domingo, 28 de fevereiro de 2021

Crítica: Framing Britney Spears (2021)

*7/10*

Framing Britney Spears, de Samantha Stark, é um dos documentários mais esperados desta temporada. O filme traça o percurso da cantora, dos primeiros trabalhos em criança à ascensão e queda, a relação com os paparazzi, com a família, os relacionamentos amorosos e, principalmente, o processo de tutela de que é alvo desde 2008. 

Através de testemunhos de fãs, jornalistas, advogados e pessoas próximas com quem trabalhou, Framing Britney Spears junta-nos ao movimento #FreeBritney e, também nós, vamos querer libertar a cantora desta tutela muito mal justificada.

"O seu acesso à meca da pop foi um fenómeno global. A sua queda um cruel desporto nacional. Revemos a trajectória de Britney Spears, incluindo a sua etapa de maior popularidade nos anos 90 e 2000, abordando a série de acontecimentos que levaram a que em 2008 perdesse o controlo da sua vida e passa-se a ser tutelada a partir dessa altura pelo seu pai. Hoje em dia, a cantora de 39 anos não pode dispor livremente do seu dinheiro ou assinar nenhum documento sem autorização prévia, o que a levou a uma árdua batalha judicial contra o seu pai. Produzido pelo The New York Times, este documentário explora a base legal da tutela, a fervorosa base de fãs que estão convencidos que Britney deveria ser libertada da tutela (e que lideram o movimento #FreeBritney), e revê o tratamento questionável que os meios de comunicação revelaram durante a carreira da estrela da pop."

Para além do carácter biográfico de Framing Britney Spears e, de certa forma, do documentário servir como arma para os defensores da cantora, Samantha Stark consegue traçar um curioso retrato de como se tratavam as mulheres no início dos anos 2000. Britney cresceu no meio da fama, atingiu o estrelato como poucos, foi admirada e ostracizada pelos media na mesma medida, e a sua autonomia começou desde cedo a ser posta em causa.


A jovem marcou uma era onde apenas as boy bands singravam. As mulheres eram constantemente avaliadas ou questionadas sobre temas que nunca seriam questão para um homem. E se, inicialmente, Britney era o modelo de virtudes que os media e a sociedade idealizavam, assim que se começa a emancipar enquanto mulher, todos a atacam e escrutinam a sua vida. Há uma misoginia camuflada na sociedade norte-americana que se revela se olharmos para toda a história de Spears. No virar do século ainda não havia movimento #MeToo.

O documentário pretende ainda compreender o processo de tutela que comanda a vida da cantora há mais de 12 anos. Britney Spears está impedida de tomar decisões sobre o seu dinheiro, bens ou carreira. Sabe-se pouco sobre a decisão de 2008 e, ainda menos, o que tem acontecido nos anos que se seguiram. Em 2020, compreendemos finalmente que a cantora não quer mesmo ser tutelada pelo pai e o caso segue em tribunal.


Framing Britney Spears
é um documentário sobre a ascensão e queda de uma estrela, mas é principalmente sobre a importância da saúde mental, do feminismo e igualdade de género no funcionamento das sociedades modernas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

O Hoje Vi(vi) um Filme faz 9 anos

O Hoje Vi(vi) um Filme completa hoje o seu 9.º aniversário. São nove anos de muito amor ao cinema.

Foi um ano difícil para todos, um ano que nunca imaginámos viver, no meio de uma pandemia. Cinemas fechados, festivais reinventados, muito cinema online... Os desafios têm sido imensos. No Hoje Vi(vi) um Filme, vamos continuar a tentar fazer face às dificuldades. Ao longo do último ano, fizemos cobertura de festivais de cinema, ajudámos a eleger os 10 Melhores Filmes Portugueses de Sempre para o filmSPOT, escrevemos muitas críticas, fizemos novamente parte do júri do 48 Hour Film Project Lisboa, participámos em podcasts de amigos, publicámos entrevistas, e muito mais.

Foi a 26 de Fevereiro de 2012 que tudo começou, num Domingo de Oscars.

Obrigada a todos os que nos vão acompanhando e ajudado a crescer. Continuaremos por aqui a viver o Cinema convosco.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Doclisboa'21: The Exit of the Trains / Ieşirea trenurilor din gară (2020), de Radu Jude e Adrian Cioflâncă

*8/10*

No Doclisboa 2021, The Exit of the Trains (Ieşirea trenurilor din gară), de Radu Jude e Adrian Cioflâncă, são quase três horas que espelham a crueldade de que o ser humano é capaz. Um marco de História, um documentário brutal sobre o papel da Roménia no Holocausto. Um alerta fortíssimo para que nada se volte a repetir.

Já em I Do Not Care If We Go Down in History as Barbarians, de 2018, Radu Jude tinha abordado as atrocidades que marcam o passado recente romeno. Desta vez, o resultado é muito mais impactante, recorrendo aos arquivos, entre imagens e a leitura de testemunhos reais.

"Um ensaio totalmente constituído por fotografias de arquivo e documentos do primeiro grande massacre de judeus na Roménia: na cidade de Iași, a 29 de Junho de 1941, foram mortos mais de 10 000 – primeiro, à bala; depois, por asfixia em comboios de mercadorias. Na primeira parte do filme, fotografias das pessoas que acabaram por ser mortas pelo exército romeno e por civis são acompanhadas por vozes que recitam os documentos relacionados com o destino do massacre. A segunda parte é uma montagem das restantes fotografias do massacre em si (tiradas na sua maioria por soldados alemães que estavam na cidade)."

O poder da memória que as imagens guardam tem em si um impacto surpreendente. The Exit of the Trains comove e revolta, pela violência que descreve e ilustra. Não há palavras que descrevam a dimensão do documentário, bem como do massacre levado a cabo em 1941. 

