórias nos maiores torneios do circuito profissional.

O Casarão (2021)
Um velho casarão apodrece no coração de uma aldeia, rasgada ao meio por uma estrada onde os carros já não param. Durante a ditadura, o edifício foi o mais progressista seminário católico português. António, vizinho da frente, cresceu e formou família à sua sombra. Desde a saída dos padres dominicanos, é o seu mais fiel caseiro - guardião dos fantasmas, memórias e corredores despidos de vida. Há anos abandonado, o antigo epicentro da região está agora na mira de uma nova vida.

O Meu Primo Desajeitado (2020)
Mon Cousin
Pierre é o CEO de um grande grupo familiar do setor vinícola. À beira de realizar o acordo do século, tem de proceder a uma derradeira formalidade: obter a assinatura do seu primo Adrien, dono de metade da empresa. O doce sonhador e idealista fica tão feliz por reencontrar Pierre que quer passar algum tempo com ele e adiar a assinatura. Pierre, não tem outra escolha a não ser levar o primo numa viagem de negócios mais do que agitada, onde a sua paciência será posta à prova.

Tell (Oscar Isaac) só quer jogar às cartas. A sua existência espartana no trilho dos casinos termina quando é abordado por Cirk (Tye Sheridan), um jovem vulnerável e furioso que procura ajuda para concretizar o seu plano de vingança. Tell vê uma hipótese de redenção. Ganha o apoio da misteriosa financiadora de jogos de azar La Linda (Tiffany Haddish) e leva Cirk de casino em casino até que o improvável trio coloca a mira na World Series of Poker. Mas manter Cirk no caminho certo prova-se impossível e Tell é arrastado de volta para a escuridão do seu passado.

TV Cine

Estreia a 19 de Novembro:

O informador do FBI William O'Neal (LaKeith Stanfield) infiltra-se no Partido dos Panteras Negras do Illinois com a tarefa de vigiar o seu líder carismático, Fred Hampton (Daniel Kaluuya). O'Neal aprecia o perigo de manipular os seus companheiros de partido e o seu contacto no FBI, o agente especial Roy Mitchell (Jesse Plemons). As proezas políticas de Hampton aumentam enquanto se apaixona pela companheira de luta Deborah Johnson (Dominique Fishback). Enquanto isso, trava-se uma batalha na cabeça de O'Neal, indeciso entre a fidelidade aos seus irmãos dos Panteras Negras e as ordens do director do FBI, J. Edgar Hoover (Martin Sheen).

Estreia a 21 de Novembro:

Skyfire (2019)
Uma jovem cientista inventa um sistema de alerta vulcânico de vanguarda e regressa à ilha tropical onde a sua mãe morreu tragicamente, na esperança de poder evitar futuras mortes. A ilha é agora cenário do único resort e parque temático vulcânico do mundo, uma criação do seu imprudente e ganancioso proprietário, Jack que garante a potenciais investidores que não há nenhuma hipótese de uma erupção durante pelo menos 150 anos. Mas o vulcão outrora adormecido começa a dar sinais de vida, e o caos espalha-se rapidamente.

Netflix Portugal

Estreia a 19 de Novembro:

tick, tick...BOOM! (2021)
Adaptação do musical autobiográfico de Jonathan Larson, que revolucionou o teatro enquanto criador de Rent. O filme acompanha Jon, um jovem compositor de teatro que serve às mesas em Nova Iorque, em 1990, enquanto escreve aquele que espera tornar-se o próximo grande musical americano. Nos dias antes da apresentação decisiva do seu trabalho, Jon sente a pressão de todos os lados: da namorada, Susan, que sonha com uma vida artística para além de Nova Iorque; do amigo, Michael, que abandonou o seu sonho em prol de estabilidade financeira; e de toda uma comunidade artística assolada pela epidemia da SIDA. O relógio não pára, e Jon vê-se numa encruzilhada, a braços com a inevitável pergunta: o que devemos fazer com o tempo que temos?

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Opinião: Séries - Nove Perfeitos Desconhecidos / Nine Perfect Strangers - Temporada 1 (2021)

"We are on the precipice of something great."

Masha

*7/10*

Nove Perfeitos Desconhecidos, minissérie original da Hulu - disponível na Amazon Prime Video -, convida a um retiro relaxante num resort que irá testar todos os limites. Adaptando à televisão o livro homónimo de Liane Moriarty (autora de Big Little Lies), John-Henry Butterworth e David E. Kelley criam oito episódios viciantes, que jogam com os traumas de cada um.