Através de um exaustivo trabalho de pesquisa, Radu Jude e Adrian Cioflâncă criam o filme que todos deviam ver - sejam romenos ou não -, num confronto grotesco com um Passado que tantos fazem por esquecer. Urge lembrar e denunciar os horrores, honrar as vitimas e lutar para que nunca volte a acontecer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Doclisboa'21: Radio Silence / Silence radio (2019), de Juliana Fanjul

*7/10*

Radio Silence, de Juliana Fanjul, traz-nos um relato da luta pela liberdade de imprensa no México e a jornada de coragem de uma das maiores jornalistas do país. O documentário faz parte do programa Ficaram Tantas Histórias Por Contar do Doclisboa 2021.

"México, Março de 2015. Carmen Aristegui, jornalista incorruptível, é despedida da estação de rádio onde trabalha há anos. Mas Carmen prossegue com a sua batalha: consciencializar e lutar contra a desinformação. O filme conta a história dessa missão difícil e perigosa, mas essencial para a saúde da democracia. Uma história em que a resistência se torna numa forma de sobrevivência."

Do despedimento da rádio pública ao desenvolvimento do novo projecto online, onde Carmen quis continuar a investigar e a expor a corrupção na política mexicana, a realizadora Juliana Fanjul acompanhou a jornalista durante quatro anos. Testemunhou e experienciou, na primeira pessoa, o clima de terror e perseguição que os jornalistas e quem os acompanha vivem diariamente no México. Registou as batalhas de Carmen e dos seus colegas; a comoção de assistir às notícias do assassinato de um colega, sem saber se tal algum dia calhará a outro jornalista; mas filmou também a esperança optimista deste grupo, que não desiste, e a admiração total de quem acompanha o seu trabalho.

Juliana Fanjul deixou-se contagiar pela coragem de Carmen Aristegui Radio Silence é mais uma voz contra a censura, contra os desaparecimentos e mortes no México. É uma denúncia ao mundo que clama por Verdade e Justiça.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Crítica: Borat, o Filme Seguinte / Borat Subsequent Moviefilm (2020)

"People make recognize my face. I would need disguises."

Borat


*7/10*

Em 2006, Sacha Baron Cohen trouxe-nos o primeiro filme dedicado à icónica personagem, Borat, e o seu regresso, em 2020, foi muito esperado e auspicioso. Incisivo e provocador, Borat, o Filme Seguinte, realizado por Jason Woliner, veio na altura certa, filmado em plena pandemia, estreado em vésperas das eleições norte-americanas. 

"Com o extenso título Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan esta é a sequela do falso documentário que acompanha Borat Sagdiyev, um jornalista fictício da televisão cazaque, numa viagem pelos Estados Unidos. De volta à América, Borat lança-se nos temas da atualidade: o novo vírus, o racismo, a violência policial e, claro, Donald Trump."


O tom de falso documentário (mas que, realmente, tem muito de documental) mantém-se, mas agora toda a gente sabem quem é Borat - ou quase, já que muitos apoiantes de Trump não parecem reconhecê-lo, ou sequer desconfiar da paródia, acolhendo-o em sua casa e alinhando nas suas brincadeiras hilariantes. Ainda assim, no meio de protestos, comícios e uma pandemia, Sacha Baron Cohen arriscou-se muito mais do que no primeiro filme, chegando a usar um colete à prova de balas durante a rodagem.

Desta vez, contudo, o actor não brilha sozinho. Ao seu lado, a búlgara Maria Bakalova é uma das grandes revelações da época, na pele de Tutar, filha de Borat. Corajosa - a cena com Rudy Giuliani ficará para a história -, aparentemente inocente, segura e divertida, a jovem fez uma dupla inesquecível com o protagonista e cativou muitas atenções, para além de ter dado à longa-metragem um lado feminista, especialmente necessário no contexto dos acontecimentos.


Politicamente incorrecto - as provocações a Mike Pence e a outros conservadores marcam grandes momentos do filme -, Borat regressou quando mais era necessário, retomando as suas aventuras inacreditáveis, e tocando nos temas-chave que continuam a dividir a sociedade norte-americana - e parte do mundo.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Doclisboa'21: Anunciaron tormenta / A Storm Was Coming (2020), de Javier Fernández Vázquez

*6.5/10*


Anunciaron tormenta (A Storm Was Coming), de Javier Fernández Vázquez, faz parte do programa Ficaram Tantas Histórias Por Contar, do Doclisboa 2021, e pretende reflectir sobre o domínio colonial espanhol na Guiné Equatorial. Entre o que está documentado oficialmente e a tradição oral, a História vai-se reescrevendo.

"Em 1904, Ësáasi Eweera, o último líder bubi que se opôs ao domínio espanhol na actual ilha de Bioco (Guiné Equatorial), foi detido por guardas coloniais e levado à força para a capital da colónia, onde morreu passados três dias. A sua aldeia natal foi incendiada e a maior parte dos seus habitantes desapareceu. Alguns relatos orais sobreviveram e opuseram-se à versão oficial espanhola, procurando contribuir para uma espécie de memória colectiva emancipada. O filme procura reflectir sobre as lacunas, os silêncios, as contradições e as falsidades sobre os quais assenta normalmente a história colonial."

Javier Fernández Vázquez pretende contrapor a versão oficial, preservada nos arquivos espanhóis, à versão transmitida através da tradição oral, que tem passado de geração em geração na zona de Moka, na ilha de Bioco.

O realizador leva-nos ao local onde terá sido a aldeia dos bubi, o hospital onde se diz ter morrido Ësáasi Eweera, e outros locais, entre filmagens no local ou sobreposições de imagens dos tempos coloniais e da actualidade. Os testemunhos que recolhe revelam bem os fantasmas do colonialismo que continuam a pairar e a marcar o passado de um povo.

Através de fotografias antigas, leitura de documentos oficiais e filmes, Anunciaron tormenta reconstrói as duas versões da História, e regista o que tantos quiseram apagar - ou tiveram medo de contar.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Doclisboa'21: A Morte Branca do Feiticeiro Negro / The White Death of the Black Wizard (2020), de Rodrigo Ribeiro

*7/10*

A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro, faz parte do programa Ficaram Tantas Histórias Por Contar do Doclisboa 2021. Um filme que aborda fantasmas do passado, ao mesmo tempo que serve de elogio a um homem, símbolo dos antigos escravos afro-brasileiros.

"Memórias do passado esclavagista brasileiro transbordam em paisagens etéreas e ruídos angustiantes. Através de um ensaio poético visual, uma reflexão sobre silenciamento e invisibilidade do povo negro em diáspora, numa jornada íntima e sensorial."

Em 10 minutos de filme, Rodrigo Ribeiro é capaz de nos arrebatar, ao mostrar-nos imagens de arquivo, acompanhadas das frases de uma carta de suicídio de Timóteo, um escravo afro-brasileiro do século XIX. 

A Morte Branca do Feiticeiro Negro é um trabalho experimental que nos toca, com uma banda sonora alinhada com a estética da curta-metragem, em que o passado continua presente e, como diz a nota final do filme, continuará "ecoando no vazio surdo do tempo até encontrar no coro de vozes a liberdade plena e justa".

Prémios Sophia Estudante 2021: Vencedores

A Academia Portuguesa de Cinema anunciou os vencedores da 7.ª edição dos Prémios Sophia Estudante, esta Sexta-feira, 19 de Fevereiro, numa sessão online. Pela primeira vez em formato virtual, a sessão foi acompanhada por alunos e professores das escolas de cinema de todo o país.

Das 26 curtas-metragens nomeadas, foram seleccionados os três primeiros classificados de cada categoria para disputarem o Grande Prémio Sophia Estudante que será entregue na cerimónia dos Prémios Sophia 2021. O vencedor receberá ainda um prémio monetário de 5 mil euros, patrocinado pela NOS, de forma a incentivar a produção do próximo projecto.

Eis a lista de vencedores:

Melhor Curta-Metragem de Animação

1º Lugar - Nós os Lentos, de Jeanne Waltz - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia - ULHT

2º Lugar - Palavras Gastas, de Maria Giraldes - Escola das Artes – UCP

3º Lugar - Santuário, de Diogo Samuel, Hugo Santos, Pedro Bilé e Tyffany Reis - Instituto Politécnico de Portalegre - ESTG IPP


Melhor Curta-Metragem Documentário

1º Lugar - No Fim do Mundo, de Abraham Escobedo-Salas - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia - ULHT

2º Lugar - Camaradas de Armas, de Catarina Henriques - Universidade da Beira Interior - UBI

3º Lugar - Mãos de Prata, de Catarina Gonçalves - Escola das Artes – UCP

3º Lugar - Bacon, de Faizan Ali - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia - ULHT


Melhor Curta-Metragem Experimental

1º Lugar - Semear, Ouvir, Fluir, de Irina Oliveira - ESAD.CR

2º Lugar - The Namelessness Dance, de María Angélica Contreras - Universidade da Beira Interior - UBI

3º Lugar - Noctur, de Ana Vala - Ar.Co Centro de Arte e Comunicação Visual


Melhor Curta-Metragem de Ficção

1º Lugar - Igor, de Rafael Almeida, Tom Vitor de Freitas e Marcos Kontze - Universidade da Beira Interior - UBI

2º Lugar - O Copo, de Rodrigo Ferreira - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia - ULHT

3º Lugar - Alvorada, de Carolina Neves - Escola das Artes – UCP


Melhor Cartaz

1º Lugar - A Eternidade E Uma Noite

Designer Tomás Barão da Cunha - Escola Superior de Media Artes e Design - ESMAD


2º Lugar - Des-Abrigo

Designer Tatiana Costa - ETIC Algarve


3º Lugar - Hipocampo

Designers Joana Carvalho e David Matoso - ETIC Escola de Tecnologias, Inovação e Criação


Mais informações sobre a Academia Portuguesa de Cinema e os Prémios Sophia em https://www.academiadecinema.pt/.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

A HBO Portugal em 2021

A HBO Portugal divulgou alguns dos novos títulos que poderão ser vistos ao longo de 2021 neste serviço de streaming. Entre séries, filmes e documentários, eis algumas das novidades:

Allen v. Farrow 

"Dos cineastas nomeados para os Oscars Kirby Dick & Amy Ziering e Amy Herdy, é uma série documental de quatro partes que vai além de décadas de manchetes sensacionalistas para revelar a história privada de um dos mais conhecidos e falados escândalos de Hollywood: a acusação de abuso sexual contra Woody Allen que envolvia Dylan, a sua filha de então sete anos, fruto da relação com Mia Farrow, o julgamento de custódia subsequente, a revelação do relacionamento de Allen com a filha de Mia Farrow, Soon-Yi e as consequências controversas nos anos que se seguiram. Estreia dia 22 de Fevereiro."


Genera+ion 

"Criada por Zelda Barnz e Daniel Barnz, Genera+ion é uma série sombria, mas lúdica, que acompanha um grupo de estudantes do ensino secundário, cuja exploração da sexualidade moderna testa crenças profundamente enraizadas sobre a vida, o amor e a natureza da família, na sua comunidade conservadora. Produzida por Lena Dunham. Estreia a 11 de Março."

 

Liga da Justiça de Zack Snyder 

"Na nova longa-metragem da Warner Bros. Pictures e da DC, Bruce Wayne (Ben Affleck) está determinado a garantir que o sacrifício final do Super-Homem (Henry Cavill) não tenha sido em vão, e junta forças com Diana Prince (Gal Gadot) para recrutar uma equipa de meta-humanos para proteger o mundo de uma ameaça iminente de proporções catastróficas. Estreia a 18 de Março."

 

The Nevers 

"Passada no século XIX, a série gira em torno de um grupo de pessoas, os Touched (Tocados), que de repente manifestam habilidades incomuns. Liderados por Amalia True (Laura Donnelly) e Penance Adair (Ann Skelly), os Touched (Tocados) usam os seus novos poderes para lutar em nome dos membros esquecidos da história. Estreia em Abril."

 

Manifest 

"Mais de um ano se passou desde o regresso milagroso do voo 828 e a descoberta de outras pessoas que regressaram misteriosamente. Nesta terceira temporada, enquanto a família Stone se esforça para manter os seus amigos seguros e fazer os seus inimigos acreditarem no inacreditável, novos desafios irão testar a sua confiança nos "chamamentos" e uns nos outros. Mas, permanecerem juntos é mais importante do que nunca, porque independentemente do que aconteça, está tudo interligado. Estreia dia 2 de Abril."