"Nove Perfeitos Desconhecidos acompanha nove pessoas muito diferentes que chegam a Tranquillum House – um retiro de bem-estar misterioso que promete uma 'transformação total'. Quando lá chegam, os hóspedes parecem cair sob o feitiço da enigmática Masha que fará de tudo para os curar. Contudo, com o passar do tempo, os métodos pouco convencionais de Masha ameaçam levar o grupo explosivo ao limite."


Esqueçam a tranquilidade que o nome deste spa apregoa. Pensamentos, acções e emoções fugirão ao controlo de hóspedes e staff, e até os ingredientes e tratamentos menos ortodoxos serão válidos dentro da propriedade de Masha, totalmente desconectada com o exterior. Não há confinamento que supere o destes nove desconhecidos, que, durante a curta estadia, vão passar das terapias e jogos em grupo, às alucinações e sonhos vívidos.

Todas as personagens têm o seu quê de cliché, unidas pelo trauma, mas desconstroem-se com astúcia. A cada episódio, revelam novas camadas da sua personalidade, do seu passado e das razões que os fazem estar ali. A máscara das primeiras impressões vai caindo, bem como as defesas de cada um, e a plateia aproxima-se deles, aos poucos.


A minissérie tem um início prometedor, que cresce e explode em suspense e surpresas nos episódios seguintes. E mesmo que o desfecho não seja estrondoso, é compensador.

No elenco, Nicole Kidman sobressai como Masha, dona do retiro, de ar místico e calmo, mas também misteriosa e de olhar ameaçador, marcada por um passado violento a vários níveis; Melissa McCarthy é a escritora Frances, uma personagem tragicómica bem ao jeito da actriz; Michael Shannon é Napoleon, cujo optimismo extremo esconde uma perda irreparável. A estes nomes juntam-se ainda um conjunto de boas interpretações de Luke Evans, Bobby Cannavale, Melvin Gregg, Regina Hall, Asher Keddie, Samara Weaving e Grace Van Patten.

O argumento audaz de Nove Perfeitos Desconhecidos traz para o pequeno ecrã uma abordagem arriscada à capacidade de superação ou libertação de cada um, num ambiente controlado e alucinogénico, até mesmo para o espectador.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Crítica: The Card Counter: O Jogador (2021)

*8.5/10*


Protagonistas misteriosos, assombrados por traumas bem guardados, são os eleitos de Paul SchraderThe Card Counter: O Jogador esconde um passado tortuoso por detrás de uma mão cheia de trunfos. 

"Tell só quer jogar às cartas. A sua existência espartana no trilho dos casinos termina quando é abordado por Cirk, um jovem vulnerável e furioso que procura ajuda para levar a cabo o seu plano de vingança contra um coronel. Tell vê uma hipótese de redenção. Ganha o apoio da misteriosa financiadora de jogos de azar La Linda, e leva Cirk de casino em casino até que o improvável trio coloca a sua mira na World Series of Poker. Mas manter Cirk no caminho certo prova-se impossível e Tell é arrastado de volta para a escuridão do seu passado."


O jogo é uma fuga para o protagonista - está longe de ser um vício. Depois de cumprir pena na prisão, o ex-soldado Tell dedica-se a jogar nos casinos das cidades por onde passa, dorme no quarto de motel mais impessoal possível, não pretende ganhar raízes ou criar laços, mas nem tudo pode estar sempre sobre o seu controlo. Há um passado que quer apagar da memória, mas este teima em não o deixar de atormentar. Eis a misteriosa "personagem-tipo" de Paul Schrader interpretada com a sobriedade exigida por Oscar Isaac, cada vez mais maduro.

Ao conhecer Cirk, um jovem marcado por um pai cujo passado se cruza, mesmo que indirectamente, com o de Tell (bem como a partilha de um inimigo comum), o jogador baixa a guarda e deixa o jovem aproximar-se da sua rotina disciplinada. E se Cirk, dominado por desejos de vingança, desperta sentimentos de compaixão no protagonista, ao mesmo tempo, surge uma mulher na sua vida: La Linda e as suas propostas de negócio não o deixam indiferente. 


Os dois fazem o protagonista desviar-se do seu caminho predefinido e arriscar mais do que se costuma permitir. E é na incerteza do risco que The Card Counter se constrói, com a mestria de Schrader, aliada à fabulosa direcção de fotografia de Alexander Dynan, onde luzes e espelhos (dos casinos) e as sombras do passado que regressa conquistam espaço, tal qual as personagens e suas singularidades.

Tell não se comanda pela sorte ao jogo. Para ele, à mesa do casino, contam-se as cartas e joga-se com o bluff, sabendo sair no momento certo. Já na vida real, nem sempre é possível. Em The Card Counter: O Jogador não há santos, mas existe um muito forte desejo de redenção.