 

Mare of Easttown 

"Minissérie protagonizada por Kate Winslet no papel de Mare Sheehan, uma detective da Pensilvânia, que investiga um homicídio local à medida que a sua própria vida desaba. Também protagonizada por Julianne Nicholson, Guy Pearce e Jean Smart. Estreia a 19 de Abril."

 

In Treatment

"A quarta temporada da série de drama, vencedora do Emmy®, passa-se em Los Angeles, nos dias de hoje, e traz um trio diversificado de pacientes em sessão com Brooke, para ajudar a ultrapassar várias preocupações modernas. Questões como a pandemia global e as recentes grandes mudanças sociais e culturais são o pano de fundo para o trabalho que Brooke vai desenvolver - enquanto lida com complicações na sua própria vida pessoal. Estreia em Maio."

 

Scenes from a Marriage 

"Hagai Levi pega na série pioneira dos anos 70, de Ingmar Bergman e leva a história da Suécia para a América. Oscar Isaac e Jessica Chastain são o casal em destaque nesta série, com uma relação de uma década, desde a renovação de votos, um divórcio, até uma reconciliação ilícita."

 

The White Lotus

"Do escritor, realizador e produtor executivo, Mike White, a minissérie desenrola-se num resort tropical exclusivo e acompanha os feitos de vários convidados e empregados, ao longo de uma semana. Protagonizada por Murray Bartlett, Connie Britton, Jennifer Coolidge, Sydney Sweeney, Steve Zahn e Molly Shannon."

 

Gossip Girl

"'Olá, Upper East Siders'", há uma nova versão de Gossip Girl que estreia em 2021, com Joshua Safran, escritor e produtor executivo da série original, que volta como o criador da série. Com um elenco novinho em folha, mas com uma das personagens favoritas que volta: Kristen Bell como a voz da Gossip Girl."

 

Oslo 

"Originalmente uma peça de J.T. Rogers, vencedora de um Prémio Tony, o novo filme conta a verdadeira história dos Acordos de Paz de Oslo de 1993, que foram concebidos pelo casal norueguês Mona Juul (Ruth Wilson) e Terje Rød-Larsen (Andrew Scott)."

 

Made for Love 

"Uma história sombria, insensata e cinicamente dolorosa de divórcio e vingança, baseada no romance de Alissa Nutting. A série mostra o quão longe algumas pessoas vão pelo amor e mais longe ainda outras vão para o destruir. Protagonizada por Cristin Milioti e realizada por S.J. Clarkson."

 

Kung Fu 

"Uma crise de um quarto de vida faz com que uma jovem sino-americana (Olivia Liang), abandone a faculdade e parta numa viagem de mudança de vida, para um mosteiro isolado na China. Mas, quando regressa e encontra a sua cidade natal invadida pelo crime e pela corrupção, usa as suas habilidades de artes marciais e os valores do Mosteiro Shaolin para proteger a sua comunidade e levar os criminosos à justiça. Inspirada pela série original de Ed Spielman, é criada por Christina M. Kim."

Na produção original da HBO Europe, além de VITALS, que estreou recentemente, é esperada a nova produção original espanhola TODO LO OTRO. Aguarda-se também a estreia da primeira produção original dinamarquesa, KAMIKAZE, a série de documentários suecos sobre crimes reais, PRAY, OBEY, KILL, com estreia a 4 de Abril, e o drama norueguês, WELCOME TO UTMARK, a estrear a 18 de Abril. A segunda temporada da série norueguesa, BEFOREIGNERS, está em produção e deverá estrear ainda este ano.


Na HBO Portugal vão estrear ainda novas temporadas de:

SUCCESSION - Temporada 3

INSECURE - Temporada 5

CALMA, LARRY - Temporada 11

A BLACK LADY SKETCH SHOW - Temporada 2 

BETTY - Temporada 2 

ROSWELL: NEW MEXICO - Temporada 3

WHY WOMEN KILL - Temporada 2

POSE - Temporada 3

DOOM PATROL - Temporada 3

BARRY - Temporada 3

AUGA SECA - Temporada 2


HBO Portugal passa a HBO Max

Na segunda metade de 2021, a HBO Portugal vai evoluir para a HBO Max. A partir desse momento, será feita uma antevisão ao ano de 2022, que trará a prequela de A Guerra dos Tronos, HOUSE OF DRAGON, novas séries e filmes, entre outras novidades a anunciar. A nova série AND JUST LIKE THAT… e a segunda temporada de EUPHORIA também têm chegada prevista.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Filmes a Não Perder em 2021

As salas de cinema continuam fechadas, mas há estreias muito ansiadas para 2021. Entre adiamentos ou estreias no streaming, nada como olhar para os títulos mais esperados nos próximos meses em Portugal.

Mais Uma Rodada (Druk / Another Round)


"Martin e três colegas, professores cansados do ensino secundário, embarcam numa experiência com base na teoria de que o ser humano devia nascer com uma pequena quantidade de álcool no sangue e que a embriaguez moderada abre as mentes para o mundo ao redor, diminuindo os problemas e aumentando a criatividade. Se Churchill venceu a Segunda Guerra Mundial ébrio, quem sabe o que alguns copos podem fazer por eles e pelos seus alunos? Os resultados iniciais são positivos e o pequeno projeto dos professores transforma-se num estudo académico sério."

O Pai (The Father)


"À medida que envelhece, um homem recusa toda a assistência que a filha lhe oferece. Enquanto tenta compreender as circunstâncias que mudam à sua volta, começa a duvidar dos que o rodeiam, da sua própria mente e da realidade."

Liga da Justiça, de Zack Snyder (Zack Snyder's Justice League)


"Em Liga da Justiça, Bruce Wayne (Ben Affleck) está determinado a garantir que o sacrifício final do Super-Homem (Henry Cavill) não tenha sido em vão, e junta forças com Diana Prince (Gal Gadot) para recrutar uma equipa de meta-humanos para proteger o mundo de uma ameaça iminente de proporções catastróficas. A tarefa é mais difícil do que Bruce imaginou, uma vez que cada um dos recrutas terá de enfrentar os seus próprios demónios do passado para seguir em frente e, dessa forma, formarem uma liga de heróis sem precedentes. O problema é que Batman (Affleck), Mulher Maravilha (Gadot), Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller), podem chegar demasiado tarde para salvar o planeta dos vilões Steppenwolf, DeSaad e Darkseid."

Nomadland - Sobreviver na América (Nomadland)


"Após perder tudo na última grande recessão económica, Fern (Frances McDormand), uma mulher na casa dos sessenta anos, prepara a sua carrinha e parte pela estrada numa viagem pelo oeste americano, explorando uma vida fora da sociedade convencional, como uma nómada moderna."

Minari


"Estamos na década de 1980 e David, um menino americano de sete anos com ascendência coreana depara-se com um novo ambiente e um estilo de vida diferente quando o pai, Jacob, se muda com a família da Costa Oeste para uma zona rural do Arkansas. A mãe, Monica, fica horrorizada por morarem numa casa móvel no meio do nada e o pequeno e travesso David e a sua irmã estão entediados e sem rumo. Enquanto isso, Jacob, determinado a criar uma fazenda em solo inexplorado, coloca em risco as suas finanças, o seu casamento e a estabilidade da família."

Estados Unidos vs. Billie Holiday (The United States vs. Billie Holiday)


"Em plena era de segregação racial nos EUA, Billie Holiday era uma artista de sucesso no mundo do jazz. Contudo, a infância traumática e os obstáculos que enfrentou cedo a conduziram ao alcoolismo e à dependência da heroína. Em 1937, o Senado recusa aprovar um projeto de lei para proibir o linchamento de afro-americanos. Em resposta, Billie Holiday começa a incluir no seu reportório a canção Strange Fruit, escrita por Abel Meeropol, que compara os negros enforcados aos frutos das árvores do Sul. Esse facto e a criminalização do uso estupefacientes levaram Holiday a ser um dos primeiros alvos do Departamento Federal de Narcóticos no que seria a desastrosa 'guerra às drogas' levada a cabo nos Estados Unidos durante décadas."

Viúva Negra (Black Widow)


"Natasha Romanoff, em fuga após desobedecer aos Acordos de Sokovia e por ajudar Steve Rogers, vê-se sozinha e forçada a lidar com alguns assuntos pendentes..."

Cruela (Cruella)


"Passado em Londres, durante a revolução punk dos anos de 1970, o filme segue uma jovem vigarista chamada Estella, inteligente e criativa, determinada a fazer nome com as suas criações de moda. Trava amizade com um par de jovens ladrões que apreciam o seu apetite por travessuras e juntos constroem uma vida nas ruas de Londres. Um dia, o talento de Estella para a moda chama a atenção da Baronesa von Hellman, uma lenda da moda incrivelmente chique, interpretada por Emma Thompson. A relação entre ambas inicia um conjunto de acontecimentos e revelações que farão com que Estella abrace o seu lado mais lado perverso."

Rifkin's Festival


De Woody Allen. "A história de um casal americano que se desloca até ao Festival de Cinema de San Sebastian. Deixam-se envolver pela magia do festival, pela beleza e charme da Espanha e pela fantasia do cinema. Ela tem um caso com um brilhante diretor de cinema francês e ele apaixona-se por uma bela espanhola."

Velocidade Furiosa 9 (Fast & Furious 9)


"Dominic Toretto leva uma vida tranquila com Letty e seu filho, o pequeno Brian, mas sabem que o perigo se esconde no horizonte. Desta vez, a ameaça forçará Dom a enfrentar erros do passado, se  quiser salvar aqueles que mais ama. A equipa une-se para impedir uma conspiração que pode abalar o mundo, liderada pelo melhor condutor e o mais impiedoso assassino que já encontraram, um homem que é também o irmão esquecido de Dom, Jakob."

Annette

De Leos Carax. "Um humorista e a sua mulher, cantora de ópera, têm uma filha de dois anos com um surpreendente dom."

Mínimos 2: A Ascensão de Gru (Minions: The Rise of Gru)


Top Gun: Maverick


"Após mais de 30 anos de serviço como um dos melhores aviadores da Marinha, Pete 'Maverick' Mitchell (Tom Cruise) está onde deveria estar: a voar nos limites como piloto de testes e a evitar uma subida na hierarquia que o colocaria fora dos cockpits. Durante o treino de um destacamento de oficiais Top Gun para uma missão especializada, Maverick encontra o Tenente Bradley Bradshaw (Miles Teller), nome de código 'Rooster', filho do falecido amigo de Maverick,  Nick Bradshaw. Face a um futuro incerto e confrontado com fantasmas do passado, Maverick é obrigado a enfrentar os seus medos mais profundos, culminando numa missão que exige o sacrifício daqueles que forem escolhidos para voar nela."

Old


De M. Night Shyamalan. "Uma família numa viagem aparentemente normal até uma praia isolada, descobre que o sítio tem efeitos ocultos nos seus corpos à medida que começam a envelhecer rapidamente."

The Suicide Squad

De James Gunn.

Respect


"Acompanha a ascensão da carreira de Aretha Franklin, desde os tempos de criança, quando cantava no coro da igreja do seu pai, até atingir o reconhecimento internacional. Uma história verídica e notável da jornada da icónica cantora e compositora norte-americana de R&B para encontrar a sua voz."

Um Lugar Silencioso 2 (A Quiet Place Part II)


"Após os acontecimentos mortais ocorridos em sua casa, a família Abbott (Emily Blunt, Millicent Simmonds, Noah Jupe) terá agora de enfrentar os terrores do mundo exterior enquanto continua a lutar em silêncio pela sobrevivência. Forçados a arriscar no desconhecido, rapidamente percebem que as criaturas que caçam pelo som não são as únicas ameaças que se escondem além do caminho de areia."

Duna (Dune)


"No ano 10191, numa sociedade feudal intergaláctica, em que casas nobres são responsáveis por planetas, a Casa Atreides aceita administrar o cobiçado planeta Arrakis, rico na especiaria Melange - uma substância capaz de desbloquear o potencial da humanidade. À medida que a família toma posse de Arrakis, as tensões entre casas desencadeiam uma batalha pelo controlo do planeta."

007: Sem Tempo Para Morrer (No Time to Die)


"Daniel Craig regressa para interpretar o agente secreto James Bond no 25.º filme com a personagem criada pelo escritor Ian Fleming. Retirado do serviço ativo, 007 tenta levar uma vida calma e pacífica na Jamaica quando recebe uma visita do seu amigo Felix Leiter, da CIA que procura ajuda para resgatar um cientista raptado. Mais perigosa do que inicialmente dava a parecer, a missão acaba por levar 007 até um misterioso vilão armado com uma nova e perigosa tecnologia."

Halloween Mata (Halloween Kills)


"Sequela da produção da Blumhouse estreada em 2018. A saga de Michael Myers e Laurie Strode continua."

Para finais de 2021, estão previstas as estreias de outros títulos muito esperados: Mission: Impossible 7, de Christopher McQuarrie, West Side Story, de Steven Spielberg, The Matrix 4, de Lana Wachowski.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Doclisboa'21 - Ficaram Tantas Histórias por Contar e Arquivos do Presente: 9 Filmes a Não Perder

O Doclisboa regressa este mês com mais dois momentos, desta vez online. Ficaram Tantas Histórias por Contar acontece de 18 a 24 de Fevereiro, e Arquivos do Presente tem lugar entre 25 de Fevereiro e 3 de Março. O Hoje Vi(vi) um Filme deixa-te algumas sugestões de filmes que não deves perder.

Ficaram Tantas Histórias por Contar

A Morte Branca do Feiticeiro Negro (The White Death of the Black Wizard), de Rodrigo Ribeiro


"Memórias do passado esclavagista brasileiro transbordam em paisagens etéreas e ruídos angustiantes. Através de um ensaio poético visual, uma reflexão sobre silenciamento e invisibilidade do povo negro em diáspora, numa jornada íntima e sensorial."

A Storm Was Coming (Anunciaron tormenta), de Javier Fernández Vázquez


"Em 1904, Ësáasi Eweera, o último líder bubi que se opôs ao domínio espanhol na actual ilha de Bioco (Guiné Equatorial), foi detido por guardas coloniais e levado à força para a capital da colónia, onde morreu passados três dias. A sua aldeia natal foi incendiada e a maior parte dos seus habitantes desapareceu. Alguns relatos orais sobreviveram e opuseram-se à versão oficial espanhola, procurando contribuir para uma espécie de memória colectiva emancipada. O filme procura reflectir sobre as lacunas, os silêncios, as contradições e as falsidades sobre os quais assenta normalmente a história colonial."

Radio Silence (Silence radio), de Juliana Fanjul


"México, Março de 2015. Carmen Aristegui, jornalista incorruptível, é despedida da estação de rádio onde trabalha há anos. Mas Carmen prossegue com a sua batalha: consciencializar e lutar contra a desinformação. O filme conta a história dessa missão difícil e perigosa, mas essencial para a saúde da democracia. Uma história em que a resistência se torna numa forma de sobrevivência."

The Exit of the Trains (Ieşirea trenurilor din gară), de Radu Jude e Adrian Cioflâncă


"Um ensaio totalmente constituído por fotografias de arquivo e documentos do primeiro grande massacre de judeus na Roménia: na cidade de Iași, a 29 de Junho de 1941, foram mortos mais de 10 000 – primeiro, à bala; depois, por asfixia em comboios de mercadorias. Na primeira parte do filme, fotografias das pessoas que acabaram por ser mortas pelo exército romeno e por civis são acompanhadas por vozes que recitam os documentos relacionados com o destino do massacre. A segunda parte é uma montagem das restantes fotografias do massacre em si (tiradas na sua maioria por soldados alemães que estavam na cidade)."

The Dream (Al-Manam), de Mohammad Malas


"Rodado em 1980 e 81, o filme é composto por entrevistas com vários refugiados palestinianos, incluindo crianças, mulheres, velhos e militantes dos campos refugiados de Sabra, Chatila, Bourj el-Barajneh, Ain al-Hilweh e Rashidieh, no Líbano. Malas, que viveu nos campos durante a rodagem e entrevistou mais de 400 pessoas, pergunta pelos sonhos à noite e estes convergem sempre na Palestina. Em 1982, deram-se os massacres de Sabra e Chatila, que mataram várias das pessoas que entrevistara, e Malas deixou de trabalhar no projecto, ao qual regressou em 1986."

Arquivos do Presente

Antena da Raça (Race Antenna), de Paloma Rocha e Luís Abramo


"O filme apropria-se e discute a realidade brasileira com base em diálogos, excertos e cenas dos filmes viscerais de Glauber Rocha e no seu desejo de “retirar as máscaras” da saga terceiro-mundista do Brasil. A loucura lúcida das fábulas glauberianas está na rua e na política, sendo o povo hoje o contra-campo dos personagens dos seus filmes."

Bulletproof, de Todd Chandler


"Bulletproof analisa as complexidades da violência nas escolas através das estratégias empregues para a sua prevenção. O filme atenta nos rituais de longa data dentro e em torno das escolas americanas: desfiles de regresso a casa, treinos de basquetebol e aulas de matemática. Em paralelo, desenrola-se um conjunto de tradições mais recentes: exercícios de encerramento, treino de armas de fogo para professores, rastreios com detectores de metais e feiras de segurança escolar. Um olhar para lá das causas e respostas imediatas aos massacres numa meditação sobre as forças que moldam a cultura de violência nos EUA."

After Your Revolt, Your Vote (Après ta révolte, ton vote), de Kiswendsida Parfait Kaboré


"No seguimento de um levantamento popular em Outubro de 2014, o Burquina Faso compromete-se com um voto histórico. Graças a um movimento liderado pela geração jovem, é a primeira vez que o país testemunha uma mudança de governo por via das urnas eleitorais."

Shady River (Río Turbio), de Tatiana Mazú González


"De acordo com o mito ainda vigente nas cidades de carvão da Patagónia, se uma mulher entrar numa mina, a terra fica ciumenta. Segue-se colapso e morte. O filme parte de uma experiência pessoal sombria para se centrar no silêncio de mulheres que vivem em aldeias de homens. Como filmar onde a própria presença é proibida? Como registar os ecos do que não soa? Com o nevoeiro e o fumo da central eléctrica a cobrir a cidade, as vozes das mulheres de Río Turbio forçam a passagem entre o branco do gelo e o zumbido das máquinas de perfuração até rebentarem com a estrutura de silêncio."

Mais informações sobre o festival em https://doclisboa.org/2020/.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Bandas Sonoras #6

Foi lançada há poucos dias a banda sonora do filme de Gonçalo Almeida, Faz-me Companhia.  São 15 temas originais do músico Ernesto Rodrigues em parceria com o realizador, que é também compositor e músico.


"O álbum, inspirado nas sonoridades dos anos 80, por culpa de Jean Michel Jarre, Bonnie Tyler e Vangelis, cria a atmosfera perfeita que complementa o mistério em torno da estranha relação amorosa das personagens principais, Sílvia e Clara, interpretadas por Cleia Almeida e Filipa Areosa", refere o realizador em comunicado. Na realidade, os temas inserem-nos na acção do filme de terror português, estreado no Verão passado, com uma ambiência sombria e desconfortável mas com um toque quase romântico.

Composta na sua maioria por temas curtos e atmosféricos, por vezes as vozes das personagens acompanham a música de Faz-me Companhia, inserindo um elemento de ligação quase fantasmagórico - e cativando a curiosidade de quem ainda não assistiu ao filme.

"O laboratório desta criação foi um retiro musical, em 2018, no litoral alentejano - cenário da rodagem do próprio filme - onde houve a oportunidade de fazer experiências e induzir inquietações, traduzidas para canções que não necessitam de letra. Misturando texturas de sintetizadores e algumas interações de theremin, cada faixa permitiu que Gonçalo e Ernesto explorassem os seus opostos, espelhando os conflitos entre as personagens e as emoções que surgem à volta de uma casa assombrada", acrescenta Gonçalo Almeida, que também assinou a banda sonora da sua premiada curta-metragem Thursday Night.

O álbum Faz-me Companhia está disponível nas plataformas digitais: Spotify; Apple Music; Google Play e Tidal

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Crítica: Notícias do Mundo / News of the World (2020)

"See all those words printed in a line one after the other? Put 'em all together and you have a story."

Captain Kidd

*6/10*

Paul Greengrass alia-se novamente a Tom Hanks (depois de Capitão Phillips) para levar Notícias do Mundo (News of the World), pela América pós-guerra civil. O filme chega-nos pela Netflix, e revela-nos a jovem actriz alemã Helena Zengel.

"Cinco anos após o fim da Guerra Civil, o Capitão Jefferson Kyle Kidd (Hanks), viúvo e veterano de três guerras, desloca-se de cidade em cidade como um contador de histórias reais, partilhando notícias de presidentes e rainhas, lutas gloriosas, catástrofes devastadoras e aventuras emocionantes nos confins do globo. Nas planícies do Texas, cruza-se com Johanna (Helena Zengel), uma menina de 10 anos, acolhida pelo povo Kiowa seis anos antes e criada como um dos seus. Hostil a um mundo que ela nunca conheceu, Johanna está prestes a ser devolvida aos seus tios biológicos. Kidd concorda em entregar a criança onde a lei diz que ela pertence. À medida que viajam centenas de quilómetros, os dois enfrentam enormes desafios, humanos e naturais, enquanto procuram um lugar a que possam chamar lar."

Baseado no romance homónimo de Paulette Jiles, Notícias do Mundo, em tons e ambiente de western, faz-nos viajar pelos territórios sulistas decadentes e racistas, sem lei ou ordem, guiados por protagonistas solitários e de passado trágico. 

Mas Notícias do Mundo é previsível e está longe de ser brutal, estando os horrores subentendidos ou revelados através de mensagens subliminares. E se, numa das paragens de Kidd, este quase é culpabilizado por incitamento à revolta - apenas por ler uma notícia de reivindicação de melhores condições de trabalho -, ao espectador não provocará grande comoção. Paul Greengrass lança as críticas mas não as espicaça ou questiona, no longo caminho que percorre, e quase foge delas para viver a sua vida em paz, mesmo que Kidd e Johanna tenham de enfrentar crimes, ameaças e preconceitos. 

Tom Hanks está à vontade na pele desde veterano de guerra nómada, que ganha a vida a levar notícias aos outros, enquanto foge do seu próprio destino. À sua altura, está a companheira de viagem Johanna, interpretada pela jovem actriz alemã Helena Zengel, que, com poucas falas - normalmente no dialeto do povo Kiowa ou alemão -, conquista o ecrã, quer pela inocência, pelo olhar selvagem e desconfiado, pelos gestos, gritos, e pela naturalidade com que se emociona, move ou relaciona com Hanks

Visualmente, Notícias do Mundo ganha pontos, pela direcção de fotografia que proporciona belos planos, diurnos ou nocturnos, das planícies sem fim;  bem como pela direcção artística, fabulosa na representação da época, com a banda sonora de James Newton Howard, a adensar todo o ambiente de western.

Paul Greengrass não acompanhou as aventuras dos seus protagonistas, nem desafiou cânones ou estigmas. Preferiu jogar seguro, com uma dupla forte ao comando e uma história simples e harmoniosa, em paisagens que contam mais que a acção.

Prémios César 2021: Nomeados

Os nomeados para a 46.ª edição dos César, os prémios do cinema francês, foram anunciados esta Quarta-feira, dia 10 de Fevereiro. Os vencedores são conhecidos a 12 de Março.


Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait, de Emmanuel Mouret, lidera a corrida com 13 nomeações.

Fica a lista completa de nomeados:

MELHOR FILME
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR PRIMEIRO FILME
Deux
Garçon chiffon
Mignonnes
Tout simplement noir
Un divan à Tunis

MELHOR REALIZAÇÃO
Albert Dupontel, Adieu les cons
Maïwenn, ADN
Sébastien Lifshitz, Adolescentes
Emmanuel Mouret, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
François Ozon, Été 85

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Albert Dupontel, Adieu les cons
Caroline Vignal, Antoinette dans les Cévennes
Emmanuel Mouret, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Filippo Meneghetti, Malysone Bovorasmy, Deux
Benoît Delépine, Gustave Kervern, Effacer l'historique

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Olivier Assayas, Cuban Network
Hannelore Cayre, Jean-Paul Salomé, La Daronne
François Ozon, Été 85
Stéphane Demoustier, La fille au bracelet
Eric Barbier, Petit pays

MELHOR ACTRIZ
Laure Calamy, Antoinette dans les Cévennes
Martine Chevallier, Deux
Virginie Efira, Adieu les cons
Camélia Jordana, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Barbara Sukowa, Deux

MELHOR ACTOR
Sami Bouajila, Un fils
Jonathan Cohen, Enorme
Albert Dupontel, Adieu les cons
Niels Schneider, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Lambert Wilson, De Gaulle

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Fanny Ardant, ADN
Valéria Bruni Tedeschi, Été 85
Emilie Dequenne, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Noémie Lvovsky, La bonne épouse
Yolande Moreau, La bonne épouse

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Edouard Baer, La bonne épouse
Louis Garrel, ADN
Benjamin Lavernhe, Antoinette dans les Cévennes
Vincent Macaigne, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Nicolas Marié, Adieu les cons

MELHOR ACTRIZ REVELAÇÃO
Mélissa Guers, La fille au bracelet
India Hair, Poissonsexe
Julia Piaton, Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Camille Rutherford, Felicita
Fathia Youssouf, Mignonnes

MELHOR ACTOR REVELAÇÃO
Guang Huo, La nuit venue
Félix Lefebvre, Été 85
Benjamin Voisin, Été 85
Alexandre Wetter, Miss
Jean-Pascal Zadi, Tout simplement noir

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Adolescentes
La cravate
Cyrille, agriculteur, 30 ans, 20 vaches, du lait, du beurre, des dettes
Histoire d'un regard
Un pays qui se tient sage

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
1917
La communion
Dark Waters
Another Round
Eva en août

MELHOR FOTOGRAFIA
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR MONTAGEM
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Adieu les cons
La bonne épouse
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
De Gaulle
Été 85

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
Adieu les cons
ADN
Antoinette dans les Cévennes
Été 85
La nuit venue

MELHOR SOM
Adieu les cons
Adolescentes
Antoinette dans les Cévennes
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
Été 85

MELHOR GUARDA-ROUPA
Adieu les cons
La bonne épouse
Les choses qu'on dit, les choses qu'on fait
De Gaulle
Été 85

MELHOR CURTA-METRAGEM
L'aventure atomique
Baltringue
Je serai parmi les amandiers
Qu'importe si les bêtes meurent
Un adieu

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Calamity, une enfance de Martha Jane Cannary
Josep
Petit vampire

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Bach-Hông
L'heure de l'ours
L'odyssée de Choum
La tête dans les orties

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Crítica: Malcolm & Marie (2021)

"You know, life is gonna get easier, but it's also gonna get harder."
Marie


*7/10*

Malcolm & Marie, de Sam Levinson, introduz-nos num ambiente pesado e desconfortável, que, inicialmente, quer calar a revolta e a mágoa entre os elementos de um casal, para, depois, disparar, sem travões, para todos os lados, em ataques cerrados. Levinson transforma as palavras em armas e leva os dois actores - e a plateia - ao limite.

"De regresso a casa após a estreia do seu filme, o cineasta Malcolm (John David Washington) e a namorada, Marie (Zendaya), aguardam o veredito da crítica. Porém, o serão sofre uma viragem surpreendente quando revelações sobre o relacionamento do casal emergem e põem à prova o seu amor."


Malcolm & Marie
parte-nos o coração por ter tanto potencial e perder o rumo. A relação dos protagonistas pode ser uma analogia à do espectador com o filme: amor/ódio. Sam Levinson dotou o seu filme de uma teatralidade imensa: duas personagens, um único espaço, uma madrugada, diálogos e monólogos intensos, com actores que enchem o ecrã. Todavia, o excesso de palavras torna as boas ideias vazias e desproporcionais às emoções do elenco. Duas interpretações tão poderosas, batem-se em diálogos inflamados e violentos, mas caem na repetição constante, esgotando temas, mágoas e razões de ambos os lados.

Deambulando sobre os clichés das relações entre críticos e realizadores, mas também sobre os silêncios entre casais, a dificuldade de comunicação, a ofensa como modo de ataque (e defesa), a brutalidade das palavras, os agradecimentos e elogios sinceros que ficam por dizer, Malcolm & Marie caminha em círculos repetitivos, até ao monólogo final de Marie.


John David Washington e Zendaya batem-se com tudo o que têm, num duo onde ela se afirma mais nos silêncios e no que fica por dizer, enquanto ele explode (ela implode) e dramatiza todas as situações. Malcolm é um homem narcisista e confiante - pelo menos aparentemente - e parece ter tudo sobre controlo; já a fragilidade de Marie reside no passado ruinoso que superou, lutando agora, através das palavras, pelo seu lugar na relação - e na vida do companheiro. Washington alterna entre o entusiasmo, o carinho e a agressividade; Zendaya, entre a contenção, a revolta e a emoção, supera-se; os dois são uma explosão de sentimentos.

Filmado em película de 35 mm, a preto e branco, a longa-metragem tem um visual elegante e sóbrio, com a iluminação num papel de destaque. Para a densidade emocional da acção, muito contribuem planos e movimentos de câmara, que deambula por toda a casa e jardim e onde até as janelas funcionam, várias vezes, como quadros (o plano dentro do plano).


Malcolm & Marie podia ser muito mais significativo e profundo, mas Sam Levinson deixou-se levar pela vaidade de Malcolm, roçando o pretensiosismo do estilo acima da substância. Contudo, o amor não nos deixará indiferentes e, mesmo sem querer, seremos seduzidos.